Recomeçar
36 Capítulo 36
Notas iniciais
― Você primeiro, Srta. Swan. ― Gold pede e adentra o quarto. Belle e Tiger Lily o seguem e Emma fecha a porta com chave logo em seguida. Agora que a maldição estava desfeita, precisavam tomar ainda mais cuidado.
A Rainha, vendo que não precisa ficar escondida, volta para a sala e fica perto de Henry.
― Bem, como você já desconfiava, ela pretende voltar no tempo. ― Fala em um tom baixo para evitar que alguém do lado de fora ouça, mesmo sabendo que o movimento é quase inexistente. ― Suas intenções são matar Tiger Lily e a Fada Azul para ficar mais poderosa e provavelmente mudar alguma coisa para conseguir ficar com você. ― Tiger Lily arregala os olhos ao ouvir que Fiona pretende matá-la.
― Previsível. ― Gold murmura, em um tom claramente decepcionado e quase inaudível, mas os outros escutam e o olham com curiosidade, exceto a Rainha, que segura uma risada pela sua clara decepção.
― E como você conseguiu saber? ― Tiger pergunta, confusa e também curiosa.
― Killian fingiu estar do lado dela para ganhar sua confiança e saber de tudo. ― A resposta de Emma deixa a fada surpresa. Ela não esperava tal atitude do capitão. Parece que ele realmente estava mudado, como havia a dito outro dia, no navio dele.
― Finalmente ele foi inteligente e fez algo de útil. ― Gold solta em um tom debochado e a Rainha segura uma risada novamente. Ela adorava a arrogância do homem quando não era ela o alvo.
― E onde ele está agora? ― Belle indaga, confusa por ele não estar presente.
― Fiona tentou nos matar quando soube da traição dele. ― A morena de cabelos longos arregala os olhos. ― Ele está no hospital. Está bem. ― Esclarece e a expressão de French se suaviza. ― Então, qual o aviso de Gideon? ― Questiona à French.
― Ele apareceu em meu sonho e disse que Fiona está perto de conseguir o que quer. Que a batalha final está para acontecer. ― Belle a responde em um tom angustiado. Falar e pensar na tal batalha sempre a deixava temerosa e preocupada.
― Killian disse que ela já estava com quase todos os ingredientes em mãos. Faltava apenas o meu coração, os poderes da Fada Azul e a varinha de Tiger Lily... ― A loira fala em um tom pensativo.
― Possivelmente, era disso que ele estava falando. ― Tiger liga os pontos e Swan assente.
― Ela virá atrás do que falta. Precisamos estar preparados. ― Emma diz, alarmada.
― É por isso que precisamos ir até o mausoléu de Regina. ― Gold diz e Emma franze o cenho em confusão. ― Com a ajuda da minha querida Belle e seus livros... ― Olha para a mulher e ela sorri sem graça por causa da forma carinhosa que ele falou. ― Conseguimos encontrar alguns ingredientes que podem consertar a varinha, e eles estão no mausoléu da Regina. Onde ela está? ― Olha através de Emma, para a porta do banheiro, acreditando que a morena possa estar lá, mas ela está aberta.
― Ela ficou lá embaixo com Zelena. ― A loira o responde e ele assente.
― Vamos? ― Ele aponta para a porta e se encaminha para ela. Tiger e Belle o acompanham, mas Emma permanece no lugar. Henry e a Rainha fazem o mesmo.
― Vão na frente. Eu vou buscar o meu irmão, primeiro. ― Os três se viram para ela. ― Neal corre perigo, especialmente agora que será usado para uma maldição.
― Minha querida mãe não fará mal ao bebê. ― O homem fala com certeza. ― Como você mesma disse, ela precisa dele para a maldição, e como ela não tem tudo que precisa ainda, ele não corre perigo. Mas para garantirmos que ela não consiga tudo que precisa, precisamos consertar isso. ― Ele aponta para os dois pedaços da varinha em sua mão. ― Como você disse há pouco, ela virá atrás do que falta. Precisamos estar preparados para enfrenta-la. ― Tiger e Belle balançam a cabeça afirmativamente, concordando com ele. ― Além disso, eu tenho certeza de que Neal está com as fadas, então ele deve estar sendo muito bem cuidado, assim como o meu filho, Gideon.
― Infelizmente ele está certo, Emma. ― Belle sai em defesa de Gold, deixando-o brevemente surpreso e esperançoso até.
Emma fica pensativa por alguns segundos, refletindo o que foi dito.
― Ok! ― Swan responde claramente a contragosto. ― Eu vou ligar para os meus pais, para eles irem para o mausoléu. ― Pega o celular no bolso e desbloqueia a tela.
― Seus pais? ― Gold questiona, confuso. Tiger Lily e French também franzem o cenho em confusão. Eles ainda não sabiam que a maldição tinha sido quebrada.
― Ah, certo! Vocês não sabem... ― Os três se entreolham rapidamente e depois voltam a atenção para ela. ― Nós quebramos a maldição enquanto estávamos no hospital.
― Fiona me envenenou e minhas mães me acordaram com um beijo de amor verdadeiro. ― Henry explica, entrando na conversa.
― Isso explica tanta gente se abraçando na rua. ― Belle comenta consigo mesma.
― Então... ― Gold abre a mão para fazer magia e logo Emma e a Rainha decidem fazer o mesmo. Eles tentam algumas vezes, insistentes e esperançosos, mas nenhum deles consegue. ― É claro! Estamos sem magia...
― Se vocês não têm, ela também não. ― Henry observa, sagaz. ― Como estamos com a varinha de Tiger Lily e com o coração da Salvadora, estamos em vantagem.
― Boa observação, garoto! ― A Rainha diz, toda orgulhosa dele. ― Vamos? ― Toca nas costas de Henry e anda em direção a porta, porém é impedida de chegar ao seu destino pela mão de Emma segurando o seu braço. ― Se vocês pensam que eu vou ficar aqui, sentada e de braços cruzados enquanto vocês surram aquela mulher, vocês estão muito enganados. ― Retira delicadamente a mão de Swan de seu braço e se segue seu caminho até a porta.
Todos se entreolham rapidamente, mas não dizem nada e a seguem para fora do quarto.
•§•
Gold, Belle, Tiger Lily, Emma, Henry e a Rainha são os primeiros a chegarem no mausoléu. Poucos minutos depois, Regina e Zelena chegam também. Por ter saído com Zelena, a morena não estava na lanchonete quando desceram, então Swan teve que ligar para ela também.
Ao ver a Rainha com o grupo, Zelena dá uma risada. Todos a olham com o cenho franzido em confusão, sem entender qual a graça, exceto a Rainha, que sabe exatamente do que ela está rindo.
― Então foi com você que eu falei no dia que Henry perdeu a memória e eu o ajudei a chegar ao quarto... ― A ruiva relembra, confirmando o que a Rainha estava pensando e esclarecendo as gargalhadas aos demais. ― Agora entendi o motivo de você ter ficado tão desconfortável quando eu perguntei sobre o encontro com Emma. ― A Rainha fica com as bochechas coradas e desvia o olhar, porém encontra o de Emma e decide que é melhor olhar para Zelena. ― “É uma peruca.” ― Repete o que a morena a disse quando a viu de cabelo grande, imitando a sua voz. ― E depois eu ainda disse a Regina que ela ficava bem de cabelo grande. ― Balança a cabeça negativamente e gargalha de novo. ― Ei, então naquele dia, em frente à loja do Rumple, não foi para a Regina que eu apresentei a minha filha. Foi para você, não foi? Por isso você estava mancando e com a voz mais rouca.
― E você é a irmã invejosa que ficou verde... ― A Rainha murmura baixinho, com deboche, mas Emma e Regina a escutam, e a própria Zelena também, que fecha a expressão no mesmo instante.
― Em frente à minha loja? ― Gold arqueia a sobrancelha e semicerra os olhos para a Rainha.
― Eu só estava conhecendo a cidade e achei os objetos expostos interessantes e chamativos, por isso parei para olhar. ― Defende-se com um tom impaciente. ― Naquela época eu nem sabia que o lugar pertence a você. O Henry quem me contou depois, quando voltei para casa e contei tudo que vi. ― Balança a cabeça negativamente e revira os olhos. Quando volta a olhar para frente, dá de cara com um olhar de repreensão de Regina. ― O que? ― Indaga, levemente irritada.
― Você não me falou sobre esse encontro. ― Mills diz, extremamente séria, e a Rainha sorri sem graça. Ela sabia que tinha errado.
― Ok, chega de conversa fiada e vamos ao que interessa. ― Gold diz, ganhando a atenção de todos.
― Espera... ― A fala de Emma é interrompida pela porta sendo a aberta e os pais dela entrando no local. ― Ainda falta os meus pais... ― Acrescenta baixinho, sem graça, e Henry sorri da mãe.
Assim que o casal entra no mausoléu, dá de cara com a Rainha e a tensão toma conta do ar. Os três ficam se encarando em silêncio, e os outros assistem com curiosidade. Então, Gold dá um pigarreio e o clima tenso se dissipa.
― Continuando... ― Olha para cada um e eles assentem. ― Eu vou precisar de seiva da última árvore encantada do reino, uma folha da sua macieira, pó de fada e uma gota de sangue da dona da varinha, colhida em um momento de esforço. O pó de fada eu já tenho. ― Ele balança um pequeno vidrinho com o pó iluminado. Regina assente e se afasta para começar a procurar os ingredientes em meio a tantos frascos de poções.
― Por favor, me ajude a procurar olhando nos baús do outro lado. ― A morena pede a sua outra versão e ela logo a atende, indo para o lado oposto e escolhendo um dos baús para procurar.
Enquanto as duas procuram as poções, Gold se afasta com Tiger Lily e Belle para colher a amostra de sangue da fada e os outros se afastam para dá espaço para as duas mulheres.
De repente, Regina puxa um frasco de uma das caixas e começa a sorrir. Emma e os demais a olham com curiosidade, sem entender o motivo de sua risada, exceto a Rainha, que sabia exatamente o que ela estava segurando.
― Não acredito que você ainda tem isso. ― A Rainha comenta, aproximando-se dela e pegando o vidro de sua mão. ― Houve dias que tudo o que eu queria, era uma gota dessa poção. Eu fiz tantas vezes que fiquei sem ingredientes. ― Balança o vidrinho e observa com brilho nos olhos o líquido se mover.
― O que é isso? ― Swan pergunta, cheia de curiosidade.
― Uma poção feita com gotas do feitiço do sono, água do mar e cogumelos que Malévola usava para se drogar. ― Regina a responde entre sorrisos e olhos brilhantes. ― Uma única gota disso e você flutua de tão relaxado que fica. ― A Rainha e Regina se olham e gargalham. Gold escuta a conversa e sorri também.
― Eu nunca me esquecerei como consegui pegar isso dela. ― A Rainha comenta entre risadas e Mills a acompanha.
― Você também se aproveitou quando ela dormiu depois de um dos nossos encontros? ― Mills questiona com expressiva surpresa.
― Sim! ― Sua outra versão a responde entre risadas. ― Quando ela acordou e viu que a sua porção preferida tinha sumido quase botou fogo no próprio castelo. ― E elas caem na gargalhada novamente. Os outros observam a interação com curiosidade. Especialmente Emma, que fica com bastante interesse na parte sobre dormir depois de um dos encontros. ― Parece que nem tudo que vivemos foi diferente, afinal.
― Eu lembro que quando a conheci, ela estava sobre o efeito. Com você foi assim também? ― A morena de cabelos mais longos assente. ― Eu estava morrendo de medo de ela me queimar viva, não sabia nem fazer uma bola de fogo direito, e ela quase caindo por cima de mim, sem se aguentar em pé.
― Você se drogava com Malévola? ― Swan pergunta, interrompendo o momento de memórias das duas mulheres, e as duas balançam a cabeça afirmativamente, mesmo que ela só estivesse perguntando para uma. A pergunta da loira faz Gold parar imediatamente o que está fazendo para prestar mais atenção à conversa, por acreditar que ela poderá ficar mais interessante. ― Quando ela voltou à Storybrooke junto com Cruella e Úrsula, e você sumiu com elas para uma noite das garotas, você também se drogou com ela? ― A morena balança a cabeça afirmativa.
― Malévola está aqui? ― A Rainha pergunta para Mills, cheia de animação.
― Agora ela está viajando com a filha que reencontrou. ― A resposta faz a animação da outra diminuir drasticamente. ― Mas não se preocupe, assim que ela voltar, eu a levo até ela. ― Acrescenta ao perceber a decepção da sua outra versão.
― Naquela noite que você saiu do apartamento dos meus pais e se encontrou com ela, vocês foram se drogar de novo? Só vocês duas? ― Seu tom evidente de ciúmes diverte Gold, que dá uma risada irônica. Ele estava adorando a situação. O mesmo pode-se dizer de Zelena, que a cada pergunta da cunhada, segura-se para não rir alto. Mas ao contrário de Gold e Zelena, que se divertem com a situação, Mary e David ficam um pouco desconfortáveis com a cena. Era algo novo para eles, vê a sua filha em um relacionamento amoroso com Regina. Ainda tinham que se acostumar com a realidade.
― Cada momento que ficamos sozinhas naqueles dias, nós aproveitamos. ― Responde com gosto, sem perceber que sua resposta e seu jeito passaram uma interpretação ambígua especialmente para Emma, que arregala os olhos e franze o cenho.
― Regina, você já teve algo com ela? ― A loira é direta, chocando todos os ouvintes, exceto Gold, que já esperava e torcia por uma pergunta do tipo. Swan não aguentava mais segurar a pergunta e ficar com a dúvida percorrendo a mente. Com as mãos na cintura, ela se aproxima mais da morena, que arqueia brevemente a sobrancelha com a sua postura claramente inquisitiva.
― Oh, Srta. Swan, se você soubesse... ― Gold fala um pouco mais alto, propositalmente, e Belle dá uma cutucada nele, repreendendo-o.
― Emma, depois nós conversamos sobre esse assunto, ok? ― Fala seriamente e a loira não tem outra alternativa a não ser concordar.
Regina e a Rainha voltam a procurar os ingredientes e Gold volta à tarefa de coletar o sangue da fada, que já estava cansada de fazer força e não ser o suficiente.
Cerca de dez minutos depois, as mulheres encontram todos os ingredientes necessários para o conserto da varinha e juntam tudo com a amostra de sangue coletada de Tiger Lily.
Com a magia contida dentro do mausoléu e o uso de um lenço cheio dela para embrulhar a varinha, eles a consertam.
― Agora, precisamos trazer a magia de volta para essa cidade. ― Gold diz, pegando a varinha do chão.
― Eu acho que meus livros podem ajudar mais uma vez. ― Belle opina e Gold balança a cabeça afirmativamente, concordando.
― Nós vamos voltar para a loja. Se encontrarem algo, liguem! ― O homem avisa e se encaminha para a saída, logo sendo acompanhado por Belle e Tiger Lily.
― Por favor, atenda o celular. ― Swan pede antes de ele subir as escadas.
― Eu vou, Srta. Swan. ― Gold a responde com um tom ameaçador, virando-se um pouco para vê-la, e depois sobe as escadas, sumindo da vista de todos.
― Parece que alguém não gostou da cobrança feita. ― Zelena cantarola assim que Belle e Tiger também sobem as escadas.
― Eu não me importo. Ele não me dá medo. ― A loira dá de ombros.
― Ok, chega de conversa. ― Regina diz, pouco paciente. ― Vamos começar a procurar alguma forma de trazer a magia de volta para essa cidade. ― Anda até um de seus baús e começa a retirar o que tem dentro dele. ― Tem uma fada esperando para ser derrotada. ― Acrescenta com ar sombrio.
•§•
Ao sentir que a sua maldição foi quebrada, Fiona entra em desespero e começa a andar de um lado para o outro em seu escritório. Ao ver o estado da mulher, Gregory sai de fininho do local.
― Não! ― Ela grita para o nada, irritada. Não contava com a quebra da maldição antes de concluir os seus planos. Seus inimigos a surpreenderam ao conseguirem ficar um passo à frente dela. ― Um ponto para vocês! ― Murmura a contragosto.
Um barulho do lado de fora do escritório chama a sua atenção, e ao olhar para a porta ela se lembra de que precisa se proteger para evitar possíveis ataques. Então, vai para frente da porta e levanta as duas mãos para selar a sala com magia, todavia nada sai de suas mãos. Ela tenta mais uma vez e nada acontece de novo.
― Sem magia... ― Diz pensativa. Então um sorriso surge em seus lábios ao perceber que a falta de magia na cidade a deixa em vantagem para se preparar para a sua maldição. ― Um ponto para mim novamente! ― Alarga o sorriso e sua expressão parece com a de um psicopata.
Fiona caminha com passos apressados até o cofre escondido atrás de um quadro, retira o livro de feitiços de Tiger Lily, o coração de Gideon, os objetos que já reuniu, a varinha da Fada Azul e a arma, coloca tudo dentro de sua bolsa e sai com pressa do seu escritório. Gregory logo a segue. Seu próximo destino era o convento.
Ao chegar no local, ela abre as portas sem delicadeza e as fadas correm com medo dela.
― Onde ele está? ― Pergunta aos gritos, assustando ainda mais as mulheres. Ao não obter resposta, ela retira a arma da bolsa e aponta aleatoriamente. As fadas gritam apavoradas. ― Onde está a criança? ― Tremendo de medo, uma delas aponta para um dos quartos no fim do corredor. ― Ótimo! Vá buscar ele. ― Ordena em um tom mais calmo, mas a mulher não sai do lugar. ― Agora! ― Seu grito faz a fada sair quase que correndo pelo corredor. ― Gideon! ― O homem não aparece com o seu chamado quase desesperado e ela retira o seu coração da bolsa. ― Venha aqui agora. ― Ela olha com expectativa para o corredor e logo o vê saindo de um quarto. ― Traga a Fada Azul com você. ― De forma robótica, Gideon dá a volta e entra no mesmo quarto que a fada apontou quando indicou onde Neal estava. Cerca de cinco minutos depois, os quatro aparecem no corredor. Fiona dá um sorriso. Um sorriso vitorioso. Para ela, tudo já estava ganho e em dois dias ela conseguiria colocar o seu plano em prática.
Quando os quatro chegam perto, Fiona guarda o coração de Gideon dentro da bolsa, vai para trás deles e os empurra com a mão livre em direção à porta.
― Fiona, ainda dá tempo de você desistir de tudo que pretende. ― A Fada Azul diz, com esperança de conseguir convencê-la a desistir de seus planos. Contudo, tudo o que a morena faz é dá uma gargalhada. ― Eu sinto muito pelo que aconteceu naquele dia, por ter feito aquilo com você, mas você precisa entender que era o único jeito de te impedir de cometer um grande erro. ― Fiona revira os olhos.
― Tarde demais para sentir qualquer coisa, querida. ― Murmura com deboche. ― E não me importo com as suas justificativas.
Ao passar pela porta do convento, a Fada Azul vê uma oportunidade para fugir e se solta com habilidade das mãos de Gideon. Porém, antes que pudesse correr para longe, Fiona mira e atira em seu braço, fazendo-a cair imediatamente no chão. Com o barulho, o pequeno Neal se agita no braço da outra fada e começa a chorar escandalosamente.
― Faça-o parar de chorar agora. ― Pede entredentes e mulher assente, tremendo de medo. Em seguida, Fiona se aproxima da Fada Azul, ainda no chão, contorcendo-se de dor. ― Não seja estúpida outra vez. ― Aponta a arma no rosto dela e a mulher balança a cabeça afirmativamente. ― Gideon! ― O homem corre até ela. ― Levante-a e me siga. ― Gideon assente e logo a obedece. ― Gregory, cuide da outra fada e o bebê. ― O homem assente e vai para mais perto da mulher, enrosca sua mão no braço dela e a empurra para frente, forçando-a a andar.
Então, acompanhada de uma freira, o pequeno Neal, Gregory, Gideon e a Fada Azul, Fiona segue para o próximo destino. O local onde pretende lançar a maldição. A fazenda de Anton, o gigante, que fica bem afastada da cidade. Ela coloca todos dentro do seu carro, rodeia-o rapidamente, senta no banco do motorista e canta pneu ao sair rapidamente do lugar.
Ao chegar no destino, com o auxílio do livro de Tiger Lily, Fiona começa a colocar cada objeto em seu devido lugar e posição, formando um enorme círculo no chão. Apenas o pequeno Neal continua no braço da freira. Ele só poderia ser colocado no lugar quando atingisse os 1095 dias de nascido.
Com tudo pronto, ela passa uma página e desce os olhos até o último parágrafo do feitiço.
― “Para que o feitiço funcione corretamente, é necessário que seja lançado quando a lua estiver em sua fase cheia e no centro do céu e que a criança tenha 1095 dias de nascida” ― Ela lê em voz alta. ― Mais dois dias... ― Cantarola. Dois dias era o tempo que faltava para ela poder lançar a maldição. Dois dias era o que ela tinha para conseguir a varinha de Tiger Lily e o coração da Salvadora. Dois dias era o que faltava para o seu grande trunfo.
― O que pretende fazer, Fiona? ― Azul pergunta, alarmada, e Fiona dá uma gostosa gargalhada. Em seguida, aproxima-se da mulher sentada ao chão e retira a varinha dela da bolsa. Quando Azul a vê em suas mãos, arregala os olhos. ― Como você a conseguiu?
― Você não é muito boa em esconder as coisas. ― Fala com deboche. ― Bem, respondendo à sua pergunta do que pretendo fazer... ― Ela olha para a varinha por alguns segundos e depois volta a atenção para a fada. ― No momento, acabar com a sua existência. ― E sem dar tempo de a mulher responder, Fiona empurra a varinha da fada em seu pescoço e rouba toda a sua magia. Ao final do processo, a mulher cai desacordada no chão, quase sem vida. Com todo o poder da Fada Azul na varinha, Fiona pressiona o objeto em seu pulso e logo recebe toda a sua magia. Ao se sentir mais forte, ela abre um grande sorriso. ― Vamos! ― Chama Gideon e se encaminha para a saída do galpão. Ele logo a acompanha. ― Se você sair daqui com essa criança, terá o mesmo destino que ela. ― Ameaça a fada e ela balança a cabeça afirmativamente várias vezes. ― Gregory, vigie os três atentamente. ― Joga a arma para ele.
Fiona e Gideon entram no carro e a mulher dirige de volta para a cidade. Iria buscar a varinha de Tiger Lily e sequestrar a Salvadora, para quando conseguir trazer a magia de volta para a cidade, retirar o seu coração. Ao chegar na rua principal de Storybrooke, ela se sente sortuda por ver o seu filho, sua nora e sua inimiga atravessando a rua e não precisar procura-los. Fiona acelera o carro para alcança-los e para de qualquer hoje ao lado deles.
― Parece que hoje é o meu dia de sorte. ― Diz bem-humorada, descendo do veículo. Gold logo esconde a varinha em um bolso falso em seu terno. ― Traga a Salvadora até mim. ― Ordena à Gideon, através de seu coração, e ele logo a obedece, como um robô. Belle o observa com o coração apertado.
― Não tem magia na cidade, você não vai conseguir pegar o coração da Salvadora. ― Gold diz com ar vitorioso.
•§•
― Você guarda muitas coisas aqui. ― A Rainha comenta ao parar de mexer em um baú e olhar ao redor para escolher o próximo. Ela dá um suspiro, cansada. Já estavam há algum tempo em busca de objetos mágicos que pudessem ser usados para trazer a magia de volta à cidade, mas nenhum dos já encontrados funcionava. Faltava algo para que eles pudessem funcionar. Algo que ninguém no recinto sabia.
― Só trouxe comigo o que era importante naquela época. ― A morena se defende, sem desviar sua atenção do livro de magia que um dia foi de sua mãe. Regina lia cada linha com calma, seguindo cada palavra com a ponta do dedo, temendo deixar passar algo. Sua vista já estava ficando cansada.
― O castelo todo? ― Zelena dá uma gargalhada com a pergunta da Rainha, que foi até inocente, e Regina fecha o semblante para as duas. Emma também sorri, mas logo muda a expressão ao ver o rosto sério da esposa e volta sua atenção para a caixa de poções que segurava.
― Ela quer competir com Gold. ― A ruiva diz bem-humorada e Regina a fuzila com o olhar.
― Mais ação e menos conversa, por favor. ― Mills fala em um tom sério e rapidamente as duas mulheres assentem, logo voltando ao que faziam. Zelena estava mexendo nos inúmeros vestidos da irmã e a Rainha olhando baú por baú.
Ao escolher o próximo baú, a Rainha o derruba no chão sem cuidado algum, e vários objetos se espalham, inclusive a espada de Branca, o chapéu de Jefferson, a lâmpada do gênio, um recipiente com pó de papoula e outro com dois fios de cabelos. Regina larga imediatamente o livro da mãe para pegar o chapéu de Jefferson, Emma larga a caixa com poções para pegar a espada da mãe e Zelena deixa de lado um dos vestidos da irmã para pegar a lâmpada de Sidney. O recipiente com os fios de cabelo chama a atenção do casal Encantado, que se entreolham com expressões confusas.
― O que é isso? ― Mary pergunta de cenho franzido, abaixando-se para pegar o recipiente com os fios de cabelo. ― Cabelo? ― Levanta o recipiente na altura dos olhos e o analisa.
― De quem? ― David externa a pergunta que ecoa em sua mente. Ele pega o frasco da mão da esposa e olha minuciosamente.
― Parece que alguém andou roubando o Senhor das Trevas... ― Zelena cantarola, entendendo bem o que significa o conteúdo do frasco de vidro. ― Isso é de vocês. ― Aponta para o casal que arrega os olhos e automaticamente passa a mão livre nos cabelos.
― São ingredientes especiais para a poção de amor verdadeiro. ― Mills pega o frasco da mão do homem e o guarda na caixa de frascos de pós mágicos. ― E não foi roubado. ― Direciona um olhar semicerrado à irmã e a ruiva dá um sorriso cínico. ― Eu mesma quem coletei quando aprendi a fazer a poção. ― Acrescenta em um tom mais baixo, sem graça. ― Mary Margaret, poderia me empresar o seu anel, por favor? ― Estende a mão em direção à mulher, que olha para as duas mãos, sem saber de qual anel Regina estava falando. ― O peridoto. ― A morena de cabelos mais curtos franze o cenho, sem entender do que ela está falando e Regina revira os olhos. ― O anel verde que David a deu. ― Aponta para o anel na mão esquerda da mulher e ela logo o entrega. ― Você! ― Aponta para a Rainha e pega o livro de feitiços de Cora. ― Continue procurando por algo aqui, enquanto eu tento isto. ― Entrega-o à sua outra versão e se ajoelha no chão. Em seguida, joga o anel de Mary Margaret dentro do chapéu de Jefferson e começa a rodá-lo rapidamente. Emma e Zelena observam-na com esperança.
― Tenha cuidado com isso, ok? ― David pede, preocupado com a forma que Mills jogou o anel dentro do chapéu. ― Ele foi da minha mãe.
― Ao final disso ele estará intacto. Não se preocupe. ― A morena o responde sem desviar a atenção do chapéu.
A Rainha se afasta um pouco de Regina e os outros e se senta ao chão para ler o livro com mais conforto e Henry a segue.
― Você também tem essas coisas? ― O garoto pergunta à Rainha, sentando-se ao lado dela para ajudá-la com o livro. ― Essas poções com cabelo e tal...
― Um dia eu tive, talvez até mais que tudo isso aqui. ― A mulher olha ao redor com ar melancólico. ― Mas quando eu fui presa por... ― Ela fecha os olhos e as imagens do outro Henry a machucando invadem a sua mente.
― Pelo meu outro eu... ― O garoto completa sua frase e ela assente, abrindo os olhos novamente.
― Eu perdi tudo. ― Conclui em um tom triste.
― Eu sei que não fui eu quem fez isso com você, mas eu sinto muito... ― Henry diz tristemente, referindo-se não somente a perda de suas coisas, mas tudo o que ela passou, e a morena dá um pequeno sorriso triste em resposta.
― Obrigada, mas eu acho que mereci, Henry. ― Fala sinceramente, abaixando a cabeça. Era a primeira vez que assumia que merecia tudo que passou. ― A vingança sempre destrói o vingador. Eu não era uma pessoa boa. Ainda não sou, na verdade. ― Uma lágrima cai por sua bochecha, mas ela a enxuga rapidamente.
― Não! Você é uma pessoa boa agora. ― O garoto aperta levemente o seu ombro e a Rainha dá um pequeno sorriso, emocionada. No mesmo instante, o espelho de Regina emana uma pequena luz, mas ninguém percebe.
― Sabe, quando eu cheguei aqui eu fiquei apavorada por te ver. Mesmo depois de saber que não era o mesmo que me caçava. Mas aí você foi se aproximando, foi mostrando o quanto é diferente do outro Henry, foi me cativando com sua inteligência, alegria e humor e agora eu não consigo mais me imaginar em uma realidade sem você por perto. ― Ela sorri e ele a acompanha. ― Eu sei que o que eu vou falar agora parece loucura e não faz sentindo, mas... ― Respira fundo, criando coragem para dizer o que pretende. ― Eu sinto uma conexão tão forte com você, que sinto como se você fosse meu filho também... ― Diz, levemente emocionada. Em seguida, levanta a mão lentamente e toca carinhosamente no rosto dele para fazer carinho.
Então, sem os dois perceberem, os objetos mágicos que estão nas mãos dos outros, inclusive o livro de Cora no colo da Rainha, começam a emanar uma forte luz.
― De certa forma eu sou, dependendo do ponto de vista que analisarmos... ― O garoto diz bem-humorado e os dois riem.
Os dois se abraçam e as luzes ficam ainda mais forte. Então, todos olham para eles, entendendo rapidamente o motivo da magia ter voltado.
― Vocês conseguiram! ― Emma fala com animação e os dois se afastam no mesmo instante.
― O que? ― Henry questiona de cenho franzido, sem entender do que a mãe loira estava falando.
― A magia. Voltou! ― Emma pega o chapéu de Jefferson no chão e mostra para eles, que arregalam os olhos, sorriem largamente e se olham.
Regina tenta fazer uma bola de fogo para ter certeza e consegue rapidamente. Zelena e Emma fazem o mesmo e também conseguem.
― Como é bom voltar a senti-la em minhas veias. ― Zelena murmura com um grande prazer.
― Tente também. ― Henry fala com animação para a Rainha e ela não perde tempo em levantar a mão e tentar fazer uma bola de fogo. Quando a pequena chama surge em sua mão, ela abre um largo sorriso.
Então, sem perda de tempo, ela levanta a sua blusa e passa a mão lentamente por cima do machucado, curando-o com magia. Em seguida, faz o mesmo com o machucado da coxa.
― Deixe-me ver o seu pé. ― Pede ao garoto com euforia e ele não hesita em estica-lo para perto dela. Quando a morena passa a mão por cima do membro, o local brilha um pouco e o gesso some no segundo seguinte.
― Obrigado! ― Henry se levanta rapidamente e pula várias vezes para fazer o teste. Todos riem dele.
― Agora, vamos atrás daquela fada desgraçada. ― Regina diz entredentes, levantando-se do chão. Com uma mão ela organiza o ambiente e se dirige a escada com passos largos e pesados. Os outros logo a seguem. Antes de ir também, Emma pega a espada da mãe que havia soltado quando a magia voltou.
Ao saírem do mausoléu, dão de cara com Gideon, que já estava pronto para entrar.
― Não tão rápido! ― Ele fala, apontando a espada para Emma, que rapidamente empunha a sua. A loira dá cinco passos para frente e se distancia dos outros.
― Emma! ― Mary grita apavorada, querendo ir até ela, mas David a segura.
Com o grito da mãe, Swan olha brevemente para trás e então percebe Regina e a Rainha se preparando para atacar o homem.
― Não! ― Ela grita desesperada para as duas. Não sabiam o tamanho do poder de Gideon. A última coisa que Emma iria querer, é que alguém se machucasse por sua causa. ― Isso é entre mim e ele. ― A contragosto elas assentem, entendendo o recado. Quando a loira volta a olhar para Gideon, percebe seu olhar para os outros. ― Ei, é a mim que você quer. ― Ela dá mais dois passos para frente e fica ainda mais próxima dele.
― Eu não pretendia ataca-los, a menos que me atrapalhassem.
― Vamos logo acabar com isso. ― Cheia de raiva e com bastante força, ela choca sua espada com a de Gideon, fazendo-o se desequilibrar brevemente. O barulho das espadas se colidindo assusta os espectadores. O homem dá dois passos para frente e revida o ataque com mais força. Dessa vez, Emma quem se desequilibra. Gideon move rapidamente a espada em linha horizontal dá esquerda para a direita na altura de sua barriga, mas ela consegue desviar rapidamente, envergando-se um pouco para trás. Quando volta a ficar ereta, ela choca sua espada com a dele e os dois entram em um embate cruzado de espadas, travando-as no ar, como se estivessem disputando uma queda de braço, porém com espadas. Com a proximidade dos corpos, Emma empurra o seu oponente com o cotovelo e quando consegue distância, empurra-o com o pé. Gideon não cai, mas Emma ainda fica em vantagem. ― Ainda há tempo para desistir. ― Ela oferece, apontando a espada na altura do pescoço dele.
― Você não entende. Ela está com o meu coração. A menos que eu receba outro comando, eu sou obrigado a cumprir este.
Então, como se tivesse tomado algo energético e ficado cheio de gás, Gideon avança com rapidez sobre Swan e a ataca com força e agilidade, sem pausas, deixando a luta intensa. O toque dos metais gera faíscas e Mary Margaret fecha os olhos, temendo ver o pior acontecer com sua filha.
Emma consegue segurar a espada dele no ar e os dois entram novamente em um embate cruzado. Aproveitando a proximidade novamente, Emma empurra Gideon com o cotovelo e tenta acertá-lo com a espada, mas ele é mais rápido e consegue desviar. Swan não desiste e o chuta com força na barriga. Ele se desequilibra, mas não cai. Ela o chuta novamente, na esperança de conseguir cansa-lo, mas ele é mais forte do que aparente e se mantém de pé, aparentemente incansável.
A respiração pesada da loira mostra o quanto está cansada, mas ela não quer desistir. Ela não pode desistir.
― Se quiser desistir, vou agradecer pela ajuda. ― Gideon fala, apontando a espada para ela.
― Nunca! ― Cheia de raiva, Emma se prepara para ataca-lo mais uma vez, mas comete o erro de levantar a espada com as duas mãos acima da cabeça e a sua falha não é perdoada pelo seu oponente, que aproveita a vulnerabilidade dela e a atinge em cheio na barriga. Emma cai de joelhos no chão.
― EMMA! ― Regina grita desesperada e corre em direção a ela, ignorando o seu pedido para ficar de fora.
― Eu sinto muito por isso, Emma. ― O homem fala verdadeiramente e gira a espada com força, aprofundando ainda mais o ferimento. Emma cai no chão desacordada.
Aproveitando que a mulher está desacordada e vulnerável, Gideon se abaixa para concluir sua missão, mas a Rainha é mais rápida e usa a sua magia para aparecer em frente a ele e impedir que toque em Emma. Então, com um movimento rápido ele a fere na barriga com a espada e a empurra para o lado para que saia de sua frente. Quando volta sua atenção para Emma, encontra Regina agarrada ao corpo da Salvadora, com o seu coração na mão. Num piscar de olhos, o órgão some.
“Preciso de você aqui. Volte imediatamente”
Gideon escuta a ordem de Fiona ecoar em sua mente. Segundos depois, ele some em sua fumaça vermelha.
Sem a presença dele, todos correm em direção à Emma, ainda desacordada nos braços de Regina, mas a morena some com ela antes mesmo de chegarem perto. Henry olha imediatamente para a Rainha e corre em direção a ela, que agoniza de dor. Zelena o segue.
― REGINA! ― Mary Margaret grita desesperada, olhando para todos os lados. ― Volta aqui com a minha filha! ― Grita a plenos pulmões. ― REGINA! ― Ela cai no chão, desmanchando-se em lágrimas.
― Ei, calma, não se preocupe, a Regina vai cuidar bem dela. ― David fala com a voz mansa, levantando-a e a abraçando apertado.
― Eu quero a minha filha, David! ― Murmura entre soluços.
― Eu sei, eu sei... ― Ele beija a cabeça dela e faz carinho.
Um pouco mais afastado dos dois, Henry e Zelena alcançam a Rainha, que rola no chão de um lado para o outro.
― Ei... ― O garoto se ajoelha ao lado dela. ― Por que você não se curou? ― Ele olha para o machucado em sua barriga e faz careta.
― Eu não consigo. ― Choraminga. ― Não funciona. ― Passa a mão no lugar para mostrar aos dois, que se entreolham de cenho franzido ao ver que não funcionou.
― Deixa eu tentar. ― A ruiva se oferece e a Rainha assente sem pensar duas vezes.
A ruiva estende suas duas mãos em cima da barriga da mulher e concentra toda a sua energia no local. Lentamente, o ferimento vai se fechando, mas Zelena precisa fazer ainda mais esforço para conseguir finalizar a recuperação.
― Pronto! Nova em folha. ― Zelena diz bem-humorada e estende a mão para ela.
― Obrigada! ― Segura a mão da mulher com força e se levanta lentamente. Ainda estava sentindo a dor do ferimento.
Henry abraça a mulher e os três vão para perto do casal Encantado, que ainda estão abraçados, embora Mary Margaret já esteja mais calma.
― O que vamos fazer agora? ― Henry indaga para os avós, olhando de um para outro.
― Não temos Emma e Regina ao nosso lado, mas ainda podemos ajudar Gold a derrotar Fiona. Vamos nos encontrar com ele. ― David diz com firmeza e todos assentem.
A Rainha e Zelena unem as mãos e logo suas magias envolvem todos, transportando-os diretamente para a loja de Gold. Ao chegarem no estabelecimento, encontram-no vazio, mas antes que se questionem onde o homem está, Zelena vê pela porta, Tiger Lily e Belle do lado de fora.
Ao saírem na rua, encontram Gold conversando com Fiona e Gideon atrás dela, pronto para atacar se for preciso.
― Agora você vai pagar por tudo que fez com Emma e Henry. ― A Rainha fala entredentes, olhando para Fiona.
•§•
Com as mãos cobertas de sangue e tremendo, Regina tenta pela terceira vez curar o ferimento de Emma, mas falha miseravelmente. Ela xinga baixinho. Estavam em seu quarto na pensão de Granny. No momento, era o lugar mais seguro de Storybrooke.
― Você precisa acordar, Emma. ― Suplica entre lágrimas. ― Volte para mim, Emma! Volte para mim! ― Segura a mão da loira e a aperta. ― Não se atreva a nos deixar agora. ― Com a mão livre, acaricia o rosto da outra. ― A me deixar agora. ― Beija sua mão carinhosamente.
Com a visão embaçada de lágrimas, Regina procura com pressa o seu quite de primeiros socorros e quando o acha no banheiro volta correndo para junto da esposa, que estava no sofá. Sentada em uma cadeira colocada ao lado do estofado, ela rasga sem delicadeza a blusa de Emma e começa o processo de estancar a hemorragia. Com um grosso pedaço de gaze, ela pressiona na região por cerca de 15 minutos e precisa fazer o procedimento duas vezes. Emma estava perdendo muito sangue. Já estava ficando pálida e fria. Após conseguir conter o sangramento, Mills inicia o processo de limpar e desinfetar a ferida.
Após limpar o ferimento, Regina checa os sinais vitais de Emma e fica apavorada ao senti-los muito fracos. Mais lágrimas escorrem velozmente pelo seu rosto, misturando-se com o sangue da outra. A loira deveria estar no hospital, recebendo o tratamento adequado, mas Regina não poderia proteger o local com magia de sangue, a única capaz de afastar Fiona e Gideon. Estando no quarto, Regina poderia ficar tranquila de que ninguém entraria.
A morena tenta usar a magia mais uma vez para curar a amada, e ao concentrar toda a sua energia na região, ela consegue um pequeno progresso. Um progresso que não é suficiente nem de longe, mas a deixa com esperança. Então ela tenta mais uma vez, mas não tem sucesso dessa vez. Ela suspira pesadamente, frustrada.
― Emma, por favor, acorde... ― Mills encosta a cabeça na perna da loira e fecha os olhos. ― Eu não sei mais o que fazer...
― Ei... ― A voz fraca de Swan faz a morena pular do lugar.
― Graças a Deus você acordou! ― Fala aliviada, com um grande sorriso. ― Eu estava tão preocupada. ― Segura a mão dela e a beija várias vezes, já que não pode abraça-la.
― O que aconteceu? Onde está Gideon? ― Apoia os cotovelos no sofá para tentar se levantar, mas antes de fazer impulso, Regina a impede, segurando-a pelos ombros.
― Ei, não se levante. ― Regina mantém suas mãos nos ombros da loira, impedindo-a de fazer qualquer movimento. A contragosto, Emma abaixa os braços. ― Eu não suturei e coloquei os curativos ainda. ― Fica de joelhos no chão e puxa a caixa de primeiros socorros para mais perto. ― Gideon foi embora assim que machucou você. Acredito que voltou para perto de Fiona. Nós estamos na pensão. ― A morena prepara a agulha e a linha e Emma arregala os olhos ao ver o objeto. ― Vai doer um pouco. ― Ela assente e fecha os olhos.
― Você precisa voltar para ajudar os outros. ― Ao sentir a agulha perfurando sua pele, Swan faz uma careta e prende os lábios para não gritar.
― Eu não vou deixar você sozinha, Emma. ― Responde com um tom de obviedade.
Devido a dor que estava sentindo, Emma se mantém calada e as duas ficam em silêncio até Regina terminar o processo de sutura. Em seguida, ela limpa todo o local mais uma vez e faz um curativo.
― Sinto muito pela blusa. ― A morena diz com um falso tom triste e balança os pedados da roupa.
― Tudo bem, não era uma das minhas preferidas. ― Elas riem. ― Regina, você precisa ir ajudar os outros. ― Fala seriamente e Regina para de sorrir no mesmo instante.
― Emma...
― Eu vou ficar bem, não se preocupe. ― Segura a mão dela e aperta. ― E eu sei que você colocou algum feitiço que nos protege aqui dentro e ninguém pode entrar. ― A morena balança a cabeça afirmativamente, confirmando. ― Por favor, vá ajudar a acabar com aquela fada que machucou o Henry, que fez isso comigo, que está tomando o seu lugar nessa cidade.
― E se você precisar de mim? Se o ferimento começar a sangrar? Uma linha se partir? Você começar a sentir dor? ― Dispara sem respirar.
― Se qualquer uma dessas coisas acontecer, eu vou saber me cuidar. ― Garante com um tom firme. ― Você me ensinou bem. ― Diz, referindo-se aos ensinamentos sobre primeiros socorros que a morena deu a ela e ao Henry assim que se conheceram em Tallahassee.
― Tem certeza? ― A loira assente rapidamente.
Com o olhar perdido no chão, Regina pensa por alguns minutos.
― Ok! ― Mills fala em um tom decisivo e se levanta do chão. Estava esse tempo todo de joelhos. ― Esteja aqui quando eu voltar. ― Ordena, extremamente séria.
― Eu vou! ― Responde em tom de promessa. ― E quanto a você, trate de voltar para mim. ― Ordena também e a puxa pela mão para mais perto, já que não podia mexer o tronco.
― Sempre! ― Beija demoradamente e com carinho os lábios finos da esposa, acaricia o seu rosto e some em sua fumaça roxa.
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