Recomeçar
35 Capítulo 35
Notas iniciais
Ao chegar ao hospital, Emma nem se importa em estacionar no lugar certo. Ela para o carro de todo jeito no estacionamento e corre para dentro da construção. Quando chega no quarto em que Henry está, encontra Regina chorando e sendo consolada por sua mãe.
― Aconteceu mais alguma coisa? ― Corre até a cama do filho e o analisa.
― Não. ― Regina a responde entre fungadas. ― Ele está do mesmo jeito desde que você saiu e eu cheguei. ― Afasta-se de Mary e vai até Emma. ― Não responde a nenhum estímulo, não piora e nem melhora. ― Acaricia o rosto pálido do filho. ― Eu não quero perder nosso filho, Emma. ― Começa a chorar novamente e Swan a puxa para os seus braços.
― Nós não vamos perdê-lo. ― Sussurra e a aperta mais ao seu corpo. Regina deita a cabeça em seu ombro e a loira a beija suavemente. ― Vamos conseguir salvá-lo. ― Sobe uma das mãos e acaricia seus fios pretos. ― Ela não vai conseguir nos vencer. Nós vamos destruí-la antes disso acontecer. ― Murmura com a mandíbula travada de raiva e os dentes cerrados.
Mais afastada, Mary observa as duas com lágrimas nos olhos. Ela sabia bem o que ambas estavam sentindo.
As mulheres ficam alguns minutos abraçadas e em silêncio, até que Regina se acalma e elas se separam.
― Eu preciso contar algumas coisas para você. ― Emma fala com seriedade e puxa Regina para fora do quarto para poder conversar com mais privacidade. ― Eu sei os planos de Fiona. Ela pretende voltar no tempo, como Gold desconfiava. ― Mills arregala os olhos. ― Ela pretende voltar no tempo, matar Tiger Lily e a Fada Azul para ficar mais poderosa e provavelmente mudar alguma coisa para conseguir ficar com o seu filho.
― Se ela conseguir fazer isso, todos nós deixaremos de existir. ― Regina observa com preocupação. ― Com tanto poder em mãos, ela será muito perigosa e nada poderá impedi-la. ― Fala mais para si do que para a loira.
― Ela já está com alguns objetos e agora precisa dos poderes da Fada Azul, da varinha de Tiger Lily e do meu coração. ― O último item ela fala em um tom mais baixo, com pesar.
― A batalha final. ― Swan assente. ― Essa batalha não pode acontecer. Ela não pode conseguir lançar esse feitiço. Se conseguir, não tem mais volta. Não teremos como derrota-la.
― E tem mais, ela usará o meu irmão para lançar o feitiço. ― Seus olhos enchem de lágrimas e Regina a puxa para os seus braços. ― Eu preciso descobrir onde ele está e salvá-lo, Regina. Eu não vou me perdoar se algo acontecer com ele. ― Entrega-se ao choro.
― Nada de ruim vai acontecer com Neal. ― Fala com firmeza e se afasta um pouco para ver o seu rosto. ― Nós vamos conseguir encontrá-lo a tempo e salva-lo. ― Diz em tom de promessa, olhando em seus olhos. ― Como você conseguiu saber de tudo isso?
― Quando eu fui atrás do faz tudo de Fiona eu encontrei o Killian e ele me disse. ― Regina franze o cenho em confusão, questionando-se como o pirata soube de tudo. ― Ele fingiu estar ao lado dela para conseguir sua confiança e descobrir os seus planos. ― Esclarece ao entender a sua expressão de confusão. ― Quando ela soube que ele me contou tudo, ela tentou nos matar atirando em nós dois.
― O que? ― Regina solta com preocupação e se afasta mais da loira para analisar poder analisar o seu corpo.
― Eu estou bem, apenas o Killian foi atingido. ― Sem disfarçar, Regina respira aliviada. ― Eu vou ligar para o Gold para contar tudo e avisar para ter cuidado com Tiger Lily e a varinha. ― Regina assente e volta para o quarto.
Com o celular em mãos, Emma busca o contato de Gold e dá início a ligação, porém recebe a informação de que está desligado. Ela tenta novamente, e mais uma vez escuta a gravação da operadora informando que está desligado. Irritada e sem paciência, tenta ligar para Belle, mas a morena não atende.
― Imagina se a cidade estivesse sendo totalmente destruída e precisássemos evacuar? Esses dois iriam morrer sem nem saber o que está acontecendo. ― Resmunga, olhando para a tela do celular.
Gemidos de dor vindos do fim do corredor chamam a sua atenção e quando ela se vira, vê Killian chegando em uma maca com dois enfermeiros.
― Ei! ― Swan se aproxima rapidamente dele e começa a acompanhar a maca pelo corredor. Os enfermeiros aumentam a velocidade de seus passos para chegarem logo à sala de cirurgia e a loira apressa os seus para conseguir acompanhar.
― Ei! ― Ele fala com dificuldade e sorri. ― Você conseguiu avisar...
― Não se esforce tanto. ― Pede com preocupação, interrompendo sua fala. ― Sim, eu falei com a Regina, mas não consegui falar com Gold ainda. ― Killian assente em resposta.
― Senhora, afaste-se da maca, por favor. ― Um dos enfermeiros pede ao se aproximarem da ala restrita à funcionários. Emma prontamente obedece e dá alguns passos para atrás.
― Boa sorte! ― A loira deseja antes de Jones passar pela porta da área restrita e ele mostra o polegar em agradecimento. Quando as portas se fecham, Emma o acompanha pela janela até ele entrar em uma sala.
― EMMA!
O grito desesperado de Regina faz Emma correr de volta pelo corredor até chegar no quarto de Henry.
― O que aconteceu? ― Swan pergunta com desespero assim que ultrapassa as portas do quarto. Ao olhar para o filho rodeado de enfermeiros e ver os seus batimentos cardíacos em queda no monitor de frequência, seu coração dispara e ela corre para cima, porém um dos enfermeiros a impede de se aproximar demais. ― Henry! ― Ela grita com desespero. ― É o meu filho nessa cama. Você não pode me proibir de chegar perto dele. ― Grita para o homem que nem se abala. ― É o meu filho! Ele precisa de mim. Ele está morrendo. ― Fala com a voz embargada e em um tom mais baixo e as lágrimas logo molham o seu rosto.
Um pouco mais afastada, Regina era consolada por Mary Margaret, que se segurava para não desabar também. Estava ali para apoiar e precisava ser forte.
De repente, o barulho do monitor de frequência muda para um bip contínuo e sem alteração e o quarto fica em silêncio por alguns segundos. O coração do paciente havia parado. Sob ordens de Victor, os enfermeiros preparam o desfibrilador.
― Henry! ― Regina grita e tenta ir até o filho, mas Mary a segura para que ela não atrapalhe o trabalho dos profissionais. Já Emma observa a linha reta e sem alteração no monitor com incredulidade. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo de novo.
― Carga de 150 agora! ― Victor pede aos gritos, nervoso com a situação.
O enfermeiro com o aparelho em mãos inicia o processo de reanimação, mas não obtém resultados. Victor pede para aumentar a carga e o homem inicia o processo novamente, porém mais uma vez não tem resultados. Então, Victor joga sua prancheta no chão, toma o desfibrilador das mãos do enfermeiro, pede para aumentar a carga mais uma vez e inicia o processo.
Whale tenta uma, duas, três vezes. Sem obter resultado, ele desiste.
― Não! ― Regina cai de joelhos no chão e tudo ao seu redor fica em câmera lenta. Os movimentos dos enfermeiros se afastando da cama do filho, Victor conferindo com um estetoscópio que o coração de Henry parou, fazendo um gesto negativo com a cabeça logo em seguida e olhando o relógio de pulso para marcar a hora da morte, e Emma se soltando do agarre do enfermeiro e correndo até ela. ― Ele não pode ter morrido, Emma! Não pode! ― Ela diz entre o choro e Swan a abraça com força. ― Não pode! ― Enfia a cabeça na curva do pescoço da loira e se entrega ainda mais ao choro.
― Victor, por favor, tente mais uma vez. ― Emma pede entre lágrimas, desesperada.
― Infelizmente não há mais chances de conseguirmos reanimá-lo. A cada minuto passado, as chances foram diminuindo até não ter mais nenhuma. ― Fala tristemente e Emma se ver obrigada a assentir. ― Hora da morte: 11:17. ― Fala para um dos enfermeiros e o homem anota a informação no prontuário. ― Vocês podem se despedir. ― Ele se afasta da cama e vai para junto dos enfermeiros.
― Emma? ― Mills chama a sua atenção. ― E se você tentar trazê-lo de volta com um beijo de amor verdadeiro como na primeira vez? ― Afasta-se repentinamente da loira. ― Deu certo uma vez, pode dar de novo. ― Seu tom cheio de esperança corta o coração da esposa.
― Regina... ― A loira murmura tristemente. Acreditava que o que quer que Fiona tenha usado não era para apenas adormecer e não tinha esperança alguma de que o seu beijo daria certo.
― Por favor, Emma, nós precisamos tentar. ― Levanta-se rapidamente e puxa a loira consigo.
Swan olha para o filho deitado na cama, pálido e imóvel,lembra-se da primeira vez que o viu naquela situação e de como foi surpreendida ao beijá-lo e trazê-lo de volta, e decide tentar. Iria se sentir culpada e se odiaria até o fim dos seus dias se soubesse que poderia funcionar, mas não tentou.
Emma respira fundo e com passos lentos se aproxima da cama. Mary Margaret observa seus movimentos atentamente, curiosa para entender o significado de “beijo de amor verdadeiro” que Regina falou. Não queria acreditar que era o que estava pensando, mas sim, algum gesto de carinho entre eles.
Com os olhos fechados, a loira se abaixa lentamente, e com toda a esperança que tinha dentro de si, beija a testa de Henry. O toque dos seus lábios na pele gélida do filho dura alguns segundos. Mais que o normal. Ao abrir os olhos e perceber que nada mudou, o sangue gela em suas veias e ela quase desfalece. Sem forças, ela se apóia na cama.
― Não! ― Regina grita, desesperada. ― Henry, não faça isso com a gente! ― Corre até a cama do filho. ― Por favor, volte para nós! ― Cheia de esperança, ela também beija a cabeça do garoto, mas assim como foi com Emma, nada acontece. ― Henry, por favor... ― Pede em um fio de voz e toca em seu rosto sereno e gélido. ― Não... ― Encosta a testa na dele e se entrega ao choro. Emma faz o mesmo logo em seguida.
― Nós te amamos muito, Henry! ― Swan sussurra.
Em meio ao choro dolorido, Emma e Regina beijam ao mesmo tempo a cabeça do filho, como uma despedida, e o inesperado acontece. Uma onda de poeira mágica atinge a todos, não só do quarto, mas de toda Storybrooke, e a maldição de Fiona é quebrada.
Surpresas com o que acabou de acontecer, Swan e Mills arregalam os olhos e se afastam da cama, mas quando percebem que Henry continua imóvel e pálido, elas estranham e voltam para perto. Com a maldição quebrada, a situação dele deveria ter sido revertida, assim como foi a primeira vez.
― Henry? ― Regina toca em seu braço e balança algumas vezes.
O desespero toma conta de Emma ao perceber que sua desconfiança sobre Fiona não o ter apenas adormecido, mas sim matado, toma conta de si.
― Henry? ― A loira toca em seu ombro, mas nem sinal de vida do garoto. ― Henry!
― Não, não, não... ― Mills murmura, desacreditada. ― Por favor, Henry, volte para nós! ― Pede em meio as lágrimas e se debruça sobre o seu corpo gélido.
― Oh, Henry! ― Victor Whale murmura tristemente.
O quarto fica em silêncio. Victor e os enfermeiros observam tudo desacreditados que o garoto realmente morreu e Mary Margaret, mais afastada, desmancha-se em lágrimas. Tanto pela morte do neto, como pela emoção da maldição ter sido quebrada e por ter reencontrado a filha. Seu interior estava uma mistura de felicidade e tristeza. Além disso, uma batalha era travada sobre se aproximar ou não de Emma, mesmo que o intuito não fosse comemorar o reencontro, mas sim, consolá-la.
Alguns segundos depois, como se tivesse escutado o pedido de sua mãe morena, o garoto dá um longo suspiro, como se estivesse recuperando o fôlego, e abre os olhos. Regina se levanta rapidamente.
Victor Whale e os enfermeiros suspiram aliviados ao vê-lo voltar. Mary Margaret também suspira aliviada e fecha os olhos para agradecer ao universo. Quando volta a abri-los, segundos depois, comemora.
― Mães! ― Henry fala assustado e se senta na cama. Seu corpo ainda está pálido e gélido.
― Henry! ― As duas dizem juntas e abraçam ele. O calor de ambos os corpos logo esquenta o do garoto.
― Nunca mais faça isso conosco, garoto! ― Emma o repreende em tom de brincadeira.
Com o clima mais tranquilo, Mary decide se aproximar da filha.
― Emma? ― Chama-a num tom suave e tranquilo, contrastando com o seu interior.
Ao escutar a voz da mãe, Emma se vira em um pulo. Estava tão entretida com o filho que tinha se esquecido que a maldição tinha sido quebrada e sua mãe estava bem ali.
― Você...? ― Interrompe-se, receosa. Não queria se comprometer se por algum motivo as memórias não tivessem voltado. Já bastava terem presenciado a volta, inexplicável para alguém do mundo não-mágico, de Henry.
― Sim! ― A morena de cabelos mais curtos responde com animação e no segundo seguinte se abraçam apertado. ― Ah, Emma! ― Murmura emocionada. ― Eu sabia! Eu sabia que você nos encontraria e salvaria.
― Vó? ― Seu tom é levemente emocionado.
Ao escutar a voz do garoto, Mary Margaret se afasta da filha e corre até ele. O jovem a recebe de braços abertos.
― Henry! Que bom que voltou para nós! ― Beija a cabeça dele e o aperta mais em seus braços. ― Venha se juntar a nós, Emma! ― Estica um braço em direção a loira e logo ela se junta aos dois. ― Você também, Regina. ― Convida-a e estica o outro braço em sua direção. Surpresa e um pouco tímida, Mills se junta ao momento. Ao rodear o seu filho com o braço, sua mão encontra a de Emma e as duas se unem. Por cima dos dois, elas sorriem uma para a outra.
•§•
Fora do Hospital Geral de Storybrooke, as cenas se repetem à cada esquina da pequena cidade mágica escondida no estado do Maine. Os habitantes, agora dos dois mundos, comemoram a quebra da maldição, agradecem pela volta das memórias que lhes foram roubadas, abraçam-se calorosamente, alegram-se com o reencontro e choram de felicidade ao mesmo tempo que gargalham.
No escritório de Archie Hopper, o terapeuta se levanta animado de sua poltrona aconchegante quando a poeira mágica o atinge e suas memórias retornam à sua mente. Com um grande sorriso, ele pega o seu terno e guarda-chuva, ambos jogados em cima da mesa de centro, e logo sai do escritório. Iria reencontrar os amigos.
No convento, a Fada Azul e as outras fadas interrompem seus afazeres quando são tocadas pela poeira de cor amarela e cheia de brilho e recobram as memórias e correm ao encontro umas das outras para se cumprimentarem alegremente e comemorarem a quebra da maldição e a queda de Fiona.
Os anões, cada um sentado em uma mesa diferente do Granny’s, levantam-se quase aos pulos quando recuperam as memórias, e se unem em um grande abraço no centro da lanchonete. Entre os gritos comemorativos e as risadas, o Mestre chora de emoção pelo reencontro com os irmãos.
No balcão da lanchonete, Widow Lucas e Marco se olham sem jeito um para o outro, envergonhados com os flertes trocados enquanto não se lembravam de quem realmente eram e de como era a relação dos dois. Contudo, as mãos dos amigos, e agora amantes, unem-se sobre a bancada e os lábios se curvam em sorrisos afetuosos.
Já na cozinha do Granny’s, as coisas não estão tão felizes quanto do lado de fora.
No momento em que as memórias das três mulheres são restauradas, as conversas são silenciadas, as expressões mudam drasticamente e a tensão paira no ar.
Zelena, Ruby e Dorothy se entreolham em silêncio por alguns minutos, cada uma processando toda a situação, e então, sem dizer uma palavra, carregando um olhar decepcionado e marejado, Gale deixa o ambiente, carregando consigo os sentimentos de traição, decepção e mágoa.
Ruby decide ir atrás dela no segundo seguinte, mas Zelena a segura pelo braço. Agora, mais do que antes, precisava conversar com ela. Lucas se vira para ela e seu olhar deixa claro que aquele não é o melhor momento para conversarem. Então, sem insistir, a ruiva solta seu braço e ela vai embora.
Com o coração a mil, os olhos ardendo em lágrimas e a certeza de que qualquer chance com Ruby acabou junto com a maldição, Zelena assiste seu amor ir atrás de outro. Para a sua sorte, no dia anterior, ela criou várias desculpas e não conversou até o presente momento com a morena de mechas ruivas sobre os seus sentimentos. Se a conversa tivesse acontecido, sua dor seria ainda maior.
•§•
― Mary Margaret! ― A voz de David soa estrondosa pelo corredor do hospital e faz com que Emma, Regina, Mary e Henry se separem do abraço.
― Pai! ― Swan diz em tom de lembrança e sai quase correndo do quarto. Mary Margaret a segue imediatamente. Ao sair no corredor, encontra Emma abraçada de lado ao pai e o levando de volta para o quarto. Ele estava indo ao encontro delas.
― Eu vou também! ― Henry anuncia com animação e em seguida se descobre e coloca os pés para fora da cama para poder descer, porém desiste ao ver a altura. Não queria machucar de novo, o pé já machucado.
― Henry, eu ainda preciso examiná-lo para ter certeza de que você está bem. ― Victor avisa, aproximando-se da cama para tentar impedi-lo de descer.
― Eu estou bem, não se preocupe. ― Victor estreita os olhos para ele. ― Mãe? ― Aponta para a muleta encostada na parede e Regina rapidamente a pega. ― Obrigado! ― Com a ajuda da morena, ele desce da cama e logo se encaminha para a saída.
― Não é só preocupação, Henry. É o meu trabalho. Eu não posso deixar um paciente sair sem ser examinado. ― Defende-se, mas o garoto nem dá ouvidos. Ele continua seus passos em direção a porta. ― Regina? ― Whale apela para a morena.
― Ele precisa ver o avô, Whale. ― A morena diz, em falso tom de lamento e se segura para não rir da expressão de frustração do homem. ― Mas não se preocupe, ele não vai embora sem a sua permissão, Doutor. ― Acrescenta e se encaminha para a porta, onde Henry a esperava.
― Henry! ― Os dois escutam o homem gritar. Eles se olham e sorriem.
Ao chegarem no quarto, Henry e Regina se deparam com a família abraçada. A morena o incentiva com o olhar a se aproximar e logo ele se junta aos três. Ao olhar para trás por um acaso, Regina vê curiosos parando na porta do quarto e não perde tempo em, sem pedir licença, fechar a porta.
Emocionados com o encontro, os quatro se abraçam apertado, trocam beijos e carinhos, e sussurram palavras carinhosas. De longe, Regina os assiste com os olhos marejados. Por um momento, sua mente viaja para o passado, para a relação que tinha com o Príncipe, Branca e até Emma, e ela se pega pensando mais uma vez em como gargalharia se alguém dissesse para ela que um dia ficaria emocionada com o reencontro da família que ela queria destruir e separar. Discretamente, ela dá um sorriso e balança a cabeça negativamente.
Após alguns minutos, a família se acalma e se separam. Mary Margaret se senta na cama, ao lado do marido, Henry se senta na poltrona e Emma vai para perto de sua esposa.
― Então... Onde está Neal? ― David pergunta à filha e ela troca um olhar de preocupação com Regina. Ela não tinha uma resposta concreta para dar e sabia que isso decepcionaria os pais, porém não podia mentir e nem mesmo deixar de falar algo. Então, antes de responder, Swan respira fundo.
― Sabemos que ele está com Fiona, mas não sabemos onde. Ele pode estar na mansão ou no convento. ― Diz tudo de uma vez e com a cabeça baixa, sem olhar para os dois. ― Precisamos de um bom plano para conseguir resgatá-lo.
Batidas na porta chamam a atenção de todos e a conversa é interrompida.
― Com licença. ― Victor Whale diz, entrando no quarto. ― Eu dei esse tempo a vocês porque sei que precisavam de um momento para conversar e matar a saudade depois de todo esse tempo de maldição e do que acabou de acontecer com o Henry, mas...
― O que aconteceu com Henry? ― David pergunta com preocupação e curiosidade, interrompendo o outro.
― Depois nós contamos tudo, querido. ― Mary diz suavemente, tocando em sua mão, e ele assente.
― Bem, voltando ao que eu dizia... ― Victor se manifesta, atraindo a atenção para si novamente. ― Infelizmente eu terei que interromper o momento de vocês, porque eu ainda preciso fazer o meu trabalho. ― Olha diretamente para Henry, esperando alguma reação negativa, mas se surpreende ao vê-lo concordar. ― Eu preciso examinar a saúde do Henry e avaliar se ele já pode tirar o gesso e a tipoia, e também preciso avaliar o David.
― Victor está certo! Teremos bastante tempo para matarmos a saudade e conversar. ― Emma diz e Whale sorri em agradecimento pelo apoio. ― Vamos para o seu quarto, Henry! ― Olha para o menino e ele assente. ― Mãe, pai... ― Aproxima-se dos dois e os abraça ao mesmo tempo. ― Podemos nos encontrar no Granny’s para almoçarmos?
― Que tal irmos para o nosso apartamento? ― Mary Margaret sugere e David balança a cabeça afirmativamente, concordando com a ideia. Emma olha para Regina no mesmo instante, questionando-a com o olhar, e a morena assente.
― Ok! ― Sorri para a mãe e o pai e eles sorriem de volta. ― A gente se encontra no estacionamento. ― Os dois assentem e ela se afasta. ― Vamos? ― Chama Mills e o filho e se encaminha para a porta.
― Pela ordem de chegada, eu vou atender primeiro o Henry e depois eu venho aqui, tudo bem? ― Victor pergunta à David e ele assente. Em seguida, deita-se na cama. ― Ótimo! Até já! ― E então sai do quarto com Henry, Emma e Regina.
Quando o casal encantando fica sozinho, abraçam-se mais uma vez e quase pulam de alegria pela quebra da maldição e pelo reencontro com Emma. Para a felicidade ficar completa, só precisavam resgatar Neal e derrotar Fiona completamente.
•§•
― Seus pais ainda não comentaram sobre nós... ― Regina sussurra para Emma assim que entram no prédio de Branca e David e ficam mais distantes dos dois ao subirem as escadas depois de Henry por precaução. O garoto estava livre da tipoia no braço, mas ainda estava com o pé engessado e precisava usar a muleta para se apoiar e andar melhor. Contudo, por escolha, querendo ser mais independente, ele sobe as escadas sozinho, lentamente, usando a mão livre como apoio. Embora estivessem conversando, Emma e Regina estavam prontas para segurar o garoto a qualquer momento.
― Você acha que isso é bom ou ruim? ― A loira faz uma careta. Swan estava tão feliz com a quebra da maldição, com o reencontro com os pais e a volta de Henry que nem havia percebido que os pais não tinham falado nada a respeito das duas. ― Talvez tenha sido por causa da emoção do momento. Estávamos tão empolgados que não havia outra coisa na mente.
Antes que Regina possa responder o que acha do que Emma disse, as duas chegam ao topo da escada e precisam encerrar a conversa. David retira a chave do bolso e entrega para a esposa abrir a porta, e segundos depois estão todos dentro do loft.
Devido a hora já avançada, as mulheres não perdem tempo em ir para a cozinha e dar início ao almoço. Regina e Emma tomam conta das verduras, legumes e do molho, e Branca fica responsável pela carne e pelo macarrão.
David e Henry se sentam na bancada para fazer companhia as mulheres, já que não podem ajudar no preparo, tanto por não poderem ficar por muito tempo em pé, como por não se darem bem com as panelas, e logo Henry, movido pela curiosidade, pede para que os avós falem tudo que aconteceu desde que se separaram na linha da divisa de cidades.
Eles começam contando para onde foram, o castelo de Regina, contam como foram os dias na Floresta Encantada, como tiveram sorte de não encontrarem as versões deles, como foi tenso o momento que encontram os guardas comandados por Henry para procurar por Regina, contam detalhadamente tudo o que aconteceu para terem que voltar, falam como fizeram para voltar para Storybrooke, como foram os dias até os três aparecerem na cidade, retirando os episódios de embriaguez de David e as idas ao hospital, e falam sobre todos os esforços de Emma para mantê-los esperançosos sobre os filhos estarem vivos e também para estar perto deles sem que desconfiassem de quem ela realmente era.
― Obrigada por nos mostrar fotos suas de quando era pequena e nos dar esperança, Emma. ― Branca diz, ao passar ao lado da filha para pegar uma espátula e poder mexer o macarrão no fogo.
― Isso foi muito importante para nós, filha. ― David acrescenta e a esposa balança a cabeça afirmativamente, concordando. ― Era o que estávamos precisando depois de tanto tempo mergulhados em incertezas.
― Era o mínimo que eu poderia fazer, já que não podia dizer “Ei, eu estou aqui. Eu sou a filha de vocês. Eu estou viva.” ― Fala com uma voz engraçada enquanto balança uma das mãos no ar e todos sorriem.
― Você bem que poderia nos mostrar outras fotos de quando era criança e adolescente. ― Branca fala como quem não quer nada. ― Você nunca nos mostrou... ― Faz uma expressão triste acompanhada de um bico.
― Talvez... ― A loira responde, cheia de vergonha e com o rosto corado, e todos sorriem dela.
― Então, agora é a vez de vocês contarem como foram os anos de vocês até chegarem aqui. ― David pede e Emma e Regina ficam apreensivas com o pedido e se entreolham discretamente. Será que agora entrariam no assunto de elas estarem juntas? ― Como foi quando saíram da cidade? Como se encontraram? ― Olha de Emma para Regina.
― Eu conto! ― Henry diz animado, quase pulando da cadeira, e a loira respira aliviada. Além de não ser o momento adequado para conversar com os dois sobre ela e Regina, ainda não estava pronta para esse momento e sabia que Henry não tocaria no assunto sem antes elas terem falado com eles.
― Ok, fique à vontade! ― Emma diz, bem-humorada, e faz uma pequena reverência com a mão.
― Obrigado pela grande oportunidade, mãe! ― Ele a responde em um falso tom sério, mas logo começa a rir. Os outros o acompanham.
Henry começa contando como não achou estranho “acordar” em uma estrada quase vazia com sua mãe, como chegou no apartamento e agiu normalmente, como se tivesse morado ali desde o nascimento, conta como Regina apareceu no prédio no dia seguinte para ser a vizinha dos dois e como rapidamente ela ficou amiga dos dois, fala do trabalho das duas mulheres e de sua escola, e sabendo que não podia falar do relacionamento das mães por elas ainda não terem falado com os seus avós, fala apenas de alguns momentos que teve só com a mãe loira, só com a mãe morena e com as duas, e pula para a parte em que o seu avô chegou todo misterioso na porta de seu apartamento.
― Quando Gold apareceu, foi uma loucura. Não sabíamos o que fazer, a princípio.― Emma comenta, dando continuidade na história. ― Imagina você acordar de manhã, começar a se preparar para mais um dia, e de repente aparecer alguém que você nunca viu em sua porta, dizendo seu nome com tanta familiaridade e falando que precisa conversar assuntos importantes com você?
― Como vocês acreditaram nele? ― Branca pergunta, bastante curiosa e entretida a ponto de esquecer o macarrão no fogo por se apoiar na bancada. Por sorte, Regina estava ligada e se apressou para colocar o molho que Swan tinha preparado.
― Ficamos curiosas para saber como ele sabia nossos nomes e qual era o assunto importante a ser tratado. ― Regina quem responde, entrando finalmente na conversa. Todos, até Emma, dirigem as atenções para ela. ― Marcamos em um lugar público com ele e lá, ao lado de Belle, ele disse que tudo que vivíamos era uma mentira inventada por uma maldição, contou a verdade e nos mostrou fotos para comprovar o que dizia. ― Ela dá um sorriso discreto ao se lembrar de quando disse que se fosse um personagem de conto de fadas seria a Úrsula e não a Rainha Má. ― A conversa foi finalizada com ele nos dando a poção e nós fomos para casa. Então, depois de muito discutir se tudo que foi dito e mostrado era verdade, se deveríamos realmente tomar uma bebida de um estranho e quem tomaria primeiro, nós tomamos juntas e acordamos. ― Outra vez um sorriso surge em seus lábios. Dessa vez, por lembrar de como as duas, especialmente ela, ficaram envergonhadas após a poção fazer efeito e as memórias voltarem. As duas tinham acabado de transar e Emma estava seminua em sua frente enquanto ela usava uma camisola pouco comportada. ― Alguns dias depois, nós acordamos o Henry também e viemos para cá com Gold e Belle.
― Alguns dias depois? ― Henry questiona em tom indignado e Emma ri dele.
― Desculpa, querido. É que não sabíamos como te contar. ― Mills defende as duas e ele desfaz a expressão de indignação. ― Mas bem, agora precisamos contar tudo que está acontecendo, quais os planos de Fiona e quais os nossos planos para derrotá-la.
― E como faremos para resgatar o meu irmão. ― Swan acrescenta e a morena balança a cabeça afirmativamente, concordando.
David e Branca concordam e as mulheres respiram tranquilas com a mudança de assunto.
Intercalando a narração, Emma e Regina contam com detalhes como descobriram que precisavam de Tiger Lily e sua varinha, como e onde encontraram a fada, como Fiona pretende usar Gideon e qual o plano dela. Aproveitando o momento, contaram também sobre a visitante da cidade, a Rainha Má, e estranhamente eles apenas fizeram uma expressão de surpresa e perguntaram se podiam realmente confiar nela. Em seguida, entram no assunto do resgate do pequeno Neal.
O macarrão e a salada ficam prontos e Emma e Regina começam a organizar a mesa enquanto Branca faz o suco.
Enquanto as mulheres andam de um lado para o outro, levando pratos, copos, talheres, a salada e o macarrão, David observa com curiosidade a perfeita sincronia dos movimentos de ambas, os toques, sorrisos, olhares e a proximidade. Ele queria perguntar sobre elas. Queria saber se estavam realmente juntas ou se apenas fingiram por causa da maldição. Mas não sabia como fazer sem tornar a situação estranha.
Branca termina de fazer o suco e coloca a jarra em cima da bancada para que uma das duas pegue e leve até a mesa. Então ela percebe a atenção do marido nas duas e passa a observá-las também, para entender o que ele estava vendo. Não demora muito para perceber as mesmas coisas que ele.
― Vocês estão realmente juntas? ― A morena de cabelos mais curtos pergunta sem rodeios. David arregala os olhos, busca sua mão rapidamente e dá um leve aperto. ― Como aconteceu? Entre vocês duas...
A pergunta faz o coração de ambas bater mais forte e o sangue gelar nas veias. Até mesmo Henry fica nervoso.
― Bem... ― Swan olha rapidamente para Regina e dá um pigarreio. ― Como o Henry disse, a Regina era nossa vizinha. Nós ficamos muito próximas rapidamente, o que foi estranho porque eu não fazia amizade rapidamente, o Henry também se apegou muito rápido a ela, e sem perceber nós fomos nos apaixonando uma pela outra, porém não tínhamos coragem de tomar uma atitude. Cada vez mais dávamos sinais de que o sentimento que tínhamos uma pela outra era maior que o da amizade, mas não tomávamos nenhuma iniciativa. O Henry até ficava fazendo planos para nos unir, mas eles não davam muito certo. ― Todos olham para o garoto e ele dá um sorriso amarelo. ― Até que um dia eu descobri que estava sendo enganada por um homem com quem eu estava tendo um relacionamento e a Regina me confortou e também tomou a iniciativa. ― Elas se entreolham e um sorriso aparece em ambos os lábios. ― Casamos pouco tempo depois, com uma cerimônia simples, com os amigos mais próximos e começamos a morar definitivamente juntas. ― Emma se aproxima de Regina e pega em sua mão.
― Então... Vocês realmente estão juntas? Mesmo depois da maldição ter sido quebrada? ― David faz a pergunta que tanto queria.
― O que nós sentimos uma pela outra não foi criado pela maldição, pelas falsas memórias. Maldições não têm esse poder. ― Regina quem responde. Swan sente sua mão ficar fria e suada e logo a aperta em apoio. ― O que nós sentimos uma pela outra é real. É verdadeiro. ― Ela olha para a loira e sorri. ― Quando recuperamos as memórias, ainda em Tallahassee, só tivemos certeza do que sentíamos. Então sim, estamos realmente juntas. ― Diz com convicção. As duas se olham ao mesmo tempo e sorriem uma para a outra. Orgulhoso com as mães, Henry abre um largo sorriso e se segura para não bater palmas e assobiar.
O ambiente fica silencioso e a tensão toma conta do momento. Emma não sabia dizer se o silêncio dos pais era apenas por surpresa ou por desaprovação. Com a dúvida, ela decide encerrar o assunto para evitar qualquer possibilidade de ouvir o que não quer. Ainda mais com Henry presente.
― Acho melhor nós começarmos a comer antes que esfrie.― A loira diz e se encaminha para a mesa. Regina respira aliviada com o fim do assunto, mas sabia que em algum momento teriam que conversar melhor sobre o assunto. ― A comida está com um cheiro divino e eu estou morrendo de fome. ― Passa a mão na barriga e todos riem.
David e Henry se levantam da bancada e logo se acomodam na mesa com Emma e Regina. Branca pega a jarra de suco que Emma não pegou e logo se acomoda na mesa também.
Para evitar o silêncio, Henry logo inicia uma conversa animada com os avós. Com o olhar e um pequeno movimento de cabeça, suas mães o agradecem.
•§•
Após o almoço tranquilo no loft dos Encantados, a família Swan-Mills se despede dos dois e volta para a pousada. Quando Emma estaciona o carro de Gold na garagem do estabelecimento, Regina desce rapidamente do veículo e fica inquieta do lado de fora. A loira também desce do carro e se aproxima dela. Henry observa as duas de dentro do veículo.
― Tudo bem? ― Swan pergunta com preocupação, percebendo seu estado.
― Sim, eu só preciso encontrar a minha irmã. ― Respira fundo, tentando se acalmar. Estava ansiosa para encontrá-la.
― Tudo bem! Nós vamos subir, ok? ― A morena assente e se vira para ir embora, mas Emma segura seu braço, fazendo-a virar para si. ― Fica calma. Ela não vai fugir. ― Diz bem-humorada e beija seus lábios carinhosamente. ― Vai!
Regina sai apressadamente do estacionamento da pousada de Granny, dá a volta na rua e entra na lanchonete, olha ao redor do estabelecimento e não a encontra. Então, segue até o balcão para falar com Ruby.
― Eu preciso encontrar a minha irmã. Onde ela está? ― Pergunta com afobação, não conseguindo mais conter a ansiedade.
― Está na cozinha. Pode ir até lá. ― Aponta em direção ao cômodo.
― Obrigada, Ruby! ― A morena de mechas ruivas sorri em resposta.
Sem perda de tempo, Regina contorna o balcão, passa pela porta que divide as duas cozinhas do Granny e encontra a irmã sentada em uma cadeira e de cabeça baixa, apoiada na mesa.
― Zelena? ― Regina a chama em um tom baixo, sem sair do lugar, e a ruiva levanta a cabeça no mesmo instante, reconhecendo a voz, e enxuga as lágrimas. Quando os olhos se encontram, um sorriso nasce nos lábios pintados de vermelho, as lágrimas escorrem com pressa pelas bochechas e as pernas se movem com rapidez, levando-a até a irmã. Zelena também vai ao encontro dela e as duas se abraçam apertado no meio da cozinha.
― Regina! ― Zelena aperta a irmã em seus braços.
― Eu disse a você que não era um adeus. ― A morena sussurra emocionada, referindo-se ao que disse à ruiva no dia em que tiveram que se separar na linha da cidade por causa da maldição.
― Obrigada por ter cumprido com a palavra. ― Também sussurra emocionada. ― Parece que eu não vou mais precisar pensar se devo aceitar os serviços de Emma para encontrar a minha irmã. Ela estava o tempo todo ao meu lado. ― Diz bem-humorada e as duas sorriem.
― Desculpa por não ter dito nada antes. ― As duas se afastam e se sentam nas cadeiras perto da mesa. Regina enxuga as lágrimas. ― Eu não sabia como poderia te dizer a verdade sobre nós duas sem ter de contar toda a parte mágica.
― Tudo bem, eu entendo! De verdade. ― Segura a mão de Regina e a aperta. A morena sorri em resposta. ― Então,você está mesmo casada com a Emma? ― A pergunta faz Regina ficar vermelha de vergonha.
― Sim, eu estou. ― Dá um sorriso envergonhado. Zelena arregala os olhos, abre a boca e a tampa com as mãos, como se estivesse ouvindo a maior fofoca do mundo.
― Que bela vingança contra Branca de Neve, hein! ― A ruiva gargalha.
― Zelena! ― Repreende-a em um tom sério, mas não se contém e ri junto com a irmã.
― Então, você é a Senhora Swan, agora? ― Pergunta com animação e Regina acha graça.
― Senhora Swan-Mills.― Sorri. ― Mas e você e a Ruby? Eu percebi que você estava chorando quando eu entrei. O que aconteceu? Pensei que vocês tivessem se acertado ontem... ― A pergunta faz a alegria da ruiva ir embora e dar lugar a tristeza.
― Dorothy foi o que aconteceu... ― Suspira pesadamente ao se lembrar brevemente do momento em que as memórias voltaram e Ruby foi atrás da outra. ― Ontem eu não tive coragem de falar com ela sobre os meus sentimentos... ― Revela com um tom envergonhado, deixando Regina surpresa com a informação. ― Ainda não conversamos desde que as memórias voltaram, mas não tenho esperança em nós. ― Fala tristemente e seus olhos marejam. ― Mas eu não quero falar disso agora. ― Levanta-se rapidamente e passa a mão nos olhos para limpar as lágrimas. ― Vamos falar sobre a vadia louca que está se achando a dona dessa cidade e está sentando na sua cadeira. Só eu posso tentar roubar o seu lugar. Quem ela pensa que é para me imitar e ainda tirar minha memória? ― Fala com raiva na voz e bate com bastante força na mesa. Regina balança a cabeça negativamente por causa da última frase, mas sorri.
― Eu estava com saudade de você, irmã. ― Mills diz mais para si que para a outra. ― Precisamos mesmo, falar sobre Fiona. Seu objetivo está próximo de se concretizar e nós ainda não temos um plano para derrotá-la, embora já tenhamos o que é necessário. Eu preciso da sua ajuda também, Zelena. ― Segura em sua mão que ainda está sobre a mesa.
― Não precisa nem pedir. Farei qualquer coisa para ajudar. ― Fala com firmeza. ― Eu preciso ir buscar a Robin, agora. Você pode me acompanhar e me atualizar de tudo que tem acontecido desde que vocês chegaram na cidade? ― Regina assente e se levanta também. ― Ótimo! ― Tira o avental rapidamente e se encaminha para a saída. Regina logo a segue. ― Você não perde por esperar, piranha invejosa! ― Fala baixinho, com bastante raiva, referindo-se a Fiona.
•§•
Assim que Emma e Henry entram no quarto de Regina, o garoto se apressa em se aproximar da Rainha, que estava sentada em uma poltrona e lia um livro, e a abraça apertado, pegando-a de surpresa. Contudo, ela se levanta rapidamente e retribui o carinho.
― Eu estava com saudade. ― Henry murmura, abraçando-a ainda mais, e a Rainha olha para Emma com o cenho franzido, sem entender o que estava acontecendo.
― Ele se lembra de você. ― Emma esclarece, sentando-se na cama.
― Como isso aconteceu? ― Eles se afastam e a Rainha volta a se sentar na poltrona e o garoto ao lado da mãe, de frente para a morena. ― Isso é maravilhoso, Henry! ― Diz extremamente animada, como uma criança que acabou de ganhar um presente muito aguardado e Henry e Emma acham graça de seu jeito e riem.
― Minhas mães quebraram a maldição no hospital. ― O garoto toma a frente para explicar. ― Alguém me envenenou e...
― Quem envenenou você? ― A morena indaga com o tom carregado de raiva, interrompendo-o. Em seguida, ela se levanta com as mãos fechadas em punho.
― Ei, fica calma, ok? ― Emma pede suavemente, tocando em sua mão. Ao sentir o toque da loira, a Rainha relaxa com a raiva, mas o coração bate acelerado, porém ela se esforça para não demonstrar que ficou afetada com o toque. ― Quem fez isso com o Henry irá pagar. Vamos todos pegá-la. ― Fala com firmeza.
― Isso! ― O garoto também segura na mão da morena. ― Ela não vai sair impune. Ainda mais agora que temos mais pessoas para ajudar. ― Emma balança a cabeça afirmativamente, concordando com o filho.
Batidas na porta interrompem a conversa. Emma se levanta para abrir e a Rainha se esconde.
― Eu estava mesmo precisando falar com vocês. ― Emma diz assim que abre a porta e vê Gold, Belle e Tiger Lily. ― Nós sabemos quais os planos de Fiona. ― Ela diz, dando espaço para eles passarem.
― E Gideon contatou Belle em um sonho para dar um aviso importante e também sabemos como consertar a varinha. ― Ele revela, fazendo os três sorrirem com a boa notícia.
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