Notas iniciais
Voltamos... O que vocês estão achando da história até agora? Obrigada a todos os comentários. Sei que para alguns parece que está demorando a quebra da maldição, mas todos os pequenos detalhes são importantes. Espero que gostem do capítulo... ate mais. xx featherIshope

― Muito obrigada por ter vindo. ― Emma agradece à Mary Margaret pela segunda vez, agora, já na porta da lanchonete. A morena de cabelos mais curtos estava indo embora. Belle e Kelly já tinham ido e só restavam no lugar a Emma, a Regina, o Henry, a Granny, a Ruby e a Dorothy.

― Imagina! Adorei passar a noite aqui, conversando e rindo com toda essa gente... ― Olha por cima do ombro de Emma, para as pessoas conversando animadamente dentro do estabelecimento, e sorri. ― Eu estava precisando de um pouco de distração, depois do que aconteceu com o David e todo esse tempo no hospital... ― O sorriso em seus lábios morre e o coração de Emma bate dolorido por ver a mãe triste.

― Como ele está? ― A loira pergunta, na esperança de receber uma resposta diferente da que sempre escuta. “Ele está bem.” “Ele está melhor.” “Ele está na mesma.” Emma fecha a porta atrás de si e desce os degraus para ficar mais perto da mulher.

― O Dr. Whale acredita que ele receberá alta por esses dias. ― Num primeiro momento, Emma fica animada pela boa notícia e abre um largo sorriso, mas ao perceber a falta de ânimo na mulher, o seu sorriso morre e ela franze o cenho em confusão.

― O que aconteceu? Isso não é uma boa notícia? ― O coração de Swan bate agitado e o sangue gela em suas veias. Os pensamentos de que sua mãe se cansou do seu pai, não tem mais sentimentos por ele e tem intenções de deixá-lo correm em sua mente como motivos para ela não ter aparentado animação com a notícia. A preocupação toma conta de seu corpo mesmo sabendo que quando a maldição for quebrada, tudo voltará ao normal.

― Não! ― Mary solta de supetão e Emma franze o cenho. ― Quer dizer, sim, é uma boa notícia. ― Esclarece com pressa. ― Imagino que a minha falta de ânimo deve ter passado a impressão errada e o “não” foi por isso. Desculpa pela confusão. ― Ela dá uma tapinha de repreensão em sua própria testa e balança a cabeça negativamente. Emma acha graça de seu jeito. ― É só que... ― Ela respira fundo. Emma fica ainda mais nervosa, temendo o que vem a seguir. ― Não é a primeira vez que ele está para receber alta e acaba não acontecendo, então eu nem me animo muito... ― A loira fica surpresa com a informação, porém, também fica aliviada por saber que não é o que estava pensando. ― Todas as vezes em que o Dr. Whale estava para assinar os documentos de liberação, o David ficava muito agitado e Victor preferia mantê-lo internado por acreditar que ele poderia oferecer perigo a mim e principalmente a ele mesmo. Além disso, ele continua se recusando a tomar as medicações. Então, estando no hospital, é mais fácil de fazê-lo tomar. ― Seu tom triste parte o coração de Swan, que pisca várias vezes para segurar as lágrimas. ― Eu não tenho dito nada porque quero evitar mais comentários pela cidade, já basta no hospital. ― Revira os olhos. ― Não que eu ache que você irá espalhar isso por aí. ― Deixa claro, temerosa que a outra pense que ela a está chamando de fofoqueira. ― No seu caso, eu só queria evitar que pensasse errado dele.

― Eu jamais pensaria errado de alguém que acredita que os filhos estão vivos e só quer encontrá-los. ― Sua voz sai baixa e um pouco falha por causa da vontade de chorar. Contudo, a morena não percebe nada. A resposta de Emma a tranquiliza. ― Espero que dessa vez ele fique bem e tenha alta.

― Obrigada! ― Sorri e a loira a acompanha. ― Ele diz que sente que os nossos filhos estão próximos e diz que pressente que algo ruim está para acontecer com eles, por isso sempre fica agitado quando está para receber alta. ― Ao ouvir o que a mãe diz, a loira fica surpresa e franze o cenho. Será que a maldição estava enfraquecendo e por isso seu pai estava tendo esses pressentimentos? Questiona-se, e a dúvida faz o seu coração bater esperançoso.

― Ele sabe que estou procurando por eles e que encontrei a garota? ― Swan questiona, afim de descartar que os pressentimentos do pai seja apenas o seu psicológico agindo por saber que tem alguém procurando pelos filhos e que um está mesmo vivo.

― Ainda não. ― Mentalmente, Emma vibra com a resposta e suas esperanças aumentam ainda mais. ― Eu não tive coragem de dizer ainda, temendo que ele faça uma besteira, tipo sair do hospital e ir atrás dela. Ele está se recuperando ainda, sabe? ― Emma assente. ― Eu estou esperando o melhor momento para conversar com ele sobre isso. Estou esperando-o ficar completamente bem e sair do hospital. ― Ela suspira pesadamente. ― Bem, eu estou um pouco cansada e preciso ir. O dia foi cheio. ― Faz uma careta e boceja.

― Claro! ― A loira dá alguns passos para trás e volta para os degraus.

― Boa noite! ― Mary Margaret dá um passo à frente, puxa a loira para um abraço, surpreendendo-a, e depois vai embora. Fora das vistas da mãe, a loira libera as lágrimas que guardou durante a conversa e a observa se distanciar até sumir do seu campo de visão.

Após enxugar o rosto e fechar com chave a porta da lanchonete, Emma se junta a Ruby, Dorothy e Regina na arrumação do estabelecimento. Porém, antes de começar a colocar a mão na massa, Mills a puxa para longe das meninas para poder falar reservadamente com ela.

― O que aconteceu? ― A morena pergunta com preocupação. Tinha percebido o nariz vermelho da esposa.

― É sobre o meu pai, mas depois nós conversamos. ― Beija seus lábios carinhosamente, sorri e se afasta dela, voltando para perto das outras.

Em meio a muita conversa, brincadeira e comida, as quatro mulheres arrumam o Granny’s e cerca de uma hora depois, elas terminam.

― Mais uma vez, muito obrigada por ceder o lugar, Sra. Lucas. ― Regina fala à senhora sentada em uma mesa, enchendo-se de bolo e refrigerante. A velha sorri e mostra o dedão em um gesto positivo. ― Obrigada também a vocês duas, que nos ajudaram tanto. ― A morena olha para Ruby e Dorothy. ― À Kelly também, que já não está mais aqui.

― Darei o seu recado a ela. ― Ruby diz prontamente, com um grande sorriso, e Dorothy não esconde a raiva pelo que ouviu. Regina percebe o seu descontentamento com a fala da outra, mas finge que não e desvia o olhar para Ruby.

― Diz também, que mais uma vez eu disse que a torta dela é maravilhosa. ― Swan fala com a boca cheia e todos, exceto Regina, sorriem.

Após se despedirem, a família Swan Mills volta para o quarto. Assim que Regina abre a porta, o jovem Mills dá de cara com a Rainha sentada na poltrona, concentrada em um livro.

― Como prometido. ― Ele estende em sua direção um prato repleto de doces, salgados e um grande pedaço de torta de limão. A mulher abaixa o livro e o coloca em cima de suas pernas. Em seguida, pega o prato das mãos do garoto. ― Essas rosquinhas aqui, bastante convidativas são chamadas de donuts. ― Aponta para o doce. A Rainha pega uma e a encara com curiosidade. ― São as melhores rosquinhas que você irá provar em sua vida. ― Fala com exagero e suas mães sorriem. ― Esses são cookies de chocolate. ― Aponta para os biscoitos crocantes enormes cheios de gotas de chocolate. ― São os melhores cookies. ― Ele fecha os olhos e passa a língua nos lábios. ― Esses pequenos pedaços de bolos são chamados de brownies. ― Aponta para um dos pedaços.

― São os melhores que eu irei provar também? ― A Rainha pergunta bem-humorada e o garoto sorri.

― Isso mesmo! ― Diz com animação. ― Essas tiras douradas aqui são batatas fritas e esses salgadinhos com um formato engraçado são coxinhas. A melhor coisa que você irá provar. Isso é de outro mundo! ― Pega uma e enfia na boca.

― Pelo jeito a festa foi boa. ― A morena de cabelos mais longos conclui e o garoto assente rapidamente, abrindo um sorriso grande.

― Sim! ― Ele responde com animação. ― Eu pensei que, por não conhecer ninguém, não seria legal, mas eu estava enganado. Eu me diverti bastante, fiz novas “velhas” amizades... ― Ele sorri e a mulher o acompanha. ― Conheci várias coisas da cidade... Foi um ótimo momento. ― Ele se vira para as mães. ― Obrigado, mães! Essa festa entrou para a lista das minhas favoritas. ― Confidencia, deixando as mulheres felizes. ― Bem, eu vou tomar um banho e vou dormir. ― Ele se volta para a Rainha. ― Amanhã nós jogamos o seu jogo favorito. ― A mulher assente. ― Mãe, eu vou ficar no seu quarto de novo, ok? ― Pergunta à Regina e a morena assente. ― Boa noite! ― Boceja.

O garoto caminha em direção a porta, a Rainha volta para o seu livro e Emma e Regina seguem para o quarto. Ao se deitarem na cama, Emma abraça Regina e deita sua cabeça no peito dela.

― Estou aliviada que tudo ocorreu bem e a noite foi tranquila, sem presenças indesejadas. ― Mills murmura, referindo-se a Fiona ou alguém sob suas ordens. ― Se ela ou alguém aparecesse, eu não sei o que aconteceria e o que eu faria.

― Não vamos pensar no que não aconteceu, ok? ― Swan levanta a cabeça para olhar para ela e a morena assente.

Emma volta a deitar a cabeça no peito da esposa e as duas ficam em silêncio por algum tempo, apenas recebendo e dando carinho uma à outra.

― O que Mary Margaret falou sobre o seu pai? ― A morena pergunta baixinho, quebrando o silêncio.

Antes de responder, Swan respira pesadamente.

― Talvez ele tenha alta. ― Assim como o tom desanimado de Mary Margaret causou confusão em Emma, o da loira causa confusão em Mills.

― Isso não é uma notícia boa? ― Levanta-se um pouco e se apoia nos cotovelos. Emma deita a cabeça em sua barriga.

― Deveria ser... ― Swan fecha os olhos e uma lágrima solitária desce por seu rosto. ― Minha mãe disse que ele continua resistindo para tomar remédios e que não é a primeira vez que Whale quer liberá-lo. Toda vez que isso está prestes a acontecer, ele fica muito agitado e Victor teme que ele possa ser um perigo para a minha mãe e para ele próprio. ― Suspira pesadamente. ― Meu pai não está bem, Regina. Talvez seja melhor ele ficar no hospital enquanto tudo não volta ao normal. É mais seguro para ele. ― Abraça a barriga de Mills e esconde o seu rosto nela. A morena se senta completamente na cama e abraça sua cabeça como pode. A dor na voz de Emma a entristece, e ao fechar os olhos, suas lágrimas também descem. Ver o sofrimento de sua amada e não poder fazer nada estava a matando por dentro. Em outros tempos, estaria amando ver a família inteira de Branca separada e infeliz, sofrendo. Por muito tempo isso foi o seu maior desejo. Mas agora, estava odiando ver tudo o que estava acontecendo e não poder fazer algo, e o seu maior desejo era poder ter a magia de volta para derrotar Fiona e trazer a felicidade de todos, especialmente de Emma Swan.

― Eu sinto muito, Emma. ― Regina fala baixinho, com a voz entrecortada. Em seguida, beija sua cabeça e a acaricia.

― Ela disse que ele pressente que eu e o Neal estamos vivos e por perto... ― Solta-se do abraço e gira na cama, ficando de barriga para cima. O olhar fica perdido no teto. ― Acho que a maldição está enfraquecendo. ― Seu tom é esperançoso.

― Mas não fizemos nada para que ela esteja enfraquecendo. ― Mills observa, franzindo o cenho.

― Talvez seja o simples fato de estarmos aqui, assim como quando eu decidi ficar na cidade quando o Henry me trouxe e o relógio voltou a funcionar. Naquele momento a maldição começou a enfraquecer. ― A suposição da loira deixa Regina intrigada e pensativa.

― Faz sentido... ― Mills murmura ainda absorta. ― Porém, sem magia e sem os ingredientes certos, ainda não podemos quebrá-la ou mesmo só trazer as memórias das pessoas... ― Diz, pensando em sua irmã. Sentia falta da ruiva, de poder conversar com ela, de ouvir seu humor pesado, suas piadas sem graça, de brigar com ela por qualquer besteira. A maldição tinha acontecido no momento em que as duas estavam finalmente se entendendo e se aproximando. Sendo, finalmente, irmãs. Além disso, adoraria que Zelena estivesse ao seu lado, ajudando a derrotar Fiona.

― Espero que Gold e Tiger Lily estejam bem e tenham conseguido encontrar a varinha. Essa maldição precisa ser quebrada. Fiona precisa ser vencida. ― Fala a última frase com raiva. O que diz faz Regina se lembrar da luta final entre Emma e Gideon e o coração da morena se aperta no peito, preenchendo-se com o medo da possibilidade de perder a loira. A apreensão toma conta do seu ser e logo lágrimas escorrem por sua bochecha. Repentinamente, ela puxa Emma para cima e a abraça apertado. ― Ei, o que foi? ― Swan pergunta com preocupação. ― Regina? ― Afasta-a um pouco e vê o seu rosto banhado por lágrimas. ― O que aconteceu? ― Passa os polegares com delicadeza pelas bochechas da outra e permanece segurando seu rosto.

― Sua luta com o filho de Gold, existe a possibilidade de... ― Interrompe-se, incapaz de concluir a frase e desvia o olhar dos verdes que tanto ama. Mais lágrimas molham o seu rosto. A morena abaixa a cabeça e fecha os olhos. Então, a imagem de Emma caindo sem vida no chão percorre sua imaginação e o aperto no peito aumenta. Ela balança a cabeça na esperança de espantar os pensamentos. ― Eu não quero perder você também, Emma. ― Fala baixinho, com a voz entrecortada.

― Você não vai me perder, Regina. Eu não vou morrer. ― Toca no queixo dela e eleva sua cabeça até os olhos se encontrarem. ― Você se lembra do que eu disse assim que soubemos dessa luta?

― Que essa luta não irá acontecer, mesmo que não encontrem a varinha, pois iremos encontrar outro jeito de derrotar Fiona.

― Exatamente! ― Acaricia seu rosto com os polegares. ― Você não vai me perder. ― Diz com firmeza, olhando fundo nos castanhos marejados e triste. ― Em breve Gold e Tiger Lily chegam com a varinha e nós derrotamos Fiona antes mesmo de essa luta estúpida acontecer. Você não vai me perder, meu amor. ― Puxa para os seus braços e a abraça apertado. ― Você não vai me perder. ― Regina deita a cabeça em seu ombro e a loira a beija carinhosamente e inicia um afago.

•§•

― Dormiu bem? ― Emma pergunta para a esposa ao se sentar no banco em sua frente. Estavam apenas as duas na lanchonete para tomar o café-da-manhã. Henry decidiu ficar no quarto para acompanhar a Rainha e a loira tinha acabado de levar o café-da-manhã deles.

— Quando estou do seu lado, sempre durmo bem. — Regina responde baixinho, desviando o olhar do origami que estava fazendo com a toalha de papel para a loira.

― Espero que o Henry continue querendo dormir com a Rainha. ― Swan dá uma piscadela e Regina sorri.

Desde o encontro que tiveram, as coisas tinham melhorado muito entre elas. Regina já não tinha mais medo de se declarar para Emma, vergonha de demonstrar carinho em público ou em frente do filho, estava bem menos receosa e estava se entregando cada dia mais para Emma.

De repente, uma alteração de voz vinda dos fundos do Granny’s chama a atenção das duas mulheres. Regina direciona o olhar em direção a voz com cautela, já Emma, olha sem preocupação alguma se será pega bisbilhotando a vida alheia.

Eu estou cansada de suas desculpas, Ruby! — Dorothy diz, saindo da cozinha. Ruby e Kelly aparecem logo em seguida. ― Não me siga! ― Pede autoritária e segue para a saída da lanchonete. Quando a mulher passa ao lado da mesa de Emma e Regina, a morena volta sua atenção para o origami e Emma permanece observando o movimento sem disfarçar.

Ei, não fica assim... ― West tenta confortar a morena de mechas ruivas. ― Você sabe que essa raiva é passageira. Logo vocês estão se entendendo novamente. ― Ruby balança a cabeça negativamente.

Eu já estou cansada disso.... ― Lucas diz em um tom cansado. ― Talvez seja melhor não nos entendermos mais... ― Olha na direção que a ex esposa foi. ― Já deu para mim...

― Sinto muito ter estragado a relação de vocês. ― A ruiva diz, tentando amenizar a situação.

Não é sua culpa, já estávamos assim há algum tempo. Bem antes de você aparecer. — Lucas suspira pesadamente. — Enfim, eu vou atender... — Kelly assente e a observa se afastar.

Ruby segue para a mesa de Emma e Regina, e ao acompanhá-la com o olhar, os olhos de Kelly se encontram com o de Regina. A morena acena com a cabeça e sorri para ela e a ruiva faz o mesmo.

― Bom dia, meninas, o que vão querer hoje? ― Lucas pergunta, um pouco menos animada que nos outros dias. Swan e Mills percebem e se entreolham rapidamente.

― Frutas em cubos, torrada francesa e café puro para Regina e torradas com geleia e chocolate quente com canela para mim. ― Emma fala pelas duas e Ruby anota os pedidos em seu bloquinho.

― E para o Henry? ― Lucas pergunta, sentindo falta do pedido do garoto.

― Hoje ele quis tomar o café-da-manhã no quarto. ― Swan explica e Ruby assente e guarda o bloquinho e a caneta em seu avental.

― Tudo bem! Em dez minutos eu trago. ― As mulheres assentem e a morena de mechas ruivas vai embora.

— Zelena gosta dela. — Regina diz baixinho, após observar Ruby entrar na cozinha e a sua irmã a seguir. Em seguida, estende a mão com o origami finalizado, um cisne, e entrega para Emma.

— Da Ruby? Sério? — Pergunta incrédula e pega o cisne da mão da esposa. — Você é muito boa nisso. ― Levanta o origami e o analisa detalhadamente.

— Obrigada! ― Sorri. ― E sim, ela gosta da Ruby. ― Emma coloca o pequeno cisne de toalha de papel na mesa e volta a atenção para Mills. ― Ontem nós conversamos bastante e tocamos nesse assunto. Ela me disse que sente algo pela Ruby, mas não sabe se a Srta. Lucas sente o mesmo por ela, por causa da Dorothy.

— E o que você disse para ela quando ouviu a confissão? Incentivou-a a contar sobre seus sentimentos? ― Pergunta com bastante curiosidade.

— Não diretamente. Eu disse para ela arriscar. É impossível uma maldição criar sentimentos por outra pessoa. Então, se Zelena sente algo, é real, e assim como nós, elas só precisam de ajuda para ver. ― Olha discretamente para a irmã e Ruby conversando perto do balcão. Enquanto a morena de mechas ruivas sorria de alguma coisa, a ruiva a olhava com adoração. Era perceptível que ela sentia algo por Lucas.

― Isso vai dá um problema tão grande quando a maldição for quebrada e elas se lembrarem de tudo. ― Swan também direciona seu olhar para as duas mulheres. ― Você sabe, a relação da Ruby e da Zelena não era boa por causa do que Zelena fez à Dorothy.

Ruby entra na cozinha e quando volta, está com a bandeja e os pedidos de Swan e Mills. Emma e Regina se olham e encerram a conversa antes que ela chegue até a mesa.

— Frutas cortadas em cubos, torrada francesa, torrada com geleia, café puro e chocolate com canela saindo! — Ruby diz animada, diferente de quando atendeu as duas, e coloca a bandeja em cima da mesa. Em seguida, tira os dois pratos e as duas xícaras de cima e coloca cada um em frente a dona. — Se precisarem de algo, é só chamar. Hoje temos torta de maçã no cardápio de sobremesas. ― Regina dá uma risadinha pela ironia.

— Ei, você está bem? — Emma pergunta para Lucas ao perceber seu nariz vermelho, entregando que a morena esteve chorando. Agora era Emma quem desejava que tudo estivesse normal para que pudesse conversar com a amiga e ajuda-la com o que quer que estivesse passando.

— Sim, está tudo bem! ― Responde com o tom animado e abre um sorriso, mas não convence.

— Às vezes a felicidade está mais próxima do que se imagina, só tens que parar de tentar algo que não dá mais. — Emma diz para ela, com um tom calmo e suave e Ruby fica surpresa com o conselho.

― Emma! ― Regina a repreende, envergonhada com sua intromissão, porém, Swan não se importa se foi invasiva. Ela só queria, de alguma forma, poder ajudar a amiga.

― Tudo bem! A nossa vida já está tão pública, mesmo... ― Ruby dá de ombros. ― Todos os dias brigamos por aqui, na frente de todos. ― Seu tom é cansado. ― Obrigada pelo conselho, Emma. ― Agradece verdadeiramente e Emma sorri em resposta. ― Bom café-da-manhã!

Quando Ruby vai embora da mesa, Regina aproveita e faz um sinal para sua irmã, incentivando-a a ir falar com a mulher. Apesar da intromissão de sua esposa, ela tinha criado, sem querer ou não, uma boa oportunidade para ajudar a sua irmã com Lucas.

Antes de chegar na cozinha, a garçonete recolhe alguns pratos e xícaras pelo caminho e coloca no balcão para Kelly levar para dentro. Ao finalizar, ela se senta em um dos bancos e West se aproxima. Regina e Emma ficam atentas. Miller olha mais uma vez para Mills e a morena assente.

Ei, podemos conversar? — A ruiva pergunta, hesitante.

Claro! Aconteceu alguma coisa? ― Lucas pergunta preocupada, percebendo o receio dela.

Não, é que... ― Ela respira fundo, buscando coragem. ― É que a Margot demorou a pegar no sono ontem à noite. Acho que ela prefere que você a coloque para dormir. — Diz por fim, nervosa e sem coragem para dizer o que realmente quer. Regina fica triste ao ouvir que a irmã não conseguiu.

Eu sempre canto e ela pega no sono bem rápido. Você não canta?

Sempre! Mas ela prefere a sua voz. É bem mais suave que a minha e acho que a deixa mais relaxada. — Ruby sorri envergonhada. — Ruby... ― Ela respira fundo e engole em seco. ― Eu… Eu preciso falar com você sobre algo que está acontecendo. ― Ao ouvir o que Kelly diz, Regina volta a ficar feliz.

É algo grave? Com a Margot? — A morena de mechas ruivas fica preocupada.

Não, ela está bem. ― Ruby respira aliviada. ― É só uma coisa sobre mim que tenho percebido há algum tempo e preciso falar para você. Podemos conversar quando o movimento diminuir?

Claro! — O sino na porta toca, indicando um novo cliente, e Ruby se levanta para ir atende-lo. ― O paquera da vovó acabou de chegar. Vou atende-lo. ­― Diz bem-humorada, referindo-se à Marco e Kelly sorri. Curiosas com a informação, Emma e Regina olham para ver quem é. ― Depois nós conversamos. ― West assente e Ruby vai em direção ao homem sentado na mesa ao lado da porta. Ao ficar sozinha, Kelly olha para Regina e recebe um olhar de orgulho da mulher. Com um sorriso e um aceno discreto de cabeça, West indica para a morena que deu tudo certo e agradece pelo apoio. Mills sorri em resposta.

Do outro lado da lanchonete, Dorothy sustenta uma expressão irritada pelo que acabou de ouvir entre sua ex esposa e Kelly.

― É... Parece que a sua intromissão deu certo! ― Mills admite, voltando a atenção para a esposa que ostenta um sorriso de satisfação.

― É claro que deu certo. ― Seu tom é convencido. Regina estreita os olhos e ela solta um beijo no ar. Mills acaba sorrindo. ― E parece que alguém não gostou... ― Diz, referindo-se a Dorothy e aponta discretamente para a mulher, ainda olhando para Kelly com uma expressão irritada. As mulheres voltam a se olhar e sorriem.

•§•

Aproveitando que Gold ainda estava fora da cidade, logo após o café-da-manhã, Regina apareceu na loja de penhores e antiguidades da cidade para pegar emprestado alguns dos livros preferidos do homem. Livros que na época em que ela era sua aprendiz, era proibida de ler.

Ao chegar em seu quarto, ela entregou alguns para a Rainha e as duas se juntaram na mesa para matar a curiosidade de saber o que tinha nos livros, e também para procurar qualquer coisa que pudesse ajudar ao menos o Henry a ter as lembranças de volta.

Enquanto Emma e Henry se entretinham com Mario Kart, Regina e a Rainha mergulhavam nos livros proibidos de Rumpelstiltskin.

― Agora entendi por que ele não me deixava chegar perto desses livros. ― Regina murmura consigo mesma. ― Esses feitiços são extremamente poderosos e incríveis. ― Ela dá uma gargalhada e a Rainha a acompanha.

― Esse feitiço de quebrar todos os ossos em questão de segundos é espetacular. ― A Rainha comenta maravilhada.

A conversa chama a atenção de Swan e Henry, que fazem um barulho com a garganta para que elas saibam que eles estão escutando e as duas mulheres sorriem sem graça para eles.

― Então... ― Emma deixa o controle de vídeo game de lado e se levanta. ― Alguma boa notícia? ― Para ao lado da esposa e pega um livro.

― Nada além de diversos feitiços que matam de diversas formas diferentes e cruéis... ― O tom de Mills é de frustração.

― Ou de localização, levitação, mudança de aparência... ― A Rainha completa igualmente frustrada. ― Tem encantamentos que mexem com a memória, mas é muito perigoso. Rumple sempre me alertou o quanto pode ser fatal. ― Regina balança a cabeça afirmativamente, concordando. ― Se fosse para tirar memória, isso já estaria resolvido. ― Fecha o livro e o coloca em cima da mesa. ― Se for uma memória curta e recente, não precisa nem de poções. ― Então, Regina se lembra de quando usou no Henry na época em que Neal estava na cidade e o seu coração se aperta, cheio de arrependimento por algumas coisas que já fez contra o filho em nome do desespero e do medo de perde-lo.

― E a poção que Killian usou comigo daquela vez? ― Emma pergunta à Regina, chamando a sua atenção e a resgatando de seus pensamentos. ― Ou a que o próprio Gold nos deu quando foi nos buscar em Tallahassee? ― Seu tom é esperançoso.

― Precisa de alguns ingredientes específicos que são de difícil localização... ― Regina diz com desânimo.

― Ei, não desanime, nós vamos encontrar uma maneira. ― A loira passa a mão nas costas de Mills, tentando consola-la. Seu celular começa a vibrar em seu bolso, indicando uma ligação. Ela o puxa e ver o nome da mãe na tela. — É a minha mãe. ― Afasta-se um pouco das duas mulheres. — Oi, tudo bem?

Oi, Emma, está tudo ótimo! ― Sua animação faz um sorriso aparecer nos lábios de Emma e o seu coração bater acelerado. ― Estou ligando para dar uma boa notícia para vocês. Dr. Whale liberou o David agora há pouco. ― Ao ouvir a boa notícia, Emma vibra de felicidade com uns soquinhos no ar. O movimento chama a atenção de todos no quarto. ― Acabamos de chegar em casa.

— Isso é ótimo! Como ele está? — Ela se aproxima de Regina e da Rainha novamente as duas a encaram com um olhar curioso, querendo saber do que se trata. A loira sorri e faz um sinal com a mão, pedindo que elas esperem. Em seguida, afasta-se de novo.

— Está bem calmo se comparado a outras vezes, e aceitou tomar todos os remédios. ― O tom aliviado da morena de cabelos mais curtos aquece o coração de Swan. ― Bem, eu gostaria de saber se poderíamos conversar, nós três, sobre os nossos filhos, agora que David saiu do hospital e está fora de risco. Eu não quero mais esconder dele tudo o que você me disse e quero poder vibrar com ele a cada informação nova. ― Pelo seu tom de voz, Emma imagina que a mulher esteja sorrindo e abre um sorriso também. ― Além disso, tenho a esperança de que ao te ver à frente da investigação ele não tente mais fazer nenhuma bobagem. ― Diz, cheia de esperança.

— Claro! Estou à disposição. ― A loira diz sem pensar duas vezes. ― Podemos nos encontrar quando vocês puderem e quiserem.

Ai, que bom! ― Fala em um tom aliviado. ― Você poderia vir hoje à noite? Quero fazer isso o quanto antes. Eu não aguento mais esperar. ― Diz com afobação e Emma acha graça.

— Claro! Depois do jantar eu aparecerei por aí. A Regina sabe onde vocês moram e pode me levar. ― Diz para fingir que só saberá o endereço dos dois, porque a morena já foi e sabe onde é.

Tudo bem! Emma, muito obrigada. Eu serei eternamente grata por tudo o que você está fazendo.

— Não há de que, Ma... ― Ela se interrompe rapidamente ao perceber como a chamaria. Depois de tanto tempo a chamando de mãe, tinha perdido o costume de chama-la pelo nome. ― Mary!

As mulheres se despedem e encerram a ligação ao mesmo tempo. Emma guarda o celular no bolso e volta para perto de Regina e da Rainha.

― Meu pai finalmente saiu do hospital e eu vou no apartamento deles hoje à noite. ― Swan fala de uma vez e as lágrimas explodem em seus olhos. Lágrimas de alegria e alívio. Regina se levanta e abraça a loira, que logo deita a cabeça em seu ombro e a aperta mais em seus braços. ― Ele está bem e finalmente eu vou falar com ele também.

― Finalmente uma notícia boa. ― Regina murmura, acariciando seus cabelos e beijando sua cabeça.

― Henry, eu vou precisar da sua ajuda. ― Swan avisa, soltando-se de sua esposa e enxugando suas lágrimas. O menino a encara com uma expressão confusa. ― Antes de você perder as memórias, você estava me ajudando a descobrir onde está o meu irmão e a como contar para a minha mãe que eu estou viva sem ela saber que sou eu, e como contar algumas coisas sobre mim sem falar a verdade.

― Espera... ― Ele solta o controle no chão, pega a muleta e se levanta. ― Você estava falando com Mary Margaret, não foi? ― Pergunta só para ter certeza, pois desde o começo da ligação estava prestando atenção na conversa, e Swan assente. ― Então, a Mary Margaret é a Branca de Neve da história que vocês me contaram? Ou seja, a sua mãe? ― As mulheres assentem. ― Mas vocês são quase da mesma idade...

― A primeira maldição, a que nos trouxe até aqui, congelou o tempo. É por isso que parece que temos idades próximas. ― Emma o explica e ele balança a cabeça afirmativamente, demonstrando que entendeu. De repente, Emma franze o cenho e se vira para Regina. ― Quantos anos você tem de verdade? ― A pergunta pega a morena de surpresa.

― Isso não é hora para falarmos sobre isso, Emma. ― Responde encabulada e a Rainha segura uma risada.

― Desculpa! ― Pede sinceramente, percebendo que deixou a esposa desconfortável e Regina balança a cabeça afirmativamente, indicando que está tudo bem. Em seguida, Swan volta a atenção para o filho. ― Bem, será que você pode me ajudar? Você sempre foi bom em contar histórias... ― O jovem sorri. ― Ela ainda não pode saber que eu sou a filha dela, então preciso de ajuda para selecionar algumas informações neutras sobre mim, e quanto ao meu irmão, eu tenho uma ideia de onde ele está e com quem está, mas não posso dizer a eles, então preciso de ajuda para pensar em algo que eu possa dizer, sem que entregue que eu sei mais do que estou contando.

― Tudo bem, mãe, eu posso ajudar a senhora. Só preciso que me conte mais detalhes sobre tudo isso... ― A loira assente e os dois se encaminham para o sofá, para poder conversarem melhor. Já Regina e a Rainha voltam a ler os livros proibidos de Rumpelstiltskin.

•§•

Emma estava parada em frente à porta de seus pais há quase dez minutos, criando coragem e tentando ficar calma. Estava nervosa, com o coração a mil e suando frio porque iria falar com o seu pai pela primeira vez desde que se lembrou de tudo e chegou em Storybrooke.

― Vamos lá, Emma! ― Murmura baixinho, tentando se encorajar. Não queria encontrar os dois no estado em que estava.

A loira fecha os olhos, coloca a mão na altura do coração e respira fundo algumas vezes. Quando abre os olhos, sentindo-se um pouco mais calma, agradece pelo os pais não terem vizinhos que poderiam a ver ali.

― Ok! ― Murmura, sentindo-se pronta.

Swan respira fundo mais vez e então, bem devagar, ela levanta a mão e bate na porta. Segundos depois, Mary Margaret aparece. Pela rapidez em que ela a atendeu, Emma imaginou que ela já estivesse ali, esperando a sua chegada.

― Emma! Boa noite, entra. ― Abre mais a porta e dá passagem para a loira entrar.

Ao colocar os dois pés dentro do apartamento seu coração bate nostálgico, com saudades do tempo em que morou ali, logo que chegou na cidade, e de frequentá-lo constantemente para reuniões decisivas sobre o que fazer para derrotar os vilões e quebrar as maldições, e reuniões em família após as vitórias. Nada havia mudado, além dos porta-retratos que agora tinham apenas fotos dos dois e da mãe grávida.

O coração de Emma se aperta no peito e seus olhos marejam. Por sorte, Mary Margaret está atrás de si e David não está na sala ou cozinha. Talvez esteja no andar de cima, deitado na cama. Ou quem sabe esteja no banheiro.

― Perdão pela casa está um pouco bagunçada. ― A voz da morena de cabelos mais curtos traz Emma de volta a realidade e a loira se vira para olhá-la. ― Tenho passado tanto tempo no hospital que não tive como arrumar. ― Diz envergonhada.

― Não precisa se preocupar com isso. ― Sorri para a mulher e olha ao redor disfarçadamente. Uma coisa ou outra estava fora do lugar, mas nada anormal para ser chamado de bagunça. “Algumas coisas nunca mudam.” Ela pensa, voltando a olhar para a mãe. ― Então, onde está o seu marido? ― Pergunta, sem conseguir conter a ansiedade de encontrar o pai.

― David está no banheiro. Senta! ― Aponta para o sofá. ― Você quer água? Café? ― Encaminha-se até a bancada que divide a cozinha e a sala.

― Água. ― A loira se senta no sofá, cruza as pernas, encosta-se completamente no encosto e olha com ansiedade em direção a porta do banheiro. Quando a porta é aberta, seu coração bate acelerado.

Com o apoio de uma bengala, David caminha lentamente a sala e Emma logo fica de pé para cumprimenta-lo.

― Querido, essa é Emma Swan, quem eu te falei mais cedo. ― Mary se apressa em apresenta-la. Ela chega perto de Emma e a entrega um copo de vidro com água. ― Emma, esse é David Nolan, o meu marido. ― Emma olha para o pai com mais atenção e seus olhos marejam mais uma vez ao perceber o seu semblante triste, cansado, abatido, e sua testa com alguns arranhões. Ela pisca algumas vezes e toma água para disfarçar.

― Prazer, Emma! ― Ele estende a mão e a loira logo a aperta com a mão livre. Ao terminar de beber a água, ela entrega o copo vazio para a mãe e se volta para o pai rapidamente. ― Então é você quem vai nos devolver a vida ao ajudar a encontrar Anna e Neal? ― Seu tom é esperançoso. Ao ouvir os nomes dito por David, Swan fica surpresa pelo nome de Neal ser o mesmo. Logo bate a curiosidade de saber o motivo da escolha do nome do irmão, já que não havia a lembrança do homenageado.

― Prazer, David! Sou eu sim. ― O homem se senta no sofá e Emma faz o mesmo, ficando bem de frente para ele. ― Posso perguntar algo? ― O homem assente rapidamente. ― Por que vocês escolheram o nome Neal? É que eu achei diferente e gosto de saber o significado por trás das escolhas. ― Explica-se rapidamente para não soar estranha com a pergunta curiosa.

― Bem, quem escolheu foi a Mary...

― Significa campeão. ― A mulher quem responde, interrompendo o homem. ― Assim que eu soube que estava grávida, eu sonhei com esse nome. ― Ela rodeia o sofá e se senta ao lado do marido. ― No dia seguinte eu pesquisei o significado, gostei e decidi colocar ele.

― Interessante... ― É o que Emma consegue dizer, surpresa com a parte do sonho.

― Emma, não me leve a mal, mas será que poderíamos falar sobre...

― Claro! ― A loira se apressa em responder, interrompendo o homem. ― Mas antes eu preciso ter a certeza e confiança de que o senhor não irá fazer nenhuma bobagem depois que eu sair daqui. ― Diz, aproveitando-se da oportunidade para proteger o pai e impedi-lo de se machucar ainda mais e machucar a sua mãe.

David olha para Mary, que está apreensiva esperando a sua resposta, e depois para Emma de novo.

― Você tem a minha palavra. ― O homem responde com firmeza. Emma assente, satisfeita com a sua resposta, e retira o celular do bolso.

― Eu consegui encontrar algumas informações sobre a garota, Anna. ― Ela mostra o celular para ele para que ele possa ver uma foto. Uma foto diferente da que mostrou para Mary Margaret. ― Ela foi adotada por uma família com mais duas crianças e está morando em Minnesota.

― Como você sabe que é ela? ― A pergunta faz o coração de Emma gelar. Ela não esperava por ela.

― Bem... ― Ela pigarreia, preparando bem a história na mente. ― Antes de falar com sua esposa, eu consegui acesso aos registros de nascimento dos últimos dois anos. Pelo nome de vocês, eu encontrei o registro dela e anotei seus detalhes físicos e a data de nascimento. Com essas informações em mãos, eu procurei nos sistemas de orfanatos dos Estados e consegui encontrar alguns bebês que batiam. Com uma pesquisa rápida em redes sociais, não foi difícil encontrar fotos de cada uma. Ela foi a que mais se pareceu fisicamente com vocês. ― Satisfeito com a resposta, David balança a cabeça afirmativamente e volta a olhar para a foto. Emma respira aliviada.

― Ela tem o seu sorriso, David. ― Mary aponta, emocionada.

― E os seus olhos... ― Ele diz, igualmente emocionado. ― Ela é linda. ― Mary balança a cabeça afirmativamente, concordando. ― Qual o nome que a família deu a ela?

― Em... Emilie. ― O coração de Emma acelera e quase sai pela boa de tanto nervosismo por quase ter dito o seu próprio nome. Para a sua sorte, os dois estavam tão entretidos com a foto que não perceberam seu deslize.

― Eu tenho procurado há tanto tempo... ― David murmura com pesar. ― Mas eu sabia que não estava errado, sabia que ela estava viva, em algum lugar desse mundo... ― Algumas lágrimas caem por seu rosto e ele as enxuga rapidamente. ― Eu falei, Mary, que nossa garotinha estava viva e que aquele hospital fez alguma coisa com ela. ― Entrega o celular para Emma e se vira totalmente para a esposa. ― Nós vamos ter os nossos filhos de volta, Mary. ― Diz esperançoso e abraça a esposa. Os dois começam a chorar e Emma assiste a cena com o coração partido por não poder dizer que a filha deles estava mais perto do que imaginavam.

Após alguns minutos de abraço e silêncio, o casal se separa. Eles enxugam as lágrimas, recompõem-se e voltam as atenções para Emma novamente.

― E quanto ao Neal? Você tem alguma informação sobre ele? ― David pergunta, cheio de esperança.

― O mesmo que eu fiz com a Anna, eu fiz com ele, porém parei na parte em que encontrei vários bebês com as informações semelhantes, porque não consegui encontrar fotos de todos os bebês nas redes sociais para poder fazer comparações e saber qual é o mais parecido com vocês. ― É a desculpa que dá por não ter uma foto do irmão para mostrar. Além de se sentir envergonhada por isso, faz uma nota mental de tirar várias fotos dele assim que tudo estiver bem.

― Tudo bem, só o fato de saber que você está bem perto e as chances são grandes de ele também estar vivo, já é o suficiente para manter as esperanças de que você vai encontra-lo também. ― Ele diz com esperança e Mary assente.

Emma conversa mais um pouco com os pais, mostra mais algumas fotos sua, conta mais detalhadamente como fez para encontrar “Anna” e como está perto de Neal, conta as histórias sobre “Anna” que montou com a ajuda de Henry, fala um pouco do seu trabalho de detetive, e vai embora, quase obrigada, por causa do horário.

Ao sair do apartamento de Mary e David, com o irmão em mente, Emma não pensa duas vezes em mudar seu caminho e ir até a Prefeitura para vigiar Fiona e segui-la quando a mesma sair, para conhecer os lugares que a mulher frequenta e depois investiga-los para descobrir onde o seu irmão está. Contudo, ao chegar na construção, o local já está fechado e todo apagado. Então, sem ter o que fazer, ela desiste e volta pra pousada.

•§•

― Finalmente! ― Tiger Lily comemora ao avistar os grandes portões do castelo das Fadas, o último lugar em que esteve antes de ficar sem suas asas e a varinha.

Com um pouco mais de pressa e cheia de esperança, Tiger Lily adianta os passos e segue na frente. Ao chegar no grande portão, descansa um pouco e tenta abri-lo, porém é impedida pela magia que protege o lugar.

― Droga! ― A mulher fecha a mão em punho e bate na madeira.

― Ainda protegido com pó de fada? ― Gold pergunta ao parar ao lado dela e a Indígena assente.

― Você não pode usar magia só para isso? Não vamos conseguir entrar de outra forma. ― Seu tom é desanimado. Toda a esperança que tinha crescido dentro de si ao ver o castelo, tinha se esvaído.

― Se eu o fizer, o outro Rumpelstiltskin chega aqui antes mesmo de você conseguir chegar ao lugar em que a varinha está. ― Tiger resmunga e encosta a cabeça na porta. ― Sinto muito, mas precisamos encontrar outra forma. ― O homem manco desse um degrau e se senta nele. ― Não há nenhuma entrada escondida? Calabouços...

Tiger fecha os olhos e força a mente a se lembrar de cada detalhe do lugar que foi seu lar por tantos anos. De repente, algo vem em sua mente e ela sai correndo pelo lado esquerdo. Gold pensa em se levantar para segui-la, mas antes mesmo de se mexer, a mulher volta.

― Vamos! ― Chama com afobação. Sem questionar, Gold se levanta e a segue. Minutos depois, eles param em frente a uma enorme rocha que cobre a entrada de uma caverna. ― Nós saíamos por aqui quando não queríamos que a Fada Azul soubesse. ― Revela em um tom travesso. ― Aqui dentro, até certo ponto, podemos usar magia sem que possa ser rastreada.

Com esforço, os dois empurram a rocha para o lado e liberam a entrada da caverna que se localiza atrás do enorme castelo. Quando os dois entram, Gold logo abandona o pedaço de madeira que estava usando para se apoiar.

― Muito melhor! ― Ele murmura com extrema satisfação, pisando com mais força no chão com o pé deficiente e não sentindo nada por conta da magia.

Em seguida, o homem move a rocha com magia para fechar a entrada novamente, ascende uma bola de fogo em sua mão direita e logo os dois adentram a caverna por completo.

― Por que você desistiu de ser fada? ― Gold pergunta à outra, quebrando o silêncio entre eles.

― Vergonha. ― Tiger Lily responde sem olhar para ele. ― Após o que aconteceu, eu me senti envergonhada por não ter conseguido impedir Fiona de fazer o que fez, então desisti de minha vida de fada e fugi para a Terra do Nunca.

― Parece que temos mais um covarde por aqui... ― Cantarola em tom irônico, mas Tiger Lily ignora.

― Eu sinto muito por não ter conseguido impedi-la. ― Finalmente olha para ele. ― Se eu não tivesse falhado, seu destino não teria sido mudado, ela não teria sido banida e seu pai não teria o culpado pela falsa morte dela e o odiado. ― O homem desvia o olhar e sua expressão endurece.

― Você não tem culpa pelas escolhas erradas dela. Fiona e somente Fiona é culpada pelo que aconteceu. ― Diz entredentes, deixando transparecer sua raiva.

A conversa é encerrada e a caminhada passa a ser feita em silêncio. Cerca de vinte minutos depois, eles chegam até uma porta de madeira escura e coberta de teias de aranha, que dá para dentro do castelo.

― Chegamos! ― A Indígena avisa, apontando para a porta. Gold dá um passo à frente e usa sua magia para destrancar as três fechaduras de ferro. Em seguida, eles entram e dão de cara com uma parede. ― Essa parede é uma passagem escondida. Estamos na biblioteca. ― A mulher se adianta na explicação ao perceber a expressão curiosa de Gold. Então, ela puxa para baixo uma lamparina fixa na parede e a mesma se move, revelando o outro lado. ― Você pode ficar aqui enquanto eu vou procurá-la.

Ao ver a quantidade de livros nas prateleiras, Gold não se opõem a sugestão de Tiger e assente.

― Não demore. Assim que saímos do túnel a minha magia se tornou rastreável novamente. É certo que Rumpelstiltskin esteja do lado de fora, tentando entrar para nos pegar, e não sei por quanto tempo a magia que protege esse castelo pode nos proteger. ― Gold pede e Tiger assente. Então, sem perda de tempo, a mulher corre em direção a porta e some pelo corredor escuro.

Tiger Lily não demora a encontrar o seu quarto. Apesar do tempo em que esteve fora, ainda conhecia o lugar como a palma da sua mão. Além disso, nada tinha mudado.

O local está extremamente escuro, contudo, ao abrir a porta, ela consegue enxergar a sua antiga cama, ainda do mesmo jeito que a deixou quando foi embora, um guarda-roupa e um pequeno baú. Tiger caminha para dentro do cômodo, ajoelha-se em frente ao objeto e o acaricia com nostalgia. Vários segredos seu eram guardados ali. Uma lágrima solitária de saudade desce por sua bochecha, mas ela a enxuga rapidamente. Em seguida, estica-se um pouco e alcança a chave escondida embaixo do guarda-roupa. Aparentemente, ninguém havia mexido em suas coisas depois que foi embora.

Ao abrir o baú, a mulher tateia o fundo e segundos depois encontra o que procura. Um fundo falso. Então, ela levanta a madeira solta e logo sente os dois pedaços de sua varinha. Com o que quer em mãos, Tiger fecha o baú novamente, coloca a chave no mesmo lugar e sai correndo do quarto e não demora a encontrar Gold imerso em um livro na biblioteca. Ela pigarreia para chamar sua atenção e quando a consegue, mostra a varinha em sua mão. O homem fecha o livro, pega um feijão no bolso do terno e joga no chão.

― Pense em Storybrooke. ― Gold avisa e Tiger assente. Em seguida, ela pula no portal. Antes de fazer o mesmo, ele agarra o livro que estava lendo, pega mais outros dois e pula também. O portal se fecha segundos depois.

Notas finais
O que pensam que vai acontecer a seguir? comentem, adoramos saber a opinião de vocês. até o próximo.