Notas iniciais
Olá. Voltamos rápido dessa vez. Como passaram o ano novo? Quero agradecer por vocês estarem acompanhando e adoramos ler as teorias e pedidos de vocês... Porém notamos que vocês estão pedindo mais momentos românticos da Emma com a Regina. Bom, apesar de ser uma história swanqueen, não estamos colocando o foco nelas no momento, porque tem muitas pontas soltas que precisam ser mostradas para serem fechadas. Um momento romântico agora não seria de acordo com o que a gente planejou. Mas vai haver momentos delas, prometo. Dito isso .... Espero que gostem do capitulo... Para quem não viu o trailer ainda eu vou deixar nas notas finais o link. Até lá em baixo, boa leitura. xx featherIshope

― Você realmente entendeu o plano? ― Gold pergunta pela terceira vez e Tiger revira os olhos.

― Quantas vezes você vai me perguntar isso? ― Ela pergunta sem paciência.

― Perdão se eu só estou me certificando de que dará certo. ― Fala com ironia. ― Com ele nós não podemos errar.

Tiger respira fundo, fecha os olhos e balança a cabeça negativamente.

― Sim, Rumple, eu entendi o plano. ― Diz em tom cansado. ― Você vai soltar a minha corda, eu vou tirar sua pulseira que inibe a magia, nós vamos fingir que continuamos presos e quando ele voltar e nos colocar do lado de fora da jaula para fazermos o que ele quer, eu pego o meu arco e flecha, disparo contra ele e você nos leva para longe. ― Fala parecendo um zumbi. ― Esqueci alguma coisa, querido? ― Pergunta sarcasticamente. A convivência com o homem estava a fazendo aprender.

A fumaça característica do Rumpelstiltskin do Reino do Desejo preenche o lugar e logo ele aparece. Tiger Lily olha com preocupação para Gold, temendo que ele tenha escutado tudo.

― Pela conversa eu creio que já chegaram encontraram um jeito de entrar em contato com os seus amiguinhos, certo? ― Aproxima-se das grades com animação. ― Então, como será? ― Questiona com ansiedade. Tiger Lily respira com tranquilidade ao ver que ele não escutou toda a conversa.

― Você sabe do que precisamos. ― Gold o responde com tranquilidade, começando a colocar o seu plano em prática. Tiger o olha com o cenho franzido. Essa parte do plano ela não sabia, então não fazia ideia do que ele estava falando.

― Eu sei? ― O outro questiona com falsa ingenuidade. Sim, ele sabia, mas esperava que fossem usar um método mais fácil. Gold o encara com os olhos semicerrados e um pequeno sorriso no canto dos lábios. Rumple arqueia a sobrancelha, querendo intimidá-lo, mas Gold não cede. ― É, eu sei. ― Diz vencido. ― Eu vou providenciar.

― Fique à vontade, estamos sem pressa. ― Seu tom é irônico.

Rumple se prepara para rebater, mas desiste e some em sua fumaça vermelha.

― Do que é que vocês estavam falando? Do que é que precisamos? ― Tiger pergunta, não contendo sua curiosidade.

― Querida, eu acabei de criar uma distração de alguns dias para termos tempo suficiente para nos soltarmos. ― Seu tom misterioso atiça ainda mais a curiosidade da outra.

― O que ele foi providenciar, Rumple? ― Tiger pergunta com impaciência.

― A sombra de Peter Pan. ― Abre um sorriso vitorioso. ― Agora... ― Ele se levanta e caminha até ela. ― Sem perda de tempo, vamos tirar essa corda e essa pulseira.

•§•

Três dias depois

― Amanhã é o aniversário do Henry... ― Emma murmura com a voz preguiçosa. Os carinhos que estava recebendo nos cabelos estavam-na deixando sonolenta. As mulheres estavam no quarto da loira, deitadas na cama e abraçadas. Swan estava com sua cabeça apoiada no peito de Mills e seus dedos acariciavam a cintura dela, enquanto seus cabelos eram acariciados pelos dedos de Regina. Já estavam naquela posição há horas. Não sabiam dizer a quantas com exatidão. O céu já havia escurecido e era possível ver algumas estrelas brilhando no céu.

Henry e a Rainha estavam no quarto de Regina jogando vídeo game e conversando. A reaproximação estava ocorrendo rápido e muito bem. A Rainha estava esperançosa de que iriam voltar a ser como antes.

― Precisamos fazer alguma coisa para comemorarmos. ― Emma diz após esperar por algum comentário da outra e não obter.

― Eu não sei, Emma... Não acho uma boa ideia. ― Mills fala com hesitação. ― Não é o momento para comemorações... ― Emma tira a cabeça de seu peito, deita-a na cama e encara a morena. ― Precisamos ficar em alerta com Fiona. Dá última vez que baixamos a guarda as consequências não foram boas.

― Eu sei, mas não podemos deixar esse dia passar em branco. O Henry não merece ficar sem uma comemoração, mesmo que pequena. ― Regina desvia o olhar e gira a cabeça para o lado oposto da loira. ― Fiona já estragou demais as coisas, não fazer nada amanhã significa deixá-la ganhar essa guerra. ― Swan se coloca por cima da morena, mas apenas metade de seu corpo, e se apoia nos cotovelos. Seus olhos voltam a se encontrarem e as mãos de Swan logo encontram um lugar nos cabelos morenos e macios da outra. ― Será algo pequeno e rápido, aqui no Granny’s, eu vou falar com a vovó, vamos ficar em alerta o tempo todo. ― Emma tenta convencê-la. ― O Henry ama o aniversário dele, e eu sei que você também gosta de comemorar. ― Regina suspira pesadamente e fecha os olhos. Ela queria fazer algo para Henry, mas tinha medo de ficarem vulnerável e algo desse errado. Fiona era astuta, não podiam baixar a guarda enquanto ela estivesse por perto. Contudo, ela sabia que Emma estava certa. Henry não merecia ter o seu dia preferido estragado pela Fada, sabia que não fazer nada seria como uma vitória para ela, mesmo que ela não soubesse disso.

― Tudo bem, você tem razão, vamos fazer alguma coisa. ― Animada, Swan enche seu rosto de beijos. ― Você está tão feliz que parece que o aniversário é seu. ― Diz entre sorrisos.

― Estou feliz porque você não a deixou vencer... ― Emma sorri e Regina a acompanha. ― Pensei que teria que usar o método Swan para te fazer mudar de ideia ― A loira fala bem-humorada e Regina arqueia a sobrancelha, curiosa com o que foi dito.

― Método Swan? ― Swan balança a cabeça de modo afirmativo, fingindo seriedade e segurando o sorriso. ― E o que seria esse método, Sra. Swan Mills? ― Então, a morena sente a mão da esposa lhe acariciar por baixo de sua blusa. ― Ah, já entendi qual o método. ― Emma une seus lábios com os de Mills em um beijo sedento, molhado, excitante. Seus dentes mordem e puxam de leve o lábio inferior de Regina e sua língua o acaricia em seguida.

― Eu já estou com saudade... ― Arrasta seus lábios pelos de Regina e depois passa a língua. ― Precisamos de mais noites como aquela, só você e eu. ― Sobe sua mão rapidamente, alcança o sutiã de Regina e enfia seus dedos por baixo. Mills morde os lábios e fecha os olhos para se deliciar melhor com os leves apertões que Emma começa a dar. Todavia, sua mente a lembra da porta e ela abre os olhos rapidamente e olha para lá com preocupação. Temia que Henry ou a Rainha entrassem e vissem as duas naquela posição comprometedora. ― Eu tranquei a porta, não se preocupe... ― Emma diz, entendendo sua preocupação. ― E os dois estão muito entretidos com o vídeo game, não aparecerão tão cedo. ― Regina assente e volta a fechar os olhos. Emma sorri. ― Bem, continuando... ― Beija seu pescoço e dá uma leve mordida. ― Quando tudo isso acabar, quero passar um dia inteiro com você em um quarto. ― Seus dedos ágeis abrem o fecho frontal do sutiã. Quando sua mão volta a tocar o seio de Mills, Regina coloca sua mão por cima e a instiga a apertar mais. ― Não... Um dia seria pouco... ― Fala baixinho, próximo ao ouvido dela. ― Uma semana... ― Sorri. ― Quando tudo isso acabar, ficaremos uma semana trancadas no nosso quarto. ― Regina abre os olhos e suas pupilas dilatadas e olhar luxurioso atiçam Emma, que intensifica os toques em seu seio.

― Isso está me soando como uma promessa. ― As duas sorriem. ― Eu te amo tanto, Emma. ― Declara-se, olhando fundo nos verdes também dilatados. ― Até o infinito se torna pequeno comparado ao que eu sinto por você. ― E então a puxa para um beijo. Um beijo sedento, erótico, profundo. As mãos de Regina vão com rapidez até a barra da blusa de Emma, mas antes que ela a levante, seu celular começa a tocar. Era o toque de Henry. Emma sai de cima dela rapidamente. Regina respira fundo para se recompor, apoia-se nos cotovelos e atende à ligação. ― Henry? Está tudo bem? ― Pergunta com preocupação. ― Ok, estamos indo. ― A morena encerra a ligação e volta a se deitar. Sua respiração ainda estava irregular.

― Ei, está tudo bem? ― Swan pergunta preocupada.

― O Henry está com fome e os curativos precisam ser trocados. ― Senta-se na cama e arruma o seu sutiã. ― Precisamos ir. ― Ao fazer menção de se levantar, Emma a empurra na cama novamente e se deita por cima dela. ― Emma, teremos todo o tempo do mundo quando isso acabar. ― Beija seus lábios e tenta tirá-la de cima de si, mas Emma faz força e permanece no lugar. ― Nosso filho precisa de nós agora.

― Eu sei, mas... O que eu vou fazer com todo esse... ― Interrompe-se e respira fundo. Regina sorri.

― Prometo compensar depois, assim que pudermos. ― Beija-a mais uma vez e a tira de cima de si. Em seguida, levanta-se da cama, termina de arrumar sua roupa, segue para o banheiro e retira os resquícios de batom dos seus lábios. Ao voltar para a sala, encontra Emma deitada na cama, com os olhos fechados e respirando fundo. Com um sorriso travesso nos lábios, ela se deita por cima de Swan e beija seus lábios. ― Não é só você que está assim... ― Sussurra de forma provocadora, perto do seu ouvido. ― Eu estou completamente molhada, minha calcinha está inutilizável. ― Levanta-se rapidamente para Emma não lhe segurar novamente e segue em direção a saída.

― Regina... ― A loira choraminga e Mills segura um sorriso.

― Não esqueça de limpar o batom da boca antes de sair. ― Abre a porta e sai rapidamente do quarto, deixando uma Emma excitada e frustrada para trás.

Horas mais tardes, já de manhã, Regina é a primeira a acordar. Ela se espreguiça por alguns segundos, olha a hora no celular e se ergue um pouco para acordar Emma com um beijo. Na noite anterior, Henry pediu para dormir com a Rainha para que pudessem ficar jogando e conversando até mais tarde, e as duas dormiram juntas, abraçadas uma à outra.

― Bom dia, dormiu bem? ― Regina pergunta com a voz suave e levanta a mão para acariciar o rosto de Emma. A loira segura sua mão e a beija carinhosamente.

― Sonhei a noite toda que você cumpria o que me prometeu ontem, então sim, eu dormi bem. ― Regina sorri. ― Aliás, você poderia cumpri-la agora, o que acha? ― Puxa-a para cima de si e suas mãos logo encontram caminho por baixo da blusa do pijama da morena.

― Seria muito bom, mas precisamos acordar o Henry. ― Emma faz um bico e Regina o morde de leve. Swan tenta beijá-la, mas ela se afasta. ― Além disso, temos muitas coisas para fazer hoje. Não podemos demorar para começar ou não teremos tempo de fazer tudo. ― Levanta-se e puxa a loira consigo. ― Você pode ir buscar cupcakes e velas, por favor?

― Só se você me der um beijo. ― Fecha os olhos e faz um bico.

Entre sorrisos, Regina se aproxima e toma os lábios de Swan com os seus, em um beijo lento e profundo. Então, Emma lhe agarra pela cintura e se deita na cama com ela. As duas sorriem e voltam a se beijar com ardor.

Após alguns minutos de muitos beijos e amassos, as duas finalmente se levantam e se arrumam para sair. Regina vai para o seu quarto para acordar a Rainha e Emma desce até a lanchonete para buscar os cupcakes. Ela pede quatro unidades dos bolinhos e de velas para Dorothy e volta rapidamente para o quarto. Entrega um cupcake para cada uma e as três seguem para o quarto de Regina, onde Henry ainda dormia tranquilamente.

Ao entrarem, andam com leveza até a cama e se acomodam ao redor dela.

― Henry? ― Regina o chama baixinho para não o assustar, mas ele nem se mexe. ― Querido? ― Toca em seu ombro com delicadeza, mas ele apenas resmunga.

― Minha vez. ― Emma avisa, chegando mais perto. ― Garoto? Está na hora de acordar. ― Emma cutuca suas costas, mas mais uma vez, ele apenas resmunga. ― Henry! ― Chama em um tom mais grosso e ele rapidamente abre os olhos. A Rainha segura uma risada.

― Mães, só mais alguns minutos, por favor? ― Faz um bico. Ele ainda não tinha visto os cupcakes na mão de Emma e Regina.

― Você perderá o café-da-manhã, e ele está com aquele sabor de bolinho que você gosta. ― O garoto se levanta imediatamente ao ouvir o que Mills diz. As três mulheres sorriem.

― Feliz aniversário, Henry! ― As três mulheres desejam ao mesmo tempo com animação.

― Obrigado! ― Agradece às três e elas sorriem em resposta. Regina se curva um pouco para beijar sua testa e depois lhe oferece o seu cupcake. Ele o pega, fecha os olhos, faz um pedido e depois apaga a vela. Em seguida, Emma também se curva para beijar sua testa e lhe entrega o seu cupcake. O garoto também fecha os olhos, faz mais um pedido e depois apaga a vela. ― Eu amo vocês! ― Coloca os dois bolinhos em cima da cama e abraça as duas mulheres.

― Nós também te amamos, querido. ― Beija sua cabeça. ― Você é a pessoa mais importante em nossa vida. ― Regina fala pelas duas e Emma assente.

Então, a Rainha se aproxima dos três. Seus olhos estavam marejados, mas seus lábios carregavam um grande sorriso. Estava emocionada e feliz com a demonstração de amor que acabou de assistir.

― Sei que não temos mais a aproximação de antes e que nos conhecemos há pouco tempo, mas você se tornou especial para mim, Henry. ― Sua voz sai um pouco embargada. ― Feliz aniversário, garoto! ― Estende o braço, oferecendo o seu cupcake também. Ele o segura e faz a mesma coisa que fez com os outros dois.

― Obrigado! ― Ele sorri e ela o acompanha. ― Obrigado também por ontem à noite. Eu me diverti muito. ― A mulher dá um sorriso tímido.

― Eu perdi quase todas as vezes. ― A Rainha diz sem graça e Henry sorri.

― Minha mãe diz que o que importa é a diversão. ― Ele olha para Regina e a morena de cabelos mais curtos sorri e assente. ― Então... ― Ele se levanta completamente da cama, pega a muleta e fica em pé no meio das três mulheres. ― O que vamos fazer hoje? ― Pergunta animado.

― Pensamos em fazer uma pequena festa mais tarde na lanchonete e chamar algumas pessoas. ― Emma fala e Regina assente.

― Além da Kelly que me ajudou a chegar no quarto, eu não conheço ou me lembro de ninguém daqui, e quem eu conheço está longe. ― Ele rebate em um tom triste.

― Sabemos disso, querido, mas todas elas conhecem você e não sabem o que aconteceu, e infelizmente não podemos dizer. ― Regina segura seu rosto com as duas mãos e o faz olhar para ela.

― Assim como não podemos sair daqui agora. ― Emma acrescenta e Regina assente. ― Você pode fingir que as conhece? Será só por algumas horas... ― Regina balança a cabeça de modo afirmativo mais uma vez. ― Ou então, se você não quiser a festa, está...

― Não! ― Ele interrompe rapidamente, desesperado. ― É claro que eu quero a festa. Eu sempre quero festa. ― As mulheres sorriem. ― Mas... ― Ele coça a cabeça. ― Você não vai poder ir, não é? ― Ele pergunta à Rainha e ela balança a cabeça negativamente. ― O que eu vou dizer quando eles falarem comigo? ― Questiona às duas mulheres.

― Você agradece que estão aqui e conversa sobre as coisas que você gosta, como sempre faz quando está conhecendo alguém novo, só não demonstra que não se lembra delas. ― Emma sugere e o garoto fica pensativo.

― Tudo bem, eu posso fazer isso. ― Emma e Regina sorriem e ele as acompanha. ― Eu não quero perder uma festa só porque não conheço as pessoas. ― Acrescenta bem-humorado.

― Obrigada, querido. ― Mills beija sua cabeça e o abraça.

Os quatro tomam o café-da-manhã com os cupcakes em meio a conversas aleatórias e depois Emma e Regina se separam para começarem os preparativos para a festa. Emma fica responsável pela decoração e Regina pelas comidas.

Enquanto desce até o Granny’s para conversar com Granny sobre fazer a festa na lanchonete, Emma liga para Belle para convidá-la, liga para Killian, porém não consegue falar com ele, e liga para sua mãe também.

Ao encerrar as ligações, a loira chama Ruby e Granny em um canto mais reservado para conversar sobre a festa, e após uma grande insistência de Swan e até mesmo das outras três mulheres, Kelly e Dorothy se juntaram à conversa logo que viram as outras mais no canto, porque a Sra. Lucas não queria alugar o espaço por Emma estar falando muito em cima da hora, a senhora aceita.

― Vamos acertar o valor e em uma hora, que é quando o movimento diminui, nós fechamos para começarmos a organização. ― Granny diz. Empolgada com a permissão da senhora, Emma abraça a mulher e beija sua bochecha com vontade, esquecendo-se completamente que ela não se lembrava que a conhecia bem e não tinham muita aproximação. Contudo, para o seu alívio, Granny gargalha com a felicidade dela e devolve o carinho com um abraço apertado.

Após Emma acertar os valores com a senhora, ela sai com bastante pressa para comprar artigos de decoração. No caminho, envia uma mensagem para Regina avisando que estava tudo certo e que ela podia descer para começar a preparar a torta, os doces e salgados.

Assim que recebe a mensagem de Emma, Regina não perde tempo em descer para o Granny’s para começar a preparar a parte da comida. Ao chegar na lanchonete, ela encontra Kelly livre no balcão e se aproxima.

― Oi, você está livre? ― A morena pergunta um pouco sem jeito.

― Ei, estou sim, acabei de servir o último cliente. ― Aponta para um homem baixinho sentado na última mesa no canto da lanchonete. Era Leroy. ― Eu lembro que o Henry falou comigo para ajudar você a fazer a torta dele, você ainda quer ajuda?

― Era sobre isso mesmo que eu queria falar... ― Diz em um tom aliviado porque não precisou pedir a sua ajuda. Desde que o Henry deu a ideia de a mulher ajudar com a torta, que elas não falaram sobre o assunto e Regina não sabia mais se ela ainda queria ajudar. ― Você vai poder me ajudar?

― Não precisa perguntar duas vezes. ― A ruiva responde bem-humorada e as duas sorriem.

Kelly leva Regina para a cozinha do Granny’s, entrega um avental e uma touca para ela, pega os ingredientes que usa em sua famosa torta de maçã verde, e as duas dão início a preparação da massa.

― Então, como o Henry está? Vocês já sabem o que aconteceu com ele? ― Kelly pergunta, puxando conversa.

― Ele está bem, mas tem achado algumas coisas estranhas. ― Responde, referindo-se à reação do garoto ao saber a história do conto de fadas, mas como a ruiva não poderia saber, limita-se na resposta. ― Aliás, eu queria aproveitar a conversa para pedir algo um pouco estranho. ― Seu tom é hesitante.

― Pode pedir. ― Fala prontamente. ― Depois que eu ajudei você a colocar uma pessoa com um pano na cabeça para dentro do seu quarto, nenhum pedido seu me surpreende mais. ― Fala bem-humorada e ri. Regina a acompanha na risada por educação. Havia ficado tensa demais com o que a mulher disse, para achar graça.

Ruby e Dorothy aparecem na cozinha para ajudar com os doces e salgados e Regina pede licença à Kelly para ir falar com as duas mulheres. Precisava explicá-las o que elas fariam.

Na sua versão de Tallahassee, Mills não gostava da forma tradicional e sem graça de comemorar festas de aniversário. Só com bolo, pizza, suco, refrigerante e/ou água. Ela acreditava que o aniversário era um dia especial e o aniversariante tinha o direito de comer o que quisesse no seu dia. Por isso, no primeiro aniversário de Henry, ela apresentou sua ideia e os dois, especialmente o Henry, aceitaram sem pensar duas vezes. Desde então, eles têm seguido esse modo de comemoração.

Essa ideia havia partido de suas falsas memórias com o seu pai. O homem tinha o costume de sempre atender aos seus desejos de aniversariante quanto a comida, quando era criança. Hoje, com as memórias de volta, a lembrança não era inteiramente falsa. O velho Henry fazia o mesmo, escondido de Cora.

Após dizer para as duas quais os doces e salgados preferidos do Henry que elas irão fazer, donuts, cookies de chocolate, brownies, batatas fritas e coxinhas, um salgado brasileiro muito vendido em Nova Iorque, que Regina havia apresentado para os dois, e explicar como faz o último, a morena volta para perto de sua irmã. Devido à presença de Ruby e Dorothy, as duas ficam mais próximas para poder continuarem a conversa.

― Bem, voltando a conversa... ― Kelly assente. ― Eu queria pedir que você não contasse para ninguém que o Henry não se lembra de nada, pois como não sabemos o que aconteceu, seria difícil explicar. Então, para as pessoas não desconfiarem de nada, ele irá fingir que está tudo bem. ― Regina fala baixinho para as outras duas não escutarem. ― Então, você pode manter isso em segredo? ― A ruiva balança a cabeça afirmativamente sem pensar duas vezes.

― É claro! ― Kelly limpa a mão no avental e aperta o ombro de Regina, que fica levemente surpresa com o toque, mas logo fica calma para que a outra não desconfie. ― Pode ficar tranquila, não direi nada.

― Obrigada!

As mulheres voltam a focar na preparação da massa da torta e ficam em silêncio. De repente, Regina se lembra do motivo de estarem juntas naquele momento, o plano de Henry e Emma para tentar aproximar as duas, e decide puxar conversa para tentar fazê-lo funcionar. Então, a morena levanta o olhar por alguns segundos e olha para a ruiva que está bastante concentrada misturando alguns ingredientes e pensa no que poderia falar. Havia tanta coisa que gostaria de perguntá-la e também dizer, mas infelizmente não podia.

Kelly percebe o seu olhar nela e, percebendo que foi pega, Regina trata de voltar sua atenção para o que fazia.

― Diga. ― A ruiva murmura e Regina franze o cenho. ― Eu sei que você quer dizer alguma coisa ou perguntar... ― Kelly explica e o coração da morena bate acelerado. Ela não fazia ideia do que dizer, já que não podia falar ou perguntar o que realmente queria. ― Pode ir em frente. ― A mulher a incentiva.

― Eu... ― Sua atenção é tomada rapidamente por Ruby e Dorothy brincando mais na frente, e ela logo tem uma ideia do que falar. ― Esses dias eu percebi uma alegria compartilhada entre vocês duas... ― Murmura, referindo-se ao dia que ambas as mulheres estavam bastante felizes, logo pela manhã, enquanto atendia a todos. ― O que há entre você e ela? ― Indica a morena de mechas ruivas de forma discreta.

― Eu e a Ruby? ― Mills assente. ― Ah, nós somos apenas amigas. ― Fala com tranquilidade e dá de ombros, tentando passar veracidade no que diz, mas obviamente não convence Regina. ― Eu sei bem de qual dia você está falando... ― A ruiva dá um sorrisinho involuntário. ― Foi no dia que o Henry me pediu para ajudá-la, não foi? ― Regina assente rapidamente. ― Na noite anterior, nós tínhamos pegado no sono ao colocar a Margot para dormir e dormimos juntas, as três, e naquela manhã, nós três tivemos um bom momento antes de virmos para o Granny’s. ― Suspira pesadamente e abre um sorrisinho involuntário novamente. ― Mas, como eu disse, somos apenas amigas...

― Amigas? ― Regina arqueia a sobrancelha. ― Não é o que seus olhos dizem quando estão olhando para ela, e nem essa suspirada que você acabou de dar, depois de falar que dormiu com ela. ― Kelly fica brevemente corada e Regina fica surpresa. Jamais imaginou que a irmã fosse do tipo que fica envergonhada ao falar sobre qualquer assunto.

― É que... ― Ela respira fundo. ― É complicado. ― Olha para a mulher que coincidentemente olha para trás e elas sorriem uma para a outra, mas logo quebram o contato visual. ― Eu acho que gosto dela mais do que deveria, mas sei que não é recíproco. ― Seu tom é triste. ― Além disso, tem a Dorothy. ― Ela olha para a mulher, que vez ou outra olhava para trás e lhe encarava. ― Elas não são mais casadas, a propósito, é graças a mim, mas eu não me orgulho disso. ― Deixa bem claro antes que a outra possa sequer pensar em algo. ― Mas sei que ainda se gostam e estão tentando reatar o casamento, e eu não quero atrapalhar isso, ainda mais cheia de incertezas. Ruby é minha melhor amiga e quero manter isso. Se eu contar o que sinto, corro o risco de perde-la. ― Suspira pesadamente.

― Ou talvez possa descobrir sentimentos da parte dela. ― Mills rebate, lembrando-se que com ela e Emma foi preciso uma maldição para saberem dos sentimentos uma da outra e ficarem juntas. Aparentemente, a história estava para se repetir com sua irmã e Ruby.

― Eu não sei, às vezes acho que eu só estou confusa e isso tudo é coisa da minha cabeça. ― Balança a cabeça negativamente. ― Desde que o meu marido morreu e a Ruby apareceu, ela tem sido a minha rocha. ― Seus olhos brilham e seus lábios se curvam em um genuíno sorriso. ― Ela me ajudou e ainda ajuda muito. Às vezes sinto que eu estaria perdida se não fosse por ela. ― Olha para Lucas e suspira. ― Então, acho que eu confundi os sentimentos e penso que estou apaixonada por ela, quando na verdade só sou muito grata e amo a sua amizade... ― Seu tom é desanimado. ― E tem também a Margot, eu preciso pensar primeiro nela, antes de me envolver romanticamente com uma nova pessoa e colocá-la na vida dela.

― Se você se envolver com a Ruby, não será uma pessoa nova na vida dela. ― A morena dá uma piscadela acompanhada de um pequeno sorriso e a ruiva sorri também. ― Na verdade, será até mais fácil, pois ela já conhece a Ruby e tenho certeza que deve gostar muito dela.

― Pensando bem, você tem razão... ― Murmura em um tom pensativo. ― E assim como a Margot ama a Ruby, a Ruby ama a Margot... ― Diz mais para si do que para a outra. ― Bem, vamos deixar a chuva molhar e ver no que dá. ― Olha para Ruby mais uma vez e suspira pesadamente.

― É assim que se fala! ― As duas sorriem.

― Sabe, eu não costumo falar de sentimentos com ninguém, você é a primeira pessoa. ― Sua revelação faz a morena ficar levemente emocionada.

― Pode conversar comigo sempre que quiser. ― Agora é a vez de Regina apertar levemente o seu ombro.

― Obrigada! ― Toca na mão da morena que ainda está em seu ombro e a aperta. De repente, Kelly pensa na irmã que não conhece e deseja que pudesse ser ela ao seu lado, ouvindo suas confidências, suas paixões, e lhe dando conselhos e incentivos. ― Eu… Eu tenho uma irmã... ― O coração de Regina bate acelerado e ela se esforça para esconder que ficou nervosa com o assunto. ― Infelizmente eu não a conheço, mas espero muito poder conhecer algum dia. ― Seu tom é esperançoso. ― Eu não estou procurando por ela, porque nem sei por onde começar, mas tenho esperança de encontrá-la, e eu espero que quando isso acontecer, ela queira me ver, queira me conhecer, tanto quanto eu quero.

― Eu tenho certeza que sim. ― Fala com firmeza como sua única opção no momento para ajudar a irmã a manter as esperanças e não ficar tão triste por não a conhecer ainda, já que não pode gritar para ela que a irmã que ela procura está bem ali, ao lado dela, louca para abraçá-la. ― Tente procurá-la. Se quiser ajuda, nós podemos ajudar. A Emma é muito boa em encontrar pessoas.

― Você faria isso? ― Pergunta emocionada.

― Com toda certeza. ― Aperta sua mão. ― Você não está sozinha. Pode sempre contar conosco. ― Ao ver os azuis de Kelly ficarem marejados, Regina se segura para não chorar também.

― Muito obrigada, Regina. ― E abraça a morena, que fica surpresa com o contato e demora a retribui-lo. Quando se afastam, Kelly enxuga suas lágrimas. ― Nossa, estou um pouco emotiva hoje. ― Sorri. ― Bem, eu vou pensar na sua oferta de ajuda.

― Tome o tempo que precisar.

― Obrigada! ― Enxuga mais algumas lágrimas. ― Bem, vamos terminar essa torta, que não temos muito tempo. ― Regina assente e as duas voltam a mexer na massa da torta.

Então, as mulheres ficam em silêncio mais uma vez. Regina começa a repassar a conversa que teve com a irmã e seus olhos marejam imediatamente. Esperava que um dia tudo isso acabasse e Zelena se lembrasse que a irmã sempre esteve ao seu lado. Que está ao seu lado agora.

Mills enxuga os olhos marejados com a manga da blusa e agradece pela ruiva estar tão entretida com a massa que não pode ver. Para evitar que volte a pensar na conversa, ela decide puxar assunto novamente. Dessa vez, um que não a faça ficar emocionada e com vontade de chorar.

― Então... ― Regina murmura e chama a atenção da ruiva para si. ― Como está a Margot? Já anda? Já fala?

― Ainda não, mas está quase lá. ― A ruiva responde entre sorrisos.

•§•

― Sinto muito por você não poder ir conosco. ― Henry diz em um tom triste. ― Mas prometo trazer bolo para você, tudo bem? ― Ele segue para a porta. Emma e Regina já estavam do lado de fora, esperando por ele.

― Tudo bem, Henry! ― A Rainha fala com sinceridade. Ela entendia que a culpa não era deles três, principalmente do Henry. ― Aproveite a sua festa.

― Eu vou tentar. ― Responde com pouco ânimo, mas não por conta da festa, pois ele sempre gostou de celebrar o seu aniversário e nunca se importou com o tamanho ou local dela. Seu desânimo se dava pelo fato de só ter pessoas desconhecidas para ele. ― Até mais! ― Ele sai completamente do quarto e a Rainha fecha a porta.

Com a ajuda das duas mães, Henry desce as escadas devagar, ouvindo atentamente sua mãe Emma reforçar que ele precisa fingir que conhece as outras pessoas e que apenas Kelly e Belle sabem de sua perda de memória, e ao chegar na área da lanchonete é surpreendido pela decoração na qual ele não esperava ter, que consiste em algumas bolas e bandeiras de letras formando o seu nome e “feliz aniversário” e pelos aplausos e assobios dos já presente. Ele até se sentiu importante.

― Obrigado, pessoal! ― Fala um pouco envergonhado, pois não esperava aquilo tudo. Tinha sido pego de surpresa.

Emma e Regina o colocam sentado em uma mesa, e antes que uma das duas pudessem lhe dizer o nome de todas as pessoas presentes, Granny chama Regina para resolver algo sobre a comida e Mary, que tinha acabado de chegar, ganha a atenção de Emma.

Belle é a primeira convidada a se aproximar para cumprimentar o aniversariante.

― Oi, Henry! Feliz aniversário! ― Entrega uma pequena caixa para ele. ― Está tudo bem, eu sei que você está sem memória e não se lembra de mim. ― Ela diz ao perceber o nervosismo dele.

― Você é a Belle? ― Deduz por já conhecer Kelly e a mulher assente. ― Bem, prazer em conhecer você de novo, Belle. ― Diz bem-humorado e os dois riem. ― Aproveitando que você sabe de mim, pode me dizer o nome de todos aqui? ― Faz uma careta. ― Minhas mães iriam fazer isso, mas assim que me sentaram aqui, minha mãe Regina foi resolver algo da comida e minha mãe Emma foi falar com aquela mulher. ― Aponta disfarçadamente para Emma e Mary conversando animadamente perto do balcão.

― É claro! ― Ela se levanta e se senta ao lado dele. ― Bem, aquela conversando com a sua mãe é a Mary Margaret.

Após apresentar todos e conversarem um pouco, Belle se despede do garoto e o deixa sozinho. Logo em seguida, Kelly se aproxima dele com a pequena Margot em seus braços.

― E aí, garoto, tudo bem? ― Ela se senta em sua frente e coloca a pequena em cima da mesa.

― Ei, obrigado por ter me ajudado naquele dia. ― Henry se estica um pouco e faz carinho na mão da bebê, que abre um sorriso para ele.

― Não foi nada! Espero que você fique bem logo. Eu gosto das nossas conversas. ― Mesmo sem fazer ideia do que ela estava dizendo, ele sorri. ― Hum, parece que precisamos ir ao banheiro. ― Aponta para a fralda de Robin e faz uma careta. ― Feliz aniversário, Henry! ― A ruiva se levanta e pega sua pequena no colo novamente.

― Obrigado, Kelly! ― Ele acena e a mulher segue em direção ao banheiro.

Ruby, Dorothy e Granny também se aproximam e cumprimentam o garoto e por último, Mary se aproxima acompanhada de Emma.

― Henry, como você está? ― A mulher de cabelo mais curtos pergunta, bastante animada. ― Esses machucados aí estão melhores? ― Ela se senta em frente a ele.

― Ah, eles ainda doem um pouco, mas as minhas mães estão cuidando bem de mim.

― Ah, como é bom ser mimado pelas mães, hein? ― Diz bem-humorada e os dois sorriem.

Do outro lado da lanchonete, na mesa da torta e dos doces e salgados, Regina faz um sinal com a mão e chama Emma. A loira avisa à Henry e a Mary que Mills a está chamando e se afasta rapidamente dos dois, que iniciam uma conversa animada sobre pontos turísticos de Storybrooke.

― Está tudo bem? ― Regina pergunta assim que Emma se aproxima dela. ― Algum sinal de Fiona ou aquele homem?

― Pode ficar tranquila, está tudo bem. ― Swan a abraça por trás e beija seu ombro carinhosamente.

― E o Henry? Está tranquilo mesmo sem conhecer as pessoas? ― Levanta o olhar e observa a conversa animada de seu filho e sua sogra.

― Pelo pouco que acabei de presenciar, ele está indo muito bem, nem parece que não se lembra das pessoas. ― Beija sua bochecha. ― Quer ajuda? ― Afasta-se da morena e se coloca ao seu lado, pronta para ajudá-la a terminar de colocar as velas em cima da torta.

― Só quero que você continue me abraçando. ― Fala toda manhosa e Emma a abraça de novo. ― Eu já estou terminando. Pode avisar que já vamos bater parabéns. ― Swan assente e se afasta para ir chamar os convidados e Henry para perto da mesa.

Após cantar a música de parabéns, Henry faz mais um pedido, apaga as velas, corta o bolo e oferece a primeira fatia para as duas mães. Em seguida, com a ajuda de Dorothy, Granny, Emma e Regina, os convidados se servem e se sentam nas mesas para comer.

Depois de pegar o seu prato, o mais cheio de todos, Henry se senta em uma mesa com Ruby, Kelly, Belle e Mary e inicia uma conversa animada sobre como é morar em uma cidade grande. As quatro nunca tinham saído de Storybrooke e estavam cheias de curiosidades.

Um pouco mais afastada, enquanto come com Emma o pedaço de bolo que o filho deu e é abraçada carinhosamente pela loira, Regina observa com alegria o filho se entrosando com as pessoas. Ao escutá-lo falar algo sobre ela, sua mente a leva para uma lembrança de quando estavam em Tallahassee.

― Qual foi o pedido que você fez, garoto? ― Emma pergunta, cheia de curiosidade, assim que ele assopra as velas e os convidados se dispersam.

― Não posso contar, mamãe. ― Ele cruza os braços e Emma faz um bico.

― Você sabe que se ele contar não vai se realizar, Emma. ― Regina diz, ajudando o garoto.

― A mãe está certa, não posso contar, só quando se realizar. ― Henry fala naturalmente, surpreendendo Emma e mais ainda Regina, que franze o cenho e pisca várias vezes, duvidosa de que ouviu certo como o Henry a tinha chamado, e com tanta naturalidade, como se já fizesse aquilo a vida toda, mas na verdade, era a primeira vez que ele a chamava de mãe.

― Henry, vamos voltar para o jogo. ― Hansel, um de seus amigos, chama-o e o menino sai correndo com ele, deixando as duas mulheres sozinhas.

Ao olhar para Regina e ver seus olhos marejados e sua expressão surpresa, Emma sorri.

― Ele acabou de me chamar de…

― Sim. ― Emma diz, interrompendo-a. ― Você ouviu certo. ― A loira a abraça e beija sua bochecha. ― Você também é mãe do Henry, meu amor. ― Regina gira seu rosto e a beija, emocionada.

― Regina, você me ajuda com os pratos? ― Anastácia, a babá de Henry, chama-a. A morena assente, afasta-se de Emma, limpa as lágrimas e segue a mulher que foi para a cozinha.

― Mãe? ― A voz de Henry traz Mills de volta a realidade. ― Mãe? ― O garoto repete, observando seu olhar ainda perdido. Ela estava, por causa da lembrança, emocionada com a forma como ele a chamou. Agora que ele estava sem todas as suas memórias, ela era para ele, mais uma vez, a esposa de sua mãe que ele também chamava de mãe. Mas a verdade é que não importava quantas maldições existissem, se lembravam um do outro ou não, ela sempre seria a mãe de Henry e ele sempre a veria assim. ― Está aí? ― O garoto pergunta bem-humorado.

― Oi, querido! Desculpa! ― Ela diz sem graça e enxuga os olhos marejados.

― Você estava chorando? ― Ele franze o cenho. Ao ouvir a pergunta do garoto, Emma a gira para si para poder ver o seu rosto.

― Não! ― Responde apressadamente. ― Eu só... ― Sorri para disfarçar. ― Eu só fiquei tempo demais sem piscar, então meus olhos arderam e lacrimejaram um pouco. ― Henry fica pensativo por alguns segundos, mas assente, aparentemente aceitando a desculpa. Emma também parece aceitar a sua desculpa e volta a posição anterior, girando-a para frente novamente e lhe abraçando.

― Precisamos tirar uma foto para o nosso álbum, lembra? ― O garoto diz, referindo-se a uma tradição de fotos que criaram em Tallahassee.

― Claro! Venha aqui. ― Regina fala animada. O garoto entrega o celular para Ruby, a muleta para Kelly e se coloca no meio das duas. Então, Regina e Emma deitam a cabeça no ombro dele e Henry se esforça para conseguir abraçar as duas por trás sem machucar o braço e se equilibrar com um pé só.

― Digam "Swan Mills" ― Ruby pede com animação e aponta o celular para eles.

― Swan Mills! ― Os três falam juntos e logo um flash surge, indicando que a foto da pequena família foi tirada.

•§•

Como parte da sua rotina desde que o bebê Neal se machucou, Fiona sai da Prefeitura e segue até o convento para ver com os seus próprios olhos como o menino está e se está sendo bem cuidado. Ao chegar no local, quase tem um ataque cardíaco ao entrar no quarto dele e não o encontrar dentro do berço brincando com algum brinquedo ou dormindo.

― Onde ele está? ― Pergunta com o tom de voz elevado e assusta duas freiras que limpavam o chão ao redor do berço. ― Onde está a criança? ― Avança nas duas freiras que se levantam rapidamente e se encolhem no canto da parede. ― Respondam-me!

― Houve um incidente no berço e nós o levamos para a sala de descanso. ― A Madre Superiora responde em um tom brando, aparecendo na porta.

― E por que não me avisaram que levaram ele para outro lugar? ― Volta-se para a mulher parada na entrada e caminha ameaçadoramente até ela.

― Perdão, eu não consegui chegar a tempo para avisar. ― Dá alguns passos para trás e libera a passagem para Fiona passar.

Seu tom calmo irrita a Fada Negra. Ela a encara por alguns segundos e se afasta com passos largos e apressados.

― Sua hora vai chegar, Azul. ― Fiona murmura entredentes.

Ao chegar na sala de descanso, Fiona encontra o bebê nos braços de uma freira e sem delicadeza o pega. Amedrontada, a freira sai correndo da sala e a mulher fica sozinha com o bebê.

― Olá! Você está bem? ― Pergunta com a voz suave. O pequeno Neal abre um sorriso para a mulher e com o seu pequeno dedo toca o nariz dela. Fiona fecha os olhos por alguns segundos e sua mente a leva para uma época distante. Seus olhos marejam quando a imagem do seu filho acariciando o seu rosto com o seu pequenino dedo se forma em sua mente. ― Em breve nós vamos ficar juntos de novo, meu filho.

― Senhora? ― O chamado de uma freira a traz de volta a realidade.

― O que? ― Pergunta com rispidez, sem se virar para ela.

― Gideon já está pronto para vê-la. ― Fiona assente e enxuga os olhos marejados. Em seguida, vira-se para a freira e entrega o bebê Neal para ela. ― Ele está no jardim.

Com passos largos e apressados, Fiona caminha pelo longo corredor de acesso aos jardins e assim que chega ao destino e encontra Gideon treinando com a espada, abre um largo sorriso.

― Muito bem! ― Ela bate palmas e o jovem se vira para ela com um largo sorriso. ― Hoje você aprenderá algo novo, Gideon. ― Diz com animação. ― Está preparado?

― Eu estou sempre preparado, senhora. ― Seu tom firme deixa a mulher orgulhosa.

― Ótimo! ― Bate no ombro nele. ― Hoje eu vou ensinar como arrancar o coração da Salvadora.

•§•

Esgueirando-se pelo cemitério da cidade, Killian chega ao mausoléu de Regina e força a porta para entrar. Desde que precisaram entrar nele para usarem a magia do lugar para viajarem para o Reino do Desejo que ele ficou fechado apenas com cadeados, pois apenas a dona poderia selá-lo com magia de sangue novamente.

Com um pouco de dificuldade, Killian afasta o caixão do pai de Regina e desce pelas escadas escuras. Ao chegar completamente no andar de baixo, ele caminha pelo longo corredor e segundos depois seus olhos se deparam com diversos baús, armários, caixas e mesas com gavetas espalhados pela área. Então, ele não perde tempo em vasculhar cada lugar. Seu objetivo era encontrar a pena do autor. Sabia que não estava na Prefeitura ou na mansão Mills, ou então Fiona não teria pedido que ele a procurasse. Então, só poderia estar no mausoléu, em alguma daquelas tantas caixas, baús, armários ou gavetas que ele estava vendo em sua frente.

Não demora muito e logo Jones encontra a pena dentro de uma pequena caixa guardada no interior de um baú. Ele a guarda com cuidado dentro de um bolso da sua jaqueta, arruma a pequena bagunça que fez enquanto a procurava e sai o mais rápido possível do mausoléu.

Ao chegar na Prefeitura, ele segue direto para a sala de Fiona, abre a porta sem se anunciar, aproxima-se da mulher e entrega a pena em suas mãos.

― E agora, você confia em mim? ― Fiona olha para a pena do autor em suas mãos e sorri. ― O que? ― Ela continua a sorrir e ele se irrita. ― Está achando que eu sou um bobo da corte? ― Vai para cima dela, mas a mulher nem se abala. Pelo contrário, aproxima-se mais e tenta beijá-lo, contudo, ele é mais rápido em desviar sua boca e ela beija sua bochecha. Fiona sorri mais uma vez e se afasta dele.

― Parabéns, capitão! Preciso confessar que estou bastante surpresa com você. Eu pensei que não passaria do primeiro teste, mas aqui estamos. ― Ela levanta a pena no ar e a analisa minuciosamente. ― Sim, eu confio em você. ― Killian se anima. ― Mas... ― Ela levanta um dedo. ― Como eu disse no nosso último encontro, eu tenho mais uma missão para você, antes de contar qualquer coisa.

Killian pensa em bater de frente e insistir, mas desiste logo em seguida. Não queria correr o risco de perder sua confiança e a chance de saber, finalmente, no que estava se metendo.

― O que mais você quer que eu faça? ― Pergunta com impaciência.

― Pode ir descansar. Quando for a hora eu peço para o Gregory trazer você aqui. ― Killian assente e vai embora da mesma forma que chegou, rápido e sem dizer uma palavra.

― Preciso segui-lo, senhora? ― Gregory pergunta assim que Jones fecha a porta.

― Você ainda pergunta? ― Responde sem paciência e sua expressão séria o amedronta.

― E a festa na lanchonete?

― Esqueça-a!

Então, sem dizer mais uma palavra, o homem abre a porta e segue apressado atrás de Killian Jones.

Ao ficar sozinha, Fiona abre o cofre que fica atrás de um quadro e coloca a pena do autor dentro, junto com a manta que Rumple usou quando era pequeno. Ao fechar a porta, ela volta para sua cadeira, fecha os olhos, deita a cabeça no encosto e dá uma gargalhada. A visita de Killian tinha feito a sua noite. Já nem estava mais irritada com a festa que estavam dando no Granny’s. Sua vitória estava cada vez mais perto. Dois objetos que seriam usados para o lançamento do feitiço já estavam em sua posse. A manta de Rumple e a pena do autor. Agora, precisava da varinha de Tiger Lily, do coração da Salvadora e dos poderes da Fada Azul. O último item, ela iria obter em poucos dias.

― Sua hora está chegando, Fada Azul. ― Dá uma gargalhada.

•§•

― Quando ele aparecer, aja normalmente. ― Gold avisa pela segunda vez e Tiger assente rapidamente. Estava nervosa demais para repreende-lo por ficar repetindo as coisas como se ela fosse uma criança.

Os dois ficam quietos em seus lugares e em silêncio e não demora muito para que uma fumaça vermelha preencha o local e o outro Rumpelstiltskin apareça com algo em mãos. Um tubo de metal com a sombra presa, um pedaço de pergaminho e uma pena.

― Quem vai escrever o bilhetinho pedindo o resgate? ― Dá a sua risada irritante. ― Você! ― Aponta para Tiger. ― Nós temos a letra muito feia. ― Fala para Gold. ― Venha aqui, querida. ― Ele se aproxima da grade e a abre.

Enquanto Tiger se levanta, ela troca um olhar com Gold, que discretamente balança a cabeça afirmativamente e fica em alerta.

Quando Tiger pega o pergaminho e a pena das mãos de Rumple e se encaminha para a mesa, Gold aproveita que a sua outra versão fica entretido com ela e se levanta rapidamente. Ao ver com o canto dos olhos que Gold fica em pé e se aproxima da grade, Tiger solta o pergaminho e a pena e se abaixa mais para pegar seu arco e flecha.

Então, tudo acontece muito rápido.

Quando o Rumple do Reino do Desejo escuta os passos de Gold e se vira em sua direção para contê-lo, Tiger Lily puxa seu arco e flecha e sem hesitar atira uma flecha em suas costas, desestabilizando-o por alguns segundos. Aproveitando a distração de Rumple com a flecha cravada em sua carne, Gold e Tiger se aproximam e Gold usa sua magia para tirar os dois do lugar.

Segundos depois, eles aparecem em um canto qualquer da Floresta.

― Precisamos nos esconder. ― Gold avisa e Tiger assente.

Então, eles caminham um pouco e se escondem atrás de algumas árvores grandes. Segundos depois, Rumple aparece no lugar que eles estavam anteriormente.

― Não adianta se esconderem. ― Ele grita, olhando ao seu redor, buscando qualquer coisa que possa entregar onde eles estão. ― Eu sei que vocês não foram muito longe. ― Ele some e reaparece em outro lugar. ― Vamos lá! Facilitem o meu trabalho. ― Some mais uma vez e aparece em outro. Tiger e Gold se deitam no chão. ― Eu sei que você não pode andar sem magia, então por que adiar o inevitável? ― Fala diretamente para Gold, que não se abala. ― Ok! Querem se fazer de difícil? Tudo bem! ― Ele levanta as mãos para o alto de forma teatral. ― Eu vou embora, sentarei no meu trono e esperarei vocês se entregarem quando a minha outra versão tiver que usar magia para se locomover. ― Dá a sua risada irritante e some em sua fumaça vermelha.

Minutos depois, com bastante cuidado, Tiger e Gold olham ao redor para ter certeza de que ele foi embora e saem do esconderijo.

― A partir de agora não poderei usar magia. ― Ele se abaixa um pouco e pega um pedaço grande de madeira no chão. ― Vamos, que a caminhada é longa. ― Apoiando-se na madeira, ele começa a andar em direção ao norte. Tiger Lily coloca seu arco e flecha nas costas e segue seu afilhado.

Notas finais
E então.... Um momento bem soft da nossa família favorita junto com amigos e familiares (mesmo que eles não lembrem) Gold e Tiger fazendo de tudo para conseguir voltar a Storybrooke e impedir a Fiona. O que vocês acharam? Aqui está o link do trailer da fanfic: https://youtu.be/_pWUD3jB0fE Até a próxima...