Notas iniciais
SIMMM, chegamos com mais um capítulo. O último do ano de 2020 e presente de natal e ano novo para vocês Queremos agradecer por permanecerem conosco mesmo quando demoramos muitos meses para voltar, por deixarem feedbacks, por darem favoritos e por indicarem. Obrigada! Boa leitura! SidneyMills ✨

― Eu vou atrás dele. ― Emma diz de repente, quebrando o silêncio no quarto, e começa a andar de um lado para o outro, inquieta.

― Quem? ― A Rainha e Regina perguntam ao mesmo tempo. Em seguida, entreolham-se encabuladas.

― Aquele homem que tentou nos atropelar. ― Swan esclarece, referindo-se a Gregory, o faz de tudo de Fiona. ― Tenho certeza de que foi ele quem deu uma poção para Henry. ― Fala mais para si do que para as outras duas.

― Emma, não importa se foi ele quem fez... ― Regina murmura pouco animada e a loira a olha com uma expressão confusa. ― Ele deve estar sob maldição, talvez até sem coração, só deve estar fazendo tudo que Fiona manda. ― Rapidamente a imagem de Sidney e Graham tomam conta da sua mente. Eles eram exatamente assim. Sem os corações no peito, faziam tudo que ela mandava. Um arrepio percorre seu corpo e ela chacoalha a cabeça rapidamente. Não gostava de relembrar as coisas ruins que fizera no passado. ― Se tem alguém que devemos ir atrás, essa alguém é ela. Fiona.

Emma a escuta com atenção e fica pensativa.

― É, você tem razão. ― Diz por fim e se joga na cama, onde a Rainha estava sentada há algum tempo, com o olhar perdido no chão. Ao ver sua expressão triste, Emma fica preocupada. ― Ei, você está bem? ― Senta-se no colchão e se aproxima mais dela. O momento se assemelha à quando as duas estavam na Floresta Encantada e Emma descia escondida dos pais para lhe fazer companhia e levar comida. Sempre que a encontrava com uma expressão triste e o olhar perdido, ficava preocupada com a mulher e queria saber o que a estava atormentando.

A morena de cabelos mais longo se remexe no lugar, mas não responde. Estava perdida em seus pensamentos. Desde que havia contado tudo que tinha acontecido na noite anterior, estava com o sentimento de culpa correndo o seu ser, julgando-se responsável pelo que aconteceu ao Henry. Em sua mente, ela acreditava que se não tivesse concordado em o garoto sair do quarto e ir buscar o chocolate quente para ela provar, ainda mais porque ela só queria provar para se sentir mais perto dos dois, principalmente da loira, nada disso teria acontecido. Ela e o Henry ainda estariam dormindo após uma longa noite animada de vídeo game e ele ainda se lembraria dela e de todo o resto.

Uma solitária lágrima desce por seu rosto e Emma percebe.

― Ei... ― Tenta mais uma vez, mas não tem sucesso. ― Sua roupa está manchada de sangue, está doendo? ― Swan pergunta ainda mais preocupada, acreditando que esse era o motivo da lágrima. A Rainha finalmente olha para ela e a loira aponta para a sua coxa e para a barriga. ― O que aconteceu?

Mais afastada das duas, Regina andava de um lado para o outro, em um modo pensativo. Estava tentando imaginar como contariam para o Henry sobre tudo.

― A culpa é minha, Princesa... ― Finalmente fala, ignorando a pergunta sobre os machucados. ― Se eu não tivesse concordado com ele ir buscar a bebida, nada disso teria acontecido. ― Ela abaixa a cabeça e cobre o rosto com as mãos. ― Agora ele não se lembra de mim... ― Ela começa a chorar baixinho e o seu choro chama a atenção de Regina, que ao direcionar sua atenção para ela sente um aperto no peito e fica com os olhos marejados. Ela conhecia bem a dor que a Rainha estava sentindo naquele momento. Já havia a sentido antes, quando teve que deixar um Henry sem memória de si com Emma e voltar para a Floresta Encantada sem ele. Ver a mulher daquele jeito a fazia lembrar de si e se imaginar em seu lugar. E o fato de ela ser uma versão sua, tornava a imaginação ainda mais fácil. ― Eu sinto muito, Princesa...

― Ei... ― Emma a puxa delicadamente pelo ombro e a gira completamente para si, porém a Rainha levanta o olhar e o crava no teto. Estava se sentindo envergonhada. ― Olhe para mim. ― Pede gentilmente, mas a morena não o faz, permanecendo com o olhar perdido no teto do quarto. ― Por favor, olhe para mim. ― Insiste e ela a contragosto a atende. ― Você não tem culpa do que aconteceu ao Henry. ― Fala com firmeza. ― A lanchonete da vovó e esses quartos eram considerados seguros e achávamos que ela nunca nos atacaria enquanto estivéssemos aqui ou lá. Você não fez nada demais e não tem culpa alguma do que aconteceu. Não era nada demais o Henry descer para comprar um chocolate quente. Ele já havia feito isso diversas vezes e nada nunca aconteceu. ― Dá de ombros. ― Você não tem culpa, ok? ― Repete para deixar claro e a morena assente. Contudo, seu sentimento de culpa ainda não tinha a abandonado. ― Agora, tire isso da cabeça, por favor. ― Emma sorri e ela sorri de volta. ― Agora, sobre esses machucados... ― Toca de leve ao redor do machucado na barriga e mesmo assim a morena faz uma careta. ― Parece que alguém não cumpriu as ordens da médica... ― Olha rapidamente para Regina que balança a cabeça negativamente por causa da teimosia da sua outra versão em não ficar de repouso até ficar completamente curada.

― Depois nós cuidamos disso, agora precisamos pensar em como vamos contar tudo para o Henry. ― A morena de cabelos mais curtos diz e as outras duas assentem rapidamente. ― Dessa vez não temos uma poção da memória como garantia. ― Fala mais para si que para as outras.

― Ele reagiu bem quando precisamos fazer isso a primeira vez. ― Emma relembra, arrastando-se pelo colchão até a ponta e se levantando. ― Acredito que não será diferente dessa vez.

― Eu não sei... Ele pode estar diferente dessa vez. ― Mills murmura de forma pensativa. ― A personalidade pode não ser a mesma. ― Só de pensar que o seu garoto doce, amável e educado pode não estar o mesmo, o coração da morena dói.

― Bem, ao menos Ruby e minha mãe mantiveram as personalidades da primeira maldição... ― Swan rebate, tentando dar esperança. ― E elas já passaram por várias... ― Ainda acrescenta, para provar seu ponto.

― Ok! Então... Como você vai começar a falar? ― Emma a encara com uma expressão surpresa e confusa. ― Eu comecei da outra vez, agora é a sua vez de contar a história. ― Swan semicerra os olhos e a morena sorri cinicamente para ela.

― Bem, infelizmente não temos o livro dele para nos ajudar, então... ― Começa a andar de um lado para o outro, pensativa. ― Acho que podemos começar perguntando se ele acredita em conto de fadas... ― Olha para Regina, esperando uma aprovação da sua sugestão, mas a morena não se manifesta. ― Eu não sei... ― Ela coça a cabeça. Um sinal claro de nervosismo. ― Começamos pela história dos meus pais com você? ― Pergunta à morena e ela junta os ombros, deixando claro que não sabe tanto quanto ela. ― Argh! Eu não sei...

― Vocês podem começar pelo começo... ― A Rainha sugere o óbvio e as duas direcionam seus olhares semicerrados a ela, que não se abala. ― Vocês também podem contar algo que possam provar depois...

― Como...? ― As duas perguntam ao mesmo tempo, interessadas na sugestão.

― Como eu, por exemplo. ― Responde com tom de obviedade, mas as expressões das duas deixa claro que elas não entenderam. Ela revira os olhos e balança a cabeça negativamente. ― Quando vocês estavam no outro lugar, sem as memórias de tudo, você tinha alguma irmã? ― Questiona a Regina, referindo-se a época de Tallahassee e a morena nega rapidamente. ― Bem, somos a mesma pessoa e ele sabe que você não tem irmã, muito menos uma gêmea, certo? ― Mills assente. ― Se você falar sobre mim, a minha Terra e tudo que aconteceu para ela existir, pode me usar para provar que a história é real.

― Acho que nós podemos usar isso. ― Mills fala pensativa e a Rainha sorri, feliz por ter conseguido ajudar.

― E se depois a gente tentar quebrar a maldição com um beijo de amor verdadeiro? ― Emma sugere com animação, esperançosa com a possibilidade de conseguirem trazer o garoto de volta à moda tradicional. ― Já quebramos duas maldições assim, podemos tentar de novo. ― O celular de Emma vibra no bolso apertado de sua calça jeans e ela o retira para ver do que se trata. É uma mensagem de Henry informando que tinha acordado e perguntando onde as duas estavam. ― O Henry acabou de acordar... ― Balança o aparelho no ar. ― Eu vou chamar ele para cá e nós conversamos... ― Sugere e Regina assente.

― Bem, eu vou me esconder no banheiro. Quando vocês falarem sobre mim e o Reino do Desejo, eu apareço. ― A Rainha informa, levantando-se da cama. ― Quanto a esse sangue, eu vou dar uma limpada para não o assustar. ― Acrescenta, apontando para a coxa e barriga.

― Obrigada por nos ajudar. ― Swan fala, aproximando-se para lhe ajudar a chegar ao outro cômodo.

― É o mínimo que eu posso fazer, Princesa. ― Murmura em um tom triste e entra no banheiro. Assim que fecha a porta, ela pega a toalha de rosto, molha na pia e começa a se limpar.

Do lado de fora, Emma balança a cabeça negativamente, mas não pensa em rebater. Sabia bem como ela era teimosa e que não adiantaria lhe dizer mais uma vez que ela não tinha culpa de nada. Então, apenas torcia para que ela se desse conta disso.

― Ok, então como vai ser? ― Emma pergunta à morena, ao voltar para a sala.

― Você começa contando que não é desse mundo, assim como eu. Depois fala dos seus pais e... Sobre mim... ― Emma percebe sua hesitação e logo entende do que se trata.

― Ei... ― Aproxima-se dela e lhe abraça pela cintura.

― Estou com medo de ele me odiar de novo... ― Confessa, abraçando-a e deitando a cabeça em seu ombro.

― Isso não vai acontecer. ― Acaricia seus cabelos e beija sua cabeça. ― Se conseguirmos fazê-lo acreditar em tudo que contarmos, eu não vou deixar isso acontecer... ― Afasta-se um pouco dela. ― Tudo bem? ― Regina assente e as duas trocam um rápido beijo. Em seguida, separam-se por completo. ― Bem, então eu conto a história de vocês e como eu vim parar aqui e acho que depois disso não precisamos detalhar o restante da história, apenas as partes principais, assim como fizemos da outra vez. De acordo? ― Pergunta insegura e Regina balança a cabeça afirmativamente, concordando. ― Ótimo! Eu vou mandar uma mensagem pedindo para ele vir até aqui. ― Desbloqueia o aparelho e rapidamente digita a mensagem.

Alguns minutos depois, batidas tímidas na porta são ouvidas.

― Pode entrar. ― As duas respondem ao mesmo tempo e logo a porta é aberta, revelando um Henry confuso e ainda com sono.

― Está tudo bem? ― Seu tom é desconfiado. Ele entra por completo no quarto, fecha a porta e se senta na poltrona mais perto.

Dentro do banheiro, ao escutar a voz do garoto, os olhos da Rainha se enchem de lágrimas e a culpa volta a lhe corroer. Ela coloca a mão na boca para abafar qualquer barulho e se permite chorar.

― Nós precisamos conversar com você. ― Regina diz em um tom sério.

― Vocês vão se separar? ― Pergunta preocupado. Seu coração logo começa a bater acelerado, nervoso com a situação.

― O que? Não... ― Soltam ao mesmo tempo, olhando-se.

― Nós não vamos nos separar, Henry... ― Emma deixa claro e o garoto respira aliviado. Porém, sua preocupação permanece.

― Por que vocês brigaram? ― Olha de uma para a outra.

― O que vamos te contar agora vai esclarecer todas as dúvidas que você tiver, inclusive essa. ― Regina quem responde. Em seguida, ela puxa uma cadeira da mesa e a carrega para perto da poltrona, para ficar mais perto dele. Swan faz o mesmo logo depois e se senta ao seu lado.

Henry as encara com um olhar curioso, esperando com ansiedade o que vai ser dito. As mulheres trocam um olhar e a loira respira fundo, preparando-se para começar.

― Henry, você acredita em contos de fadas?

― O que? ― Ele sorri. ― Isso é sério? ― Elas se entreolham e suas expressões deixam claro a preocupação pela reação do garoto a uma simples pergunta. Contudo, elas não ficam completamente desanimadas, pois dá outra vez ele tinha reagido da mesma forma.

― Sim, querido, isso é sério. ― Regina o responde com seriedade e procura a mão de Emma para segurá-la, como se o ato a desse forças e coragem.

― Ok! ― Ele fica sério também. ― Então... Não, eu não acredito em conto de fadas. ― Responde com firmeza. Regina aperta a mão de Emma. Para quem tinha o coração do verdadeiro crédulo, essa não deveria ser a resposta. ― O que isso tem a ver com vocês terem brigado? ― Ele franze o cenho.

― Nós não somos desse mundo, Henry... ― Emma diz, cheia de coragem. ― Nem eu, nem Regina, e nem nenhuma pessoa dessa cidade inteira, exceto você.

― Como assim? ― Ele questiona, completamente confuso com o que a mãe loira estava dizendo. ― E de que mundo vocês são? ― Rapidamente sua mente o lembra da pergunta inicial da mãe e ele faz a ligação com a sua pergunta. ― Dos contos de fadas? ― Seu tom é incrédulo e elas balançam a cabeça afirmativamente ao mesmo tempo.

― Minha mãe é a Branca de Neve e o meu pai é o Príncipe Encantado. O seu pai é filho de Rumpelstiltskin. ― Swan fala calmamente, com cuidado. Por dentro, tudo estava agitado. Seu coração estava quase saindo pela boca de tanto nervosismo. ― Quando eu nasci houve uma maldição que me separou dos meus pais e trouxe todos nós para esse mundo, onde eu cresci e conheci o seu pai, que por outros motivos também veio para cá.

― E quanto a você, mãe? ― Pergunta à Regina e a morena fica nervosa. Percebendo seu estado, Emma aperta sua mão.

― Ela é a Rainha Má, a madrasta da Branca de Neve, quem lançou a maldição. ― Emma responde pela morena, que se encolhe e evita o olhar do garoto, temendo seus julgamentos. ― Muitas coisas aconteceram depois que chegamos aqui. Você me fez acreditar em conto de fadas, nós quebramos a maldição, outras maldições aconteceram posteriormente e as quebramos também, viajamos para várias Reinos, conhecemos e derrotamos vários vilões... ― Fala resumidamente, como o planejado.

― Vocês não podem estar falando sério... ― Murmura desacreditado e sorri.

― Você acha que nós mentiríamos para você, Henry? ― Mills entra na conversa, com um tom magoado.

― Eu sei que parece loucura, mas não estamos mentindo para você. ― Swan se manifesta, forçando-se a manter o tom de antes para não demonstrar que também tinha ficado sentida por Henry achar que as duas estavam mentindo para ele.

― Sinceramente, eu não acho que estão mentindo, eu só não consigo acreditar no que eu acabei de ouvir. ― O jovem fala com sinceridade.

― Eu também demorei a acreditar em tudo isso, quando estive no seu lugar e você no meu. ― Swan diz, na esperança de que ajude de alguma forma.

― E o que a senhora fez para acreditar?

― Eu me permiti... ― Fala com sinceridade. Embora alguns fatores tenham contribuído para que ela acreditasse, ter se permitido acreditar foi o maior deles.

Henry fica em silêncio por alguns segundos, pensativo, e as mulheres se entreolham com olhares esperançosos.

― Ok, mas eu ainda não entendi... ― Ele murmura em um tom pensativo, quebrando o silêncio. ― O que isso tudo tem a ver com a briga de vocês?

― Bem... ― Emma começa, mas Regina aperta a sua mão e logo a loira entende que é um pedido para continuar com a história. ― Ok!

― Bem... ― Ela respira fundo. ― Recentemente nós passamos por mais uma maldição. Uma maldição que a mãe do seu avô lançou. A Fada Negra. ― Regina trava a mandíbula e fecha em punho a mão livre, sentindo a raiva invadir o seu ser só por citar o nome dela. ― E nós fomos obrigados a fugir. Todos os habitantes dessa cidade voltaram para a Floresta Encantada, exceto eu, você e Emma.

― Por quê? ― Questiona, bastante interessado, e as mulheres entendem seu interesse como um bom sinal.

― Porque você nasceu nesse mundo, a Emma cresceu aqui e eu me separei da minha parte que me prendia à Floresta. ― Explica, torcendo para que ele não questionasse a sua parte. Não seria fácil ter de explicar como e por que ela se separou da sua parte má. ― Quando passamos a fronteira dessa cidade, nós esquecemos de todo o nosso passado e fomos para lugares diferentes, mas ainda sem memória, nós nos reencontramos em Tallahassee, e como você sabe, algum tempo depois eu e Emma nos envolvemos e nos casamos. ― Ele assente. ― Então algumas coisas aconteceram na Floresta Encantada e todos precisaram voltar para cá e seu avô foi até nós em busca de ajuda. Antes de tudo acontecer, Emma e eu não tínhamos nada, éramos apenas amigas.

― Amigas que tinham sentimentos uma pela outra, mas que por medo preferíamos esconder. ― Emma faz questão de acrescentar, interrompendo a narração da morena, que semicerra os olhos, mas abre um sorrisinho.

― Bem... ― Mills pigarreia. ― Quando seu avô nos encontrou e nos acordou, foi uma surpresa para nós duas, especialmente para mim, ver que estávamos casadas, por isso quando chegamos aqui, pedimos quartos separados.

― Então vocês não brigaram?

― Sim.

― Não.

Elas respondem ao mesmo tempo, Regina negando e Emma afirmando, e Henry franze o cenho em clara confusão. As mulheres se olham, mas logo elas voltam suas atenções para o filho.

― Assim que tivemos nossas lembranças, nós nos desentendemos em alguns momentos. ― Regina explica, sem entrar nos detalhes. ― Mas quando chegamos aqui, já não estávamos mais brigadas. ― Ao fim de seu esclarecimento, a preocupação de Henry se vai por completo.

― Mas, voltando para a história anterior... ― Emma fala e o garoto assente. ― Recentemente precisamos voltar para a Floresta Encantada para buscar alguém que irá nos ajudar a vencer a pessoa que tirou a sua memória e fez isso com você. ― Aponta para os seus machucados. ― E quando voltamos, uma pessoa nos acompanhou.

Escondida no banheiro, ao escutar Emma dizer o que Fiona fez ao Henry, a Rainha fecha as mãos em punho e trava a mandíbula. A veia em sua testa fica evidente e seu rosto fica vermelho de raiva. Logo sua mente começa a imaginar diversas formas de torturar e matar a tal Fada. Impulsionada pela ira, ela bate a mão fechada na parede. Então seus olhos são atraídos para a pulseira que inibe a magia que está acoplada em seu pulso. Ela precisava se livrar dela se quisesse fazer qualquer coisa contra Fiona. Contudo, para não levantar suspeitas, ela precisava pensar em uma forma de pedir para que tirassem.

― Quem? ― O jovem pergunta, completamente curioso.

― Antes você precisa saber que uma nova Floresta Encantada foi criada e com ela, todos nós, exceto sua mãe, foram recriados também. ― A morena diz em tom de aviso, preparando-o para quando chamar a Rainha para a sala.

― Ok! Quem foi a pessoa que voltou com vocês e que já existe aqui? Outro eu? ― Pergunta bem-humorado e sorri.

― Pode vir! ― Regina a chama, evitando dizer o seu nome.

As mulheres olham para a direção do banheiro e Henry faz o mesmo, curioso para saber quem iria aparecer, embora tivesse certeza de que não faria diferença ver alguém igual a outro, já que não conhecia ninguém. A não ser que fosse realmente outra versão sua.

Quando a Rainha aparece no campo de vistas dos três, Emma e Regina olham rapidamente para Henry, que arregala os olhos e abre a boca ao ver a mulher quase completamente igual a sua mãe. Chocado, o garoto olha para a mãe morena e volta a olhar para a Rainha, como se estivesse comparando cada detalhe das mulheres para ter certeza de que eram idênticas. A sua certeza de que não faria diferença ver alguém igual daquela cidade, exceto se fosse outro dele, tinha acabado de se dissolver.

― Oi, Henry! ― A Rainha fala com cuidado, aproximando-se mais e se sentando no sofá.

― Você me conhece? ― Questiona confuso.

A pergunta deixa a mulher triste, mas ela tenta disfarçar com um sorriso. A Rainha já esperava que algo do tipo fosse acontecer, só não imaginava que seria tão doloroso.

― Nós somos parceiros de vídeo game. ― Sua voz sai falha, mas apenas Emma e Regina percebem. Swan a olha tristemente, mas ela faz um sinal com a cabeça indicando que está tudo bem.

― Henry, essa é a Regina Mills da outra Floresta Encantada. ― Regina a apresenta e a morena de cabelos mais longos sorri para ele, que infelizmente não devolve o cumprimento. ― É dela que estávamos falando.

― Então foi você quem eu vi ontem à noite e achei que fosse a minha mãe... ― Fala pensativo e ela assente. ― Você me enganou direitinho. ― Sorri e a morena o acompanha, porém incerta se o comentário foi positivo ou negativo.

― Então, você acredita em suas mães? ― A Rainha pergunta, voltando a ficar séria. Sua pergunta faz os corações das três mulheres baterem acelerado.

― Você estava ouvindo tudo? ― Pergunta surpreso e ela assente. ― Bem, como eu disse antes, não acho que estão mentindo, e sua presença aqui só confirma isso, mas... ― O sorriso que cresceu nos lábios de Emma e Regina em decorrência do início de sua resposta, morreram rapidamente com a hesitação do jovem ao final. ― Mas é muita coisa para processar... ― Ele balança a cabeça negativamente. ― Eu não sei... ― Murmura sinceramente. ― Eu preciso pensar sobre.

O silêncio toma conta do lugar e cada um fica perdido em seus pensamentos. Henry queria acreditar nas mães, principalmente depois de ter visto a outra mulher extremamente idêntica à sua mãe morena, a Rainha se torturava repassando o momento desde que saiu do banheiro e apareceu para o garoto, e Emma e Regina pensavam no que mais poderiam usar para comprovar a história e fazê-lo acreditar.

Após pensarem por algum tempo e não conseguirem encontrar nada mais que pudessem usar, elas decidem tentar o beijo de amor verdadeiro. Depois de uma rápida discussão sobre quem iria primeiro, Emma se levanta. Sob olhos atentos, ela segura na cabeça de Henry, que embora não acredite que irá funcionar, permite que sua mãe loira tente, fecha os olhos e lentamente se abaixa até seus lábios tocarem na testa do garoto. Regina e a Rainha assistem com expectativa.

O beijo dura apenas alguns segundos. Quando ela se afasta e abre os olhos, olha para o garoto com esperança.

― Ainda sem lembrar... ― Ele fala com pesar e ela assente tristemente, afastando-se dele e voltando para o seu lugar.

Hesitante e bastante nervosa, Regina se levanta e anda até o garoto. Assim como Emma, ela segura na cabeça de Henry, fecha os olhos e lentamente se abaixa até seus lábios tocarem na testa do garoto. Ao se afastar e olhar para ele, Henry balança a cabeça negativamente.

― Desculpa, mãe...

As mulheres, as três, entreolham-se tristes e preocupadas.

O ambiente fica em silêncio. Um silêncio incômodo.

A Rainha se segurava para não chorar, e Emma e Regina buscavam entender por que o beijo de amor verdadeiro não tinha dado certo como nas outras vezes.

― Posso voltar para o outro quarto para jogar vídeo game? ― Henry pede, levantando-se da poltrona, e as mulheres assentem. ― Nós vamos sair para tomar café?

― Nós trouxemos algumas coisas quando chegamos da rua, em alguns minutos eu vou lá para preparar o nosso café-da-manhã. ― Swan avisa e ele assente. Então caminha lentamente até a porta e sai do quarto, deixando as três sozinhas. ― Não tivemos um resultado bom, mas também não foi ruim quanto pensei que seria. ― Comenta logo que a porta se fecha. ― Embora ele não acredite, ao menos sabe de tudo e não teremos que nos preocupar em esconder tudo que fizermos e conversamos a respeito de Fiona. ― Regina balança a cabeça afirmativamente, concordando.

Ao ouvir o nome da Fada, a Rainha se lembra da pulseira em seu braço e decide colocar seu plano para se livrar dela em prática. Então, ela se levanta do sofá e começa a coçar em volta do acessório. A ideia era parecer que a pulseira a estava incomodando, e se preciso fosse, até diria que machucando também. Seus movimentos chamam a atenção de Emma e a loira se aproxima dela.

― Tudo bem aí? ― Segura o braço da morena e o observa atentamente.

― Está incomodando. ― Faz uma careta e continua com a falsa coceira ao redor da pulseira. ― Já faz algum tempo que incomoda, mas agora está pior. ― Acrescenta, sob o olhar atento e desconfiado de Regina.

― Eu vou retirá-la. ― A loira diz, surpreendendo-a por ter sido tão fácil conseguir o que queria, sem nem precisar argumentar tanto.

― Devo lembrá-la que estamos sem magia na cidade e que nada do que estiver planejando poderá ser feito. ― Regina avisa seriamente, deixando claro que sabia bem quais as intenções dela. Fazer alguma coisa contra Fiona.

― Isso é mais um motivo para tirá-la, você não acha? ― Regina semicerra os olhos. ― Eu não tenho nada em mente, só quero me livrar do que está me incomodando.

Mesmo sem acreditar no que foi dito, afinal, mesmo sendo uma versão sua de outra realidade, ainda eram a mesma pessoa e poderiam pensar igual, Mills não se opõe a retirada da pulseira.

― Bem, eu vou para o outro quarto preparar o nosso café-da-manhã. ― Swan se aproxima de Regina e beija seus lábios carinhosamente. A Rainha desvia o olhar. ― Eu vou guardar nas minhas coisas e depois nós escondemos no mausoléu. ― Balança a pulseira no ar e a morena assente. ― Não demorem! ― Pede e se encaminha até a porta para sair. ― Vou fazer a minha especiaria. Montanha de panquecas com bastante mel, chocolate e doce de leite. ― Dá uma piscadinha, fazendo ambas as mulheres sorrirem, e sai do quarto.

― Vamos cuidar disso. ― Mills aponta para os machucados da sua outra versão e a morena de cabelos mais longos logo se senta no sofá.

Regina pega a maleta de primeiros socorros roubada do hospital e se junta a mulher no estofado. Em seguida, puxa sua perna delicadamente e começa a cuidar do machucado da cocha. Com um pequeno pedaço de gaze ela limpa ao redor do ferimento, tirando os resquícios de sangue.

― Você realmente se apegou a ele... ― Regina murmura, sem encará-la.

― Sim... ― A Rainha responde em um tom triste. ― Eu gosto bastante dele.

― Mas era de se esperar... ― Mills diz mais para si que para a outra. ― Além do Henry ser um bom garoto, nós adoramos criança. Embora ele não seja mais uma. ― As duas sorriem. Mills finaliza com o machucado da cocha e segue para o da barriga. ― Eu sei o que você está sentindo... ― A Rainha resmunga baixinho ao sentir incômodo quando a morena passa o remédio ardido. Era o ferimento mais inflado. ― Desculpa. ― Pega a gaze e passa ao redor, limpando os resquícios do líquido que colocou. ― Você não tem culpa pelo que aconteceu com ele. ― Finalmente a encara. ― Sei que é difícil pensar o contrário, mas tente. ― Então se levanta e estende a mão para ela.

A morena de cabelos mais curtos observa a mão estendida por alguns segundos e a segura com força. Regina a puxa para se levantar, e juntas elas seguem para fora do quarto.

•§•

Durante todo o dia, a Rainha se reclusou no quarto que divide com Regina e ficou processando tudo que tinha acontecido. Ela já não se sentia mais tão culpada quanto antes, as palavras de Emma e Regina estavam fazendo efeito, mas a raiva ainda se fazia presente em seu ser, e essa raiva só alimentava ainda mais a sua vontade de colocar em prática os seus planos de vingança contra a culpada pelo que aconteceu.

Assim que chegou em Storybrooke e viu o Henry, a Rainha ficou desconfortável e amedrontada com a sua presença, mesmo sabendo que aquele Henry não lhe faria mal algum. Sua vontade era de correr para longe e se proteger. Afinal, em seu reino ela tinha sido sua prisioneira diversas vezes e era caçada por ele para ser executada. Mas à medida que foi conversando com ele, conhecendo-o, aproximando-se, dividindo conhecimento e histórias, seu medo foi se esvaindo e dando lugar ao carinho. Agora, ela só queria que ele lembrasse de tudo e os dois voltassem a ser cúmplices. Estava sentindo falta das tagarelices do garoto.

Na hora do jantar, Henry não tirou os olhos dela, o garoto ainda estava muito impressionado por ela ser idêntica à sua mãe morena. Em alguns momentos até fez algumas perguntas sobre sua vida na tal Floresta Encantada. Ela até ficou feliz com o seu interesse. Na primeira vez que se viram tinha sido do mesmo jeito.

Após ficar satisfeita, ela pediu licença a todos e voltou ao quarto que divide com Regina, mas dessa vez, não foi para ficar sozinha com seus pensamentos mais uma vez, mas sim, para se livrar de Regina e Emma e poder colocar em ação o que planejou contra Fiona, mesmo que não soubesse onde poderia encontrar a mulher.

Ao trancar a porta, a Rainha se senta na cama, olha para as suas mãos, fecha os olhos e concentra toda a sua energia nos membros, na esperança de que sentisse algum vestígio de sua magia. Porém, após alguns segundos, nada acontece. Ela suspira frustrada, mesmo sabendo que já era de se esperar, visto que estavam sem magia na cidade.

Então, ela se levanta da cama com determinação, segue até o guarda-roupa, pega um sobretudo que Regina a emprestou, vai para a frente do espelho e se encara enquanto o coloca no corpo. Em seguida, ela amarra o cabelo em um coque e se encaminha para a porta. Antes de sair, ela repassa o seu plano, que consistia em ir até a loja de Rumpelstiltskin, Henry havia lhe dito que tudo que se pudesse imaginar, tinha na loja de penhores de Rumple, para pegar uma espada, um arco e flecha ou qualquer outra coisa que pudesse ferir e depois perguntar para qualquer um que passasse por ela, onde poderia encontrar Fiona. Não tinha como dar errado.

Devagar para não chamar a atenção de Emma e Regina no outro quarto, a Rainha abre a porta, confirma que a outra porta está realmente fechada e sai. Então caminha com passos leves até a escada e quando a alcança, desce rapidamente até o andar de baixo, onde diminui seu ritmo para poder passar com tranquilidade pela lanchonete.

Encostada na parede que divide a lanchonete das escadas que dá acesso aos quartos, a Rainha espera Zelena entrar na cozinha e então passa pelo meio do estabelecimento o mais rápido que pode. Ao chegar do lado de fora, ela respira aliviada.

― Primeira etapa concluída com sucesso. ― Murmura animada, sorrindo.

Sem perda de tempo, a mulher atravessa a rua e segue pelo lado mais escuro o mais rápido que pode. Seu ferimento começa a incomodar e ela lamenta não poder ir ainda mais rápido por causa dele.

Ao avistar a loja de Rumple do outro lado da rua, ela fica animada e apressa seus passos, mas uma mão a puxa com força para dentro de um beco e coloca contra a parede.

― O que você pensa que está fazendo? ― Regina pergunta entredentes, pressionando-lhe contra a parede para segurá-la ali. ― Perdeu o juízo?

― Eu não podia ficar quieta vendo essa tal de Fiona sair impune do que fez ao Henry duas vezes. ― Responde igualmente irritada e empurra sua outra versão para longe.

― Acredite, ela não vai. ― Fala com firmeza. ― Eu sabia que você pretendia fazer alguma coisa quando pediu para tirar a pulseira. ― Mills balança a cabeça negativamente. ― Quantas vezes eu te avisei para não sair do quarto? ― A morena de cabelos mais longos desvia o olhar. ― Não é porque eu não falei nada sobre não fazer algo, que você pode fazer. ― Suspira pesadamente.

― Eu não quero ficar sentada vendo mais coisas acontecerem e não fazer nada para ajudar. ― A imagem de um Henry desmemoriado surge em sua mente e ela fecha as mãos em punho e trinca os dentes.

― Aqui não é como na Floresta Encantada, você não conhece aqui, não sabe como se defender. Além disso, estamos sem magia. Como você pretendia enfrentá-la? ― Volta para perto dela e fica em seu campo de visão.

― Eu iria na loja de Rumpelstiltskin pegar uma espada ou arco e flecha. Antes de tudo acontecer o Henry me disse que eu poderia encontrar qualquer coisa lá. ― Responde em um tom mais baixo. De repente, estava se sentindo envergonhada. Após ouvir o que sua outra versão falou, seu plano não parecia mais ser muito bom e inteligente.

Regina balança a cabeça negativamente.

― A menos que ele permita que você entre na loja dele sem a sua presença ou ela estar aberta, você não entra. ― O que disse não é mentira, porém se a cidade não está com magia, a informação se torna automaticamente falsa. Mas é claro que para Regina, a Rainha não precisa saber desse detalhe. ― Precisamos voltar. ― Ela caminha rapidamente até a saída do beco e olha de um lado para o outro. ― Não tem ninguém por aqui, vamos! ― A Rainha assente e a segue com passos apressados.

Em silêncio, elas seguem à passos largos até a pensão, e ao chegarem no local, separam-se e entram por caminhos diferentes. Por sorte, nenhuma das duas esbarraram com Granny, Dorothy, Ruby ou Kelly.

Ao entrarem no quarto, Regina se senta na poltrona e a Rainha coloca o sobretudo no guarda-roupa novamente e se joga na cama. Seus ferimentos estavam latejando de dor, mas por sorte não tinham sangrado.

― Não faça mais isso, ok? ― A Rainha levanta a cabeça minimamente e a encara por alguns segundos. ― Sei que você quer ajudar, mas como eu disse antes, você está sem magia, está indefesa, não conhece esse lugar e muito menos Fiona, não sabe do que ela é capaz... ― Suspira pesadamente. ― Um ato impensado é muito perigoso e pode colocar tudo a perder.

As mulheres ficam perdidas em pensamentos e o silêncio toma conta do quarto por alguns minutos.

― Quando ele me viu com os cabelos grandes e agiu como se eu fosse você, pensei que fosse por fingimento, por causa de Zelena, mas quando ela contou o que aconteceu... ― A voz chorosa da Rainha quebra o silêncio. ― Desde que eu cheguei aqui ele tem sido a minha maior companhia, tem sido meu amigo, tem me ajudado a me adaptar... Passamos horas jogando, conversando, trocando histórias, assistindo televisão... ― Abre um sorriso genuíno em meio as tímidas lágrimas que escorrem de seus olhos. ― E agora... Agora ele esqueceu de tudo...

Regina se levanta da poltrona, caminha até a cama e se senta perto dela.

― Um tempo atrás houve uma maldição e eu tive que renunciar ao Henry. Ele foi embora com Emma e eu tive que voltar com todos para a Floresta Encantada. ― Mills respira fundo. ― Ao passarem pelo limite que divide essa cidade com outra, ele se esqueceu de tudo. Eu tive que dá-lo novas memórias e ele se esqueceu de mim... ― Uma solitária lágrima escorre por sua bochecha, mas ela a enxuga rapidamente. ― Eu preferia viver eternamente em uma maldição do sono a viver sabendo que o meu filho não se lembrava de mim. ― Olha para cima para e pisca várias vezes seguidas para segurar o choro. ― Foi difícil o encontrar um ano depois e não poder dizer quem eu era de verdade. Foi difícil ver ele achar que eu era só a prefeita da cidade e amiga da mãe dele. ― Sua voz sai falha. Embora já fizesse algum tempo e tudo já estivesse bem, as lembranças da época sempre doíam. ― Eu queria abraçá-lo, saber de tudo o que tinha acontecido enquanto ficamos longes um do outro, no entanto eu era uma desconhecida para ele. Foi difícil aguentar essa situação até finalmente a maldição ser quebrada e ele voltar a lembrar de mim. ― Enxuga a bochecha mais uma vez e se aproxima mais da Rainha, que olhava para o teto desde que ela começou a falar. ― Embora nossas ligações com ele não sejam as mesmas, eu sei o que está sentindo... ― Arrasta a mão pelo colchão e alcança da outra. ― Mas nós vamos vencer isso. Vamos quebrar essa maldição e tudo vai voltar ao normal. ― A morena de cabelos mais curtos se levanta e caminha até a porta. ― Vejo que você gosta dele e quer ajudá-lo, mas precisamos pensar no que fazer e não agir por impulso. Então, se pretende fazer algo, fale conosco antes. ― A Rainha finalmente olha para ela. ― Até daqui a pouco. ― Sorri e sai do quarto, deixando a outra sozinha com seus pensamentos. Agora que não podia fazer nada com as próprias mãos para ajudar, iria tentar ajudar com ideias. Iria pensar em uma forma de poder reverter a perda de memória do garoto sem ter uma poção.

•§•

― O que faremos? ― Tiger pergunta desesperada, assim que ficam sozinhos de novo. ― Não podemos fazer o que ele quer. ― E mais uma vez tenta soltar as cordas seus punhos.

― E o que você pretende fazer? ― Seu tom é extremamente calmo, o oposto de Tiger Lily. ― Tem alguma ideia melhor, querida? ― Questiona ironicamente, deixando a outra enfurecida.

― Me diga você. ― Rebate irritada e Gold arqueia a sobrancelha e abre um pequeno sorriso cínico. ― Eu só não aceito entregar uma vida em troca da nossa liberdade. Ainda mais a vida de alguém que estava extremamente vulnerável e machucada e que foi salva justamente de ser entregue para ele.

― Heróis... ― Revira os olhos e balança a cabeça negativamente.

― Sabe, eu queria acreditar que você estava mudando, tornando-se uma pessoa melhor, um herói também... ― Sorri. ― Mas vejo que me enganei... ― Seu tom é decepcionado. ― Não é porque você foi sempre um vilão, que precisa morrer um vilão, Rumple. ― Ele desvia o olhar e encosta a cabeça na parede, pensativo. A forma como a mulher estava falando o estava fazendo se lembrar de Belle. ― Você pode mudar isso. Está sendo dada a você uma chance para mudar, mas parece que você não quer essa mudança, parece que prefere continuar assim... ― Balança a cabeça negativamente. ― Acho que agora eu entendi como você quebrou a confiança de Belle e por isso ela desistiu de você e não estão mais juntos. ― Fala em um tom mais baixo, mas o outro escuta perfeitamente e se remexe em seu lugar, incomodado. Ela tinha atingido o ponto fraco dele. ― Parece que você prefere perder a sua família a mudar...

Tiger olha atentamente para Gold, esperando que ele diga alguma coisa, mas o homem permanece com a cabeça encostada na parede e olhar perdido no teto. Porém, embora parecesse que não estava se importando com tudo que acabou de ser dito, sua consciência não parava de gritar as palavras ditas por Tiger Lily há pouco.

Gold sabia que Tiger tinha razão, mas não conseguia deixar de ser como era, fazia parte dele ser o Rumpelstiltskin, o Senhor das Trevas. Sem isso, ele não seria ninguém além do covarde que se machucou para não ir para a guerra, e ele não queria ficar com essa fama de novo. Ele não queria voltar a ser ninguém. Contudo, ele também não queria perder Belle e Gideon. Não queria perder a sua família porque não conseguia mudar. Sua família era muito mais importante que qualquer reputação e qualquer outra coisa, e ele não podia deixar que ela se acabasse por causa de si. Porque não conseguia renunciar a sempre fazer o mal para conseguir o que quer ou ganhar vantagem em algo.

Após pensar um pouco sobre tudo o que um dia Belle o falou e Tiger Lily disse há poucos minutos, o homem toma uma decisão. Em nome de sua família, ele iria fazer o que é certo. Então, Gold se levanta e começa a andar pela cela.

― O que você está fazendo? ― Tiger pergunta, confusa e curiosa.

― Procurando uma forma de nos tirar daqui sem ter que entregamos alguém em troca. ― Explica, sem precisar dizer que ela tinha razão. Ele não iria dar esse prazer para ela. Era orgulhoso demais para isso.

― Parabéns por finalmente querer fazer alguma coisa para nos tirar daqui e por escolher a opção correta. ― A mulher sorri. ― Fico feliz que meu monólogo não foi em vão.

O homem a olha pelo canto do olho, mas não responde. Contudo, Tiger não se importa. Sabia que esperar um agradecimento dele ou qualquer outra coisa era querer demais.

― Eu acho que... Tenho uma ideia... ― Gold murmura, olhando fixamente para o arco e flecha de Tiger jogado no chão do lado de fora da cela.

•§•

Sentada em sua imponente cadeira, Fiona observa um calendário posto em cima da sua mesa, com os dias circulados com uma caneta vermelha. Faltavam poucos dias para o bebê Neal completar 1095 dias de nascido e o seu plano finalmente ser executado.

Após circular mais um dia, ela solta a caneta em cima da mesa, bebe um gole do seu vinho e se encosta por completo em sua cadeira. Então, sua mente viaja para o passado. Para o dia em que tudo aconteceu e que é o motivo do que pretende fazer.

― Então vocês querem que eu mate o meu próprio filho? ― Seu tom é incrédulo. ― Eu não vou fazer isso. Não vou matar a minha própria criança. ― Olha para o bebê e sorri para ele.

― Tem um jeito de quebrar o seu destino. ― Tiger anuncia em um tom animado, ganhando a atenção das duas mulheres. Ela se aproxima de uma mesa do outro lado do cômodo, abre uma das gavetas e puxa uma tesoura dourada. ― Essa tesoura pode cortar o seu destino e te livrar de ser responsável pela morte do seu filho, mas você terá que sacrificar os seus poderes.

― Mas eu preciso deles. ― Diz mais para si que para as duas. ― E se eu cortar o destino dele ao invés do meu? ― Sugere com animação e as duas mulheres se entreolham com preocupação. ― Se eu cortar o destino dele nós poderemos ficar juntos e eu poderei protegê-lo. ― Com magia, Fiona faz a tesoura do destino sumir da mão de Tiger Lily e aparecer na sua.

― Fiona, não faça isso! ― A Fada Azul se aproxima com cautela, mas Fiona não lhe dá ouvidos e ergue a tesoura acima da cabeça do bebê. ― Fiona, ele está destinado a ser um herói, não roube isso dele... ― Aproxima-se mais um pouco. ― Você não precisa do poder.

― Não me diga o que eu preciso. ― Rebate irritada. Então, um fio branco, o destino do seu filho, aparece em sua frente e ela não pensa duas vezes em apontar a tesoura para ele e cortá-lo. Imediatamente, a Fada Azul aponta a sua varinha para Fiona e abre um portal atrás dela. Aproveitando a distração de Fiona, Tiger Lily corre de encontro ao bebê e o pega. ― Eu prometo, meu filho, passarei cada dia da minha vida tentando encontrá-lo. ― São suas últimas palavras antes de ser puxada para dentro do portal, sumindo logo em seguida junto com ele.

Voltando ao presente, irritada com a lembrança, Fiona dá um murro na mesa e se levanta. Cada vez que ela lembrava que foi exilada para outro reino pela Fada Azul e Tiger Lily e ficou longe do seu filho, mais a sua raiva e sede de vingança crescia, e mais ela tinha certeza de que precisava conseguir lançar o seu feitiço de voltar no tempo para se vingar das duas Fadas, recuperar o seu filho, mudar o passado e se tornar a Fada mais poderosa de todas.

Um pouco mais calma, ela toma mais um gole do vinho e caminha até a janela. Seu olhar percorre as ruas vazias da cidade.

― Já se foram mil oitocentos e noventa dias... ― Murmura em um tom pensativo. ― Falta pouco para conseguir a minha vitória. ― Sorri largamente. ― Os dias das duas estão contados.

Notas finais
É claro que a Rainha iria tentar fazer alguma coisa. Se não tentasse não seria Regina Mills. hahahahaha 1 para Fiona e 0 para Emma e Regina. Será que o Henry sem memória será um problema? Vamos torcer para que não. E vamos comemorar a vitória de Tiger Lily que conseguiu fazer o Gold agir certo e não aceitar entregar a Rainha para salvar os dois. Enfim, digam-nos tudo que estão pensando, não escondam nada! Desejamos um bom Natal, apesar dos pesares e uma boa virada de ano. Que o próximo seja bom!