Recomeçar
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Floresta Encantada, Reino do Desejo, dois anos atrás...
— Ruby, este lugar é incrível... — Dorothy olha ao redor, completamente maravilhada com a paisagem a disposição de seus olhos. Em seguida, pega a mão da outra e a aperta, puxando-a para mais perto e a abraçando de lado. Haviam chegado ali com a ajuda de um feijão mágico que Ruby conseguiu.
— Eu sabia que iria gostar... — Caminham até próximo a uma enorme rocha e se sentam uma ao lado da outra, ainda abraçadas. — Apesar de aqui ter sido criado após um desejo, é exatamente igual a Floresta Encantada original. ― Conta. ― Ao menos a Terra... ― Aponta ao seu redor. ― Aqui alguns fatos foram diferentes. ― Acrescenta.
― Criado após um desejo? ― Dorothy franze o cenho. — Você não me contou essa parte quando me sugeriu virmos para cá.
― É uma longa história... — Faz uma careta. — Desde que eu encontrei a Emma, quem me ajudou a salvar você da maldição do sono em OZ, voltamos a manter contato. Quando eu disse que estava procurando um novo lugar para viver, ela me indicou aqui. ― Explica. ― Este lago é o meu lugar preferido...
— Como vocês conseguem se comunicar estando em Reinos diferentes? — Franze o cenho, realmente confusa e curiosa e Ruby solta uma gargalhada.
— Com magia, meu amor... — Beija seus lábios suavemente.
— Já que aqui é igual ao Reino original, não corremos o risco de encontrarmos nós mesmas? — Dorothy arqueia a sobrancelha, levemente preocupada, já imaginando o problema que seria encontrar outra Dorothy por aí.
— A Emma me garantiu que isso não aconteceria porque... — Interrompe sua fala e desvia o olhar.
— Por que...? — Indaga, incentivando-a a continuar.
— Bem, você não é daqui e eu, bem...
— Diga logo, Ruby... — Pede impaciente.
— Eu fui morta por uns caçadores... — Solta de uma vez e Dorothy abre a boca, surpresa, mas logo a fecha, sem saber o que dizer. — Tudo bem, esqueça isso. Não é a verdade mesmo... — Dá de ombros.
Dorothy beija sua bochecha e lhe abraça apertado.
— Por quanto tempo conseguiremos ficar em paz até algo ruim acontecer novamente?
Antes que Ruby pudesse responder, ouve-se um estrondo forte, vindo da direção do Norte, seguido de uma ventania igualmente forte. Rapidamente as duas mulheres se colocam de pé.
— Acho que essa é a minha resposta... — Dorothy murmura para si. — Droga! — Ao longe, podia-se ver uma fumaça negra se aproximando e cobrindo tudo que tocava. — Dessa vez durou tão pouco... ― Choraminga. ― Eu não aguento mais fugir de Reino em Reino...
— Eu conheço bem esse barulho e essa ventania... — Murmura Ruby, ignorando o que a outra disse.
— Como assim? Do que você está falando?
— Foi assim da outra vez... — Seu olhar estava perdido no horizonte.
Antes que Dorothy pudesse questionar mais uma vez o que a outra estava falando, a fumaça cobre as duas, deixando-as momentaneamente cegas. Segundos depois, a fumaça se dissipa, revelando para as duas mulheres, várias pessoas, muitas delas desconhecidas. Eles pareciam desorientados e perdidos.
— Branca? — Chama Ruby, após reconhecer a mulher, que assim como os outros, parecia perdida e desorientada. Em seus braços, o pequeno Neal chorava como se não houvesse amanhã. Estava assustado com tudo. — O que houve? O que estão fazendo aqui? — Aproxima-se rapidamente da mulher e lhe abraça. Em seguida, analisa-a dos pés à cabeça. — Por que está usando essas roupas e esse cabelo grande? — Indaga totalmente confusa. — Todos vocês, na verdade, estão vestidos como antigamente... — Observa ao olhar para os lados e visualizar os outros.
— Nós tivemos que voltar. — Ruby encara a mulher esperando uma explicação, já que o que disse era mais que o óbvio, mas Branca parecia perdida demais para perceber que sua resposta não respondeu a dúvida da amiga e ela saiu como idiota.
— Por que tiveram que voltar? — Repetiu, observando todos a sua volta e no meio da multidão, encontrando sua avó. Rapidamente se esquece que esperava uma resposta de sua amiga e corre para Granny, deixando Branca sozinha. — Vovó, que saudades... — Aperta a mulher em seus braços.
— Como você está, Ruby? Tem feito muita besteira? — A senhora coloca as mãos na cintura, como sempre fazia quando a neta fazia algo de errado.
— Eu estou bem e tenho me comportado bastante. — Faz uma expressão de ingenuidade. — Como vieram parar aqui?
A senhora suspirou pesadamente antes de responder à sua neta: — Aconteceu de novo, outra maldição. Por isso tivemos que voltar. Para fugirmos.
— Aqui também não está nada bem... — A morena revela com pesar. — Faz pouco tempo que eu e a Dorothy chegamos nesse Reino e ainda não vimos nada, mas desde então temos escutado histórias de que os Ogros estão atacando. Estamos fugindo desde então, vivendo como nômades, sempre mudando de lugar, sempre procurando um lugar seguro para ficar. Chegamos aqui, no lago, alguns minutos atrás.
— Quem é Dorothy? — Granny pergunta e só então Ruby se dá conta de que a avó não conhecia sua namorada.
— Vovó, essa é Dorothy Gale... — Olha para a mulher e depois para a senhora. — Ela é minha namorada... — Fala sem rodeios, estendendo seu braço em direção à namorada e a puxando para mais perto. — Dorothy, essa é minha avó, Granny. — Conclui as apresentações um pouco hesitante. Estava com medo da reação da mais velha.
— É um prazer conhecê-la, senhora... — Dorothy fala hesitante.
— Namorada, é? — Analisa-a de cima a baixo. — Hm... Se minha menina está feliz, é o que importa... — Abre um sorriso, aliviando não só a neta como a sua namorada também. — Então, trate de fazê-la sempre bem, menina... — Dorothy sorri, mas sabia que aquilo era mais uma ameaça do que um inofensivo pedido.
— Ruby, não querendo atrapalhar... — O Príncipe se aproxima das mulheres. — Mas você sabe se tem como chegar ao nosso castelo? Precisamos retomar as nossas vidas e de abrigo também.
— Eu ainda não fui até ele ou até o de Regina. Como eu disse, eu e Dorothy chegamos no Reino faz poucos dias. — O homem assente. — Não estamos muito longe. Podemos arriscar... Eu consigo farejar se houver perigo por perto.
— Ótimo. Irei avisar a todos...
— É um dia de viagem se nós começarmos a caminhar agora. — O Príncipe assente e se afasta para poder avisar aos demais.
Após reunir todos e contar brevemente para onde iriam, começaram a caminhar, seguindo Ruby e sua namorada, mas o Príncipe parou assim que observou Rumple e Killian seguirem por direções diferentes.
— Killian, para onde está indo? — David puxa o braço do homem para fazê-lo parar.
— Na verdade, eu vou partir sozinho. Não me levem a mal, mas sem Emma eu não tenho mais motivos para estar aqui. — O Príncipe o encara em silêncio por alguns segundos até balançar a cabeça de forma afirmativa e soltar o seu braço. Não estava muito satisfeito com o que ouviu.
— Tudo bem... Qualquer coisa, você sabe onde nos encontrar. — Dá duas tapas de leve nas costas dele e se afasta. — E você? — Indaga para Rumple.
— Belle não está aqui conosco. Talvez tenha aparecido em outro lugar e eu preciso encontrá-la.
— Tudo bem... — Encantado murmura, compreensivo. Faria o mesmo em seu lugar. — Boa sorte! Esperamos que ela esteja bem... — Abraça sua esposa.
— Obrigado! — Balançou a cabeça, despedindo-se, e segue seu caminho, diferente dos demais e diferente do de Killian.
— Majestade. — Leroy se aproxima afobado. — Ouvimos dizer que mais moradores apareceram em outros lugares, alguns perto daqui e outros longe.
— Provavelmente vai aparecer mais gente... — Murmura consigo. — Você e os outros anões vão de encontro a essas pessoas e as leve para o castelo. — Pede e Leroy assente rapidamente. — Temos que tentar abrigar a todos. Os Ogros estão por todas as partes. Pode ser perigoso eles estarem por aí, procurando abrigo. — Olha para Branca, que balançava a cabeça afirmativamente, concordando com o esposo. — Leroy, tente encontrá-los antes do cair da noite.
— Ok, Majestade. — Rapidamente se aproxima dos outros irmãos. — Anões, temos trabalho a fazer. Sigam-me. ― Sem protestar, todos o obedecem.
•§•
— Zelena... — Dorothy se aproxima da ruiva, que caminhava mais afastada com sua pequena nos braços. — Você parece bem diferente...
A ruiva observa a outra por sua visão periférica, mas nada diz.
— Ela é linda... — De forma ousada, Dorothy tenta pegar na pequena mãozinha de Robin, mas Zelena é mais rápida e a afasta. — Você mudou... — Sua fala soa mais como uma pergunta do que afirmação.
— Não se preocupe, não estou aqui para brigar com você, embora não seja uma má ideia aproveitar a oportunidade, mas preciso cuidar da minha filha. — Encara a menina em seus braços. — Podemos pular tudo isso e continuar seguindo para o castelo? Minha filha precisa dormir...
— Tudo bem... — Levanta as mãos em sinal de rendimento. — Não é muito longe... Se andarmos rápido, chegamos em menos de um dia. — Dorothy se afasta da ruiva e volta para atrás, para perto de Ruby, que tinha observado toda a interação das duas e estava atenta a cada movimento de Zelena.
•§•
― Você acha que foi uma boa ideia virmos para cá? ― Branca pergunta ao marido. Estavam mais atrás da multidão. Já estavam andando há meia hora pelo cálculo deles. Neal estava com Ruby e Dorothy para lhe dá um descanso.
— Não tínhamos outra opção. Nossa Floresta Encantada está destruída e não existe mais. ― Diz com pesar. — Por que aqui não seria? Aqui é exatamente igual a nossa Floresta Encantada.
― Mas aqui a Regina é procurada por ter nos matado e ter sequestrado a Emma. — Rebate, pouco contente com a resposta obtida. — Você não acha que isso pode trazer problemas?
― Só precisamos tomar cuidado para não encontrarmos ninguém daqui.
― Nós estamos indo para o nosso castelo. ― Branca diz em tom de obviedade e Encantado suspira, aceitando que a esposa tinha razão. ― Até o Henry está procurando por ela. ― Acrescenta em um tom preocupado.
― Então vamos para o castelo da Regina e lá conversamos com o pessoal para que tomem cuidado para não se encontrarem com alguém daqui, ou até mesmo alguma versão deles, até que seja seguro se misturar com eles. ― Sugere, parando de andar e segurando as mãos da mulher.
― Então vamos avisar que estamos mudando nossa rota.
De repente, a conversa do casal é interrompida por um grupo de cavalheiros saindo da floresta e cercando as pessoas com espadas e tochas apontadas. Branca olha para frente procurando Ruby e a encontra tão surpresa quanto. Provavelmente estava entretida demais com Neal e Dorothy e não sentiu nada diferente se aproximando.
― Quem são vocês? ― Um deles grita a pergunta.
Mas antes que alguém pudesse responder, Branca e Encantado se aproximam, causando espanto no homem. Entendendo a situação, o casal se olha rapidamente e balança a cabeça em afirmativo. Tinham planejado algo para escaparem daquilo.
― Rei David e Rainha Branca? ― O homem pergunta em tom incrédulo antes mesmo que Branca pudesse começar a falar.
― Sim, somos nós mesmo! ― David responde pelos dois, esperançoso que pudessem se livrar daquilo mais rápido do que pensaram.
― Homens, a Rainha e o Rei estão vivos. A Rainha Má deve ter usado algum truque de mágica para enganar o Príncipe Henry e poder fugir.
― Precisamos avisá-lo que eles estão vivos. ― Um deles diz, animado com a notícia.
― Rei David, Rainha Branca... ― O homem faz uma reverência e vira o seu cavalo para ir embora. ― Vamos avisar ao Príncipe Henry sobre o Rei e a Rainha e continuar a busca pela Princesa Swan. Não podemos descansar. ― Ordena para os homens.
― Ouçam! ― Branca diz, chamando a atenção de todos. ― Não precisa procurar por nossa filha. ― O homem franze o cenho. ― A Rainha Má não a sequestrou. Nós a levamos para outro castelo quando soubemos que ela estava por aqui. ― Ao terminar de falar, quase deu um pulo de alegria por ver que o homem que parecia ser o comandante parecia ter acreditado.
― Tem certeza, Rainha? ― A mulher assente sem pestanejar. ― Então, até breve! ― Mais uma vez faz uma reverência.
― E não se esqueça de avisar ao Príncipe Henry. ― Pede. O homem assente e finalmente cavalga para perto dos outros homens, gritando as ordens de sua Rainha.
― Um problema resolvido. ― Branca pisca para o marido e recebe um beijo nos lábios.
― Agora, só precisamos ficar preparados para o que a Fada Negra preparou para nós aqui, quando ficou sabendo que viríamos.
― Talvez ela só esteja blefando. ― Dá de ombros. ― Vamos continuar, meu povo! ― Grita para os habitantes da Floresta Encantada, que estavam lhe acompanhando, e recomeça a andar, sendo seguido pela esposa e pelos demais. ― Estamos indo para o castelo da Regina, que é mais perto e mais seguro. ― Avisa, escutando o pessoal assentir.
•§•
O grande grupo andou por cerca de sete horas, com duas pausas, até avistarem o antigo castelo de Regina, que não tinha sido destruído pela outra maldição e graças a Regina conseguiram entrar.
— Conseguimos, David! — Branca fala animada, abraçando o homem. — Desta vez, sem invasores.
— Com toda a animação de rever a vovó, eu esqueci de perguntar, onde está a Regina, Emma e Henry? — Ruby pergunta, aproximando-se do casal. Agora o pequeno Neal estava nos braços de sua avó para dar descanso a si, Dorothy, Branca e Encantado.
— Longa história... — Branca diz simplesmente. Ruby a encara, esperando que continuasse. — A Fada Negra é a mãe do Gold. — Sussurra a fofoca e Ruby arregala os olhos.
— A Fada Negra é a mãe do Rumpelstiltskin? — Indaga surpresa, falando um pouco mais alto do que deveria.
— Shhh... — A morena, agora de cabelo super longo, tapa a boca da amiga. — Fala baixo. Não é todo mundo que sabe disso, e também não sei se devem saber... — Olha rapidamente para trás e para os lados para ver se alguém estava prestando atenção nas duas. Mas aparentemente, estavam conversando entre si e não ouviram nada.
— Tá, mas o que isso tem a ver com Regina, Emma e Henry não estarem aqui? — Ruby indaga totalmente confusa.
— A Fada Negra está em Storybrooke. Ela lançou uma maldição. A mesma maldição que a Regina, anos atrás, mas com objetivos diferentes, dos quais não sabemos. É por isso que estamos aqui, para fugirmos de não perdemos a memória novamente e ficarmos sendo comandados por ela. Para não ficarmos à mercê de suas vontades perversas. — Faz uma pausa para que a amiga pudesse assimilar. — Assim como da outra vez em que voltamos, você se lembra? — Ruby assente. — Não podíamos voltar para a nossa antiga casa e nem sairmos da cidade. Estávamos presos. — Suspira pesadamente. — Mas Emma e Henry saíram da cidade. Eles não podiam voltar conosco. Além de ser a nossa esperança...
— E você acha que Emma, sem memórias, conseguirá salvar vocês dessa vez? — Indaga sincera, interrompendo a outra.
— Ela conseguiu da outra, não conseguiu?
— Ela teve a ajuda do Killian, que foi lá até onde ela estava e conseguiu entregar-lhe uma poção da memória.
Branca encara-lhe por uns segundos antes de responder com firmeza: — Eu tenho esperança de que um dia eu verei minha filha novamente. — Ruby olha-a bem nos olhos. Naquele momento ela podia ver que Branca realmente tinha esperanças de que tudo ficaria bem, não importa o quão ruim as coisas poderiam estar. Vendo a certeza nos olhos da amiga, Ruby puxa-lhe para um abraço apertado.
— Mas então, e a Regina? Ficou em Storybrooke?
— Regina se separou da Rainha Má. Henry até escreveu um final feliz para ela. — Ruby arregala os olhos, surpresa com os relatos. — Eu te disse que era uma longa história. Estou contando apenas um pequeno resumo. — As duas sorriem. — O Henry se tornou o autor, logo depois que você foi embora, por isso ele escreveu um bom final para a Rainha Má. — Começa explicando. — Regina injetou um líquido nela, um tempo depois, e conseguiu separar sua parte má. Após muitas brigas, ela conseguiu se dá bem com sua parte má. Não sabemos para onde ela foi, mas espero de todo o meu coração que esteja feliz. ― Fala com sinceridade.
— Entendi... E por que ela não veio com vocês?
— Com sua nova condição, ela tinha a opção de ficar com o filho ou voltar com a gente, sem esperança de um dia reencontrá-lo. Então, escolhendo a primeira opção, ela saiu de Storybrooke com Emma e Henry.
— E saíram juntas? — Branca assente. — Muita coisa aconteceu mesmo, hum... — As duas sorriem mais uma vez. Ruby realmente havia perdido muita coisa desde que foi embora. Emma não lhe contava muito quando se comunicavam.
— Não sabemos como ou onde estão. Só espero que também estejam bem.
— Já que estamos contando as novidades, eu queria aproveitar para falar uma...
— Envolve aquela mulher que não sai de perto da sua avó? — Ruby assente, observando sua namorada conversando animadamente com Granny.
— A gente se conheceu em Oz, quando...
— O que você estava fazendo em Oz? — Interrompe a amiga.
— Então... Eu estava procurando meu bando, minha família, quando farejei o cachorrinho da Dorothy. Ela estava fugindo de Zelena. Hoje estamos namorando.
— Ah... — Abre um sorrisinho e se aproxima mais da morena, abraçando-a de lado. — Felicidades, Ruby.
― Obrigada, minha amiga. ― Aperta-a mais em seus braços.
•§•
Ao entrarem finalmente no Castelo, tudo estava frio, escuro e empoeirado.
Os anões chegaram logo após, avisando que não encontraram ninguém e que provavelmente estavam escondidos na floresta. No dia seguinte sairiam para procurar novamente.
— Como conseguiremos esquentar e limpar este castelo sem a Regina para nos ajudar? ― Branca pergunta, apertando seu pequeno em seus braços devido ao frio que fazia.
— Não sou minha irmã, mas sou tão boa quanto. — Zelena se manifesta, saindo do meio da multidão. — Como não quero que minha filha morra de frio, eu farei o necessário para que aqui seja um bom abrigo. — Entrega a pequena Robin para Granny e com alguns movimentos rápidos faz o castelo ficar totalmente limpo, iluminado e quente. — Agora, minha ervilhazinha, vamos procurar um quarto e descansar. — Pega a pequena dos braços de Granny e some por um dos corredores.
— Ruby, ajude sua velha avó a se acomodar... — Ruby puxa a sua namorada e a sua avó consigo e segue para o mesmo corredor que Zelena havia seguido, sumindo segundos depois das vistas dos outros.
— Vamos nos acomodar também, Branca. — David chama e a esposa assente, já seguindo para onde as outras foram. — Todos vocês... — Ele eleva a voz, chamando a atenção dos demais. — Encontrem um quarto e se acomodem, amanhã veremos o que vamos fazer para retomamos nossas vidas e nos livrarmos dos Ogros...
― E não se esqueçam: Tomem cuidado para não se encontrarem com a versão de vocês por aqui. ― Branca avisa e todos assentem. Em seguida, a multidão começa a sumir pelos vários corredores do enorme castelo.
•§•
Os dias foram se passando e aos poucos, em um ritmo lento, todos iam voltando com suas vidas antigas. Alguns moradores já tinham se acomodado no castelo e ao redor dele também. Durante os primeiros dias, Leroy saia pela manhã com os anões e voltava no fim do dia com outros moradores que ainda estavam perdidos pela floresta. Os Ogros ainda não haviam aparecido, mas eles recebiam as notícias dos Reinos vizinhos, e por isso, o Príncipe sempre convocava os mais destemidos para passarem uma manhã pesada de treinamento, para estarem preparados quando os inimigos chegarem.
Certo dia, após serem bastante cobrados pelos moradores, uma explicação do motivo de estarem ali e não em Storybrooke, e receberem várias reclamações, não aguentando mais, Encantado e Branca convocaram uma reunião no grande salão, para enfim explicar aos moradores o que estava ocorrendo e o motivo pelo qual voltaram à suas vidas antigas. Muitos haviam se acostumado com a tecnologia do mundo real e não aprovaram a ideia de voltar para a Floresta Encantada. Nem todos os presentes sabiam o motivo pelo qual tiveram que voltar. Não sabiam nem que estavam no Reino do Desejo em vez da Floresta Encantada de verdade. Também não faziam ideia do porquê tinha outras versões de si andando por aí e por que tinham que tomar cuidado. Apenas foram arrancados de suas casas, de suas vidas e reapareceram ali, sem mais nem menos.
O Príncipe estava em meio a sua explicação quando Leroy entra no salão, gritando pelo homem. Como sempre, desesperado.
— O que aconteceu, Leroy?
— Algo está acontecendo, Majestade. — Sua expressão é assustada. Seus olhos estavam esbugalhados. — Enquanto procurávamos mais moradores perdidos, ouvimos boatos de que alguns Reinos estão sendo destruídos.
— O que? Como estão sendo destruídos?
— Não disseram... Apenas estão desaparecendo...
Após ouvir o que Leroy informou, todo o salão entrou em desespero, questionando ao Príncipe e a Princesa o que fariam se aquilo começasse a acontecer ali também.
— Ainda não sabemos o que está de fato acontecendo, mas vamos descobrir e vamos achar um jeito de resolver esse problema. — Grita Branca, para que todos pudessem ouvir. — No momento, só precisamos que fiquem calmos. Agonia não nos levará a nada.
— Como vamos ficar calmos? Os Ogros estão por toda a parte e os Reinos estão sumindo como mágica. Em breve tudo será destruído e não sobrará mais nada. — Rebate Leroy, bastante irritado, ajudando a colocar lenha na fogueira.
— Não sabemos se isso chegará aqui. ― David o rebate.
— É claro que vai chegar. Se já chegou no Reino ao lado, chegará aqui também. Mas eu não quero estar aqui para ter essa certeza, então é melhor vocês darem um jeito logo. — Antes que Branca ou Encantado pudesse responder ao anão, ele sai irritado e arrastando seus irmãos para fora do grande salão com ele.
— Nós vamos achar um jeito. — Branca diz mais para si do que para o esposo.
— Vamos investigar e ver o que descobrimos. Depois decidimos o que fazer.
•§•
— Zelena acabou de me dizer que Oz sumiu. — Diz Branca, entrando no quarto e se sentando na cama, ao lado de David, que estava com os braços apoiados no joelho e a cabeça por entre as mãos.
— Se não fizermos nada logo, vamos ser atingidos. Talvez até os próximos a sumir. — Murmura com preocupação. — Você acha que os Reinos estarem sumindo repentinamente é a surpresa que a Fiona disse que nos aguardava quando chegássemos aqui?
— Talvez... — Dá de ombros. — Parece que ela não estava blefando... — O Príncipe balança a cabeça, concordando. — Regina faz muita falta... Ela aqui, já teria descoberto um jeito de nos livrar dessa. — Branca divaga, olhando para o céu pela janela.
— Vamos voltar para Storybrooke. — O Príncipe diz de repente, ignorando o que foi dito pela mulher.
— O que? — Volta sua atenção para o marido. — Não... David...
— Sim, Branca... — Interrompe-a, levantando-se e andando de um lado para o outro. — É o único jeito de nos livrarmos dessa destruição repentina.
― Não é repentina. Como você disse, deve ser o que a Fada Negra planejou para nós. — Rebate, relembrando a ameaça da mulher novamente. ― Vamos procurar o Rumple...
— Não temos tempo... — Interrompe-a novamente.
— Não sabemos se todos querem voltar para lá. A Fada Negra está comandando tudo. Saímos de lá para fugir dela. Não podemos voltar. — Branca também começa a andar de um lado para o outro. Estava nervosa em ter que voltar para Storybrooke. Não sabia o que poderia acontecer a eles.
— Branca, é a nossa melhor chance. Ao menos lá estaremos vivos.
— Mas de que adianta, se não lembraremos de nada? — Grita. Estava desesperada com a ideia de ter que voltar. — Na verdade, nem sabemos o que nos acontecerá, se voltarmos. — Acrescenta. — David, não. Realmente não.
— Vamos reunir todos e ver o que eles preferem. — E sem deixar que Branca diga mais alguma coisa, sai rapidamente do quarto, deixando a mulher totalmente preocupada com o futuro de todos.
•§•
— Quais as opções que temos? — Um dos anões pergunta, após o Príncipe explicar tudo que estava acontecendo. Branca se mantinha afastada e calada, com seu pequeno nos braços, que dormia tranquilamente. Ela não concordava com a ideia. Então preferiu não se meter e ficar apenas observando.
— Temos o Marco. Ele pode reconstruir aquela árvore que transportou Emma e August na época da primeira maldição. — A Fada Azul propõe.
— Sinto muito, mas não tem material suficiente para fazer um armário que caiba todos de uma vez. — Marco olha para o Príncipe e pede desculpas silenciosas, mesmo sabendo que não tem culpa.
— Onde está o Killian? Ele poderia nos transportar pelos Reinos com o seu navio. — Ruby dá a ideia.
— Não sabemos o que aconteceu com ele. Talvez nem exista mais. — Encantado diz frio. Estava decepcionado com o pirata. — E também não temos tempos para procurá-lo.
— Jefferson veio conosco? — Archie indaga. — Poderíamos usar o seu chapéu para abrirmos um portal.
— A última vez que o vi, foi assim que a primeira maldição foi quebrada. — Responde Granny.
— Zelena, você não tem nenhuma ideia? Não sabe de nenhuma magia que poderia nos transportar daqui? — A Fada Azul chama sua atenção. A mulher estava calada desde que a reunião tinha começado.
— Desculpe, não sou o Senhor das Trevas. Não sei tanto assim sobre magia. — Apesar de sarcástica, ela dizia a verdade.
De repente, pegando todos de surpresa, a porta da sala de reunião é aberta e Leroy, seguido por vários homens, um deles bastante alto, e uma criança, se aproximam da grande mesa.
Ao olhar bem para todos, reconhece que é o bando de Robin.
— Estavam perdidos. Encontrei hoje na floresta. ― O anão informa.
— Fiquei sabendo que estavam aqui... — João encara Branca, que ainda se mantinha mais afastada. — O que aconteceu? Fiquei sabendo que os Reinos estão sumindo...
— Não conseguimos descobrir o que está causando essa destruição repentina. — O Príncipe se pronuncia. — Talvez seja a ameaça da Fada Negra se realizando, mas não temos certeza. Então decidimos que o melhor a se fazer, para nos salvar, é voltar para Storybrooke. Apesar de a Fada Negra estar comandando tudo lá, ainda temos uma possibilidade de vencermos. Além de que, estaremos vivos.
— E do que precisam? ― João pergunta solícito.
— Na verdade, estávamos reunidos aqui pensando exatamente na forma como poderemos voltar... Você tem alguma ideia? ― Encantando pergunta cheio de esperança.
— Bem... — Enfia as mãos nos bolsos e tira algo que os presentes não conseguem identificar do que se trata. — Você acha que esses três pequenos feijões podem nos ajudar?
Todos abrem seus sorrisos repletos de esperança. Até mesmo Branca, que não tinha gostado da ideia de voltarem, acaba por sorrir também.
— Estão todos de acordo com a ideia de voltarmos para Storybrooke? — David pergunta e todos assentem rapidamente. — Então, o que estamos esperando? Leroy, reúna todos. Partiremos hoje à noite.
•§•
— Precisamos encontrar o Gold... Ele não pode ficar aqui. — Branca se senta ao lado do marido na grande mesa de reunião e pega em sua mão.
— Não sabemos para onde ele foi. Está sumido desde o dia em que chegamos aqui... — Aperta a mão da mulher e a puxa para mais perto de si. — Mas não se preocupe, Gold é esperto demais. Tenho certeza de que já deve ter encontrado Belle, já deve saber das más notícias e talvez nem estejam mais por aqui.
— E o Killian? — David a encara por alguns segundos, mas se mantém calado. — O que aconteceu entre vocês? O que ele te disse quando foi embora? — Insiste pela terceira vez.
— Não aconteceu nada... — Suspira pesadamente. — Killian Jones apenas perdeu todos os pontos que tinha comigo, quando decidiu ir embora.
— Mas nós ainda precisamos dele... — O Príncipe a encara, esperando uma explicação. — Já que ganhamos a chance de voltarmos para Storybrooke e para nossa filha novamente, precisamos ter a certeza de que Emma irá ao nosso encontro e nos salvar da Fada Negra. — Explica calmamente para que o marido possa entender onde ela quer chegar. — Como não sabemos o que nos acontecerá lá quando chegarmos, precisamos de uma segunda opção...
— E o que você sugere? Onde o Killian entra nisso? — Indaga bastante curioso.
— Você se lembra de que foi ele quem levou uma poção de memória para Emma? — O homem assente. — Ou seja...
— Você quer fazer o mesmo que o Neal fez da outra vez? — A mulher assente animada. — E como faremos para entregar uma poção para ele? Não sabemos onde ele está... Não sabemos se ele ainda está vivo... Nem ao menos temos a poção... ― Seu tom é desanimado.
— Quem disse que não temos a poção? — E então retira do seu bolso um pequeno frasco com um líquido azul.
— O que? Branca... Onde você...?
— Zelena... — Responde rapidamente, interrompendo-o.
— E como faremos para isso chegar até ele?
— Essa parte fica por minha conta. — Pisca um olho para o marido, beija-lhe os lábios e sai rapidamente do salão, deixando um David sorridente e cheio de esperanças, sozinho.
•§•
— Estão todos preparados? — David pergunta. — Sabem como funciona, não é?
— Pensem apenas em Storybrooke e pulem no redemoinho negro. — Branca explica, mesmo vários tendo balançado a cabeça afirmativamente.
— Não se preocupem. Tudo dará certo do outro lado. Nossa filha nos encontrará e tudo ficará bem. — David acrescenta. — Preparadas? — Indaga para Zelena e Branca, que estavam mais afastadas, e as meninas assentem.
Estavam prestes a jogar os feijões no chão quando Leroy grita, por detrás da multidão, chamando a atenção de todos.
— A destruição... Está aqui!
― Bem na hora! ― Ruby cantarola.
— Joguem esse feijão! Agora! — Zelena grita e assim é feito. Três enormes redemoinhos negros abrem-se no chão e, sem hesitar, os moradores da Floresta Encantada e Storybrooke pensam em seus destinos, abraçam-se à amigos e familiares e pulam.
David, Branca e Neal e Zelena e Robin, são os últimos a pularem. Antes que o fizessem, foi possível ver o castelo começar a ser destruído e uma poeira preta cobrir tudo.
A Floresta Encantada do Reino do Desejo havia sumido.
•§•
Storybrooke
Com uma força desnecessária, causada pela raiva, Fiona abriu a porta da enorme mansão Mills e adentrou. Precisava encontrar o livro de Henry e destruí-lo de uma vez por todas. Só assim poderia ter total vitória. Ou todos sumiriam com o livro ou todos voltariam para o seu domínio.
A mulher caminhou rapidamente até o escritório de Regina, abriu a porta sem cerimônias, foi até a prateleira de livros e revirou a grande maioria deles, deixando-os cair no chão, sem se importar. Mas nenhum sinal do livro que ela queria.
Olhou para a mesa e caminhou até a mesma. Abriu rapidamente todas as gavetas, mas tudo que encontrou foram papéis que não eram do seu interesse. Então, apoiou as mãos na mesa e começou a observar a sala num todo. Em algum lugar ele tinha que estar. Henry não havia levado consigo e ele não podia ter simplesmente sumido.
Fiona já tinha revirado a Prefeitura, a casa dos Encantados e até a antiga casa de Emma. Todavia, nenhum sinal do livro.
Então, saiu do escritório e subiu as escadas que davam acesso aos quartos. Abriu a primeira porta do corredor e observou que era o quarto de Henry. Revirou a estante de livros do garoto, o guarda-roupa, embaixo da cama e nada do livro. Mas ela não iria desistir. Tinha que estar ali em algum lugar. E ela sabia disso. Só precisava saber onde.
Sentindo a fúria em seu corpo, saiu pegando todos os livros e porta-retratos e começou a jogar no chão. Pegou o travesseiro e o lençol e fez o mesmo. Quando voltou a observar a cama do garoto, percebeu algo retangular embaixo do segundo lençol.
Sua raiva se tornou em alegria ao arrancar o pano da cama e encontrar o que tanto queria.
Rapidamente pegou o livro e caminhou para fora do quarto. Foi até a sala e parou de frente para a lareira apagada. Esquecendo-se que não havia magia, fez um movimento com as mãos, mas não obteve resultado.
― Argh! ― Murmura irritada.
Após alguns minutos de luta para acender a lareira manualmente, ela pegou o livro do chão, encarou-o por alguns segundos, abriu um enorme sorriso e lentamente o jogou nas chamas, vendo-o aos poucos se tornar cinzas.
Fiona havia vencido.
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