Recomeçar
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Assim que amanheceu, Emma não perdeu tempo em pegar o notebook e chamar o filho para darem continuidade com a análise nas certidões de nascimento. À medida que ia abrindo os arquivos e vendo o nome de três freiras que nem ela, Henry ou Regina conheciam, repetindo-se como responsável pelos partos, suas suspeitas iam se tornando certezas sobre quem estaria com o seu irmão. Questionava-se como não havia pensando nela antes.
Em meio a quatrocentos e setenta e oito arquivos de certidão de nascimento, estava a do seu irmão Neal, mas não como esperava encontrar, caso ela estivesse no meio. Ela estava completamente alterada e estranha. Diferente das outras certidões, a de Neal não constava nenhuma informação a respeito do parto. Não tinha nem o nome de Victor Whale e nem de alguma das três freiras. Além disso, dizia que ele havia nascido morto e que a causa da morte tinha sido ataque cardíaco.
― O que você fez com o meu irmão, Fiona? ― Swan questiona entredentes, fechando o notebook com força.
― O que você vai dizer para a vovó, mãe? ― Henry pergunta, levantando-se para arrumar a pequena bagunça de sacos de biscoitos e salgadinhos que fez com a mulher. Se Regina visse, levariam uma bronca na certa, e não seria apenas pela bagunça, mas também, por estarem comendo, segundo ela, porcarias, em vez do café-da-manhã.
― Por enquanto, eu só irei falar sobre mim. Primeiro eu quero ouvir a versão que ela tem sobre os fatos e depois descobrir onde ele está. ― Coloca o notebook em cima do sofá, levanta-se e se estica.
― Eu estive pensando sobre a operação WickedQueen e tive uma ideia. ― Emma franze o cenho em confusão. ― A operação para unirmos a mãe e a tia Zelena. ― Ele explica em um tom impaciente e ela abre a boca em entendimento.
― Ei, você não me disse que tinha um nome, ok? ― Defende-se, usando um tom acusatório e semicerrando os olhos. ― Era apenas irmãs na última vez que falamos sobre.
― Ok! Desculpa! Bem, o meu aniversário está chegando e a mãe sempre faz um bolo, doces e salgados para comemorarmos, certo? ― Swan assente, jogando-se no sofá novamente. ― A tia Zelena faz uns bolos muito gostosos e eu estava pensando em pedir para ela ajudar a mãe esse ano...
― Algum resultado? ― Mills pergunta, entrando de supetão e dando um susto nos dois, principalmente por estar carregando um pano sujo de sangue e suas mãos estarem igualmente sujas.
― O que aconteceu? ― Emma pergunta, arregrando os olhos e dando um pulo do sofá. ― Você está bem? ― Aproxima-se da morena e a olha de cima a baixo, procurando algo que explique aquele sangue todo. ― Cadê a Rainha?
― Eu estou aqui. ― A própria responde, aparecendo ao lado de Regina. Seu nariz vermelho e olhos brilhantes entregam que esteve chorando. Emma percebe e lhe lança um olhar questionador, arqueando a sobrancelha e semicerrando os olhos. ― Eu estou bem, Princesa. ― Sorri para Swan e entra no apartamento. Mancando, ela se dirige até o sofá e a sua chegada é mais lenta que o habitual. Henry lhe encara desconfiado.
Emma e Henry encaram Regina em busca de uma explicação, mas a sua expressão impassível deixa claro que não se intimidou com os olhares e que não adianta insistir.
― Vamos descer para tomar o café-da-manhã ou as duas crianças já estão de barriga cheia? ― Mills pergunta com ironia, olhando para os pacotes vazios na mão de Henry, que em vão, esconde-os atrás do corpo e dá um sorriso amarelo.
― Isso foi só um lanche, não é Henry? ― Swan pergunta bem-humorada e o garoto assente sorrindo. Regina encara os dois com a sobrancelha arqueada, segurando um sorriso.
― Ok, eu vou só lavar as mãos e nós descemos. ― A morena avisa, entrando completamente no apartamento e seguindo para o banheiro. Quando Regina some da sala, Henry e Emma se olham rapidamente e a loira segue Mills.
― Sei que você não quer dizer o que aconteceu, mas eu estou preocupada, Regina... ― Emma fala assim que entra no cômodo e fecha a porta. ― Você não vai mesmo me dizer? ― Encosta-se na parede e encara a morena pelo espelho.
― Nada que precise se preocupar, Emma. ― Responde tranquilamente, sem interromper o que fazia. ― Sei que foi assustador me ver toda suja de sangue e a Rainha mancando mais que o normal, mas não aconteceu nada demais, ok? ― Olha-a pelo espelho e a vê assentir. ― Ela magoou o machucado da coxa e sangrou mais que o normal. ― Fecha a torneira, puxa a toalha para enxugar as mãos e se vira para ela.
― Isso explica o nariz vermelho e os olhos brilhando. ― Faz uma careta, imaginando a dor que a outra deve ter sentido e Regina assente. ― E hoje à noite, está mesmo de pé? ― Muda completamente o assunto. Ela a segura pela cintura, empurra-a para trás até ela encostar na pia e a prende com seu corpo.
― Não deveria, mas está. ― Emma semicerra os olhos e Regina sorri. ― É claro que está, boba.
― Eu estou muito ansiosa. ― Sussurra, aproximando o rosto do da morena e esfregando o seu nariz no dela. Em seguida, une as bocas em um beijo lento, mas intenso. Os lábios se encaixam perfeitamente e deslizam um sobre o outro com sincronia. O contato logo se aprofunda e as línguas se tocam e se enroscam, causando arrepios em ambas e aumentando a excitação. Quando a mão direta de Emma sobe pelas costas de Regina e alcança sua nuca, os dedos se enroscam pelos fios negros e curtos e os puxam de leve, fazendo-a soltar um gemido baixo que ecoa em sua boca.
Tímidas batidas na porta obrigam as duas a encerrarem o contato.
― Desculpa interromper, mas eu estou apertada. ― A voz da Rainha soa abafada do outro lado da porta.
As mulheres sorriem e se afastam, mas antes que Mills abra a porta, Emma a puxa rapidamente e lhe dá um beijo rápido.
― Agora sim, pode abrir. ― A loira diz bem-humorada, soltando seu braço.
Entre risadas, Regina se afasta de Swan e abre a porta. Ao sair, dá de cara com a Rainha, que lhe lança um olhar curioso. Ela rapidamente volta a ficar séria, devolve o olhar e segue para a sala. Quando Emma vai sair do banheiro também, esbarra com a Rainha. A morena lhe encara intensamente e sem disfarçar desce a sua atenção para os lábios de Emma. É preciso a loira pigarrear para que ela acorde do transe.
― Desculpa. ― Fala sem graça. ― Sua boca está suja de batom.
― Ops! ― Solta divertida, voltando para dentro do banheiro rapidamente para se limpar. Enquanto esfrega os dedos em seus lábios para as marcas vermelhas saírem, a Rainha a fica observando, encostada no batente da porta. Quando Emma termina, ela desvia o olhar para não ser pega. ― Obrigada por avisar! ― Sorri e a morena sorri de volta. Ao passar por ela, toca gentilmente em seu braço.
Quando Emma se afasta, a morena solta um suspiro.
― Bem que poderia ser com o meu... ― Sussurra tristemente, olhando para a loira conversando com Regina e Henry na sala. Em seguida, entra no banheiro.
― Voltamos em alguns minutos! ― Mills avisa e os três saem do quarto, deixando-a sozinha com suas imaginações de como seria estar nos braços de Emma Swan.
•§•
― Eu estava me lembrando aqui... Você não me respondeu se teve algum resultado na investigação das certidões de nascimento. ― Regina fala assim que Ruby se afasta para ir fazer os pedidos.
― Então... ― Swan remexe-se no assento e fica mais perto da morena. ― Nós encontramos a certidão do Neal. ― Mills lhe lança um olhar surpreso. ― Os nomes das três freiras se repetiram por todas as outras certidões, exceto a dele. ― Fala em um tom baixo para evitar que ouvidos alheios escutem.
― A do tio Neal deveria ter o nome do Dr. Whale, no entanto, não tinha nome algum ou qualquer informação sobre o parto. Apenas dizia que ele tinha nascido morto. ― Henry dá continuidade, entrando na conversa.
― O que? ― A morena solta, surpresa.
― Está evidente que Fiona está por trás disso e está com ele. ― Fala mais para si que para Mills. ― É possível mudar documentos em uma maldição, não é? ― Regina assente e ao perceber que Kelly se aproximava da mesa, avisa com o olhar para Emma, para que ela mude de conversa.
― Licença, família! ― A ruiva fala, bem-humorada, com um sorriso enorme e Emma e Regina se entreolham. Kelly coloca a bandeja em cima da mesa e distribui os pratos. ― Bom café-da-manhã! ― Deseja sinceramente e vai embora. Regina estranha a felicidade da irmã, mas ao lembrar que Ruby estava igualmente feliz, ligou rapidamente os pontos. Alguma coisa entre as duas havia acontecido. Seu olhar vagueia para a irmã encostada no balcão, conversando com Widow Lucas e seu desejo é que pudessem ao menos ser amigas para poderem conversar sobre e compartilhar de sua felicidade.
Henry, vendo o olhar triste da mãe para a tia, lembra-se da operação e decide colocar o seu plano em prática.
― Kelly? ― A ruiva interrompe a conversa com a chefe e se vira para ele. Seu chamado atrai a atenção de Emma, que já imagina do que se trata, e de Regina para si. ― Você pode vir aqui, por favor? ― A mulher assente e caminha em sua direção. Regina lhe lança um olhar curioso e olha para Emma em busca de respostas, mas a loira, fingindo que não sabe do que se trata, dá de ombros.
― Oi, garoto!
― Então, o meu aniversário está chegando e eu gostaria de saber se você poderia ajudar a minha mãe Regina a fazer uma torta para mim. ― Mills arregala os olhos e franze o cenho, surpresa com o pedido do garoto, principalmente porque ele não tinha lhe falado nada antes. ― As suas tortas são muito gostosas, principalmente a de maçã verde. ― Ele fecha os olhos e passa a língua pelos lábios, relembrando o delicioso sabor da última que comeu.
― Claro, Henry, se sua mãe estiver de acordo. ― Responde olhando diretamente para a morena, que ainda está tão surpresa que está sem reação.
― Eu... ― Regina gagueja, sem resposta.
― Ela está de acordo, não é, mãe? ― O garoto toma a frente.
Ainda processando o que Henry acabou de fazer, e sem ter uma resposta, Regina olha para Emma, pedindo ajuda, e discretamente Swan arqueia a sobrancelha e balança a cabeça positivamente, sugerindo que responda que sim. Entendendo a resposta da loira, ela volta sua atenção para a ruiva.
― Se estiver realmente tudo bem para você, sim, eu estou de acordo. ― Sorri para a irmã e olha discretamente para o filho, que com um ar inocente, sorri para ela. ― Depois nós acertamos os detalhes.
― Claro! ― Kelly responde com animação. ― Até depois, então. ― Acena para os três e se afasta da mesa.
Quando a ruiva se afasta o suficiente da mesa, Regina olha seriamente para o filho.
― Conversaremos sobre isso depois.
Tristemente, o garoto abaixa a cabeça e começa a comer seu café-da-manhã. Porém, apesar da reação negativa da mãe e da bronca que certamente levaria mais tarde, Henry não estava arrependido do que fez e nem desistiria de tentar aproximar sua mãe e sua tia. Se o seu atual plano não desse certo, ele pensaria em outro e outro e em outro, até dar certo.
Por debaixo da mesa, Emma bate no pé de Henry, chamando sua atenção para si. Quando ele lhe olha, ela lhe pergunta disfarçadamente se ele está bem. O garoto balança a cabeça afirmativamente e volta a comer sua panqueca. Em sua mente, novas ideias para o seu plano já começavam a se formar.
•§•
Regina, Emma e Henry voltavam do café-da-manhã quando a loira recebe uma ligação de Mary Margaret. Ela entrega a comida da Rainha para Henry segurar, sussurra o nome da mãe para os dois e se afasta para atendê-la.
― Olá, Emma! É a Mary Margaret. ― Ao ouvir a voz da mãe, o coração da loira fica aos pulos.
― Ei, m... ― Interrompe-se a tempo de evitar a gafe de lhe chamar de mãe e dá uma leve tapa em sua testa.
― Você está disponível agora?
― Sim... ― Responde rapidamente, sem nem pensar. Ela olha para trás e encontra Regina e Henry lhe olhando com curiosidade. Faz um sinal com a mão, pedindo que esperem, e se vira novamente.
― Poderíamos nos encontrar para falarmos sobre os meus filhos? ― Mary pergunta hesitante. Ainda não estava de acordo com a ideia de a detetive não querer lhe cobrar pelo serviço e estava desconfortável em lhe procurar. Temia incomodá-la.
― Claro! Só me diga onde, que eu vou... ― O jeito da loira falar faz a outra sorrir.
― Na ponte do pedágio está bom para você?
― Estarei lá em vinte minutos!
As duas encerram a ligação ao mesmo tempo e Emma volta quase correndo para perto de Regina e Henry.
― Estou indo encontrá-la na ponte do pedágio. ― Fala com afobação e se vira para ir embora.
― Ei... ― Regina a segura pelo braço, impedindo-a de se afastar. Entendendo que deveria deixar as mães sozinhas, Henry abre a porta do quarto da mãe loira e entra. ― Mantenha a calma, vai dar tudo certo, ok? ― Emma dá um sorriso nervoso e assente. A morena lhe puxa para um abraço e quando se afastam beija seus lábios. ― Boa sorte!
― Obrigada!
As mulheres se despedem e Emma vai embora quase correndo.
No caminho até o local de encontro, Swan tenta imaginar cada detalhe da conversa que terá com a mãe, tudo que pretende dizer e como vai dizer, e faz uma seleção de todas as informações sobre si que poderá compartilhar se precisar, sem que pareça estranho. Ao chegar na ponte, vê a mulher sentada em um banco do outro lado e acena para ela, cumprimentando-a. Em seguida, com um sorriso estampando o rosto, aproxima-se dela.
― Ei... ― Senta-se ao seu lado e logo Mary se aproxima um pouco mais. Ao olhar para a mulher e a ver sorrindo para si, sente a vontade de abraçá-la, mas se segura. Seus olhos se enchem de lágrimas, mas ela pisca várias vezes para espantar a vontade.
― Desculpa incomodar... ― Faz uma pausa e olha para o relógio em seu pulso. ― Talvez o seu café-da-manhã, mas é que...
― Ei, você não está me incomodando. ― Interrompe-a rapidamente. Pouco preocupada se tinham intimidade suficiente para tal coisa, toca em sua mão e a aperta. Seu olhar recai nas mãos unidas e a vontade de chorar volta, mas ela, mais uma vez, pisca algumas vezes para afastar à vontade. ― É o meu trabalho... E mesmo se não fosse, ainda assim não estaria incomodando. ― Fala com extrema sinceridade.
― Obrigada! ― Sorri e Swan a acompanha. ― Obrigada por estar fazendo isso... ― Agora é a vez da morena de apertar sua mão. ― Esse lugar aqui é especial... ― Olha para frente e seu olhar se perde. ― Quando eu estava grávida, vinha aqui todos os fins de tarde com o David... ― Sua voz sai baixinho e falha, anunciando um choro. Percebendo o estado da mãe, Emma não perde tempo em lhe rodear com o braço e lhe abraçar. ― Nós nos conhecemos aqui, o pedido de namoro e casamento foi aqui, a notícia de que eu estava grávida foi dada aqui, e aqui seria o primeiro lugar que eles viriam assim que pudessem sair de casa... ― Fala num fio de voz e começa a chorar. Os verdes de Emma marejam e dessa vez ela não consegue se segurar. Apertando mais a mãe em seus braços, Swan se junta a ela no choro.
― Eles ainda vão conhecer esse lugar especial. ― Emma murmura com certeza na voz. ― Eu prometo! ― Afasta-se um pouco da mãe para ver o seu rosto. ― Eu irei trazê-los de volta. ― Fala em tom de promessa, mesmo que não tivesse a certeza de que Gold e Tiger Lily encontrariam a peça-chave que derrotaria Fiona e faria com que a maldição fosse quebrada. ― O que exatamente aconteceu quando eles nasceram? ― Pergunta não só para poder entender melhor a situação e continuar a investigar, mas por curiosidade também.
― Desculpa não já ter começado a falar. ― Afasta-se completamente dela, desfazendo o contato. ― Eu chamei você aqui para isso e acabei falando de outras coisas... ― Balança a cabeça negativamente ao mesmo tempo que revira os olhos.
― Tudo bem! ― Sorri.
― Bem, minhas duas gravidezes foram acompanhadas por uma freira que trabalha no hospital... ― Ao ouvir a palavra freira, Emma fica em alerta. ― Os partos foram tranquilos e ambos nasceram com a saúde perfeita. ― Fala sorridente e com os olhos brilhantes. Emma é contagiada e sorri também. ― Victor disse assim que fez os examinou e os entregou para mim... ― Faz questão de dizer o parecer do médico para evitar invalidação da sua versão, mesmo sabendo que não poderia provar o que ele lhe disse. ― Então eu os peguei nos braços, observei cada detalhe do rostinho pequeno e pálido e os entreguei para a mesma freira que me acompanhou durante os períodos de gestação. ― De repente, o sorriso que estampava seus lábios morre e Emma supõe que chegou a parte ruim da história. ― Com a minha garotinha, a notícia de que ela tinha morrido chegou através de fofocas dois dias depois. ― Uma lágrima solitária cai por sua bochecha e a loira fica tentada a secá-la, mas se contém. ― Ouvimos duas enfermeiras conversando sobre e quando questionamos depois, confirmaram a notícia e não deram muito detalhes. ― Sua voz sai baixinho. ― Já com o meu garotinho, a notícia de que ele havia morrido foi no mesmo dia. David não pôde estar comigo no momento do nascimento, então assim que chegou para nos visitar e pediu para ir vê-lo, recebemos a notícia. Mais uma vez, não deram muitos detalhes... ― Mais lágrimas caem de seus olhos e dessa vez ela as enxuga. ― Até hoje, após quase seis anos, quando o David bebe além da conta, vai ao hospital questionar o que aconteceu com os nossos filhos e onde eles estão, e diz que sabe que eles trocaram nossos bebês por bebês mortos e que sequestraram os dois. ― Sua voz sai entrecortada por causa da emoção. ― Na certidão de ambos consta que tiveram parada cardíaca... ― Ela cai no choro mais uma vez e Emma volta a abraçá-la para consola-la. Dessa vez, ela se segura para não a acompanhar. ― Hoje ela tem quase seis anos e ele quase 3...
As duas ficam em silêncio e abraçadas por algum tempo, até que Mary se acalma, desfaz o abraço e enxuga o rosto com a barra do sobretudo.
― Antes de vir para cá, apenas com o que eu ouvi comentarem desde que cheguei, eu comecei a investigar e descobri algumas coisas. ― Emma quebra o silêncio. Os olhos de Mary brilham e o seu coração se enche de esperança. ― Eu ainda não sei onde ela está e com quem está, a garota, mas consegui encontrar uma foto dela...
― O que? ― Mary quase pula de felicidade. ― Eu sabia que eles não estavam mortos. Eu sabia disso! Eu podia sentir. ― Fala com animação, sorrindo grande.
Emma enfia a mão no bolso da jaqueta e puxa seu celular para fora, acessa o seu drive e escolhe uma foto sua de quando criança, que foi tirada por uma das tantas famílias adotivas pela qual passou.
Ao encontrar uma boa foto, ela passa o celular para a morena.
― Ela está tão linda e grande... ― Mary comenta, admirando a foto. ― Você se parece um pouco com ela... ― O coração de Emma quase sai pela boca com o comentário. Não havia lembrado que corria o risco de a mulher lhe reconhecer na foto. ― Eu posso ficar com essa foto? ― Estende o aparelho de volta para Swan. ― O David não vai acreditar quando ver...
― É claro! É só você me dizer o e-mail que eu a envio. ― Pega o celular e mexe na configuração para envio.
― Obrigada, Emma! ― Mary a abraça de repente, pegando-a de surpresa, contudo, ela consegue retribuir o contato rapidamente. ― Obrigada por estar ajudando a mim e ao meu marido. Nós seremos eternamente gratos a você. Ficaremos para sempre te devendo uma. ― Os olhos da loira se enchem de lágrimas mais uma vez, mas ela se esforça para não as deixar cair.
As mulheres ainda conversam por alguns minutos, Emma pergunta como está a saúde do pai, que segue internado, em observação e a outra também pergunta como está Henry, até que Mary Margaret recebe uma ligação do hospital e tem que ir. Então, a loira envia a foto para o e-mail dela, elas se despedem com um longo e forte abraço e a morena vai embora, deixando-a sozinha no banco. Swan ainda fica alguns minutos, repassando cada minuto que esteve ao lado da mãe, principalmente os abraços, e depois de se acalmar após ter chorado mais uma vez, vai embora também. Ainda tinha um encontro para organizar.
•§•
Tiger Lily se debatia no chão, tentando soltar as mãos da corda que as prendia cada vez mais, quando percebe Gold quieto, apenas lhe observando.
― O efeito da tinta de lula já saiu. Você vai ficar parado, apenas me olhando tentar nos tirar dessa? ― Ela pergunta irritada.
― Não há nada que possamos fazer, querida. ― Fala com uma calma que irrita a outra. ― Só sairemos daqui se ele quiser. ― Gold conhecia cada canto do castelo e sabia que não havia meios para escapatória, por isso, nem se esforçava para tentar se soltar da pulseira inibidora de magia.
― Já desistiu de tentar fugir? ― A voz debochada de Rumpelstiltskin soa pelo ambiente, fazendo Tiger Lily parar de se debater e a conversa ser encerrada.
― O que você quer conosco? ― Levanta-se e vai até a grade.
― Já disse que temos muito a conversar, esquentadinha. ― Toca o rosto dela para acariciá-lo, mas ela se afasta rapidamente.
― E você vai nos libertar depois que acabarmos essa conversa? ― Gold balança a cabeça negativamente com a ingenuidade de Tiger.
― Talvez... ― Dá a sua famosa e irritante risada. ― Bem... ― Ele olha para trás, faz um movimento com a mão e uma cadeira aparece. ― Vamos começar. ― Senta-se no móvel e cruza as pernas. ― Direto ao ponto. De que terra vocês vieram, o que estão fazendo aqui e por que são idênticos a nós?
•§•
Regina terminava de colocar seus brincos preferidos, dados por Emma em seu último aniversário, quando ainda estavam em Tallahassee e sem as memórias, quando batidas na porta tiram a sua atenção e ela olha para ela através do espelho em sua frente.
― Pode entrar.
Segundos depois, a porta é aberta e Henry entra. Ele se senta na cama, pega a sua bolsa e começa a mexer dentro, procurando algo. Devido ao braço machucado, ele tem dificuldade de remexer nas coisas e a tarefa simples se torna difícil.
― O que está procurando? ― Mills pergunta, observando-o pelo espelho, mas sem interromper sua maquiagem.
― Pilhas novas para o meu game boy. Estou ensinando a Rainha a jogar.
― Estão no bolso pequeno dentro da minha mala. ― Ela aponta para onde a mala está e ele vai até ela e a puxa até a cama. Quando encontra o que procura, coloca a mala no lugar e se levanta para ir embora. ― Aproveitando que estamos sozinhos... ― A morena murmura e Henry se senta novamente. Seu coração fica acelerado e ele sente um frio na barriga. Estava nervoso. Sabia o que viria a seguir. ― Nunca mais planeje algo que me envolva sem o meu consentimento ou mesmo sem me dizer antes, ok? ― Vira-se para ele e o vê assentir. ― Imagino que isso deva ter sido parte de alguma operação sua para nos aproximar e tudo bem querer nos unir, só não faça algo sem a minha ciência, ok? ― Ele assente mais uma vez.
― Desculpa, mãe! Não farei novamente. ― Fala baixinho, abaixando a cabeça e olhando para o chão. ― Você ainda vai deixá-la lhe ajudar com o bolo? ― Volta a olhar para ela.
― Vou pensar. ― Vira-se para o espelho e continua a sua maquiagem. Henry olha para o lado oposto e abre um pequeno sorriso. Sabia que a resposta da mãe significava um sim e que tinha conseguido o que queria. Quando ele volta a olhar para ela, observa-a terminar de passar o batom para finalizar a maquiagem e fica deslumbrado com a sua beleza. ― O que foi? Exagerei? ― Faz uma careta e volta a se olhar no espelho.
― Não! ― Levanta-se e vai até a mãe. ― Você está linda, mãe! ― Toca o braço dela e o abaixa, evitando que ela mexa na maquiagem. ― Não que não seja, você sempre é...
― Você parece a Emma falando. ― Os dois riem. ― O que você acha desse vestido? ― Questiona, afastando-se para que Henry pudesse ver melhor. Regina usava um vestido preto e longo, com um decote canoa, duas enormes fendas em ambas as pernas que seguiam até as coxas, e um delicado e fino cinto preto na cintura.
― Garoto? ― A voz da Rainha soa e os dois olham para a porta.
― Preciso ir. ― Regina assente e Henry se encaminha para a porta. ― Mãe? ― Ele a chama antes de abrir a porta. ― Você está perfeita! ― A morena abre um enorme sorriso e seus olhos marejam.
― Obrigada!
Henry abre a porta para sair, mas para entre o quarto e a sala e coloca a cabeça para dentro.
― Ela está aqui! ― Fala baixinho, como se fosse um segredo, e então fecha a porta, deixando-a sozinha.
Regina se apressa em arrumar o cabelo, que já estava bastante alinhado, e colocar o perfume, e pega sua bolsa de mão em cima da cama e sai do quarto. Ao aparecer na sala, a conversa animada e descontraída entre Emma, Henry e a Rainha, que mais admirava a loira do que prestava atenção na conversa, é encerrada e todos lhe direcionam as atenções. Swan arregala os olhos e a sua boca aberta faz Regina rir e também corar, envergonhada. A Rainha observa a forma como a princesa olha para a sua outra versão e deseja que pudesse ser ela a razão daquele olhar. Então, disfarçadamente, ela solta um suspiro de frustração.
― Mãe, a baba está caindo. ― Henry faz graça.
― O que? ― A loira acorda do transe e fecha a boca. Ela passa a mão ao redor da boca, como se estivesse limpando e os três caem na gargalhada. Entendendo que estava sendo caçoada, ela sorri também e balança a cabeça negativamente. ― Então... ― Olha para Regina. ― Vamos? ― Estende a mão para a morena e Mills se aproxima para segurá-la. ― Vocês vão ficar bem? ― Olha para a Rainha e Henry e os dois assentem.
― Vamos passar a noite jogando, comendo e assistindo filmes. ― Henry responde com empolgação.
― Nada disso, mocinho! Quando der o horário, é para ir dormir. ― Regina ordena e Henry faz bico, mas assente. ― Estou confiando em você para cuidar dele, por favor, não a quebre. ― Fala para a Rainha e ela assente. ― Bem, os celulares estarão ligados a noite toda e...
― Mãe, relaxa! ― O garoto pede, interrompendo-a. ― Vamos cuidar um do outro e ficaremos bem.
― Ok! Quando for comprar lanche, não exagere. ― Mills pede e ele assente. ― Vamos? ― Swan assente. Então as mulheres unem as mãos e seguem até a porta.
― Divirtam-se, mães! ― Henry deseja e ambas sorriem em agradecimento.
Quando as duas saem do quarto e a porta é fechada, Swan surpreende a morena com um pequeno empurrão até a parede e um beijo de tirar o fôlego.
― Isso não é hora de borrar o meu batom, Emma! ― Mills murmura entre risos e com a respiração entrecortada.
― Desculpa, mas não resisti. ― Dá uma piscadela acompanhada de um sorriso safado. ― Você está linda, Regina... ― Olha-a de cima abaixo e morde o lábio inferior ao ver as enormes fendas do vestido.
― Você também está linda, Emma... ― Mills também lhe observa dos pés à cabeça, admirando a sua beleza. Os cabelos da loira estavam mais encaracolados que o normal e ela usava um vestido preto de couro, bastante curto e apertado, com uma meia calça 7/8 e um sobretudo vermelho.
Regina a puxa delicadamente pela cintura e elas se beijam mais uma vez. Quando se afastam, unem as mãos novamente e seguem para a escada.
― Então, para onde nós vamos? ― Mills pergunta ao chegarem no andar inferior. Durante todo o dia tentou arrancar a informação de Emma, mas a loira não era como a sua mãe e sabia guardar bem um segredo. ― Não conheço outro lugar nessa cidade além do Granny’s e o Rabbit Hole.
― Você confia em mim? ― Abre a porta e se afasta para que a morena passe primeiro.
― De olhos fechados, Senhora Swan Mills.
Fale com o autor