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27 Capítulo 27
Notas iniciais
É horário de almoço em Storybrooke. Todos os trabalhadores da cidade estão no Granny’s Dinner. A casa está cheia dentro e fora. Todas as mesas, até as reservas, já estão ocupadas e não há um lugar sequer para mais alguém. Se mais pessoas passarem a frequentar o lugar, será necessária uma expansão. Widow Lucas está distribuindo sorrisos de tanta felicidade. No final do dia, seu caixa estará mais cheio que o comum. É dia da sua famosa lasanha e todos querem ao menos um pedaço.
― Eu estava louca de saudade dessa lasanha maravilhosa. ― Emma comenta com um enorme sorriso, olhando ao redor. Ao ver alguns rostos conhecidos, sua mente vaga para a época em que chegou na cidade e era Xerife, e essas pessoas eram as suas companhias na hora do almoço quando Ruby Lucas não fazia o serviço de entrega na delegacia. Um pigarreio de Henry chama a sua atenção e ela a volta para a sua mesa, dando de cara com um olhar irritado de Regina Mills. ― O que? ― Questiona sem entender e Henry solta um risinho. Ela olha para o garoto pedindo sua ajuda e ele sussurra “lasanha”. ― Ah! ― Dá um risinho e balança a cabeça negativamente. ― Regina... ― Estica sua mão na mesa para acariciar a dela. ― Sua lasanha é maravilhosa também, meu amor. É só que faz muito tempo que eu não como a da Granny e estou com saudade. ― Explica-se e o rosto da morena logo se suaviza, porém, não pelo que a loira disse, mas sim pela forma como a chamou. Era a primeira vez que Emma a chamava dessa forma desde que recuperaram as memórias.
Kelly, Ruby e Dorothy começam a fazer as entregas dos pedidos nas mesas, deixando as pessoas eufóricas, e Emma volta a olhar ao redor, para os vários rostos tão conhecidos, cujo donos não sabem que lhe conhece também.
― É estranho, não é? ― Swan volta a atenção para os seus acompanhantes. ― Estar em um lugar com pessoas que conhecemos e que nos conhecem, mas não se lembram... ― Diz em um tom triste, direcionando a atenção para a amiga garçonete do outro lado do salão, atendendo um dos anões. Regina segue o seu olhar e encontra Kelly, que estava na mesa ao lado, atendendo uma das fadas. ― Como você se sentia quando era a única que se lembrava de tudo e de todos? ― Pergunta para a morena, que tira sua atenção da irmã e a volta para Emma.
― Eu não me importava, afinal, tinha conseguido o que queria, não gostava das pessoas, elas também não gostavam de mim, eu não tinha ligação alguma com elas, então não fazia diferença se lembravam ou não de mim. ― Dá de ombros. ― Então, um dia um garoto e o seu pai apareceram na cidade e eu me apaguei ao menino. ― Henry e Emma a olham com curiosidade, querendo saber quem era o garoto. ― Era o Owen. ― Revela, deixando ambos chocados. ― Ele gostou de mim também e nós nos aproximamos muito, mas o pai dele descobriu algo sobre mim e quis ir embora. Tentei fazê-lo ficar, mas não deu certo e o final dessa história não foi bom. ― Faz uma careta. ― Foi a primeira vez que me senti sozinha, porém não tomei nenhuma providência e o sentimento de solidão foi embora. Com o passar dos anos, fui ficando entediada com todos os dias se passando da mesma forma, sem nada de novo, diferente...
― Aí eu cheguei para dar uma agitada em sua vida. ― A loira comenta, interrompendo-a, com um sorriso presunçoso. Regina estreita o olhar, com uma expressão séria, mas não consegue sustentá-la e dá um sorrisinho.
― Bem, sentindo-me sozinha mais uma vez, procurei o Gold para me ajudar a adotar uma criança. Foi então que o Henry entrou em minha vida... ― Olha para o filho e abre um pequeno sorriso, que logo é correspondido. ― Sua presença trouxe cor para os meus dias cinzentos e preencheu o vazio que eu sentia. ― Aproxima-se do garoto e beija suavemente a sua cabeça. Emma assiste a cena com um enorme sorriso enfeitando os lábios finos e os olhos brilhando de felicidade. Ela amava presenciar momentos de afeto entre os dois.
Mary Margaret entra no estabelecimento e chama a atenção de Henry.
― A vovó... ― O garoto aponta disfarçadamente para a entrada e as duas olham com discrição para ela.
― Ela já entrou em contato com você para lhe dizer a versão dela do que aconteceu com você e seu irmão depois que nasceram? ― Mills pergunta baixinho para que as pessoas ao redor não a escute, mesmo o lugar estando bastante barulhento.
― Ainda não, mas com o que ouvi as pessoas comentarem por aí, mesmo que sejam apenas especulações, já dá para começar a investigar.
― Mãe, você já pensou no que vai dizer para a vovó sobre você? ― Henry questiona baixinho também, apoiando-se na mesa e ficando mais perto de Emma.
― Eu não faço ideia. ― Seu tom é preocupado. ― Talvez eu possa dizer algo que realmente aconteceu comigo em minha época de orfanato, que esteja em meus registros... ― Disfarçadamente, gira a cabeça e observa a mãe conversando com Ruby. Seu olhar triste deixa claro o quanto queria poder não precisar mentir para ela sobre si.
― É uma boa ideia, Emma. ― Regina fala, trazendo a atenção da loira para si. Ao ver a tristeza nos verdes que tanto ama, sente uma pontada no peito. ― Você pode mostrar documentos e dizer coisas que te aconteceram, para manter as esperanças dela viva e diminuir a tristeza que deve sentir por achar que há a possibilidade de os filhos estarem mortos, como as fofocas da cidade dizem, enquanto não quebramos a maldição.
― Mas e o tio Neal? Não sabemos onde ele está, se está bem, se está vivo...
― Eu vou ao hospital para falar com os responsáveis pelo parto e registro para saber quais as versões que eles têm para contar do que aconteceu e ver se consigo ter acesso aos arquivos dos nascidos de dois anos para cá. Assim como sabemos que eu nasci e estou viva, sabemos que o meu irmão nasceu também. ― Fala pensativa. ― Ele está por aqui, em algum lugar. ― Olha ao redor e vê um bebê brincando no braço de um rapaz. ― Talvez só esteja com outra família...
Kelly se aproxima com os pedidos da família e a conversa é encerrada.
― Perdão pela demora, isso aqui fica uma loucura dia de hoje. ― Coloca os pratos em cima da mesa e enxuga a testa com um pano de prato.
Rapidamente Emma e Henry pegam os seus e já começam a comer. Pareciam que estavam amarrados há dias, sem direito a nenhum tipo de alimento.
― É o efeito lasanha da vovó. ― Emma comenta de boca cheia e Regina cobre o rosto, envergonhada. ― É o melhor prato, todo mundo quer um pouco. ― Acrescenta e enfia mais uma garfada de lasanha na boca.
― Você já conhece? ― Kelly franze o cenho. ― Eu pensei que vocês fossem novos por aqui...
Emma gela ao ouvir o comentário da mulher e se xinga mentalmente por ter sido tão descuidada.
― Eu...
― É que desde que chegamos na cidade que ouvimos falar disso, e pela forma que as pessoas falavam, não precisamos nem provar para ter certeza de que é verdade. ― Regina responde, interrompendo-a e a loira, aliviada, agradece-lhe com o olhar.
― Isso não é hora de conversar, Kelly Miller West! ― De trás do balcão, sua chefe, Widow, a repreende. ― Há muito o que ser feito por aqui.
― Já vou, vovó! ― A senhora aponta para o relógio na parede e volta para a cozinha. ― Bem, espero que gostem do almoço e comprovem o que os comentários dizem. Tenham um bom almoço e uma boa tarde! ― Pega a bandeja na qual trouxe os pratos e o suco e se afasta rapidamente da mesa antes mesmo de ouvir uma resposta.
― Emma! Você precisa tomar mais cuidado no que vai falar quando estiver na presença de alguém que não sabe a verdade. ― Regina a repreende e ela abaixa a cabeça feito uma criança levando uma bronca.
― Eu sei, eu só estava empolgada demais... ― Faz um biquinho, olhando para Regina por baixo propositalmente e a morena balança a cabeça negativamente, segurando o riso.
― Ainda bem que ela acreditou. ― Henry diz em tom aliviado. ― A merda seria grande se não acreditasse.
― Olha o linguajar, garoto! ― Mills o repreende. ― Eu sabia que aqueles seus colegas mais velhos da escola não seriam uma boa companhia, você não dizia essas coisas feias, antes.
― Ei, pensei que quem estava levando a bronca da vez fosse a mãe, não eu. ― Faz graça, tentando se sair, e as duas o encaram com os olhos semicerrados. Ele abre um sorrisinho amarelo, sabendo que não deu certo. ― Vamos comer antes que esfrie? ― Com um pouco de dificuldade por causa do braço machucado, corta um pedaço grande da lasanha e enfia na boca. Emma e Regina se olham e sorriem dele.
•§•
― O que aconteceu entre vocês? ― Tiger pergunta de repente, quebrando o silêncio mais uma vez. O homem lhe lança um olhar falsamente confuso. Ele sabia exatamente do que ela estava falando, só não queria falar sobre. ― Eu sei que você entendeu... ― Semicerra os olhos. ― Eu percebi que não são mais um casal e estão distantes. Estão juntos apenas por causa da criança. ― Rumple desvia o olhar, confirmando então, que ela estava certa. ― O que aconteceu?
Gold fica em silêncio, deixando claro que não quer falar sobre o assunto e ela entende, porém não desiste da conversa.
― Confiança quebrada... ― Murmura e ele volta a lhe encarar, confirmando com a sua expressão triste que ela estava certa. ― O que você fez?
Um barulho por trás das árvores chama a atenção dos dois e eles ficam em alerta.
― Deve ser algum ogro ou animal selvagem... ― Tiger diz, já apontando seu arco e flecha na direção.
― Não... ― Rumple murmura com certeza, com o olhar atento ao seu redor. Ele estava sentindo a presença do ser que estava por perto e sabia exatamente o que era e quem era.
― E o que poderia ser? ― Tiger pergunta, com o cenho franzido, levantando ainda mais o seu arco.
― Não é o que, mas quem... ― Corrige-a, usando um tom de suspense, deixando-a curiosa.
― Olá, querida! ― Uma figura aparece na frente de Tiger, pegando-a de surpresa, e usa sua magia para prender seus braços atrás de seu corpo. Ela tenta se soltar, mas as cordas que lhe prendem ficam mais apertadas.
Ao ouvir a sua própria voz em um tom debochado, Gold se vira rapidamente, já preparado para atacar, mas é pego de surpresa por sua outra versão que lhe cobre com tinta de lula e o deixa imóvel. Ele tenta se mover, mas é em vão.
― Se eu fosse você, não ficaria se esforçando tanto. Só vai ficar cansado... ― Brinca com o nariz dele, irritando-o. ― Espera... ― Fala em um tom pensativo. ― Eu sou você... ― Dá a irritante e irônica risada. ― Enfim, chega de conversa e vamos embora, temos algumas coisas para conversar. ― Diz em um tom extremamente sério, olhando para a sua outra versão.
― Para onde vai nos levar? ― Tiger Lily lhe pergunta, levemente irritada.
― Para o futuro lar de vocês por tempo indeterminado. ― Fala com animação, batendo palminhas e sorrindo e Tiger e Gold se entreolham. Segundos depois, todos somem na fumaça vermelha do Rumpelstiltskin do Reino do Desejo.
•§•
Quando a família Swan Mills terminou o almoço, Emma pagou a conta, não sem antes implorar para levar um pedaço de lasanha para comer mais tarde, ajudou Regina a subir com Henry para o quarto e depois seguiu direto para o único hospital de Storybrooke. Iria investigar sobre seu falso nascimento e o do seu irmão.
Ao passar pelas grandes e automáticas portas de vidros, viu sua mãe, que havia chegado há pouco do Granny’s também, saindo do corredor e conseguiu se esconder a tempo dela não lhe ver e lhe chamar para conversar. Não seria bom para ela e seu pai se soubessem que tinham contratado alguém para investigar sobre, para eles, o sumiço dos filhos, para os outros, a morte deles. As fofocas em cima dos dois iriam ser ainda mais fortes. Quando Mary passou pelas mesmas portas que ela tinha entrado, saiu da sala que tinha se enfiado e seguiu direto para a recepção da ala da maternidade. Um local com pouco movimento e de baixa iluminação que lhe causava arrepios.
― Boa tarde! Você poderia me informar quem são os obstetras desse hospital?
― Não temos obstetras. ― Emma franze o cenho, confusa com a informação obtida. ― As freiras quem são responsáveis pelos partos.
― Freiras? ― Pergunta confusa e a mulher assente. Emma lembrava que a Fada Azul tinha feito o parto de Belle, mas tinha sido um caso à parte. ― Ok, então eu posso ver os registros de nascidos dos últimos dois anos?
― Sem um mandado do Xerife eu não posso liberar o acesso a documentos de qualquer natureza para uma estranha. ― A forma como a mulher fala, com total desprezo, irrita a loira, mas ela respira fundo e consegue se acalmar.
― Eu não sou uma estranha. ― Retira um porta documento do bolso interior da jaqueta vermelha, abre-o e lhe mostra o distintivo do Departamento de Tallahassee. Não havia pedido demissão, então ainda poderia usá-lo.
― Eu não conheço esse lugar, senhora. ― A primeiro momento, Emma fica chocada, mas logo sua mente a relembra de onde as pessoas da cidade são e quais suas condições atuais e lhe entende. ― Não posso ter certeza se esse distintivo é real.
― Droga! ― Xinga baixinho, mas a sobrancelha arqueada da recepcionista indica que não foi tão baixo assim. ― Tudo bem, obrigada pelas informações! ― Guarda o distintivo no porta documento novamente, enfia-o no bolso interno da jaqueta e se afasta do balcão, seguindo pelo mesmo caminho que viera. Ao entrar no corredor de acesso a recepção principal e vê um enfermeiro sair de um quarto, uma ideia surgiu e ela não perdeu tempo em colocá-la em prática. Iria se esconder e esperar a recepcionista da ala da maternidade sair para poder ter acesso ao seu computador e se necessário a sala de arquivo que fica bem atrás dela. Com a porta semiaberta, Swan ficou vigiando-a.
Para a sorte de Emma, a espera não durou muito. Cerca de dez minutos depois, a mulher saiu de trás do balcão com um celular no ouvido e seguiu na direção contrária à da loira, logo sumindo de suas vistas. No minuto seguinte, Swan já estava atrás do computador, fuçando o sistema do hospital. Agradeceu por aquela ala do hospital ser pouco movimentada.
Emma não era hacker, engenheira de software e muito menos expert em sistema da informação ou afins, mas seu tempo como detetive no Departamento de Polícia de Tallahassee a ensinou o suficiente para invadir um computador e um sistema.
Com umas tecladas aqui, umas clicadas ali e uns códigos acolá, Emma conseguiu o acesso ao sistema e baixou todas as informações para o seu celular. Não teria tempo para ler tudo ali mesmo. Seria abusar demais da sorte.
Com tudo que precisava no celular, Emma deixou o computador do mesmo jeito que a mulher havia deixado, até mesmo a posição do mouse e saiu de trás da mesa em passos largos. Seu coração gelou quando, ao dar cinco passos para longe do balcão, a mulher apareceu. Se ela tivesse demorado mais cinco segundos, teria sido pega. A mulher lhe lança um olhar bastante desconfiado, contudo, nada fala, apenas volta para o seu posto e mexe em seu computador, obviamente, procurando algo suspeito. Porém, nada encontra. Emma tinha feito um trabalho perfeito.
Tendo entendido que a mulher havia mexido no eletrônico em busca de algo que pudesse lhe entregar, para disfarçar, Emma tem a ideia de permanece no lugar e fingir receber uma ligação.
― Ok, estou indo te encontrar... ― Fala propositalmente em um tom mais alto para que a recepcionista lhe escute. ― Sim, eu estava na maternidade, esperando por você... Até! ― Encerra a falsa ligação, enfia o celular no bolso traseiro da calça, olha disfarçadamente para a outra para ver se ela havia acreditado, respira aliviada ao ver pela expressão dela que seu disfarce deu certo, e vai embora.
Com todas as informações que precisava para dar início a investigação, agora Emma só precisava de um tempo sozinha e um computador para descobrir quem havia feito o seu parto e o do seu irmão nessa realidade da maldição e o que aconteceu depois.
•§•
― Sucesso na investigação? ― Regina pergunta com ansiedade para a loira assim que ela abre a porta, não dando tempo de ela respirar e nem mesmo entrar no quarto. Emma para onde está e com uma expressão engraçada, levanta as duas mãos e a pede que espere. Regina sorri. ― Desculpa, estou ansiosa.
Swan finalmente entra no quarto, fecha a porta, senta-se ao lado da morena, retira o celular do bolso e permanece calada. Henry e Regina a olham com ansiedade.
― Mãe, eu também estou curioso. ― O garoto se manifesta, impaciente com a demora da loira começar a falar.
― Eu não sei o que é, mas agora fiquei curiosa também. ― A Rainha comenta e arranca sorrisos de todos, até mesmo de Regina.
― Bem, eu ainda não descobri muito... ― Henry e Regina lhe lançam um olhar desanimador. ― Mas sei que desde que fomos embora, as freiras quem são responsáveis por todos os partos dessa cidade e estou em posse de todos os registros dos últimos dois anos. ― Levanta o celular e o balança no ar.
― Mas se o tio Neal nasceu antes de tudo acontecer, se o registro dele estiver aí, só terá as informações reais do parto dele. ― Henry faz a observação, em um tom pensativo.
― Eu sei, garoto, mas relaxa, não é um caso perdido. ― Fala com tranquilidade. ― Talvez eu não encontre o registro dele, o que é bem provável, mas com o que tenho em mãos posso encontrar suspeitos e chegar a alguém. ― Dá uma piscadela acompanhada de um sorriso para ele.
― E eu posso ajudar você a analisar esses arquivos? ― O garoto pergunta com empolgação.
― E quem disse que você ficaria de fora dessa? ― Questiona com o cenho franzido e ele, com o braço bom, comemora com um soco no ar, causando-lhe risadas. Emma adorava quando ele se interessava em se envolver em seu trabalho e Henry adorava poder lhe ajudar com as investigações.
― Eu vou buscar o notebook no outro quarto e pegar lanches para vocês. ― Mills se oferece, levantando-se do sofá. ― O que vão querer, senhores detetives? ― Pergunta, fazendo graça e os dois riem.
― Eu vou querer um X-burguer duplo com muita batata frita coberta com cheddar. ― O garoto pede, todo empolgado e Emma e Regina lhe encaram com as sobrancelhas arqueadas. Cada uma por um motivo diferente.
― Não estamos no McDonald's, garoto. ― Emma fala entre risadas, cutucando-o com o cotovelo.
― Uma salada e suco são o suficiente. ― Regina rebate em um tom falsamente sério, mas apenas a loira percebe.
― Mãe! ― Ele reclama e faz um bico acompanhado de uma expressão triste, como Emma costuma fazer quando quer algo, mas a morena o ignora.
― E quanto a você... ― Regina olha para a Rainha, que assistia à interação entre a família, desejando um dia poder vivenciar o mesmo. ― Preciso trocar os seus curativos e te dar remédio. ― A Rainha assente e faz careta por causa da citação ao remédio. Então, levanta-se com dificuldade e caminha para perto de Mills, que lhe abraça de lado e caminha com ela em direção a saída.
Quando as duas mulheres saem e Regina fecha a porta, Henry se levanta com dificuldade também e com o auxílio da muleta, ele já estava pegando mais o jeito para usá-la, caminha até a porta, abre-a e coloca a cabeça para fora por alguns segundos, verificando se a mãe morena não estava por ali, e a fecha novamente.
― Precisamos falar sobre a operação irmãs. ― Henry fala com pressa, começando a andar de um lado para o outro, mesmo sem poder.
― Pensei que teria nome de animal. ― Franze o cenho.
― Não pensei em algo melhor ainda. Está sujeito a mudanças. ― Faz uma careta. Emma abre a boca em compreensão e assente em seguida.
― Bem, o que você tem em mente?
― Eu estava pensando em montar uma situação para que as duas conversem quando estivermos fazendo alguma refei... ― Antes que Henry pudesse finalizar a frase, a porta é aberta. Ele se cala no segundo seguinte, torcendo para que Regina não tenha escutado qualquer “a” que ele tenha dito e para de andar.
― Henry, quantas vezes eu vou ter que pedir para que você fique sentado? ― Mills o questiona com irritação, batendo um pé no chão e balançando a cabeça negativamente. ― Você precisa de repouso para ficar bom. ― Entrega o notebook para Emma e vai para perto dele, para ajudá-lo a se locomover até o sofá.
― Eu vou me sentar, mãe, relaxa... ― Revira os olhos e tenta se esquivar, mas Regina não permite.
― O que você estava fazendo em pé? ― A pergunta faz o coração do garoto bater mais forte e o seu sangue gelar. Ele olha nervoso para Emma, que com o olhar lhe pede para inventar algo.
― Eu? ― Regina arqueia a sobrancelha. Emma fecha os olhos e balança negativamente a cabeça discretamente. ― Nada! Eu só... Eu só estava esticando as pernas...
― Ele estava reclamando que o bumbum estava queimando de tanto ficar sentado. ― Emma diz entre risos, tentando ajudá-lo com as desculpas e Henry lhe olha de cara feia.
― Ok! Eu vou buscar os lanches de vocês. ― Henry e Emma se olham discretamente e ele respira aliviado, crendo que a mãe morena acreditou nas desculpas, mas Emma sabia que Regina não tinha acreditado e que provavelmente iria lhe questionar depois. Mills ajuda o filho a se sentar no sofá e se encaminha para a porta. ― Volto logo! ― Avisa e fecha a porta, deixando-os sozinhos novamente.
― Não precisava inventar a parte do bumbum. ― Henry reclama e Emma começa a rir.
― Ok! Chega de conversa, temos muito o que fazer. ― Swan abre o notebook e Henry se arrasta para mais perto dela.
•§•
Após abrir cerca de cem arquivos de certidão de nascimento só do primeiro ano, Emma e Henry pararam com as análises para descansar e decidiram continuar apenas no dia seguinte. Então, após o jantar, Swan e Mills foram assistir um filme no quarto de Emma, e Henry seguiu para o quarto de Regina para fazer companhia a Rainha.
Enquanto Henry, que antes jogava no game boy, dormia pesadamente no sofá, a Rainha passeava pelos canais televisivos, em busca de algo que pudesse tirar o seu tédio, mas nada lhe prendia a atenção. Já estava cansada de assistir aos mesmos programas.
Um barulho do lado de fora chama a sua atenção e ela vai até a janela para saber do que se trata. Era apenas dois gatos buscando suas refeições nas latas de lixos. Um carro passando na rua também rouba sua atenção e quando seus olhos encontram as ruas iluminadas de Storybrooke, uma ideia passa por sua mente. Os castanhos ficam brilhosos e o sorriso aparece em seus lábios instantaneamente.
Devagar, ela volta para perto de Henry e toca delicadamente em seu braço.
― Garoto? ― Sussurra, como se tivesse mais alguém no cômodo e não pudesse lhe ouvir chamá-lo. ― Ei! ― Balança com mais força o seu braço, mas Henry nem se mexe. ― Droga! ― Ela olha para a janela e para a porta e volta sua atenção para Henry. ― Henry! ― Toca em sua perna e mais uma vez não obtém resposta. Então seu olhar corre para a porta novamente. Com o olhar fixo na madeira, ela pensa por alguns segundos e toma uma decisão. ― Volto logo! ― Fala de forma sussurrada e se levanta.
Ao abrir a porta, coloca lentamente a cabeça para fora e verifica se o corredor está vazio. Em seguida, sai completamente do cômodo e fecha a porta lentamente. Então, sem perda de tempo, escolhe o lado direito para seguir e vibra ao chegar na escada e perceber que escolheu certo. Ao chegar no andar de baixo, seu coração se acelera ao ouvir vozes. Ela para seus passos imediatamente e se encosta na parede. Não podia ser vista.
As vozes se aproximam e a Rainha entra na primeira porta que encontra. Era um banheiro. Ela se encosta na madeira, fecha os olhos, suspira aliviada e começa a sorrir. Quando volta a abrir os olhos, vê sua imagem refletida no espelho bem em sua frente e se dá conta de que não precisava se esconder. Afinal, sua aparência era igual a de Regina, exceto pelo cabelo, mas que estava amarrado e provavelmente ninguém perceberia o tamanho, e usava suas roupas. Ninguém saberia quem era ela, de fato. O único problema seria o seu machucado na perna que a estava fazendo mancar. Mas se passasse por perto de alguém, forçaria andar normalmente para ninguém perceber.
Com isso em mente, ela abre a porta sem medo algum e sai do banheiro, segue o barulho de mais vozes e chega na lanchonete. Ruby lhe avista e lhe cumprimenta com um sorriso e aceno e seu primeiro impulso é de fugir, mas logo se lembra de onde está e de quem está fingindo ser e se acalma. Então, responde o cumprimento de Lucas e, forçando-se a parar de mancar, ela segue seu caminho até a saída.
Assim que a Rainha sente o ar frio da noite lhe tocar a pele e balançar os poucos fios soltos, ela fecha os olhos e abre os braços. Não se lembrava da última vez que esteve livre, que viu a noite, que sentiu o vento lhe acariciar. A sensação era boa e ela estava se sentindo nas nuvens. Quando volta a abrir os olhos, encontra dois pares de olhos lhe encararem e seus donos de cenhos franzidos, mas ela não se importa e continua a seguir seu caminho até chegar na rua.
― Para onde ir primeiro? ― Questiona-se, olhando para os dois lados da rua principal de Storybrooke. Se escolhesse seguir pela direita passaria pela biblioteca e torre do relógio e chegaria nas docas, e se escolhesse seguir pela esquerda passaria pela loja de penhores de Gold e o consultório de Archie. ― Acho que vou por aqui, mesmo. ― Murmura pensativa, olhando para o lado esquerdo.
A Rainha atravessa a rua e começa a andar lentamente pela calçada, olhando cada detalhe da rua e dos imóveis que vão passando, até que chega em frente à loja de Gold e interrompe os passos ao ver alguns objetos conhecidos na vitrine.
― Rumpelstiltskin... ― Murmura, afastando-se um pouco e olhando a fachada por completo. ― Sr. Gold — Casa de Penhores & Antiquário... ― Lê na placa pendurada. Em seguida, encosta a testa no vidro e tenta olhar dentro da loja, mas não consegue enxergar nada por tudo está escuro.
― Regina? ― Escuta uma voz desconhecida lhe chamar e se afasta rapidamente da vitrine.
― Oi...? ― Responde com ar desconfiado, afastando-se um pouco mais.
― Oi! ― Kelly sorri. ― O que estava fazendo? ― Pergunta com o cenho franzido e ar de riso.
― Eu... ― Ela engole em seco, nervosa. ― Nada! ― A ruiva lhe lança um olhar confuso e ela pensa rapidamente em uma desculpa para dar. ― Eu achei interessante esses objetos e cheguei mais perto para ver se via algo mais...
― Eles são bem macabros, mesmo... Ugh! ― Faz uma careta e a Rainha respira aliviada por ela, aparentemente, ter acreditado em sua desculpa. ― Sua voz está mais rouca... ― Observa e a Rainha volta a ficar nervosa. ― Pegou um resfriado? Se estiver precisando de remédio, eu tenho um ótimo! ― Dá uma piscadinha e a morena sorri, fingindo ter entendido a referência. Mentalmente, faz uma nota sobre mudar um pouco o tom de voz caso for falar com mais alguém e agradece por ela não ter percebido que está mancando por causa da perna machucada. ― Bem, essa é a Margot, é minha filha... ― Pega na mãozinha da bebê e acena para a morena. ― Ruby quer passar a noite com ela... ― Fala em um tom afetado e a Rainha arqueia a sobrancelha. ― Bem, eu preciso ir, ainda tenho que trabalhar... ― Seu tom é cansado. ― Até mais, Regina!
― Até! ― Sorri e acena para a ruiva, que acena de volta e segue seu caminho. ― De acordo com a descrição detalhada do Henry, eu acabei de conhecer a minha adorável irmã invejosa, Zelena... ― Diz bem-humorada, ainda olhando para a outra que estava cada vez mais longe. ― Bem, onde eu estava mesmo... ― Murmura pensativa e volta a andar pela calçada, dando continuidade à sua exploração. Havia muito para ser visto ainda.
•§•
Duas horas depois, após ter conhecido os principais pontos de Storybrooke, como a loja de Gold, a mansão Mills, a Prefeitura, a delegacia, o cemitério e o mausoléu de Regina, a biblioteca e a torre do relógio, as docas e a praça central, apreciar a noite e até conversar com desconhecidos, a Rainha fez o seu caminho de volta para o quarto. Seus olhos não paravam de brilhar e um enorme sorriso não saia de seus lábios. O passeio tinha sido melhor do que imaginava e melhorou seu humor e sua alma. Sentia-se renovada. Depois de suas noites conversando por horas a fio com a Princesa Emma, quando estava presa no castelo dos Encantados, essa tinha sido a sua melhor noite. Até mesmo melhor do que suas noites antes de ser capturada. Ela havia perdido tanto do seu tempo tramando contra Branca de Neve que não havia aproveitado seus dias como deveria.
Quando a Rainha abriu a porta do quarto que compartilha com a sua outra versão, encontrou uma Regina raivosa, com os braços cruzados e o pé batendo no chão, e uma Emma e um Henry preocupados.
― Você perdeu o juízo? Onde você esteve? ― Mills indaga extremamente irritada. A veia de sua testa estava a ponto de explodir. Emma segura em seu braço, como um pedido mudo para que se acalme.
― Fui conhecer a sua terra. ― Fala com tranquilidade. Não permitiria que a outra estragasse a sua noite. ― Eu estava sufocada, Regina, precisava de um pouco de ar puro. ― Fecha a porta e caminha devagar até se sentar no sofá, ao lado de Henry, que agora lhe olhava com alívio.
― Você não pode sair daqui. Não pode ser vista por aí. ― Começa a andar de um lado para o outro, agoniada. Estava com medo de Fiona ter ficado sabendo da presença da mulher na cidade.
― Relaxa, somos exatamente iguais, exceto pelo tamanho do cabelo e tom de voz, mas ninguém percebeu. ― Dá de ombros. ― Qualquer coisa é só dizer que somos irmãs gêmeas. ― Dá uma piscadela e um pequeno sorriso, irritando ainda mais a outra.
― Esse não é o ponto! ― Rebate entredentes, mudando a direção de seus passos e indo para cima da Rainha, que nem se abala com sua aproximação e seu olhar mortal.
― Regina, mantenha a calma! ― Emma intervém, segurando-lhe pelo braço. ― Ela já está aqui, está bem, nada aconteceu. Não precisa se estressar tanto. ― Fala suavemente, tentando lhe passar calma.
― Olha, eu não fiz nada além de andar por esse lugar, ok? ― Fala em um tom cansado. ― Eu estava me sentindo melhor... ― Aponta para a coxa e a barriga, indicando os machucados. ― Estava entediada, não tinha nada para fazer aqui, nessa prisão mais moderna... ― Diz em um tom irônico, indicando o quarto. ― Devo avisar da próxima vez que quiser colocar minha liberdade em prática? ― Seu tom sarcástico irrita ainda mais a morena, mas ela fecha os olhos e respira muito fundo, tentando se acalmar.
― Olha... ― Regina respira fundo mais uma vez e passa a mão pelo rosto e cabelo. ― Apenas nos diga da próxima vez, para Emma ou Henry ir com você. ― Pede em um tom extremamente sério e caminha até a porta, logo saindo do quarto.
― Me desculpa, Princesa. ― A Rainha murmura, quebrando o silêncio. Não estava arrependida por ter saído, apenas pela preocupação e estresse que causou.
― Tudo bem, só não faça isso novamente. ― A morena assente. ― Ela só ficou assustada quando você desapareceu. Ela se preocupa um pouco com você, por isso agiu assim.
― Obrigada por me defender. ― Sorri ternamente. Swan assente e lhe retribui o sorriso.
― Boa noite, Rainha! Vamos, Henry? ― Aproxima-se do garoto sentado no sofá e o ajuda a se levantar.
― Boa noite! ― O garoto também se despede e junto com a mãe loira sai do quarto, deixando a morena sozinha.
Quando a porta é fechada, a Rainha se encosta completamente no sofá, fecha os olhos, abre o enorme sorriso novamente e começa a pensar em quando seria a próxima vez.
•§•
― O que você tem em mente? ― Jones questiona com impaciência a Fiona assim que os dois entram no escritório dela. Já era a terceira vez que a questionava. Estavam na Prefeitura após a insistência da mulher, que alegou que conversariam com mais tranquilidade e segurança. ― Eu não vou ajudar você sem saber o que pretende fazer.
― Antes, eu preciso de uma prova. ― Seu tom é enigmático. Killian sorri sarcasticamente. ― Eu ainda não confio em você, pirata! ― Ele lhe lança um olhar falsamente ofendido. ― Eu quero que você faça algo para me provar que está realmente do meu lado. ― Aproxima-se dele e passa a ponta do dedo de forma sensual em seu decote.
― O que você quer? ― Delicadamente, ele retira o dedo dela de seu peito e se afasta um pouco.
― Eu quero... ― Caminha até a janela e olha para a pensão de Widow Lucas. ― Eu quero que você dê uma poção do esquecimento para o garoto.
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