Notas iniciais
oi mores, vocês ainda se lembram dessa fanfic com nome de música gospel? pois bem, voltamos com mais uma atualização e só esperamos que vocês curtam mais esse capítulo. esperamos que o tamanho compense a demora. boa leitura! :) **sidney

Totalmente chocada por ver a sua versão, Regina permanece no lugar, imóvel, com os olhos arregalados.

― Regina? ― Emma toca a mulher e ela parece acordar para a realidade, saindo de seu estado de choque e direcionando o olhar para a loira.

― O que ela está fazendo aqui? ― Gold e Killian se entreolham. Eles se faziam a mesma pergunta que Regina.

― Nós podemos conversar sobre isso depois? Ela precisa de nossa ajuda, agora. ― Regina fecha os olhos e respira fundo, quando volta a abri-los, caminha rapidamente até a mulher desacordada, deitada na cama do Capitão. Emma rapidamente apanha a pequena maleta que trouxeram do hospital e se aproxima de Regina, que logo se senta na beirada da cama e reveste as mãos com as luvas para poder dar início aos cuidados.

― Bem, nós precisamos ir. ― Gold avisa, quebrando o silêncio. ― Tiger Lily? ― Ele aponta para a saída e a mulher assente, caminhando para a porta e sendo acompanhada por Belle. ― Qualquer coisa, vocês sabem onde nos encontrar. ― Killian e Emma assentem e o homem desaparece pela porta com Belle e Tiger.

― Princesa... ― A Rainha Má murmura, voltando a consciência, abrindo lentamente os olhos. Quando seus castanhos encontram com os de Regina, ela se assusta e tenta se afastar.

― Não se mexa. ― Regina pede autoritária, fazendo-a se deitar novamente. Em seguida, dá continuidade ao processo de limpeza que fazia na grande abertura em sua perna feito pela espada afiada do Príncipe Henry.

― Quem é você e por que se parece tanto comigo? ― A Rainha pergunta com a voz fraca e Regina e Emma se entreolham.

― Eu sou você. ― Mills responde simplesmente, sem desviar a atenção do que fazia.

― O que...

― Ei... ― Emma decide interromper. ― Eu prometo te explicar tudo depois. ― Garante, oferecendo um sorriso gentil e segurando em sua mão e atraindo o olhar de Regina, que estranha o contato.

A contragosto, a Rainha assente e se cala, volta a deitar a cabeça no colchão, fecha os olhos e se aquieta, deixando que a sua outra versão cuide de seus machucados.

Após trinta minutos de puro silêncio entre os quatro, exceto pelos gemidos de dor que a Rainha soltava a cada toque que Regina dava em seus machucados, Mills termina com os curativos, ministra um remédio, que também foi pego no hospital, para aliviar a dor da outra e sai da cabine. Emma cobre a Rainha com um lençol entregue por Jones e corre para fora da cabine, atrás de Regina.

― Regina... ― Sua fala é interrompida pelo toque do celular da mulher.

― Mary Margaret? Aconteceu alguma coisa? ― A morena pergunta extremamente preocupada e Emma logo se aproxima mais para ver se consegue ouvir algo. ― Ah, sim, tudo bem, chego aí em alguns minutos. Obrigada! ― E encerra a ligação. ― Henry recebeu alta, eu vou buscá-lo.

― Eu vou ficar para cuidar dela. ― Emma diz, apontando para a cabine atrás e Regina assente.

― Depois nós conversamos sobre isso. ― Avisa em um tom sério e a loira assente. Em seguida, dá as costas e vai embora apressada.

•§•

― Conte-nos tudo que sabe sobre a Fada Negra. ― É a primeira coisa que Gold diz assim que os três entram em sua loja e, após ele fechar a porta, seguem para os fundos.

― Você quer uma água? ― Belle oferece gentilmente e lança um olhar repreensivo para o homem, que não se abala, pouco se importando em estar faltando com educação. Ao voltar sua atenção para a fada, ela balança a cabeça negativamente. ― Por favor, sente-se. ― Aponta para o sofá e logo se senta. Tiger Lily lhe acompanha, acomodando-se no estofado e deixando seu arco e flecha de lado e Gold se mantém no lugar, apoiado em sua bengala de ouro, esperando que a mulher comece a falar.

― Bem, tudo começou quando o filho da Fada Negra com um humano nasceu e eu e a Fada Azul fomos até sua casa para lhe contar sobre uma profecia que dizia que seu filho estava destinado a ser um Salvador e lutar contra um grande mal. ― Começa o relato, surpreendendo os ouvintes, principalmente Gold. Em sua busca pelo passado para saber mais sobre sua mãe, ele não tinha descoberto a parte sobre ser o Salvador.

•§•

― Muito obrigada por ficar com o Henry. ― Regina agradece gentilmente à Mary, assim que chega no quarto do filho.

― Foi um ótimo momento com ele. Conversamos bastante. ― Responde animada e o coração de Regina se acelera, preocupada com o que conversaram. Ela lança um olhar questionador para o menino e ele balança a cabeça negativamente, como se tivesse lido seus pensamentos.

― O seu marido está melhor? ― Indaga hesitante e o sorriso que a mulher ostentava no rosto some no segundo seguinte.

― Ele está dormindo desde que você saiu. ― Responde sem muito ânimo.

Regina fica sem saber o que dizer, a mulher estava claramente precisando ouvir palavras de consolo e esperança, mas ela não é muito boa com esse tipo de palavra, e Henry resolve intervir para ajudar a mãe.

― Mãe, antes de irmos, posso trocar essa roupa? ― Aponta para as suas vestes e faz uma careta.

― Claro, Henry! Não pode sair com a roupa do hospital. ― Responde entre risos e o garoto levanta as mãos para alto e solta um suspiro de alívio, causando risos nas duas mulheres. Ele estava preocupado em ter que sair por aí com aquele vestido azul horrível, que é aberto atrás e mostra sua bunda. ― Eu vou falar com a sua mãe para ela pegar uma roupa limpa para você e vir nos buscar com algum carro. ― Avisa, já retirando o celular do bolso. ― Volto já!

Regina se afasta de Mary e Henry, que rapidamente iniciam uma conversa sobre livros, e manda uma mensagem para Emma, pedindo para que pegue o carro de Gold, um par de roupas e venha até o hospital para levar ela e Henry para o Granny’s. Sua resposta vem segundos depois e ela volta para junto do filho e da mulher, dá o aviso de que Emma já está a caminho e acaba entrando na conversa também.

Alguns minutos depois, Victor aparece no quarto para que Regina assine a alta do garoto, e assim que a mulher o faz, ele disponibiliza uma cadeira de rodas para que ela o leve até a entrada do hospital. Dispensando a ajuda das enfermeiras, Regina, com a ajuda de Mary, coloca o filho na cadeira e os três saem do quarto para liberar para outro paciente. Ao chegarem do lado de fora, uma enfermeira avisa que David finalmente acordou e a morena de cabelos curtos se despede dos dois para ir cuidar do marido.

― Mãe, conseguiram encontrar Tiger Lily? ― Henry pergunta baixinho, assim que ficam sozinhos. Regina se arrasta no assento do sofá e fica mais perto do filho.

― Ela não só encontrou Tiger, como encontrou outra pessoa também. ― Fecha os olhos e balança a cabeça negativamente, pensando no quanto essa pessoa poderia trazer problemas, principalmente para ela.

― Quem? ― Henry franze o cenho.

― Ela trouxe a Rainha Má para Storybrooke. ― Conta baixinho, olhando para os lados. Havia alguns pacientes e enfermeiros por perto e todo cuidado era pouco. ― Ela estava muito machucada. Acredito que Emma não quis deixá-la lá.

― E onde ela está agora? ― Pergunta com o tom um pouco mais alto e Regina o repreende com o olhar. ― Desculpa! ― Pede sem graça e olha com preocupação para os lados. Para o seu alívio, aparentemente, ninguém tinha escutado nada.

― Está com Emma no navio do pirata.

― E está tudo bem?

― Sim, eu cuidei dos ferimentos dela e a deixei quase dormindo quando vim para cá. ― Encosta-se no sofá e direciona o olhar para dentro do quarto dos Encantados. David estava sentado na cama e Mary tentava fazê-lo ingerir algo.

― Eu não perguntei nesse sentido, mãe. ― Henry retruca, tocando em sua mão e Regina volta sua atenção para ele. ― Agora tem duas de você, de novo, por aqui. ― Explica. Entendendo bem o que o filho quer dizer, a morena respira fundo.

― Eu não sei, Henry... ― Seu tom é preocupado. ― Emma não pensou no que estava fazendo quando a trouxe para o nosso mundo, mas eu não quero julgá-la. ― Fala com sinceridade. ― Sei que ela só quis ajudar.

― Ela é a Salvadora. ― Henry comenta, como se estivesse explicando o motivo pelo qual a mãe fez o que fez e Regina balança a cabeça afirmativamente, concordando.

― Sim, ela é a Salvadora... ― Repete em um tom pensativo. ― E Salvadores costumam salvar as pessoas. ― Murmura.

O celular de Regina informa uma nova mensagem e a conversa é interrompida. Era Emma avisando que já estava na entrada do hospital.

― Sua mãe chegou. ― Avisa, enfiando o celular no bolso novamente. ― Vamos trocar essa roupa e voltar para a pensão. ― Levanta-se do sofá e empurra a cadeira do filho em direção ao corredor, logo encontrando Emma com uma bolsa na mão.

•§•

Após deixar Regina e Henry no Granny’s, Emma volta para a Jolly Roger. Quando sobe no navio, logo encontra Gancho na proa, observando o horizonte, e se aproxima dele.

― Ela acordou? ― Pergunta, tirando o homem de seus devaneios.

― Continua como você a deixou... ― Responde, sem desviar a atenção do mar e Emma assente, aproximando-se mais e se encostando no baú em que ele está apoiado. ― Parece que alguém não gostou muito de ver sua outra versão por aqui...

― Regina só ficou surpresa. Ela não esperava que eu fosse trazer a Rainha Má para Storybrooke. Mas eu sei que ela vai me entender. ― Responde sem muita certeza, porém querendo acreditar no que diz. Pela reação da morena, não parecia que ela entenderia facilmente.

― Talvez, ela até entenda você ter trazido a Rainha para cá, só talvez não aceite que tenha que competir por você... ― Murmura em um tom misterioso.

― Do que você está falando? ― Emma pergunta confusa, olhando para o homem, que se mantinha com olhar no mar.

― Eu vi o jeito que ela olha para você, Emma... ― Retruca, ainda usando o mesmo tom de voz. ― A Rainha gosta mais do que deveria, de você. ― Fala com certeza, finalmente lhe olhando. ― Não só o jeito que ela te olha, mas também o jeito que ela fala com você, demonstra isso.

― Você está viajando, Killian! ― Retruca, balançando a cabeça negativamente e franzindo o cenho, achando um absurdo o que Jones falou. ― Ela só está agindo assim porque eu salvei sua vida. ― O homem arqueia a sobrancelha.

Princesa Emma? ― Escutam a voz da Rainha chamar e olham para dentro da cabine.

― Eu vou ver o que ela quer. Por favor, tire isso da sua cabeça. Você está vendo coisa onde não tem. ― Toca em seu ombro e se afasta rapidamente, logo entrando na cabine. Killian balança a cabeça negativamente e lhe segue. Ao passar pela porta, ele vê Emma entregando um copo com água para ela e se sentando ao seu lado na cama. ― Está sentindo alguma dor? ― Swan pergunta preocupada.

― Um pouco... ― Faz uma careta e passa a mão na perna, onde estava o seu pior machucado. ― Obrigada por me salvar e cuidar de mim, Princesa. ― Fala gentilmente, abrindo um sorriso e segurando em sua mão. Lembrando-se do que conversou há pouco com Killian, Swan fica nervosa e disfarçadamente afasta a sua mão do toque.

― Você pode me chamar de Emma. Aqui eu não sou Princesa de nada. ― Fala bem-humorada e a Rainha sorri. Quando se levanta para colocar o copo em cima da mesa, encontra com o olhar curioso de Killian, que praticamente lhe dizia “eu disse”.

Seu celular começa a tocar e ela se afasta dos dois para atender. Era Regina.

― Ei! ― Murmura, atendendo a ligação.

Ei! Está tudo bem por aí?

― Ela acordou com sede e sentindo dor na perna, mas está bem. ― Olha para trás e vê a Rainha mexer no curativo em sua perna e Killian intervindo logo em seguida.

Precisamos levá-la para algum lugar seguro. Ela não pode ficar aí.

― Eu estava pensando em levá-la para ficar conosco. ― Fala hesitante, tirando a atenção dos dois e saindo da cabine. ― Só precisamos pensar em um jeito de levá-la até aí sem ninguém ver. ― Acrescenta, fechando os olhos e cruzando os dedos, torcendo para que a morena aceite.

Emma... ― Murmura e dá um longo suspiro. ― OK! Eu tenho uma ideia de como faremos para trazê-la até aqui sem que alguém veja. ― Como uma criança, Emma comemora dando soquinhos no ar. De repente, lembra-se que não estava sozinha e vira-se rapidamente para ver se Killian não tinha lhe visto. ― Se der certo, eu ligo para te avisar e nós combinarmos como faremos.

― Ok! ― As duas encerram a ligação e logo Emma retorna para dentro da cabine do Capitão.

― Emma, por favor, diga para ela parar de mexer nesse curativo ou não ficará boa nunca. ― Killian pede todo impaciente, assim que a loira aparece.

― Eu não vou obedecer a suas ordens, Pirata! ― A Rainha repete o que disse há pouco e Killian revira os olhos.

― Ei, o que você está fazendo? ― Emma se senta ao seu lado na cama e a impede de continuar desenrolando o curativo.

― Está ardendo. ― Faz uma careta.

― Precisamos trocar esse curativo. Killian? ― Olha para o homem e aponta para a maleta que ela e Regina trouxeram do hospital. Rapidamente o Pirata pega a maleta em cima da mesa e lhe entrega. ― Eu não tenho a mão muito leve, mas farei o meu melhor. ― Avisa e a Rainha assente.

― Obrigada por cuidar de mim mais uma vez... Emma... ― Segura em sua mão e a acaricia. Emma sorri em resposta e mais uma vez afasta delicadamente sua mão do toque, logo dando início ao processo de troca de gaze. Ao olhar rapidamente para Jones, mais uma vez recebe um olhar de “eu te disse”.

•§•

Com os dedos cruzados, Regina encosta no balcão de atendimento do Granny’s e pede para Ruby chamar Kelly, que estava trabalhando na cozinha.

― Ei, está querendo uma companhia para tomar sidra? ― Miller pergunta divertida, sentando-se ao seu lado. ― Seu filho está bem?

― Quebrou umas coisas aqui e deslocou outras ali, mas está bem... ― Responde bem-humorada e Kelly assente, sorrindo.

― Então, posso ir buscar a sidra ou dessa vez quer algo mais forte? ― Levanta-se do banquinho. ― Estamos com vinho, dessa vez. ― Arqueia a sobrancelha sugestivamente.

― Na verdade, eu vim pedir um favor. ― Seu tom misterioso deixa a ruiva curiosa. ― Será que você poderia me ajudar? ― Pergunta hesitante, cruzando os dedos com mais força e torcendo na mente para que a resposta seja sim.

― Depende do que for. ― West dá a condição, bem como Mills já esperava.

― Infelizmente eu não posso te dizer exatamente o que é. ― A morena lamenta e Kelly franze o cenho.

― Não é algo fora da lei, é? ― A mulher questiona desconfiada. ― Eu tenho uma criança de colo para cuidar e não posso ir presa.

― Não! Está longe disso, pode confiar. ― Garante, tentando soar a mais séria possível para passar confiança para a mulher.

A ruiva a analisa, ponderando se deveria ajudar uma mulher que conheceu há poucos dias e não sabe se deve confiar. Sua razão dizia para não aceitar ajudar sem ter todas as informações, pois era o mais prudente a se fazer. Mas sua emoção dizia que ela deveria dar o crédito da confiança. Sua mente a relembra da outra noite em que a mulher lhe disse que confiaria nela e então toma sua decisão.

― Você disse que eu não sou mais uma estranha e que confia em mim. Então, eu vou retribuir essa confiança. ― Kelly diz finalmente, para o alívio da morena, que já acreditava que não conseguiria a sua ajuda. ― Além do mais, eu gostei de você. ― Acrescenta, abrindo um sorriso e apertando de leve o seu ombro.

― Obrigada! ― Agarra a mão da ruiva em seu ombro e também sorri. ― Bem, eu preciso trazer alguém para o quarto sem que ninguém veja. ― É direta.

― Você vai trair a sua esposa? ― Pergunta chocada, arregalando os olhos e colocando a mão na boca.

― O que? ― Franze o cenho. ― Não! ― Exclama, chocada com a conclusão da ruiva e achando-a absurda. De onde ela tinha tirado aquela ideia? ― Olha, Emma e eu, juntas... ― Evidencia o adjetivo para afastar qualquer ideia da cabeça da mulher. ― Precisamos trazer alguém para ficar conosco no quarto por uns dias, mas ninguém pode ver essa pessoa e muito menos saber que ela está aqui. Posso contar com a sua ajuda?

― Posso saber quem...

― Eu também preciso que você não faça perguntas, porque no momento eu não posso respondê-las. ― Avisa hesitante, interrompendo-a.

Então Kelly fica pensativa mais uma vez, novamente ponderando se deve ou não aceitar ajudar. Razão e emoção brigam pela decisão.

Sabendo o que se passava na cabeça da irmã, Regina resolve apelar para a expressão triste.

Mais uma vez, sua mente a relembra da outra noite em que Regina lhe disse que confiaria nela e decide manter sua primeira decisão.

― Tudo bem! Acho que eu posso ajudar vocês quando a lanchonete estiver fechada.

Horas mais tarde, quando Ruby e Kelly fecham as portas do Granny’s, West aproveita que a morena de mechas ruivas foi ajudar a avó na contabilidade da lanchonete e manda uma mensagem para Regina avisando que podiam ir a qualquer momento.

Minutos depois, um Cadillac Brougham 1990 na cor preta e cinza estaciona em frente à lanchonete. A ruiva logo corre para abrir a porta. Emma Swan e Regina Mills descem do veículo e logo depois uma pessoa, com o rosto coberto, também desce.

Kelly fica tentada a perguntar quem é, sua curiosidade, que tinha se contentado com o pedido de Regina, volta a atacar, mas se esforça e se contém.

Emma e Regina seguem com a Rainha pela lanchonete vazia e escura e logo chegam na parte de trás, sobem as escadas e acomodam a mulher no quarto de Regina. No caminho, tinham decidido que Henry ficaria sob os cuidados da loira e a Rainha sob os de Regina.

Mills desce para agradecer mais uma vez a ajuda de West e logo volta para o quarto.

― Tem certeza de que ela não é perigosa? ― Henry pergunta num sussurro para que a mulher não escute. Ela estava acomodada em um sofá e os três estavam acomodados no outro, observando-a se entreter com um livro que Killian tinha lhe arranjado mais cedo.

― Além de ela estar muito machucada, está com a pulseira que tira a magia e estamos sem magia por aqui. Ou seja, não oferece perigo. ― Emma garante para o filho e para Regina também.

― Você confia nela? ― Regina pergunta para a loira.

― Sei que ela não faria nada contra nós. ― Swan fala com firmeza, olhando atentamente para a Rainha.

― Espero que saibam que eu posso ouvir os três daqui. ― A mulher fala, fechando o livro e direcionando a atenção para eles. ― Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo agora? ― Pergunta um pouco impaciente e eles se entreolham.

― Eu conto tudo! ― Henry se oferece e nenhuma das duas se opõe. Emma rapidamente coloca uma cadeira perto do sofá em que a Rainha está e ajuda o filho a chegar até ela.

― Se você quiser, pode ajudar também, Emma... ― A Rainha sugere em um tom doce, batendo no assento ao seu lado, chamando-a para perto.

Desconfortável, Regina desvia o olhar e respira fundo. Não estava gostando da interação de Emma e a mulher. Desde quando cuidou dela no navio, percebeu que ela olhava diferente para Swan. Para muitos, poderia não ser nada demais, mas ela conhecia aquele olhar. Não era muito diferente do seu quando estava apaixonada por Daniel e de quando se apaixonou por Emma. Regina estava ficando com ciúmes, mas não queria admitir. Contudo, além do ciúme, Mills estava começando a se sentir insegura com a presença da Rainha. Afinal, não sabia o que elas tinham vivido na época em que Emma viveu como Princesa no Reino do Desejo.

― Enquanto isso eu vou preparar as camas. ― A morena avisa, levantando-se abruptamente e seguindo para o quarto.

Sem pensar duas vezes, Emma entra no cômodo também.

― Ei... ― A loira murmura, abraçando-a por trás e beijando seu ombro delicadamente. Inevitavelmente, Regina deixa uma lágrima cair.

― Por que trouxe ela, Emma? ― Pergunta baixinho, sem se virar. A verdade é que já imaginava qual seria a resposta. O mesmo motivo que a fez trazer a Rainha Má, foi o mesmo motivo que a fez trazer Marian do passado. Goste ou não, ela entendia que Emma só tinha boas intenções.

― Eu não queria e nem podia deixá-la toda machucada nas mãos de Rumpelstiltskin... ― Responde no mesmo tom, encostando a sua cabeça no ombro da mulher.

― Como ela se apaixonou por você? ― A pergunta pega Emma de surpresa. Embora tenha visto os sinais do que Killian tinha lhe dito, ainda não queria acreditar que era verdade. Até agora.

― Eu não sei... ― Responde sinceramente. ― Quando ela era prisioneira dos meus pais, eu descia todos os dias escondido para conversar com ela e levar comida e água. Mas era só isso que acontecia. Deve ter sido em algum momento das nossas conversas diárias.

As duas ficam em silêncio e Emma volta a beijar delicadamente o ombro da mulher.

― E quanto a você? O que sente por ela? ― Mills volta a perguntar, quebrando o silêncio. Surpresa com a pergunta e entendendo o que estava se passando pela cabeça da esposa, Emma a vira delicadamente. Quando as duas ficam de frente, Regina desvia os castanhos dos verdes.

― Ei, olhe para mim. ― Emma pede num sussurro, mas Regina permanece olhando para baixo. Para os seus corpos tão unidos. ― Regina... ― Murmura baixinho e ela finalmente lhe olha. Então, Emma pega uma de suas mãos, a esquerda, e leva ao seu peito. ― É todo seu... ― É o que diz sinceramente, olhando fundo nos castanhos marejados, que não aguentam e liberam as lágrimas.

― Eu sei, mas...

― Pode aparecer mil versões suas, mas ainda assim, será só seu... ― Garante, levando a mão da mulher aos lábios e beijando carinhosamente. ― Aqui só tem espaço para uma Rainha e não é a que está lá fora. ― Acrescenta docemente, enxugando as suas lágrimas e beija seus lábios ternamente.

Regina se entrega ao momento, levada pela emoção das palavras da loira e logo o beijo terno e delicado se torna intenso e excitante, relembrando os beijos da época que estavam sob maldição.

― Emma... ― Regina murmura quando a loira desce com seus lábios por seu pescoço. ― Não estamos sozinhas... ― Fala com dificuldade. Emma conhecia bem seus pontos sensíveis no pescoço e estava exatamente neles.

― Não vamos transar. ― Ela sussurra entre os beijos. ― Eu só quero matar a saudade e poder te dar mais que selinhos e beijos rápidos... Além do mais, eles não aparecerão por aqui. ― E volta a lhe beijar intensamente, movendo seus lábios com voracidade de um lado para o outro e explorando a boca da mulher com sua língua.

De repente, batidas na porta e a mesma se abrindo, interrompe o momento e elas se afastam com pressa. Na porta, estava a Rainha com uma expressão sem graça, que disfarçava sua tristeza por ter visto sua Princesa beijando sua outra versão.

― O garoto está sentindo dor. ― Avisa, apontando para trás.

― Eu vou ver o Henry. ― Regina diz, soltando-se de Emma rapidamente e saindo do quarto com pressa.

― E eu estou com fome. ― A Rainha dá um sorriso amarelo.

― Eu vou preparar algo para nós. ― Emma anuncia, encaminhando-se para a saída do cômodo também. A Rainha logo lhe segue.

•§•

― Então quer dizer que o garoto já saiu do hospital... ― Fiona murmura pensativa, com o olhar perdido na porta de entrada do escritório. ― Parece que você não trabalhou o suficiente para mantê-los ocupados e não me atrapalhar em nada... ― Ela lança um olhar mortal acompanhado de um sorriso cínico para o homem e ele engole em seco.

― Há mais uma coisa que a Sra. precisa saber... ― Ele diz hesitante.

― O que? ― Fiona pergunta com raiva, batendo na mesa e o assustando.

― Há um novo habitante com o homem mais velho que usa bengala e a jovem que o acompanha.

― Como é esse novo habitante? ― Pergunta, estranhamente calma.

― É uma mulher. Ela se veste como uma Indígena e tem um arco e flecha.

Sabendo exatamente quem é a pessoa, Fiona se levanta abruptamente e caminha com passos apressados até um cofre escondido atrás de um quadro. De dentro, ela retira um livro, o livro de Tiger Lily, e abre em uma página já marcada com uma fita preta.

“Para que o feitiço funcione corretamente, é necessário que seja lançado quando a lua estiver em sua fase cheia e no centro do céu e que a criança tenha 1095 dias de nascida”

― Droga! ― Fecha o livro com força e o coloca de volta no cofre.

― Quer que eu faça alguma coisa? ― Gregory indaga e a mulher aponta para a saída, um pedido mudo para que vá embora. ― Com licença! ― E então sai da sala.

Quando Fiona fica sozinha, a raiva toma conta de seu ser e tudo que há em cima de sua mesa vai ao chão acompanhado de gritos de fúria. Ela precisava agir e precisava com urgência.

Tendo uma ideia um tanto quanto desesperada, a mulher abre a gaveta de sua mesa e retira algo que pensou que jamais iria usar quando Gregory lhe deu.

Uma arma humana não mataria uma fada, nem mesmo faria um arranhão. Para matar uma fada é preciso muito mais que uma arma de fogo. Mas além de não ter magia em Storybrooke, Tiger Lily não era mais uma fada. Agora, ela era apenas uma humana, e como tal, Tiger Lily não poderia se defender como fada, apenas como uma humana.

Com isso em mente, Fiona sai transtornada da Prefeitura e segue direto para onde ela sabia que a mulher estava. Na loja de Antiguidades de seu filho.

― Se você quer que algo saia bem feito, faça você mesmo. ― Fiona diz para si, escondendo-se atrás de um carro estacionado do outro lado da rua e olhando atentamente para a porta da loja, esperando que seu alvo apareça para poder acertá-lo.

Notas finais
se fiona conseguir matar tiger lily, as coisas dificultam para todos e eles voltam a estaca zero para descobrir como acabar com essa mulher antes que ela conclua seus planos. esperamos que tenham curtido mais um capítulo de recomeçar, tenham curtido o pequeno momento swanqueen que rolou e até o próximo :)