Recomeçar
19 Capítulo 19
Notas iniciais
— Mesmo depois de termos nossas memórias de volta, você nunca tirou a aliança. — Emma observa, quebrando o silêncio, girando o pedaço de metal no dedo da morena, que estava confortavelmente com a cabeça deitada em seu ombro, recebendo carinhos em seu cabelo. Estavam um pouco deitadas, um pouco sentadas no sofá, com Regina no meio de suas pernas, abraçando-a.
Regina afasta um pouco a cabeça e encara Swan, que passa a lhe olhar também. Ela abre um sorriso e leva sua mão ao seu rosto macio e alvo, acariciando-o, passando a ponta do dedo por todas as partes, fazendo a loira fechar os olhos e suspirar. Como ela sentira falta daquilo, daqueles momentos de carinho entre elas, muitos deles, na cama, antecedendo uma linda noite de amor e declarações, muitas, feitas apenas com os olhares.
— Eu não queria me render a você, apenas por medo dos seus pais, a rejeição e o julgamento deles, ou por medo de você perceber que era com o Gancho que queria ficar... — A morena se remexeu no assento, procurando uma posição mais confortável para olhar para Emma enquanto falava. — Eu estava com medo do Henry. Nós não conversamos com ele sobre nós. Ele simplesmente acordou, voltamos para cá e pronto. Não sabemos o que ele pensa de nós, juntas como um casal.
— Eu tenho certeza de que o Henry vai nos aceitar, Regina. É o que ele sempre quis, ver as duas mães juntas. — Olha no fundo dos castanhos e abre um sorriso.
— Mas não dessa forma...
— Você se lembra que quando ele acordou, perguntou como nós ficaríamos? — A morena assente. — Pela empolgação dele e pela pergunta, acho que isso responde a dúvida sobre o que ele acha.
— Eu não sei... Nós precisamos conversar com ele. — A loira balança a cabeça concordando e tenta beijar a morena, porém, ela vira o rosto e Emma acaba por beijar sua bochecha.
— O que foi? — Não é preciso Regina responder para Emma entender qual o problema. — Regina... — Murmura e suspira pesadamente.
— Eu não vou citar a frase, mas, não é fácil, Emma, acreditar que, depois de tantas quedas, perdas e derrotas, dessa vez vai ser diferente. Eu acreditei que daria certo com Robin, mas olha o que aconteceu. — Sorri sem humor. — Eu não sei se aguentaria, depois de, mais uma vez, ter esperança de que tudo finalmente daria certo dessa vez, ser decepcionada novamente. Alguma coisa sempre acaba acontecendo... Talvez, esse seja o maior motivo do meu receio em tentar de novo. Eu já fui tão massacrada... — Algumas lágrimas caem por seu rosto e Emma não hesita em limpá-las carinhosamente. — Eu tenho medo de me permitir amar novamente, de me entregar mais uma vez, de tentar ser feliz e... — Sua fala é interrompida pela boca de Emma colidindo com a sua em um beijo apaixonado, repleto de sentimentos e carinhos, como uma resposta a tudo que foi dito, e ela não hesita em retribuir na mesma intensidade.
Após se separarem, segundos depois, Emma segura o rosto da morena com as duas mãos e olha fundo em seus olhos.
— Eu estou aqui com você, Regina, e sempre vou estar. — Sussurra, beijando seus lábios mais uma vez e encostando a testa na dela. — Eu não vou desistir de você. Não vou desistir de nós. Eu não vou deixar você ser derrubada mais uma vez. Eu fiz uma promessa sobre o seu final feliz e eu vou cumprir. — Emma sorri e ela retribui, segurando em suas mãos e apertando-as. — Sim, vilões não têm final feliz, mas você não é mais uma vilã... — Ao ver mais algumas lágrimas escorrerem pelo rosto da outra, Swan beija-as delicadamente, secando-as, até parar em sua boca e iniciar mais um beijo. — Você vai ser feliz. — Diz em tom de promessa. Afastam-se um pouco e Regina volta a deitar a cabeça no ombro de Emma, que voltar a mexer em seus fios negros.
— Mãe? — Henry abre a porta e entra no quarto, procurando pela morena, mas encontrando as duas mães quase deitadas no sofá, abraçadas. Por costume, Regina se afasta rapidamente da loira e se senta um pouco mais longe, limpando a boca. Constrangido, Henry enfia as mãos no bolso e desvia o olhar, sem saber o que fazer.
— Oi, garoto! Aconteceu alguma coisa? Você nem jantou conosco. Só mandou uma mensagem avisando que não viria. — Swan se levanta, indo até garoto. Seu coração batendo acelerado por causa terem sido flagradas aos beijos com Regina. Não que Henry já não tenha visto. Ele já viu bastante. Mas os tempos eram outros. — Onde esteve? — Pergunta, bastante curiosa. Regina se mantinha quieta em seu canto, acalmando o seu coração.
— Eu acho que interrompi algo... — Diz sem graça, ignorando as perguntas da mãe, passando a mão pelos cabelos. — Eu volto depois.
— Na verdade, nós queríamos mesmo, falar com você. — Regina se pronuncia, com coragem, impedindo-o de sair do quarto. — Senta aqui. — Bate no assento ao seu lado e o menino não hesita em atender o pedido. — Emma? — A loira fecha a porta e se senta ao lado do filho. — Precisamos conversar com você, sobre nós, eu e sua mãe.
— Será que poderíamos falar sobre isso em outro momento? — Pede, ainda envergonhado por ter presenciado as mães em um momento de carinho. Ele já havia visto muitas vezes, mas agora com suas memórias de volta, era bem diferente. Não que não gostasse, só se sentia envergonhado. Não estava mais acostumado como antes. — Eu queria contar para vocês, algumas coisas que eu descobri com a Zelena.
— Você conversou com ela? — Regina pergunta preocupada, já se esquecendo do assunto anterior, e o menino assente. — Henry! Você não se lembra do aviso que Gold nos deu assim que chegamos?
— Eu não falei nada demais, mãe. — Revira os olhos e Regina semicerra os seus. — 80% da nossa conversa, só ela quem falou. Os 20% só foi eu fazendo perguntas.
— E o que foi que você descobriu? — Emma pergunta, entrando na conversa.
— Primeiro eu descobri um pouco da história dela. — Encosta-se no sofá e então consegue olhar para as duas mulheres, que se viraram mais, para poder observá-lo. — Ela foi abandonada pela mãe e anos mais tarde, soube que tem uma irmã. Foi procurando pelas duas, que ela conheceu Robin e se casou com ele.
— Robin? — Regina pergunta surpresa, franzindo o cenho.
— Sim, mas ele morreu. — Apressa-se em dizer. — Os dois tiveram uma filha antes disso, a Robin. Seu nome de maldição é Margot. — Continua contando. — Elas moram afastadas daqui e desde a morte do Robin, Ruby tem a ajudado, cuidando da Margot com ela, além de ter lhe ajudado a conseguir o emprego aqui na lanchonete.
— Você acha que Ruby e Zelena poderiam...? — Emma arqueia a sobrancelha. Sua pergunta foi direcionada à Regina, mas é Henry quem responde:
— Eu também pensei isso e até falei sobre, mas ela deixou claro que as duas são muito amigas e ela a ver como a irmã que ela tanto procura. Ela se sente só. — E então olha para Regina, que está com o olhar perdido no chão. Quando finalmente ela tinha se acertado com Zelena, a maldição as separou e ainda a deu lembranças cruéis, como se já não bastassem as reais. — Ela sabe que você existe e quer te encontrar, mãe. Você deveria se aproximar dela. Talvez, tentar uma amizade. — Incentiva. Aperta a mão da morena e recebe um sorriso emocionado como resposta.
— Parece que a maldição mexeu com as relações de todos por aqui. — Emma comenta, pensativa.
Batidas na porta interrompem a conversa e Emma se levanta para ir ver quem é. Quando abre a porta, dá de cara com Gold, bem apoiado em sua bengala de ouro, ao lado de Belle.
— Podemos...? — O homem pergunta e aponta para dentro. Emma concede a entrada e se afasta para que o casal entre. Após a passagem dos dois, ela fecha a porta e volta para junto de Regina e Henry, ainda sentados no sofá. Porém, fica em pé. — É ótimo que estejam todos juntos. Não temos muito tempo para ficar repetindo cada novidade para um e outro. — Murmura rabugento e Belle toca em seu braço, cobrando com o olhar, uma explicação para o seu jeito rude.
— Então... — Emma pigarreia, chamando a atenção dos dois, sem se importar com a grosseria de graça.
— Precisamos encontrar Tiger Lily. — Gold começa, direto. — Ela conhece a Fada Negra melhor do que qualquer livro que conte a sua história ou qualquer pessoa em todos os Reinos. — Faz uma breve pausa. — Ainda não tenho total certeza, mas acho que ela está planejando voltar no passado.
― E por que você acha isso? ― Regina pergunta desconfiada. Belle fica nervosa com a pergunta, mas o homem não se abala.
― Eu a vigiei por algum tempo e a vi com Gideon. Ele estava com a espada do Príncipe em mãos. Isso me fez lembrar de Zelena. ― Fala tranquilamente, como se já esperasse por aquela pergunta e tivesse a resposta pronta.
Regina assente, aparentando acreditar, e Belle respira aliviada. Gold não demonstra, mas também fica aliviado por a morena ter aceitado sua explicação.
— Nossa melhor chance para encontrar essa mulher é com a ajuda da Fada Azul ou do Gancho, mas a Fada Azul está sob comando da Fada Negra e o Gancho não se lembra de nada. — Belle continua, voltando ao assunto anterior e atraindo a atenção para ela.
— Na verdade, eu me encontrei com Killian, ele não foi afetado pela maldição. Ele pode nos ajudar.
— E por que ele nos ajudaria? Pelo que vejo, ele não está mais com você. Não tem mais motivos para fingir ser alguém bom. Não perdeu a memória, tem o navio de volta... — Diz ácido e se lembra de quando Killian se separou do grupo na Floresta Encantada porque não tinha mais motivos para estar ali, já que Emma não estava presente. Mais uma vez Belle lhe cobra uma explicação por estar falando daquele jeito, mas seu olhar deixa claro que não há motivos, ele está apenas sendo ele mesmo e dizendo as verdades que ele acredita. — A menos que ainda queira vingança contra mim, ele não tem mais nada para fazer aqui. — Acrescenta, voltando-se para os três novamente.
— Ele vai nos ajudar. — Emma rebate com firmeza. — Nós continuamos amigos, mesmo eu não estando mais com ele. — Explica, cruzando os braços. — E Killian não é mais ruim.
— Se você diz... — Gold dá de ombros. — Bem, procure-o mais rápido possível. Precisamos encontrar Tiger Lily rápido.
— Mais alguma coisa? — Regina finalmente se pronuncia, levantando-se e indo até a porta. Henry também se levanta e se aproxima da mãe loira.
— Assim que tiverem novidades, entrem em contanto. — Ele diz, já se dirigindo até a porta, que já estava aberta, apenas esperando a sua passagem.
— Sinto muito! — Belle pede baixinho, ainda em seu lugar, e Emma sorri, mostrando que estava tudo bem.
— Não se preocupe, já estamos acostumadas com esse jeito dele. — Swan responde no mesmo tom que ela, dando de ombros.
— Belle? — Gold a chama, já fora do quarto.
Belle se despede dos três e também sai do quarto, acompanhando Gold. Regina permanece no lugar, com o olhar perdido no chão. O que Henry tinha falado sobre sua irmã, estava martelando em sua cabeça.
— Eu vou descer um pouco. — Regina avisa, parada em frente à porta ainda aberta. — Alguém quer alguma coisa? — Emma abraça Henry pelo ombro e os dois negam. — Você não quer que eu traga um lanche, Henry? Você não jantou...
— Depois eu como algo, mãe. — Fala todo despreocupado. — Não se preocupe.
Ela pensa por alguns segundos e então assente.
— Certo! Eu volto logo. — E então sai do quarto, fechando a porta um pouco apressada.
Os dois se olham e sorriem, balançando a cabeça, tendo a certeza de que ela iria atrás de Zelena, como Henry sugeriu.
— Então, garoto... O que mais você descobriu enquanto conversava com Zelena e o que esteve fazendo e por onde andou, que não veio jantar conosco? — Emma perguntou, sentando-se no sofá e o puxando para o seu lado.
•§•
Sentada no balcão, observando o movimento de entra e sai da lanchonete, Regina não percebe quando Kelly se aproxima.
— Dia difícil? — A ruiva puxa conversa, simpática. Mills se vira rapidamente, surpresa com a aproximação, e encara a mulher, que esperava uma resposta. Kelly arqueia a sobrancelha, curiosa com o seu olhar e Regina se dá conta que passou tempo demais lhe encarando.
— Bastante... — Responde finalmente, suspirando pesadamente, passando as mãos no rosto e assanhando o cabelo.
— O que você vai querer? Um café?
— Tem algo mais forte? — Faz uma careta.
— Só um instante. — Pede, levantando o dedo indicador. Deixa o caderninho e a caneta em cima do balcão e some por alguns instantes, voltando minutos depois, com duas taças na mão e uma garrafa de uma bebida que Regina conhecia muito bem. — Não é tão forte como você provavelmente queria, mas é mais forte que café. — Coloca as taças em cima do balcão, retira um abridor do avental, e após retirar o alumínio que cobria a rolha, ela a abre.
— Isso é...
— Sidra. — Diz, sem deixar que ela termine a pergunta, enchendo um copo para a morena e outro para ela mesma. — Sinto muito não ter trago uma tequila, vodca ou vinho. Os bêbados dessa cidade acabaram com tudo. — Fala em tom de lamento. — Precisamos fazer compras.
— Você quem fez? — Toma um gole e fecha os olhos, saboreando o líquido, reconhecendo que ainda era das suas. Aparentemente, para estarem tão boas depois de tanto tempo, ainda estavam bem guardadas como costumava deixar.
— Gostaria de saber fazer, mas não. — Toma um longo gole. — Em uma de minhas visitas ao gabinete da prefeita, eu aproveitei que ela tinha saído e peguei algumas garrafas. — Fala tranquilamente, como se não tivesse acabado de dizer que pegou sem permissão.
— Então você roubou?
— Falando assim, faz parecer que realmente foi algo ruim.
— E você não acha que foi? — Arqueia a sobrancelha. Estava se segurando para não rir.
— Pode ter sido, mas parece que você gostou, não foi? — Pisca um olho e Regina sorri.
— Eu precisava disso, obrigada Ze... — Interrompe-se rapidamente, balançando a cabeça negativamente, percebendo a besteira que iria fazer. — Kelly. — Regina toma mais um gole, terminando a sua bebida, e enquanto olha para a taça, sente ser observada pela ruiva. Curiosa, levanta seu olhar e a outra continua lhe observando, bem séria.
— Algum problema? — Regina pergunta, um pouco nervosa, pensando na possibilidade de a mulher ter entendido o nome que diria antes e isso possa ter feito ela se lembrar de alguma coisa. Kelly balança a cabeça, como se tivesse acordado de um transe e sorri.
— Não! Nada! — Sorri mais uma vez e a morena retribui. Ela está um pouco desconcertada por ter sido pega no flagra, mas não conseguia evitar de tentar entender o que lhe era familiar naquela estranha. Enche as taças mais uma vez e logo toma um gole da sua. — Seu filho esteve aqui mais cedo. — Muda de assunto. — Apesar de ser bastante curioso, eu gostei dele.
— Ele é mesmo. — Regina concorda, tomando mais um gole da sua bebida. — Ele me contou que ficou conversando com você.
— Sim, nós conversamos um pouco. Espero que não fique chateada por ele ter conversado com uma estranha. Nós falamos mais da minha vida, do que qualquer outra coisa. — Apressa-se em explicar, preocupada se o menino seria castigado.
— Não se preocupe. Agora você já não é mais uma estranha. — Levanta a taça e pisca um olho. West sorri em resposta. — E algo me diz que eu posso confiar em você. — Regina leva a taça a boca, mais uma vez, e toma todo o líquido de uma vez. — Pode colocar na conta do quarto, por favor? — Desliza a taça vazia por cima do balcão.
— Claro!
— Obrigada e obrigada por me acompanhar.
— Não vou me importar de te acompanhar outra vez. — Comenta, bem-humorada e Mills sorri. Ela despede-se da atendente e se levanta, seguindo para a saída da lanchonete.
Ainda precisava pensar sobre Emma e ela, os novos passos que deram, e agora, também precisava pensar sobre sua irmã.
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