Notas iniciais
Oiii, estamos trazendo mais um capítulo para vocês. Queremos agradecer por todos os favoritos e comentários que temos recebido não só no capítulo passado, mas em toda a fanfic até agora. Muito obrigada mesmo, não só por eles, mas por todo o carinho que vocês têm pela história. Mais uma vez, desculpem-nos pela demora. Sei que sempre dizemos que vamos tentar postar rápido, e realmente é verdade, mas quando eu termino o capítulo tenho que mandar para Sidney revisar, e depois ela me manda de novo para ver como ficou. Então tem todo um processo até ele ser postado, é isso requer tempo livre, o que sempre está em falta. Mas, aqui estamos. Espero que gostem. Boa leitura! **featherIshope

— Killian, para onde está indo? — David puxa o braço do homem, para fazê-lo parar.

— Na verdade, eu vou partir sozinho. Não me levem a mal, mas sem Emma eu não tenho mais motivos para estar aqui. — O Príncipe o encara em silêncio por alguns segundos até balançar a cabeça de forma afirmativa e soltar o seu braço. Não estava muito satisfeito com o que ouvira.

— Tudo bem... Qualquer coisa, você sabe onde nos encontrar.

•§•

— Olá, Capitão. — Uma voz bastante conhecida para os ouvidos de Killian, soou atrás de si, fazendo-o se virar rapidamente, dando de cara com um Piccanniny.* — Sentiu a nossa falta? — E então olhou para os lados, vendo mais de seu povo se tornar visíveis.

— O que raios vocês estão fazendo aqui? Como...?

— Ficamos sabendo dos últimos acontecimentos e decidimos vir atrás de você para acertamos as contas... — Responde-o com um sorriso sarcástico, interrompendo-o. — Já que quem deve não vai até nós... — Deu alguns passos para frente, junto com os outros peles-vermelhas, fazendo Jones dá alguns para trás. — Não adianta fugir... — Fez um gesto negativo com o dedo indicador.

•§•

— Parece que alguém caiu na própria armadilha... — O pele-vermelha gargalhou junto com os outros. — Tirem-no da rede, amarrem as mãos, e vendem os olhos... — Ordenou. — Não podemos confiar em um pirata...

— Soltem-me. — Gritou desesperado, tentando se soltar das diversas mãos que o segurava. — Eu não tenho mais assunto com vocês.

— Ah, você tem... — Pegou uma flecha e passou a ponta pelo peito coberto pela roupa de couro, dele. — E muitos... — E então, um dos Indígenas vendou os seus olhos, deixando-o no escuro, sentindo apenas as pontas das lanças, em suas costas.

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Terra do Nunca do Reino do Desejo, dois anos atrás...

Ao abrir os olhos em mais uma manhã, a terceira desde que fora capturado, em sua prisão, uma casa na árvore feita de folhas de bananeira e cipós, com uma abertura no teto, propícia para ver as estrelas e a lua à noite, um programa bem romântico, diga-se passagem, que ele adoraria fazer com Emma, Killian se remexe incomodado com sua posição. Já não sentia mais sua bunda de tão dormente que estava, por ter passado tanto tempo sentado, e seus pulsos, que já estavam roxos, e pés, doíam, por estarem bem presos, causando a falta de circulação de sangue.

Como nas duas manhãs anteriores, procura minuciosamente em cada parte daquela cabana, algo que pudesse ser afiado o suficiente, para que rastejasse até o mesmo, em um momento que sabia que ninguém iria aparecer, pois sabia bem dos horários dos Indígenas, para cortar suas cordas e poder fugir dali.

Mas, diferente das outras duas manhãs anteriores, que ele olhara tudo com muito cuidado e não encontrara nada, dessa vez havia um prato, aparentemente esquecido, em cima de uma mesa do outro lado da cabana, que ele se recorda muito bem de ter sido o prato que lhe foi servido uma espécie de sopa na noite passada, que ele preferiu não beber para evitar vantagens dos Indígenas em cima de si.

Ele não sabia se aquele prato tinha sido deixado ali de propósito, como se fosse uma armadilha, mas não poderia perder essa oportunidade com esse possível deslize deles.

Olhando para o teto e observando a posição do sol no céu, sabia que ninguém chegaria na cabana naquele momento. Então, balançou suas mãos algumas vezes, mesmo sentindo uma imensa dor, e quando sentiu que seu sangue começava a se espalhar novamente, jogou-se no chão e, rolando, chegou até o outro lado da cabana, onde o seu passaporte para sair dali, esperava-lhe.

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Com mãos e pernas livres, Killian Jones não perdeu tempo para sair daquela prisão. Havia perdido tempo demais, tentando se soltar, e agora, precisava sair o mais rápido possível dali, pois, em breve alguns Indígenas iriam até a cabana, para checar se estava tudo bem, e mesmo que não desse de cara com eles, precisava ganhar tempo e distância suficientes, para poder conseguir fugir.

Quando chegou finalmente ao chão, escutou passos ao sul, aproximando-se rapidamente. Então, escondeu-se por detrás de uma árvore de tronco grosso, e observou quando apenas um pele-vermelha, apareceu ali, olhando para a árvore em que estava antes.

Silenciosamente, abaixou-se até pegar uma pedra pequena, porém pesada, e mostrou-se para o Piccanniny, aparentemente sozinho.

― Sem fazer alarde, você vai me levar até a sombra de Pan, que eu sei que está aqui, pois ouvi quando conversavam com o líder de vocês, noite passada, ou eu não vou medir esforços para abrir a sua cabeça com essa pedra. ― Jones levantou sua arma e balançou-a, chamando a atenção do pele-vermelha. ― E devolva meu cantil e minha espada.

•§•

― Se quiser avisar que eu fugi, você já pode fazer isso agora. ― O pirata diz debochado, enquanto segurava a caixa que mantinha a sombra de seu antigo inimigo, presa, e seguia para um dos olhos da caverna em formato de caveira.

Sem pensar duas vezes, o Piccanniny começou a fazer um barulho ensurdecedor com a sua boca, na direção em que viera com o prisioneiro, e Killian sabia, era o aviso da sua fuga, aos outros pele-vermelha.

― Agora, leve-me para a Floresta Encantada do Reino do Desejo. Mais necessariamente, para o porto. ― Ordenou à sombra, agarrando-se em seu pé, e logo sendo levado.

•§•

Floresta Encantada do Reino do Desejo, alguns dias depois...

Ao chegar no seu destino, foi deixado sem delicadezas no chão coberto de areia e pequenas pedras. Gritou algumas palavras feias com a sombra, prendeu-a novamente, prevendo que precisaria de sua ajuda novamente, e recompôs-se, limpando sua roupa.

Avistou alguns navios ancorados, e seguiu rapidamente em direção a eles. Estava morrendo de fome e sede, e precisava urgente de um banho.

Agora que tinha a sombra consigo, seu passaporte para ir e vir para qualquer lugar que quisesse, contanto que soubesse controlá-la, e prendê-la depois que usar, poderia voltar para Emma, onde quer que ela estivesse.

Ele apostava em Nova Iorque, como da outra vez, e esperava que estivesse certo.

•§•

Ao se aproximar dos navios ancorados, sua surpresa é grande quando encontra o seu Jolly Roger ali. Ou uma réplica muito bem-feita, dele. O original, encontrava-se em Storybrooke.

― O que dia...

Sua fala é interrompida por um braço fedendo a rum enroscando o seu pescoço, e do seu lado esquerdo, uma espada sendo apontada para si.

― Quem é você e por que se parece tanto comigo? ― Escuta uma voz, exatamente como a sua, porém em tom bêbado e um sotaque mais carregado, questionar.

Com apenas um impulso forte para trás, Killian derruba o seu inimigo e se vira rapidamente, dando de cara com uma versão mais velha e bem malcuidada de si, caída ao chão.

Mas, não se surpreendeu com a figura em sua frente, pois lembrou da história que Emma lhe contou sobre uma versão mais velha de si, quando veio ao mundo dos desejos.

― Aquele navio é o seu? ― O Killian mais jovem pergunta e aponta para a réplica do seu Jolly Roger.

― Você não respondeu à minha pergunta. ― O mais velho resmunga irritado, tentando se levantar, mas precisando segurar-se na mão estendida da sua versão mais nova, que lhe oferecia ajuda.

― Eu sou você de outra realidade. ― Responde-lhe, revirando os olhos e respirando fundo, tentando manter a paciência. ― Será que você poderia me responder se aquele navio é seu?

― Uma realidade muito melhor que a minha, deve-se ressaltar... ― Comenta em tom pensativo, analisando-o de cima a baixo. ― Ok, qual o interesse em saber se aquele é o meu navio? ― Aponta com a espada, para a embarcação.

― Apenas responda-me. O resto não é da sua conta. Não me faça perder a paciência. ― Diz entredentes.

― Se você não me responder, também ficará sem respostas. ― Cruza os braços, mostrando uma calma que poderia ser facilmente invejada.

Killian Jones respira fundo, repetindo “paciência” em sua mente e, acomodando-se em um pedaço de madeira, daqueles usados para prender os navios, decide responder ao seu outro eu.

― Eu preciso encontrar uma pessoa.

― Só isso? ― Killian arqueia a sobrancelha diante a sua ousadia e ele abre um sorrisinho. ― OK! ― Pigarreia. ― Sim, aquele é o meu navio. ― Aponta para a réplica do Jolly Roger.

― Ótimo! ― Levanta-se em um pulo. ― Eu vou precisar dela. É mais confortável para viajar até a Emma.

― Emma... ― O outro sussurra. Sua expressão pensativa, enquanto olhava para o céu, e parecia se lembrar de algo, ou apenas raciocinar. ― Você quer o MEU navio, para ir encontrar uma mulher? ― O outro assente. ― Sinto muito, mas não. ― E então virou as costas, começando a andar como se nada tivesse acontecido. ― Assunto encerrado. ― Disse em tom mais alto.

― O que? ― Franze o cenho. ― Escuta aqui, seu...

― É isso que você quer? ― Revela um papel, e o balança no ar, fazendo o outro parar de andar.

― O que é isso? ― Puxa a espada e aponta para ele, aproximando-se devagar.

― Um pequeno recadinho que deixaram para Killian Jones, sobre essa tal de... ― Sorri malicioso. ― Emma... ― Sussurra o nome, atraindo ainda mais a atenção do outro.

Num piscar de olhos, Killian está com o pé na barriga do seu outro eu, que está deitado no chão, empurrando a ponta da espada em seu pescoço.

― Conte-me tudo que você sabe sobre esse bilhete. ― Empurra ainda mais a lâmina de sua espada, no pescoço do outro.

― Ok, eu conto. ― Levanta as mãos no ar, rendendo-se. ― Tudo que eu sei é que alguns Reinos estavam sumindo e que logo aqui também sumiria. ― Diz com dificuldade por causa da lâmina no pescoço. ― Encontrei o Rei David e a Rainha Branca reunidos com um pessoal no castelo da Rainha Regina, e eles planejavam ir para outro lugar. Tentei ir com eles, mas cheguei tarde demais. Depois que eles foram embora, as notícias de que os Reinos estavam voltando ao normal, espalharam-se. Aproveitando-me que os castelos estavam vazios, saqueei alguns em busca de um bom ouro, pois, não poderia perder a oportunidade. ― Deu um sorrisinho e sentiu a lâmina afiada apertar ainda mais, indicando que quem estava do outro lado não estava para brincadeira. ― E quando cheguei no castelo do Senhor das Trevas, encontrei isso. ― Levantou o bilhete. ― Estavam pedindo ajuda para Killian Jones encontrar Emma Swan e... ― Fez uma pausa, buscando ar. Ao perceber a dificuldade, Killian afrouxa o peso do seu pé na barriga do outro. ― Eu iria me passar por você e iria atrás dessa tal de Emma Swan, quem tive o prazer de conhecer tempos atrás, e ter a vida que eu sempre quis ter e não tive oportunidade, mas você, aparentemente teve... ― Termina de contar em tom de lamento. Jones puxa o papel de sua mão e o lê rapidamente. ― Tem mais uma coisinha. ― Revela, assim que percebe que ele terminara de ler o recado, atraindo sua atenção para si. ― Quando eu cheguei aqui no porto, logo que a Rainha Branca e o Rei David foram embora, um pássaro chegou até mim com esse vidrinho, que apesar de não saber do que se trata, eu o guardei. ― Revela um pequeno vidro com um líquido azul dentro.

― É uma poção de memória. ― Killian explica, pegando o vidrinho e o levantando no ar, observando o mesmo. ― Quando você toma isso aqui, lembra-se de tudo que já esqueceu um dia. ― Balança o frasco e o guarda. ― Preciso encontrar Emma em Nova Iorque, e fazê-la beber isso novamente. ― Diz, mais para si que para o outro, que ficou bem interessado ao ouvir o nome de Emma.

― Se você quiser uma ajudinha, eu estou disponível. ― Oferece-se, dando um sorriso, que o outro não soube identificar.

― Desculpe, mas não tem lugar para dois Killian Jones no mundo onde eu vivo. ― Murmura, guardando o papel no bolso do casaco de couro e liberando o outro, também o ajudando a se levantar. ― Agora, ajude-me a preparar a Jolly Roger.

•§•

Tallahassee

Enquanto finalizava a arrumação de sua mala, Regina olhava melancólica para todo o quarto. Olhava as janelas, o chão, a porta do banheiro, a cama, os porta-retratos, as poltronas, a cômoda e os abajures. Olhava principalmente para a cama, lugar que dormiu por quase dois anos ao lado de uma mulher que na época nunca imaginou que já a conhecia de outro lugar, e que um dia até foram inimigas e brigaram pelo filho.

Para cada lugar que seus olhos alcançavam, uma lembrança lhe assaltava a mente.

As tantas vezes que ansiou a aparição de Emma na porta do banheiro, usando um novo lingerie. O chão, que por tantas vezes fora palco do amor das duas mulheres, assim como as poltronas. As janelas e a cômoda, que presenciaram por incontáveis vezes, momentos de carinho e declarações das duas partes. Os abajures, que por tantas vezes, devido ao fogo do casal, foram derrubados quando precisavam ser desligados, e em algumas das vezes, até danificados. E os porta-retratos, que esfregavam os momentos mais marcantes que tiveram desde o início do relacionamento, com lindas fotos delas e Henry.

Quando terminou de varrer o seu quarto com os olhos, lembrando-se dos bons, e alguns dos melhores, momentos que teve ali, seguiu para a cozinha, sala e quarto de Henry, e fez o mesmo. Martirizou-se mais uma vez com cada boa recordação que sua mente lhe trouxe.

•§•

Quando fechou o apartamento, entrou rapidamente no seu antigo, andou pelos cômodos, também se lembrando de alguns momentos, e se despedindo mentalmente de tudo que viveu ali, e também o trancou, guardando as chaves em sua bolsa.

Emma e Henry já a esperavam há algum tempo no carro. Impaciente para esperar o elevador, e ciente da demora que levou para sair, decidiu ir pelas escadas, acreditando que seria mais rápido, mas chegou à conclusão de que foi uma péssima ideia, quando, ao passar em um ponto específico, sua mente lhe traiu, trazendo à tona, as lembranças dos beijos e declarações que trocaram ali, anos atrás, e que deu início ao relacionamento das duas.

— Você não se aproveitou de mim, Regina... — Balançou a cabeça negativamente, olhando rapidamente para o chão, mas logo voltando sua atenção para os olhos castanhos a sua frente. — Eu queria tanto aquele beijo, como você...

E sem perda tempo, pegando Regina mais uma vez de surpresa, naquela manhã pouco ensolarada de Tallahassee, Emma a beijou.

Swan a prensou na parede, e delicadamente aprofundou aquele contato que tanto ansiara durante a semana. Chegou até a sonhar com aquele momento.

— Eu não sei ao certo quando isso começou, mas... — Sussurrou no ouvido da morena, logo que afastaram as bocas para pegarem fôlego. — Eu gosto de você... — Confessou ainda no sussurro. — Mas eu tinha medo de perder tua amizade, que é tão importante para mim... Eu tinha medo de fazer algo errado e como consequência ver você se afastar de mim, e de Henry, que gosta tanto de você... — Beijou o rosto da morena, e desencostou uma de suas mãos da parede, logo levando aos fios negros e fazendo leves carícias, enquanto Mills fazia o mesmo em sua cintura. — Eu também tive medos... — Repetiu. — E foi por isso que eu tentei deixar para lá, tentei esquecer, tentei conhecer alguém que pudesse me fazer esquecer... — Fez uma pausa e se afastou um pouco, só o suficiente para ver o rosto da morena. — Mas nada nem ninguém conseguiu... E depois do beijo que você me deu... Depois de sentir os teus lábios nos meus, algo despertou em mim... — Encostou os lábios nos dá outra, e os roçou de leve. — E então eu sabia... Sabia que não conseguiria esquecer o que sinto por ti, nem mesmo se eu quisesse. — E então finalizou as palavras sussurradas com outro beijo lento e apaixonado.

Balançando a cabeça várias vezes, numa ideia tola de que espantaria as recordações, seguiu descendo as escadas, procurando focar a mente em outras coisas.

•§•

Já estavam há algumas horas no carro de Gold, em uma viagem de volta para Storybrooke, e apenas o barulho dos carros passando em direção oposta a eles, fazia-se presente. Nem mesmo Belle ou Henry, que estava concentrado demais no que saía em seus fones de ouvidos, diziam uma palavra.

Incomodada com todo aquele silêncio, Regina decide puxar assunto com o filho.

― O que está escutando? ― Pergunta-lhe, esticando-se e empurrando o joelho do garoto.

― Elvis. ― Responde prontamente, tirando um dos fones e entregando-o a mãe, por cima de Emma, que apenas observava a interação com um sorriso nos lábios.

Sim! Henry não estava no meio das duas mulheres. Estrategicamente, Emma o fez se sentar na janela e ficou no meio.

― Então você ainda gosta dele? ― Questiona animada, e o menino assente rapidamente. ― E dos Beatles, sanduíche natural e...

― Aurora Boreal? ― Completou, interrompendo-a. ― Sim, sim e sim. ― Respondeu sorrindo, fazendo a mulher sorrir emocionada e seu coração bater mais forte e rápido de felicidade. ― Aliás, ainda espero o dia em que iremos ver uma pessoalmente. ― Encara a morena e arqueia a sobrancelha, com um pequeno sorriso de lado.

― O que vocês verão pessoalmente? ― Emma questiona, entrando na conversa.

― Uma vez, na época que vocês não estavam juntas ainda... ― As duas se olharam rapidamente. ― Quando você saiu com o Will, mãe...

― Não me lembra dele, Henry... ― Fecha os olhos e balança a cabeça negativamente, fazendo os outros dois rirem.

― Desculpa! ― Pede em falso tom de arrependimento. ― Bem, nesse dia, eu e a mamãe passamos um bom tempo falando sobre o universo, enquanto víamos algumas coisas pelo telescópio, que aliás, eu tenho um ótimo lugar para montar ele, e...

― Onde? ― Regina questiona, interrompendo-o, já ansiosa para repetir um de seus programas preferidos com o filho.

― A Torre do relógio.

― Sim! É um ótimo lugar, realmente. ― Emma concorda. ― Mas bem, continue a contar sua história, por favor. ― Pede empolgada, causando risos no menino e na mulher ao seu lado.

― Bem, ela me contou sobre a Aurora Boreal, e depois de me deixar fascinado com tudo que me falou, disse que um dia me levaria para ver uma pessoalmente.

― E eu ainda estou inclusa nisso? ― Olha de canto para a morena, que ao perceber que está sendo observada, muda a direção de sua atenção, que estava justamente nela.

― Claro que está, mãe. ― Pega na mão da mulher e a aperta e a empurra com o ombro, exatamente como Regina fazia consigo antes de terem as memórias de volta, quando combinavam alguma coisa, e a própria Emma também. ― Só precisamos marcar o dia.

― Ótimo! Em breve faremos isso. ― A loira diz empolgada. ― Assim que resolvermos nossos problemas. ― Acrescenta, olhando novamente para Mills, que agora olhava para fora da janela.

― Ok! Agora eu vou voltar para as minhas músicas. ― Levantou o celular e o balançou. ― Começou uma ótima. ― Comenta animado.

― Qual está tocando agora? ― Emma quis saber. Adorava saber que o filho, assim como Regina, gostava das mesmas músicas, e que mesmo depois das memórias antigas voltarem, esse gosto não foi esquecido e mudado.

― A little less conversation.

― Ah! Essa é ótima! ― Fala alegre e canta algumas partes de forma ininteligível.

Pelo espelho retrovisor interno, Belle observava a interação da família Swan Mills com um largo sorriso no rosto.

Jamais imaginou que um dia veria Emma e Regina sendo mais que amigas e mães da mesma criança, mas adorou quando, depois da surpresa inicial, soube que eram um casal.

― Como ele cresceu... ― Regina murmura baixinho, para que apenas a loira escute. ― Você não acha? Só se passaram dois anos...

― É verdade. ― Concorda prontamente. ― Ele está tão maduro. Tão diferente, apesar de ainda se parecer muito com aquela criança de 13 anos de idade, quase 14, que partiu com a gente para Tallahassee. ― Dá um sorrisinho. ― Antes de termos nossas memórias de volta, ele não parecia ter crescido tanto assim.

― Talvez, não sei, seja porque tínhamos as memórias de que vimos toda a evolução dele, sem nunca ter saído de perto. Se olharmos pelos olhos da nova vida que tivemos por dois anos, com todas as lembranças falsas, não temos essa impressão. Mas se olharmos pelas lembranças antigas, a última vez que o vimos foi quando saímos da cidade. Ele estava muito diferente de agora. ― Divaga.

― É como se tivéssemos ficado dois anos longe dele. ­― A morena concorda com um balançar de cabeça. ― Parece que passou mais de dois anos. ― Acrescenta, vendo a outra concordar mais uma vez.

― Sabe... ― Murmura em tom pensativo. ― Eu estava olhando aquelas fotos hoje e pensei: Quem as tirou? ― Questiona, fazendo Emma se virar totalmente para si, curiosa com o novo assunto. ― Digo... Eu não tinha amigos, e naquela época não havia a opção de tirar a foto sozinha na câmera. Nem mesmo tinha algum apoio. Muito menos magia.

― Você não se lembra de quem poderia ter tirado? ― A morena nega. ― Talvez a Kathryn... ― Sugere. ― Vocês eram amigas.

― Não naquela época da foto... ― Rebate em tom pensativo. ― Olha, se eu não me lembrasse delas, diria que é montagem. ― Confessa, fazendo a outra sorrir. ― Todas. ― Acrescenta.

― As minhas não. ― Diz rapidamente. ― Eu me lembro de todas. ― Diz convicta. ― Algumas foram tiradas pela Ruby, outras pelo meu pai, e algumas até pelo Graham.

― Graham... ― Regina murmura, lembrando-se do passado.

― Não vamos falar dele. ― Emma pede rapidamente. Havia uma ponta de ciúme no ar. Das duas partes.

― É... Melhor não falarmos dele mesmo. ― Mills concorda rapidamente, ao ter sua mente invadida por lembranças de momentos com Graham, e de algumas situações entre Emma e o homem. Principalmente a briga que tiveram no mausoléu, quando ele a trocou por ela, e no fim de tudo, ela o matou.

― OK! As suas podem ter sido bem reais, mas as minhas... ― Volta ao assunto. ― Nas minhas há um mistério que não dá para ser desvendado. ― As duas sorriram.

― Adoro o seu sorriso. ― Diz de repente, deixando a outra sem graça. ― Você deveria fazer mais isso. ― Sugere, apertando a sua mão, e mantendo-a ali, aquecendo a da outra. ― Sempre pensei nisso, mas nunca tive coragem de dizer. ― Confessa.

― Sinto interromper a conversa, mas vamos parar nesse hotel aqui, para descansarmos um pouco e para nos prepararmos com a magia que nos deixará imune à maldição da Fada Negra. ― Gold avisa, apontando para uma construção não muito interessante do lado de fora do carro, e Regina agradece a interrupção. ― Daremos continuidade em duas horas. ― Avisa, já abrindo sua porta e saindo.

Os três passageiros do banco de trás assentem, logo soltam-se do cinto de segurança e descem do veículo também.

•§•

Algumas horas a mais na estrada e finalmente passaram pela tão esperada placa “Bem-vindos à Storybrooke” Quando ultrapassaram a linha da cidade e permaneceram com as memórias, todos, exceto Gold, suspiraram aliviados.

― Lembrem-se, Fiona é a nova prefeita daqui. ― Gold relembra. Como da primeira vez que ficou sabendo da novidade, Regina range os dentes ao saber que alguém está em seu lugar. Alguém que não deveria estar. Alguém que se enxeriu em sua cadeira sem sua permissão. ― Todo o cuidado é pouco. ― Continua. ― Evitem chamar a atenção, se encontrarem com ela e falar demais com os moradores. Não sabemos o que ela pode ter feito com eles e se os controla de alguma forma, então não podemos confiar em ninguém.

― Até mesmo os nossos amigos e familiares? ― Emma questiona, chocada.

― Até mesmo eles, Emma.

― E o que faremos então? ― Regina quis saber, confusa.

― Vamos nos aproximar de todos. Ser amigos. Mas sem abrir muito a boca. ― Orienta, vendo pelo retrovisor interno, todos assentirem. ― Bem-vindos à Storybrooke, pessoal! ― Murmura olhando pela janela, vendo vários rostos conhecidos passarem.

•§•

Algo no ar da cidade havia mudado, e ela podia sentir.

Tentando saber o que poderia ser, Fiona olhou pela janela da sala da Prefeitura, e viu quando, na esquina, um carro bastante conhecido por ela, passara em alta velocidade, respondendo à sua questão.

― Senhora, elas estão aqui. ― Um homem baixinho, barbudo, todo de preto, que estava quase sendo engolido pelos excessivos cachecóis, avisou, entrando na sala sem se anunciar. Devido a sua lealdade e seus trabalhos feito para a prefeita, ele tinha esse passe livre. ― Há algo que deseja que eu faça? ― Questiona diante o silêncio de sua superior.

― Não. ― Afasta-se devagar da janela, e volta a se sentar. ― Por enquanto. ― Acrescenta, fazendo um breve gesto para o seu subalterno, que rapidamente se retirou do local, não dando tempo de presenciar o sorriso perverso que se formara no rosto da mulher.

Notas finais
É isso aí. Agora vai... Brincadeira kkk... Nos diga o que acharam, a opinião de vocês é muito importante. Até a próxima atualização...