Recomeçar
1 Capítulo 1 -A sentença.
Notas iniciais
Hermione abriu os olhos, mas não quis se levantar. Tateou
a cama ao seu lado e encontrou apenas o gélido vazio que Ronald Weasley havia
deixado. Fechou novamente os olhos, dessa vez com mais força, fazendo com que
todas as lágrimas sumissem. Não podia voltar a chorar. Ela não se prestaria a
esse papel.
Desde a última noite de quinta-feira que estava em luto,
mas estava na hora de por a cabeça no lugar. Ela não era culpada de nada, sabia
disso com toda sua alma e coração. Ronny saíra daquele jeito porque quis, e
bater o carro foi puramente um acidente. Mas então, por que não conseguia se
livrar do peso no peito?
Jogou as cobertas para o lado e foi até o closed,
procurando roupas escuras para vestir. Hermione havia decidido deixar o luto,
mas a família dele ainda não. Colocou uma calça jeans escura, uma camisa e um
casaco, amassou os cabelos encaracolados e colocou os óculos escuros no rosto.
Há muito tempo que
nada estava bem. Desde que haviam deixado a escola, há dois anos, as brigas
haviam se tornado constantes, a cobrança de ambos os lados cada vez mais
pesadas e a menina não sabia até onde poderiam agüentar. Mas, apesar de forçar
um sorriso todas as manhas, o que ela tinha certeza é que nem mesmo respeito
havia restado.
Por diversas vezes Hermione se viu no meio da noite
tentando contatar todos os amigos mais próximos do namorado, tentando
desesperadamente saber onde ele estava, já que não aparecera para dormir. E
quando o ruivo finalmente aparecia, dizia apenas que ela não deveria se preocupar
mais com isso.
E, apesar de estar cansada de lutar uma guerra perdida,
de ter tomado sua decisão naquela mesma noite de quinta-feira, nem em seus
piores pesadelos havia imaginado o que aconteceu. Duas horas após Ron ter
deixado seu apartamento, Harry apareceu na lareira, com os olhos verdes
cuidadosamente postos nos olhos inchados da amiga.
-Mione... –ele chamou franzindo os lábios, olhando para o
chão.
-acabou, Harry. –a menina falou limpando o rosto com as
costas da mão, jogada no sofá da sala como uma peça de roupa velha. –eu não
agüentava mais.
-eu sei, Mione, eu sei! –ele tentou sorrir, indo se
sentar ao lado da menina. –eu vi o quanto você lutou, e sei que não foi por
falta de tentativas. Não foi sua culpa!
-eu-eu sei que não! –Hermione gaguejou, puxando o ar com
força e se sentando ereta. –a culpa é dele, é toda dele.
-Ronny foi para a minha casa depois que saiu daqui.
–Harry disse com o tom cauteloso, olhando para as próprias mãos. –estava
nervoso, acho que ele nunca realmente nos perdoou pelo o que aconteceu em
Hogwarts.
-é claro que não. –a menina suspirou, repuxando um canto
dos lábios. –ele sempre jogava na minha cara na primeira oportunidade, nunca
confiou em nos deixar sozinhos novamente. Acho que eu não poderia ter esperado
mais de qualquer forma.
-ele te amava, estava com medo de te perder! –Harry
sorriu fraco mais uma vez, tocando uma mão da amiga. –ele te amou até onde
pode, até o último minuto, sabe disso...
-por que você está falando tanto no passado? –ela franziu
a testa, olhando para o menino com os olhos em fendas. –parece até que
aconteceu alguma coisa.
Harry Potter arregalou os olhos se perguntando até onde
Hermione sabia. Estava cauteloso no momento em que pisou no apartamento porque
achava que os olhos inchados eram pela recente perda e não pelo término do
namoro. Mas, agora, pensando bem a respeito, Hermione não jogaria a culpa
inteira nas costas do ex-namorado morto.
-Mione, ninguém te falou ainda? –ele sussurrou, ainda com
os olhos arregalados.
-falou o que, Harry? –a menina continuou com a testa
franzida. –Ronny não ficou na sua casa? Ele foi para a casa de outra pessoa?
-Hermione! –Harry se alarmou, se afastando um pouco da
amiga. –Ronny sofreu um acidente logo após deixar minha casa. Ele estava indo
encontrar Neville, eu acho, e então... Bem, ele foi levado ao St. Mungus,
mas...
-você está tentando me dizer que Ronny está morto?
–Hermione se levantou em um só pulo, olhando para Harry com os olhos
arregalados e as mãos na cintura.
-sinto muito. –ele murmurou desviando o olhar. A perda o
afetava tanto quando a Hermione, a menina percebeu.
E, ao contrário do que Harry havia pensado, a menina não
teve um acesso de raiva ou uma crise de choro. Apenas voltou a se sentar no
sofá ao seu lado, olhando para o tapete tão cuidadosamente escolhido para
combinar com o resto da mobília. Hermione suspirou pesadamente e assentiu uma
vez, virando os olhos negros em direção ao menino.
-nós temos que seguir em frente. –foi tudo o que ela
disse, abraçando Harry carinhosa e muito fracamente.
E desde aquela noite ela se concentrava para controlar os
sentimentos. Três dias de luto era o suficiente, não poderia parar a própria
vida por alguém que não poderia voltar para ela.
E, desde então, todos os porta-retratos haviam sumido da
parede. Todos os presentes, todos os filmes, todas as flores, todos os
chocolates, tudo o que poderia fazer com que ela se lembrasse de Ronald simplesmente
sumiu do apartamento, fazendo parecer que nunca houvera ninguém além da própria
Hermione Granger ali.
Passava o tempo se ocupando com os problemas do
ministério, com as catástrofes e os problemas climáticos do mundo. Passou a não
usar magia para os afazeres diários, releu livros antigos, mas nem isso fez com
que ela pudesse fugir de suas responsabilidades.
No domingo pela manha ele seria sepultado e ela precisava
estar presente. Não precisava socialmente falando, todos sabiam dos problemas
que estavam passando antes do acidente, mas, alguma coisa dentro dela, dizia
que era necessário que ela fosse como pessoa, a pessoa Hermione Granger
precisava se despedir do grande amigo que tivera no tempo da escola.
E por isso ela se obrigara a levantar naquela manha.
Porque era uma necessidade e não um desejo. Saiu de casa sem comer nada, e
esperou por Harry que a levaria até o local do sepultamento. Ronny escolheria
ser cremado, Mione sabia, por isso tudo aquilo não poderia levar mais do que
pouquíssimas horas.
Toda a família Weasley estava reunida em um canto, todos
parecendo extremamente abatidos e dessa vez nem mesmo os gêmeos ousaram alargar
muito um sorriso. Gina se afastou dos pais e se juntou a Harry e Hermione,
dando um abraço demorado nos dois.
-Ele vai ser jogado no canto de quadribol! –Gina informou
com um sorriso forçado. –ele iria gostar disso.
Nem Harry, nem
Hermione responderam. Apenas olharam para um palco montado bem no centro das
cadeiras em círculo onde alguns amigos próximos faziam algumas homenagens. A
menina continuou parada, imóvel até todo o cerimonial terminar, até que as
cinzas dançassem pelo vendo indo de um lado para o outro do campo. Mione teve a
impressão de ver Alvo Dumbledore, o diretor de Hogwarts e conselheiro por
inúmeras vezes, mas não estava aberta a conversas no momento.
Quando tudo terminou, acompanhou Harry até Tiago e Lilian
Potter, que estavam sentados em cadeiras nos fundos. O casal sorriu, dando um
abraço rápido na garota.
-você parece tão cansada! –Lilian disse tirando os óculos
de sol do rosto de Hermione. –não tem dormido direito, não é?
-é, tem sido um pouco complicado. –admitiu por fim,
aceitando o abraço de Tiago.
-tudo vai ficar bem, Hermione. –Tiago murmurou
sorridente. –o ministro estava te procurando, Mione, parece que ele se esqueceu
de entregar alguma coisa a você na quarta...
-ah, tudo bem... –ela sorriu fraco, olhando em volta.
–vou procurá-lo então.
Andou durante alguns metros com a cabeça levantada, mas
logo cedeu a vontade de abaixá-la. Olhou em volta uma única vez, de forma
rápida quase tímida, e viu Kingsley se aproximar, sério a olhando com o rosto totalmente
limpo.
-Granger. –ele se pronunciou, inclinando a cabeça. –eu
sinto muito por Ronald, sei que vocês eram muito próximos.
-obrigada, ministro. –ela sorriu da forma que pode, vendo
a forma quase desinteressada em que o ministro usou ao tocar no assunto.
-preciso que venha comigo até o ministério, tem muitos
assuntos que deixamos de lado desde a última quarta-feira. –ele apontou com a
mão em direção ao caminho em sua frente.
-hoje é domingo! –ela falou franzindo a testa. –não
podemos esperar até amanha?
-receio que o assunto seja um tanto urgente! –Kingsley
franziu os lábios e Hermione assentiu, vendida.
Aparataram para o centro do ministério. O chafariz continuava
a jorrar água, mas Hermione não deu atenção a isso. Seguiu Kingsley até os
elevadores e esperou pacientemente, só não esperava que fosse encontrar Malfoy.
-Ministro. –o rapaz cumprimentou com um aceno de cabeça.
–Granger!
-Malfoy! –a menina rangeu os dentes, o olhando com os
olhos em fendas. O tom de nenhum deles era totalmente amigável.
-como está o Weasley? –o rapaz perguntou com uma pontada
de malicia. –fiquei sabendo que estavam morando juntos.
Hermione fez questão de ignorar as perguntas e
aparentemente Kingsley fazia o mesmo, olhando para frente sem realmente ver. A
menina olhou para o outro lado, engolindo o repentino nó que formou na
garganta.
-e como estão as negociações com os trouxas? –o loiro
sorriu de canto, os olhos cinzentos mais penetrantes do que nunca. –é sua
especialidade, não é?
As portas do elevador se abriram e os três passaram por
ela. Hermione continuou seguindo o ministro silenciosamente tentando pensar em
qualquer motivo para Draco estar ali na manha de um domingo.
Draco não conseguiu segurar a língua por mais de dois
minutos. Enquanto a menina observava a quantidade de pessoas que trabalhavam, o
menino tratou de abrir a boca novamente.
-sabe, Granger...
-se você falar mais alguma coisa, eu juro que enfio sua
varinha pela garganta! –ela ralhou, o olhando incrivelmente irritada.
-ai, que medo! –ele piscou os olhos inocentemente. –só ia
perguntar se aquele não era o seu setor. –ele apontou com o dedo para uma placa
que indicava o setor de negociação.
Hermione franziu a testa, mas continuou seguindo
Kingsley, tentando deixar a irritação de lado e voltar ao seu normal. Viu, com
o canto dos olhos, Draco abafar uma risada.
-aqui está. –o homem finalmente parou, entrando atrás da
mesa e abrindo a primeira gaveta. –Draco, esses são os documentos que seu pai
pediu. –ele passou ao garoto um grosso envelope de cor parda. –e, Hermione,
preciso que você assine esses daqui.
-o que é? –a garota franziu a testa, esticando o pescoço
para ver por cima da mesa.
-o testamento de Ronald Weasley. Aparentemente ele deixou
todos os bens pessoais para você. –o ministro escorregou uma pequena pasta para
frente da menina.
-mas eu não quero. –ela murmurou dando um passo para
trás.
-bem, você pode dar a alguém se quiser, mas pertence a
você agora. –ele deu de ombros, empurrando mais insistentemente a pasta.
-o que você quer dizer com “o testamente de Ronald
Weasley”? Para ele dar tudo o que tinha para a Granger ele deveria estar morto,
não é... –ele nem mesmo chegou a terminar a pergunta, apenas arregalou os olhos
e abaixou a cabeça olhando para os próprios pés. –eu sinto muito.
-Hermione...
Mas nada do que Kingsley pudesse dizer iria amenizar a
situação. No segundo seguinte Hermione já havia dado um empurrão do ombro do
rapaz e avançava em sua direção furiosamente com as mãos fechadas em punho.
-você se acha tão importante, não é mesmo? –ela berrou,
avançando um passo para cada um que o menino dava para trás. –você acredita que
o mundo gira em torno de você, que ninguém mais tem sentimentos a não ser o tão
importante Senhor Draco Malfoy! –ela ironizou, sentindo todo o rosto queimar.
–aí vai uma novidade para você, VOCÊ NÃO É!
Agora estavam no meio da repartição, todos os olhavam com
os olhos arregalados e bocas escancaradas. Draco bateu as pernas em uma mesa e
caiu sentado sem poder mais se afastar.
-e você? Uma sabe-tudo insuportável que... –ele levantou
em um pulo, erguendo o indicador e o apontando para a menina.
As pessoas em volta começavam a chegar mais perto para
ouvir melhor a briga dos dois jovens descontrolados. Dumbledore, usando vestes
azul-escuras entrou pela porta, tirando de todos (menos dos dois que
continuavam brigando) gritinhos escandalizados.
-ok, ok, já chega!
–Dumbledore falou sem alterar a voz, mas fazendo todos se calarem ao mesmo
instante.
Atrás de Dumbledore corria Umbridge, com vestes cor de
rosa e um chapéu que pendia uma pena, com um sorriso quase satisfeito no rosto.
Draco e Hermione se calaram mas não deixaram de se encarar por nem ao menos um
segundo.
-vejo que temos aqui um claro caso de descontrole por
parte da Senhorita Granger que atacou o pobre e inocente Senhor Malfoy tão
injusta...
-houve descontrole de ambas as partes, Umbridge.
–Dumbledore a cortou antes que sequer pudesse terminar a frase. –Senhor
Minisro...
-olá, Dumbledore. –Kingsley inclinou a cabeça em um cumprimento.
–não é a primeira vez que temos um desentendimento entre Granger e Malfoy.
-bem, acredito que esse seja motivo para uma audiência!
–Umbridge virou seus olhos pequenos em direção a Hermione que se controlou para
não rosnar para ela também.
-isso não é motivo para uma audiência, Umbridge, e sim
para medidas efetivamente seguras! –Kingsley ralhou olhando a mulher com o
canto dos olhos.
-na verdade, senhor ministro, acredito que esse seja sim
o caso de uma audiência. –Alvo Dumbledore sorriu calmamente, olhando para os
dois jovens por cima dos óculos de meia lua.
-ahn, você tem certeza disso, Dumbledore? –Kingsley olhou
para o velho homem com os olhos arregalados.
-tanto quanto adoro bala de framboesa! –ele sorriu, dando
as costas e voltando pela porta.
[...]
Hermione sabia que aquilo era estúpido. Seria dispensada a
e pronto, nada de mais. A não ser, é claro, que assim teria que correr atrás de
outra coisa para fazer, sair de sua zona de conforto. Ao seu lado esquerdo
estava Draco Malfoy, olhando para o lado contrario da menina com todo o rosto
franzido em fúria. Dumbledore, que era o motivo daquela audiência estar acontecendo,
sentava ao lado direito da menina. Sorria vagamente, olhando para o alto das
cadeiras lá na frente onde estava o ministro olhando para tudo com a testa em
vinco.
-Daremos inicio a sessão. –Kingsley falou se levantando,
olhando de Hermione para Draco. –Senhorita Granger e Senhor Malfoy, vocês foram
acusados de agressão um contra o outro e ainda causar confusão dentro do
Ministério da Magia. O que têm a dizer a respeito?
-foi ele(a) que começou. –falaram juntos, apontando um
para o outro, depois fizeram cara feia como duas crianças de cinco anos de
idade. Dumbledore abafou uma risada.
-Senhor Ministro, está claro que não vamos conseguir
fazer com que esses dois cheguem a um consenso. Acredito que seja hora de
tomarmos alguma medida a esse respeito. –o velho homem falou calmamente, sem
tirar o sorriso do rosto. Hermione não podia acreditar no que ele estava
fazendo. Sempre adorara Dumbledore com todas suas forças.
-e o que você propõe, Alvo? –Kingsley perguntou abaixando
a cabeça minimamente, obviamente tenso. Umbridge sorria parecendo extremamente
satisfeita.
-Acredito que a Senhorita Granger e o Senhor Malfoy
precisam aprender o verdadeiro significado da palavra respeito. –Dumbledore
olhou para Kingsley por cima dos olhos de meia-lua. –e o que melhor do que isso
senão a convivência?
-oi?! –Draco piscou os olhos cinzentos se inclinando na
cadeira para olhar para o diretor. –está brincando, não é?
-receio que não, Draco. Acho que o senhor ministro entende
o que eu quero dizer. –ele olhou de soslaio para Kingsley que repentinamente
tinha um ar divertido no rosto.
-é claro que entendo, Alvo. –o ministro juntou suas mãos
em cima da mesa. –Hermione Granger, Draco Malfoy... Vocês foram sentenciados a
convivência! –todo o corpo da menina reclamou com a notícia. Conviver com
Malfoy? Era pior do que a morte. –estão proibidos de usar magia a não ser nas
raras vezes em que seu trabalho pedir por isso. Apesar de não ter certeza se
isso fará a coisa parecer mais segura...
-ora ministro, olha para eles. –Dumbledore apontou com a
mão onde os dois estavam. Hermione sacudia Draco de um lado para o outro como
faria com algum aparelho eletrônico que não está funcionando direito. –não conseguem
ficar separados por mais de um minuto. Tenho certeza de que será totalmente
seguro... Contando que não possam fazer mágica.
-MAS...
Hermione tentou intervir, largando Draco que caiu sentado
no chão, mas no mesmo instante a porta foi aberta e por ela entrou um Lúcio
Malfoy parecendo extremamente nervoso. Ele olhou para ela como se ela fosse
menos do que uma latinha de refrigerante vazia na rua. Como se ela nem sequer
tivesse o direito de estar na presença dele.
-isso é um absurdo! –ele berrou. –meu filho, um
puro-sangue, será obrigado a conviver com essa-essa Sangue-ruim? –ele urrou, o
rosto normalmente pálido adotou uma estranha coloração cor de rosa. Hermione
imaginou se esse seria o momento em que ele iria enfartar.
-sinto muito, Lúcio, mas há muita pouca coisa que você
pode fazer a respeito! –Kingsley ergueu o queixo. Ele era um dos poucos que não
aceitava receber ordem de Malfoy, e Hermione se orgulhava de trabalhar para ele
por isso. –Draco foi sentenciado e deverá pagar por seu erro. Dividirão o mesmo
teto até que aprendam a se respeitar.
-bem, e quanto tempo isso irá levar? –Lúcio bateu a
bengala no chão. –o resto da vida?
-se for necessário! –Kingsley deu um sorriso tão fraco
que era quase imperceptível. Mas Lúcio percebeu, o que o fez ficar ainda mais
irritado.
-senhor ministro, eu acho que a sentença foi um pouco
pesada. Draco não...
-a decisão é minha, Umbridge, e está feito! –o ministro
deu as costas, encerrando a discussão.
Lúcio Malfoy lançou a menina mais um de seus olhares de
ferro e deu as costas, franzindo os lábios, fazendo com que sua capa ondulasse
com os movimentos bruscos. Draco se levantou, o rosto da mesma cor que o do
pai, olhando para Hermione com o nariz franzido.
-ótimo, realmente agora está tudo absolutamente perfeito!
–ele gemeu, se afastando um pouco.
Hermione se virou, sentindo parte do corpo ficar onde
estava. Dumbledore a olhava com um sorriso solene no rosto, quase de piedade. A
menina controlou o impulso de abraçá-lo. Estava se sentindo tão sozinha nos
últimos dias que cogitara a hipótese de abraçar a estatura do elfo no salão
principal do ministério.
-Senhor, é uma sentença de morte. –ela choramingou de
cabeça baixa.
-minha querida. –como se tivesse lido seus pensamentos,
Dumbledore a abraçou firmemente. –existem poucas coisas no mundo piores do que
a morte, e felizmente conviver com Draco não é uma delas. –ele sorriu
alegremente. –você verá com o tempo que não é tão ruim e que há mais em comum
entre vocês do que esse ódio sem fundamento do tempo da escola.
-bem, mas tem fundamento. –a menina resmungou. –o senhor
ouviu o pai dele...
-ah, Hermione, Draco não é como o pai. –Dumbledore piscou
um olho por cima dos óculos. –você terá tempo para descobrir isso, agora
precisa entregar sua varinha ao ministro.
Ela fez o que o diretor mandou controlando o impulso de
pegá-la de volta e fugir. Não sabia o que viria a seguir, mas também não se
importou muito. Nada poderia ser pior do que aquilo.
-Granger, Malfoy, por aqui. –Kingsley chamou abrindo uma
porta de madeira nos fundos da sala.
Os dois o seguiram e, um segundo depois, ambos estavam na
sala do que se parecia com o apartamento de Hermione, mas com algumas
modificações. Na sala agora havia uma televisão e mais algumas coisas usuais de
trouxas. A decoração estava diferente também, as cortinas estavam em um tom
mais sóbrio, o creme do couro do sofá fora substituído por um marrom escuro. O
tapete parecia mais novo em um tom mais claro para combinar com o resto da
sala.
Hermione correu, deixando Draco na sala olhando para a
televisão como se fosse alguma coisa de outro mundo, e abriu a porta de seu
quarto. Tudo estava como antes, inclusive a cama desarrumada. A menina sentiu
uma presença em suas costas e se virou para encarar Draco, que estava com a mão
na maçaneta da porta diante ao quarto da menina. Quando ele a abriu, Hermione
percebeu que o quarto de visitas, onde Ronny costumava dormir nas últimas
semanas, estava totalmente diferente. Alguns pôsteres de quadribol, a colcha
verde e prata sobre a cama. Aquele obviamente seria o quarto de Draco.
-bem, então é isso. –ele falou franzindo os lábios
novamente.
-é! –ela concordou dando um passo de costas para dentro
de seu quarto.
Ambos entraram em seu quarto e fecharam a porta com um
baque. Apenas quando seus olhos se acostumaram com a escuridão foi que Hermione
percebeu que a última vez em que estivera ali fora de manha, quando estava se
arrumando para o funeral. O funeral de seu ex-namorado tinha sido naquele mesmo
dia e ela conseguiu esquecer por algumas poucas horas. Soltou um suspiro
pesado, indo se deitar na cama gélida e ultimamente pouco confortável.
Notas finais
Comentem, comentem, comentem!!!
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