Notas iniciais
Olá, bom, essa é minha primeira fic nessa categoria e devo dizer que estou completamente apaixonada por The Walking Dead. A série me foi recomendada por uma amiga, e eu agradeço a ela agora por ter me indicado. A cada episódio que passa Daryl Dixon arrasa mais com meu coração hahahaha
Desde as primeiras temporadas eu já aprovada um romance entre ele e Carol, que é a mulher que mais gostei entre todas as outras. Mas depois do episódio 5x06- Consumed, eu pirei. A química entre os dois é inevitável e não que eu não goste da Beth, mas Caryl é vida kk

Eu espero que gostem e que a história agrade. Aguardo comentários e opiniões a respeito, seria incrível ver alguns comentários aqui nessa primeira experiência haha
Um beijo, Bi Mills.

(P.O.V Narrador)

Daryl acordou cedo. Na verdade, não havia nem dormido. Os gemidos e barulhos que vinham do quarto de seu irmão não o deixavam fechar os olhos, mantendo-o acordado e com desprezo do seu próprio sangue. Ele havia conseguido se livrar de Merle a uns cinco anos atrás, mas agora o miserável havia voltado a morar com ele porque perdera o apartamento em uma aposta ou jogo de pôquer, algo assim.

Os "barulhos" pararam lá pelas sete da manhã, mas ele nem tentou dormir um pouco. Se levantou, vestiu uma camiseta cinza e seu casaco com asas na parte das costas.

Aquele casaco havia sido um presente de sua mãe, que o chamava de anjo. Ela dizia que aquele casaco o protegeria contra o mal, que na verdade era seu pai, que todas as vezes que via uma oportunidade castigava Daryl com a cinta em suas costas. O casaco por ser feito de um tecido grosso, aliviava a dor. Ele nunca gostou tanto de algo. A não ser talvez, pela sua besta. A besta havia sido dada por seu pai. A única coisa boa que aquele homem cruel havia feito pelo filho.

A besta era a companheira de caça de Daryl, que se sentia melhor na floresta do que em qualquer outro lugar. Não havia uma grande variedade de espécies no lugar, mas as que o habitavam valiam o esforço. Os que davam mais dinheiro na venda, eram os esquilos e os veados. Os esquilos são difíceis de serem pegos por seu tamanho pequeno. Os veados são grandes e bem visíveis ao longe, mas sua audição apurada faz com que consiga na maioria das vezes manter os caçadores longe. Daryl sempre caçava ambos, e os vendia para alguns restaurantes ou bares da região de Woodbury. Não era ilegal, porque o xerife havia lhe dado permissão para esse comércio. Ser amigo de um policial tem seus benefícios.

Daryl prendeu a besta nas costas pela faixa de couro atravessada no ombro e saiu de dentro da casa, montando em sua moto e dando a partida. Depois de alguns metros, alcançou os 60km\h. Ele fazia as curvas das ruas com habilidade, acostumado com a cidade. Estava bem abastecido de flechas, o que significava que teria uma boa caçada hoje. Deduziu que como a amanhã estava ensolarada, os animais procurariam uma fonte de água. Ele conhecia um lago quase no centro da floresta, que era raso e de água limpa. As vezes ele até nadava lá, para esquecer a loucura da cidade um pouco.

Daryl gostava de andar de moto. Ele podia sentir seus longos fios que lhe tocavam os ombros balançando com o vento, lhe dando uma sensação de liberdade e leveza que muitas vezes não conseguia sentir. Ele se permitiu fechar os olhos quando passava a 30km\h em uma rua que não era muito movimentada, distraindo-se um pouco. Ele ficou com os olhos fechados por uma fração de segundo.

Foi o que bastou para que os planos de Daryl para aquele dia fossem atirados no lixo.

Primeiro, tudo o que ele ouviu foi um baque surdo, o que o fez abrir os olhos imediatamente. Ele olhou para a frente, e viu o que havia causado aquele som. Ele havia acabado de atropelar um animal. Havia um cachorro, na verdade, uma cadela, caído no chão a frente da moto. Era da raça beagle, nas cores bege, branca e com manchas negras pelo corpo miúdo. O animal não sangrava, mas deveria ter quebrado a pata traseira, porque tentava se levantar mas não conseguia. A rua felizmente não era muito movimentada, o que facilitou a situação.

Daryl se levantou da moto e ficou de pé sobre o animal, pensando no que faria agora. Não poderia deixar o bicho ali, porque deveria ter um dono que o encontraria mais cedo ou mais tarde.

-Lizzie?- chamou uma voz de criança. Dito e feito. Uma garotinha se aproximou pela rua, e parecia ser a dona da voz. Ela tinha os cabelos loiros e vestia uma calça jeans e uma camiseta azul com desenho de arco-íris. Ela olhava Daryl com certa curiosidade, com aquele olhar que toda criança ingênua possui. Depois, seus olhos se voltaram para o chão e ela se sentou no chão ao lado da cadela.- Mamãe! Mamãe!- ela começou a gritar, lágrimas corriam pelo seu rosto pequeno.

Daryl só observava, em silêncio. Achou que a garota estava maluca, por chamar pela mãe quando aparentava estar sozinha. Resolveu ficar quieto.

-Sophia?- chamou uma voz feminina. Daryl se virou para ver quem havia chegado agora. Carol Peletier. Ele nunca havia falado com ela, mas já a havia visto pelas ruas de Woodbury aqui e ali. Ela era ainda mais bonita de perto. "Ficou louco Dixon?"- pensou consigo mesmo.

Carol observou Daryl por um momento, se perdendo nos belos olhos claros dele. Ambos se encaravam involuntariamente. Envergonhada como Daryl lhe analisava nada discretamente, Carol desviou o olhar fazendo-o sair de seu transe momentâneo.

-O que aconteceu com a Lizzie, Sophia?- perguntou ela.

-Eu a atropelei, foi um acidente. E calma, eu levo ao veterinário não precisa me crucificar.- ele nem esperou resposta, somente ergueu a cadela nos braços e se virou para seguir caminho até a clínica veterinária. A moto estava bem perto da calçada, então não era preciso movê-la.

-Eu quero ir junto.- Sophia se levantou em um salto e parou ao lado de Daryl.

-De jeito nenhum! A última coisa que eu preciso é uma criança para me encher o saco!- ele declarou em seu modo frio. Seu humor era assim na maioria do tempo.

-Eu quero ir. A Lizzie é minha.- Sophia cruzou os braços finos, insistindo.

Daryl bufou. Não ia conseguir impedi-la de segui-lo.

-Pede para a sua mãe, mas eu já vou avisando que não vou ficar tomando conta de você pirralha.- ele afirmou.

Sophia não pareceu se importar.

-Mãe, eu posso? Por favooor.- ela implorou, como toda criança algum dia (inclusive você) já deve ter feito.

-Eu não sei...você pode levá-la para minha casa depois?-Carol se dirigiu a Daryl.

-Tá, tudo bem. Eu levo ela.- ele disse a contragosto, fazendo Sophia bater palmas de alegria.

Carol murmurou um "obrigado" quase sem som, mexendo pouco os lábios. Aqueles lábios rosados...ei! Se toca Dixon!

-Bom, então até mais tarde sr. Dixon. Comporte-se Sophia, cuida da Lizzie.-ela afagou os cabelos da menina carinhosamente.

-Daryl.- ele murmurou.

-O que?- ela por sua vez, não entendeu.

- Me chame de Daryl.- ele falou, passando as mãos pelo cabelo.

- Ãhn, claro. Então até mais tarde Daryl.- ela se corrigiu, sorrindo para ele, fazendo o mesmo levantar o canto da boca em um sorrisinho contido.

Daryl se virou e começou a caminhar para longe, assim como Carol, só que para lados opostos. Para a infelicidade de ambos.

-Anda pirralha, quer salvar sua cadela ou não?- Daryl gritou para a menina que não havia saído do lugar.

Sophia deu uma corrida curta e começou a caminhar ao lado do caçador.

-Você é sempre assim?- ela perguntou encarando-o.

-Assim como garota?- Daryl questionou.

-Quietão, fechado.- ela falou.

Daryl revirou os olhos.

-Sei lá, devo ser assim mesmo.- deu de ombros.

Ficaram em silêncio.

-Vamos brincar de um jogo de perguntas?- Sophia perguntou, animada.

Aquele ia ser um longo caminho até o veterinário.