Recomeço

2 Veterinário


Notas iniciais
Olá pessoal! Muitoo obrigada pelos comentários, eu adorei. Arelia Redbird, Bia Fonseca não sabem como sou grata, agradeço amores. Capítulo novo uhulll espero que gostem. Beijos, Bi Mills.

(P.O.V Daryl)

Sophia ainda não havia parado de falar um segundo sequer e eu já sentia que minha cabeça estava começando a doer. Graças a ela, eu já sabia como a mesma havia caído no parquinho da escola e os nomes e cores de roupas de todas as suas Barbie's. Não era algo em que eu me orgulharia de saber. Na verdade eu estava tentando não prestar atenção no que ela estava dizendo, porém era meio difícil com ela me cutucando a cada minuto. Não sei onde estava com a cabeça quando concordei em trazê-la junto comigo. Acho que uma parte de mim queria agradar Carol. Não tenho certeza.

"Agora a burrada já está feita Dixon e você vai ter que aguentar"- pensei comigo mesmo, me lamentando baixinho.

Silenciosamente eu rezava para que Lizzie começasse a ter um ataque nos meus braços e latisse descontroladamente, isso sim faria Sophia ficar quieta. Mas eu não estava com sorte, porque a cadela mau se mexia. Se não fosse pelo sobe e desce de seu peito peludo, eu não saberia se ela estava viva ou morta.

–Sabia que ontem eu estava comendo chocolate e...- Sophia começou e eu me apressei em cortá-la. Meus nervos a flor da pele.

–Pirralha, sua garganta não está seca de tanto falar?- perguntei, frio. Esse é o meu jeito. Não há força no céu ou na terra que consiga me fazer mudar. Ou talvez exista alguma, mas talvez não estivesse interessada em um zé ninguém como eu.

–Não. Minha mãe sempre diz que eu falo pelos cotovelos, mas eu não acredito.- a garota contou, sorrindo orgulhosa para mim.

–Deveria acreditar, ela está certa.- falei, a imagem de Carol apareceu na minha mente. Tratei de apagá-la o mais rápido possível. Meu dia estava ficando cada vez mais estranho.

–Mas, eu aprendi na aula de ciências que cotovelos não falam. Só a nossa boca tem essa função.- Sophia explicou, virando o próprio braço e olhando seu cotovelo, como que para me provar que estava certa.

Bufei.

"Crianças..."

Nunca tive muito contato com nenhuma criança, eu sou aquele tipo de cara que as mães olham e dizem para os filhos: "tá vendo aquele cara ali? Ele é mau. Não é para chegar perto dele". As vezes, me sinto um bicho papão infantil. Não levo jeito para lidar com crianças, mas isso não quer dizer que eu não goste delas.

Olhei para a frente e suspirei aliviado. Bem ali, uma construção de dois andares, com uma placa enorme dizendo: "Greene Pets". A fachada era pintada em amarelo e roxo e uma porta grande de madeira dava no hall de entrada.

Empurrei a porta com uma das mãos, enquanto a outra segurava Lizzie contra meu peito. Sophia entrou e eu fiz o mesmo em seguida. A sala de espera para uma consulta estava praticamente cheia e era necessário pegar uma senha e aguardar. Que ótimo. Mais tempo com Sophia fazendo minha orelha de pinico.

Sophia olhava encantada para os animais das outras pessoas. Uma tartaruga, um canário, alguns gatos e assim vai. De tudo que você possa imaginar.

Fui até o balcão de recepção e vi quem estava sentada na cadeira giratória. Beth Greene. Ela é filha do veterinário, a filinha do papai. Só falei com ela algumas vezes. Simpática até, mas eu descarto a companhia muito longa das pessoas. Assim que ela me viu abriu um sorriso no rosto.

–Olá Daryl.

–Oi Beth.- dei o sorriso mais falso que conseguia. Se percebeu o sarcasmo na minha voz, não demonstrou.

–Então,qual é o paciente que você quer levar para o meu pai?- ela perguntou, enquanto digitava meu nome no computador. Ficha para arquivo.

Eu ia responder, mas Sophia ficou na ponta dos pés e conseguiu olhar Beth por cima do balcão.

–É que ele atropelou a minha cachorrinha com a moto sinistra dele. Agora, ele prometeu que ia cuidar da Lizzie e me trouxe junto.

–Eu não prometi nada,pirralha!- disparei. Aquele menina estava batendo o record em me deixar irritado.

Beth tentou esconder o riso com a mão sobre a boca, mas disfarçou tão mau que eu tenho certeza que todos na recepção viram. Mereço.

–E qual é o nome da coitadinha que foi atropelada pela moto sinistra?- a loira da recepção perguntou, eu a fuzilei com os olhos. Hoje devo ter levantado com o pé esquerdo, não é possível.

–Lizzie.- Sophia respondeu.

Beth digitou mais algumas palavras no computador.

–Corre risco de vida? É muito grave?- ela perguntou, se levantando brevemente para dar uma olhada na cadela. Depois sentou-se novamente.

Sophia olhou para mim, esperando que eu dissesse algo. Aquilo ela não sabia responder.

–Não e não. Só deve ter fraturado a pata traseira, mas se não demorar muito ela aguenta.- respondi.

–Muito bem, vou passar vocês dois para alguns números a frente. Quando for sua vez, serão avisados. Sentem-se por ali,- ela apontou para uma fileira de cadeiras que estava vazia mais no canto da sala.- e esperem. Obrigada tenham um bom dia. Próximo!

Meu dia já não estava bom, se ele melhorasse seria um milagre.

Eu e Sophia fizemos o que ela disse. Seguimos desviando dos outros e nos sentamos nas cadeiras, que eram confortáveis. Ajeitei Lizzie nos braços, lhe fazendo carinho na cabeça. A cadela se contorceu e lambeu meus dedos em aprovação.

As cadeiras da sala de espera também eram giratórias e Sophia as adorou. Ela colocava os pés no chão e dava impulso, dando voltas de 360 graus que faziam seu cabelo loiro curto voar ao redor da sua cabeça. Ri baixinho. Talvez crianças não fossem de todo tão ruins. Talvez.

–Sophia?- chamou alguém.

Me virei e vi quem era. Era Carl, filho do Rick. Garotinho arteiro e pestinha, daqueles que a professora tem que colocar para fora da sala de vez em quando. A última vez que eu o vira foi a um mês e meio e ele não havia mudado nada. Cabelos curtos, não mais que 1,40 e o chapéu de xerife do pai na cabeça. Rick é meu amigo, mas eu raramente o encontrava em algum lugar que não fosse a delegacia.

–Carl!

Sophia parou com seus giros doidos e abraçou Carl apertado. Essas crianças estão muito assanhadas hoje em dia. No meu tempo pegar na mão da menina já era compromisso. Pode me chamar de velho, não ligo. Eles se afastaram e Carl voltou seus olhos para mim.

–Daryl.- ele acenou com a cabeça em cumprimento.

Fiz o mesmo.

–Carl, eu disse para não sair do meu campo de visão!- Lori o repreendeu, mas assim que viu Sophia sua voz suavizou.- Sop tudo bem, flor?- ela perguntou. Sophia balançou a cabeça afirmativamente.- Cadê o beijo da titia?- a garota deu um beijo na bochecha da mulher.

Meu Deus. Eu sinceramente não nasci para estar assistindo isso nesse exato momento.

–E a sua mãe?- Lori olhou ao redor, provavelmente procurando por Carol.

–Ela não veio.- Sophia respondeu.

Uma ruga de confusão surgiu na testa da mulher.

–Você veio sozinha?- perguntou.

–Não. O Daryl veio comigo. Ele é legal.- a menina respondeu, apontando para mim sentado a duas cadeiras de distância de onde toda a cena acontecia.

Lori não demonstrou nenhuma reação ao me ver. Veja bem, Lori e eu nunca fomos muito fã um do outro. Tudo só piorou em um dia quando Rick dormiu fora de casa e ela me pediu para ir procurá-lo e parar de ser egoísta. Como já era de se imaginar, mandei ela para aquele lugar (que começa com "puta que" e termina com,"o pariu") e falei para ela mesma ir procurá-lo. Já deve imaginar o clima tenso de desacordo entre nós.

–Não tá feliz em me ver?- joguei sarcasmo para cima da esposa do meu amigo, que me encarou furiosa.

–Não. Aliás, não sei porque a Carol deixou um brutamontes como você trazer uma princesinha como a Sophia para cá.- Lori deixou seu veneno no ar. Cobra.

Resolvi não responder, porque duas crianças estavam ao nosso lado.

–O que é bruta-sei lá o que,titia?- Sophia perguntou.

–Nada meu amor. Porque você e o Carl não vão olhar os bichinhos por aí, hein?- ela sugeriu. A última coisa que eu queria era ficar a sós com ela.

As duas crianças nem responderam, somente saíram correndo dali. Lori se sentou ao meu lado, na cadeira vaga. Roguei uma praga para que a cadeira caísse. Não funcionou, infelizmente.

–Faz bastante tempo que eu e você não nos falamos.- ela disse, cruzando os braços sobre o peito.

–Jura? Achei pouco ainda.-devolvi.

Ela bufou tão alto que que a calopsita de um idoso que estava perto começou a piar feito doida achando que um tornado estava a caminho.

–Sabe quem tem me perguntado de você? A Andrea.- Lori contou.

Andrea é uma amiga dela. Ô mulherzinha sem graça.

–Foda-se.

–Será que você não pode ser simpático uma vez na vida?- perguntou, jogando os braços para o alto em sinal de rendição.

–Não. Minha mãe me ensinou a não mentir.

Antes que ela pudesse dar mais uma resposta, ouvi:

–Lizzie, cadela beagle. Sala 2.

Me levantei rápido. Amém. Corri os olhos pela sala de espera e vi Sophia brincando de esconde-esconde com Carl.

–Sophia!- gritei fazendo ela olhar na minha direção.-Vamos.

Ela veio correndo, parando ao meu lado um pouco ofegante.

–Já é a nossa vez?- perguntou e eu assenti.

Seguimos pelo corredor até a sala 2 e Sophia bateu na porta, porque eu estava com as mãos ocupadas. Hershel Greene apareceu na porta, sorrindo. Era um homem bom. Até que eu gosto dele. Uma das poucas exceções. Ele nos mandou entrar e tomou Lizzie dos meus braços, colocando-a sobre uma pequena maca quase do seu tamanho.

–Posso saber qual foi o acontecido?- perguntou, analisando o bichinho com calma. Aquele velho homem tem amor pelo que faz. Assim como eu pela caça. Acaba sendo algo que temos em comum.

–Eu acabei a atropelando.- falei. Hershel me olhou sério e com cara de desaprovação.- Ei! Eu não estava bêbado, só me distrai.

–Certo.- ele flexionou a pata de trás de Lizzie, que ganiu em protesto.-Ela quebrou a pata, como o esperado. Sinto muito moçinha,- falou para Sophia.-mas Lizzie vai ter que passar a noite aqui comigo. A sorte dela é que não tenho cirurgias agendadas para amanhã, então posso operá-la bem cedo. Podem vir buscá-la perto das onze da manhã.

–Ela vai ficar bem?- Sophia perguntou, claramente preocupada com sua cadelinha por quem ela parecia ter grande afeto.

–Vai sim, eu vou fazer de tudo para que isso aconteça.- Hershel falou, tocando a ponta do nariz da menina, que riu.-Obrigada, boa tarde para vocês.

–Quanto ficou a consulta?- perguntei, tirando a carteira do bolso. Sou muita coisa, mas injusto não.

–É de graça, só de ver que você está em companhia de alguém Daryl, isso me anima.- o homem disse, sentando-se em sua cadeira e escrevendo "checada" na ficha de Lizzie que deveria ter sido entregue por Beth.

Agradeci e nós saímos do consultório e do veterinário.

Agora, eu tinha que levar a garota de volta para casa ou seja, ver Carol. O pensamento me arrepiou. Fomos a pé e Sophia ficou calada a maior parte do tempo, triste por causa de Lizzie.

De certa forma, eu desejava que ela estivesse tagarelando como antes.