Recomeçar

6 Surpresa!


Pensei em gritar, mas quem me pegou foi mais rápido, e me calou com um dedo. Quem? — Bárbara? Mas o que... — Fica quieta e vem comigo, garota. Eu nem tinha o que falar. Muito menos o que pensar! O que era aquilo? O que acontecia? E como ela teve a estupidez e coragem de me calar quando eu mais queria falar? Nada justificava, ainda mais que nós nem nos falávamos mais.

Chegando no ginásio, onde Bárbara me levou, ela desabou.

— Você talvez não sabe, mas eu era a atual namorada da Valéria depois dela se \"converter\".

— Ãah? Olha, se você quer saber, mais do que nunca eu estou totalmente por fora do assunto!

— A Valéria tinha um namorado que se chamava Heitor, mas ele traiu ela, eles iam ter um filho sabe.. Ela não suportou, perdeu o bebê por ser muito nova e desde então prefere as garotas aos garotos.

- Ah, obrigada pela fofoca, Dona Maria. Agora, se me dá licença...

- Você não está entendendo. Quero te ajudar, então por favor cale a boca? — Ela suspirou. — Eu e Valéria começamos a namorar a um mês, mas desde que começamos, ela não parava de falar em você. Nos separamos há uma semana, depois que ela me confessou que gostava de você, Katherine. Agora me entende?

- Sinceramente, não. E o que você quer com isso?

- Por mais que me doa, quero o bem da Val. Quero você e ela juntas.

- Já passou pela sua cabeça que eu posso não ser gay e nem querer virar uma?

- Não fale uma coisa dessas...

Fomos interrompidas. Era Fernanda, a garota que tentava me fazer soltar as mãos de Bárbara naquele dia no banheiro.

- Ei, gazeando meninas?

Como em intimidade elas podiam ser tão diferentes? Como pude me distanciar? Eu não estava entendendo absolutamente nada.

- Eu não. Vou voltar para a minha aula de biologia. Falei com voz de decisão.

- Katherine, espera... Bárbara tentava me fazer ficar

- Deixa ela Bárbara. Enfim tinha alguém que me salvava, então!

Então eu fui. Não olhei para trás, tentei não ouvir a conversa entre elas. Que ódio! Por que tudo era tão errado e tão certo ao mesmo tempo?

Se eu pertencesse a elas, tudo seria perfeito de seus pontos de vista. Mas estando entre a cruz e a espada, ou seja, sozinha, tudo era absolutamente uma neura.

Engraçado, porque eu havia acabado de sair de minhas férias e as queria mais do que nunca.

Vou sair, e isso é uma coisa boa. Ao menos isso.

Caminhando e conversando, de repente, tocamos no assunto.

- Achei que você não ia querer sair comigo.

- Por quê?

- Bem, muitas pessoas pensam que sou gay como as minhas amigas..

- Ah.. Ah! Me desculpe, Kiane. Achei isso mesmo.

Em meio a gargalhadas, fui convidada para uma festa. Era na casa da tal de Gabriela, amiga da Bárbara.

Eu fui, meio me achando um \"patinho fora d\'água\" e nem sabendo o que falar direito.

Me senti confortável ao ver a Vale entrando pela porta que separava a cozinha, cheia de gente, da sala confortável onde estavam algumas pessoas.

Eu já havia tomado alguns belos e generosos goles de vinho, estava feliz apenas. Sabia que se tomasse demais ia acabar no hospital.

Nos aproximamos para um cumprimento. Meu coração batia junto com a música, e eu jurava poder senti-lo subindo pelo pescoço.

Por fim, tudo ocorreu naturalmente. Nos cumprimentamos como duas velhas amigas, com um abraço.

Havia uma sala menos cheia próxima, entramos para conversar.

Como um sino tilintando, ao primeiro beijo, ela me afirmou:

— Gosto de você de verdade.

— Eu também. Respondi com o mesmo sussurro aconchegante e sedutor. Estava tudo indo muito depressa, mas eu não me importava. Parecia que nos conhecíamos como dois cônjuges aos beijos em sua casa, em seu conforto, em sua cama.

Foi tudo muito doce e carinhoso. Saímos do quarto de mãos dadas, o suor ainda em minha mão, as batidas ainda frenéticas tomadas por um amor.

A festa terminou calma, e vínhamos sem pressa em meio ao asfalto molhado. Parando em frente ao portão do prédio, um beijo de despedidas.

— Será que te vejo e falo com você amanhã?

— E você acha que ninguém sabe o que fizemos hoje?

— Ah. Prefiro não comentar.

Rimos.

Mas ao olhar para o outro lado da rua, um choro ecoou. Era bárbara, aos prantos. Caramba, eu não queria machucá-la assim.

Abaixei a cabeça e entrei no prédio. Deixei as duas a sós.

Notas finais
Reviews? "Super otimista"