Receita para o Amor
9 Renesmee- Trabalho extra
Cheguei cedo ao hospital, tentando afastar os pensamentos confusos que me atormentavam. Caminhei pelos corredores brancos e frios, com o som de passos e vozes distantes ao fundo. Meus sentimentos estavam um caos. Não conseguia entender as sensações que Jacob me causava. Se ele fosse um homem solteiro, ou melhor, se não fosse o marido da minha mãe biológica, talvez... mas não. Afastei esses pensamentos da cabeça. Eles não tinham lugar ali. Precisava me concentrar no trabalho.
Entrei no meu pequeno consultório e comecei a organizar as fichas dos pacientes. A tarefa repetitiva me ajudava a acalmar a mente. No entanto, antes que eu pudesse terminar, alguém bateu na porta.
— Entre — respondi, olhando para cima.
Elijah passou pela porta, com aquele sorriso charmoso que parecia iluminar qualquer ambiente. Em sua mão, ele trazia uma rosa vermelha. Meu coração deu um leve salto.
— Bom dia, Nessie — ele disse, com uma cantada divertida. — Se eu fosse o sol, teria pedido folga hoje, porque nenhum raio de luz pode competir com seu sorriso.
Não pude evitar a risada que escapou de meus lábios, aceitando a rosa com um sorriso tímido.
— Obrigada, Elijah — murmurei, sentindo meu rosto corar.
— Pensei em algo — ele começou, com um brilho travesso nos olhos. — Você aceitaria sair comigo hoje à noite?
Fiquei surpresa com a pergunta. Olhei para ele, hesitante.
— Elijah, não sei se é uma boa ideia... — comecei a dizer, tentando escolher as palavras certas. — Eu acabei de entrar no hospital, e você é o neto do meu chefe...
Elijah deu de ombros, mantendo o sorriso.
— Isso não vai te prejudicar, Nessie. Prometo. Eu só quero passar um tempo com você fora daqui, em um ambiente mais descontraído.
Suspirei, ainda incerta.
— Prefiro não misturar as coisas, Elijah. Trabalho e vida pessoal... é complicado.
Ele fez uma expressão de tristeza exagerada, como se eu tivesse acabado de partir seu coração. Foi impossível não rir de novo.
— Não sou de desistir fácil, Renesmee — ele disse, cruzando os braços, determinado.
Olhei para ele por um momento, pensando nas sensações que Jacob me causava. Talvez... talvez fosse uma boa ideia. Precisava relaxar e tirar esses absurdos da cabeça.
— Tudo bem, Elijah. Eu aceito — respondi, finalmente.
Elijah comemorou discretamente, como se tivesse acabado de ganhar na loteria.
— Te pego em casa às 21 horas, então! — Ele disse, com um sorriso vitorioso.
Assenti, observando enquanto ele saía da sala. Suspirei novamente, voltando minha atenção para os prontuários. Talvez estivesse fazendo a coisa certa. Precisava de algo para tirar Jacob da minha mente.
No entanto, pouco depois, fui novamente interrompida. A secretária entrou na sala, informando-me que o Dr. Black estava me chamando em sua sala. Assenti, deixando os papéis sobre a mesa e saí em direção ao escritório de Jacob.
Caminhei pela recepção e bati de leve na porta antes de entrar.
— Bom dia, Dr. Black. Precisava de algo? — perguntei, tentando manter a formalidade.
Jacob estava sentado à sua mesa, os olhos fixos nos documentos à sua frente. Ele ergueu o olhar para mim e assentiu.
— Sim, vamos ter trabalho dobrado esta noite. Preciso de ajuda para atualizar alguns documentos importantes do hospital — ele disse, com o tom sério que sempre usava em situações de trabalho.
Meus pensamentos imediatamente se voltaram ao compromisso com Elijah. Olhei para ele, tentando disfarçar o desconforto.
— Tem algum problema, Renesmee? — Jacob perguntou, percebendo minha hesitação.
— Não, nenhum problema. Eu vou ajudá-lo — respondi, tentando soar despreocupada.
Ele sorriu, agradecendo.
— Ótimo. Era só isso.
Havia algo estranho na forma como ele me olhava, mas preferi ignorar. Agradeci e saí da sala. Precisava falar com Elijah e desmarcar nosso compromisso.
Enquanto caminhava de volta ao meu consultório, não pude evitar um suspiro de frustração. O que estava acontecendo comigo? Porque esse homem estava mexendo tanto com minha cabeça? E o que significava aquele sonho? Eu precisava encontrar uma forma de lidar com isso antes que enlouquecesse.
O dia no hospital foi uma correria. Jacob me ocupou o dia todo, e eu nem tive tempo de pensar no que havia acontecido mais cedo. Pacientes entravam e saíam do consultório, cada um com sua história, seus medos, e suas esperanças. Fiz o meu melhor para ser atenciosa, escutando e oferecendo o cuidado que precisavam. Mas, quando o último paciente entrou na sala, eu já estava exausta.
Era um senhor idoso, com os cabelos completamente brancos e um sorriso amistoso no rosto. Ele entrou devagar, apoiando-se em uma bengala, e atrás dele vinha sua esposa, uma senhora baixinha e cheia de energia.
— Boa noite, doutora! — ele disse, com uma voz rouca mas cheia de vida. — Desculpe a demora, mas esses velhos ossos não andam mais como antigamente.
Sorri para ele, sentindo instantaneamente a simpatia que exalava.
— Não se preocupe, senhor. Estou aqui para ajudar — respondi, indicando a cadeira para que ele se sentasse.
Ele se acomodou com um suspiro de alívio, a esposa se aproximando para ajeitar o casaco dele com um carinho evidente.
— Então, senhor... — comecei, esperando que ele me dissesse o nome.
— Callahan — ele respondeu. — Mas pode me chamar de Joe. Todos os meus amigos me chamam assim. E se a senhorita me permite dizer, é um privilégio ser atendido por uma médica tão bonita. Se eu fosse uns quarenta anos mais novo, hein?
Não consegui evitar a gargalhada que escapou. A esposa dele, ao invés de se irritar, deu um leve tapa no braço dele, também rindo.
— Ah, Joe, você e essas suas cantadas! Ela está aqui para cuidar do seu coração, não para ouvir suas gracinhas.
— Mas um coração velho como o meu também precisa de alegria, não é, doutora? — Joe piscou para mim, claramente se divertindo.
Eu ri de novo, assentindo.
— Com certeza, Joe. A alegria é um dos melhores remédios.
Conduzi a consulta de forma tranquila, analisando os exames e ouvindo Joe contar histórias sobre sua juventude, enquanto a esposa dele corrigia ou complementava os detalhes. Eles eram um casal adorável, e me senti aquecida ao ver o amor e o respeito que compartilhavam.
Ao final da consulta, me despedi deles com um sorriso genuíno. A esposa de Joe me agradeceu, dizendo que eu tinha feito o dia dele, e ele saiu da sala com uma piscadela, prometendo voltar mais vezes só para “dar uma animada no hospital”.
Assim que eles saíram, ouvi a porta se abrir novamente e vi Elijah entrar, com um sorriso animado no rosto.
— Então, Renesmee, está confirmado? Passo na sua casa às 21 horas?
De repente, me senti envergonhada. Com o caos do dia, quase havia esquecido que precisava cancelar nosso compromisso. Suspirei, sentindo o peso da frustração.
— Elijah... me desculpe, mas não vai dar. Vou precisar ajudar o Jacob com trabalho extra hoje à noite.
Vi a animação desaparecer do rosto de Elijah, substituída por uma expressão de frustração. No entanto, ele logo sorriu novamente, tentando disfarçar.
— Ah, entendo. Sem problemas, Nessie. Fica para uma próxima vez, então.
Antes que eu pudesse responder, Jacob entrou na sala, com uma expressão fechada e o olhar duro.
— Renesmee, já podemos ir?
O clima na sala ficou tenso. Elijah olhou para Jacob e depois para mim, parecendo perceber algo no ar.
— Bom, vou nessa. Boa noite para vocês — disse Elijah, acenando brevemente antes de sair da sala.
Fiquei ali, observando enquanto ele saía, sentindo uma mistura de alívio e culpa. Jacob, ao perceber que estávamos sozinhos novamente, pareceu relaxar um pouco.
— Vamos para casa, então — ele disse, num tom mais suave.
Assenti, pegando minhas coisas. Enquanto saíamos do hospital, não pude deixar de pensar em como o dia havia sido estranho. Jacob estava diferente, e eu... bem, eu estava confusa. Precisava de tempo para entender meus sentimentos, mas uma coisa era certa: minha vida nunca mais seria a mesma.
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