Receita para o Amor

10 Renesmee- Crise familiar


Durante todo o caminho para casa, o silêncio entre Jacob e eu era palpável. Ele parecia imerso em seus próprios pensamentos, enquanto eu me perdia no meu celular, respondendo algumas mensagens de Renee. A notícia sobre a saúde de Charlie me deixou profundamente preocupada. Estava apenas há uma semana em Nova York, e minha vida já estava se tornando um turbilhão. Não ter tido tempo para ligar para Charlie, que para mim era como um pai, só aumentava a sensação de culpa e inquietação.

Jacob percebeu meu estado e, com um tom gentil, perguntou:

— Está tudo bem? Parece preocupada.

Suspirei, tentando reunir palavras para expressar meu sentimento.

— Meu pai, Charlie, não está muito bem. Sinto que deveria estar mais presente para ele.

Jacob me olhou com preocupação, e depois, de forma solidária, disse:

— Se precisar ir vê-lo, posso liberar seu final de semana. Não tem problema nenhum.

Sorri, aliviada, e agradeci.

— Não quero causar nenhum problema. Agradeço muito.

Ele sorriu de volta, seu olhar sincero me fez sentir um pouco mais leve.

Ao parar o carro diante da casa, Jacob me olhou nos olhos, e sua expressão transmitiu um conforto genuíno.

— É bom saber que aliviou um pouco seu coração — ele disse, tocando carinhosamente meu queixo.

Desviei os olhos dos dele, sentindo meu coração acelerar novamente, mas antes que pudesse responder, Jacob já estava saindo do carro.

Saímos juntos e entramos em casa, encontrando Bella na sala. Eu a cumprimentei com um "boa noite", e Bella respondeu com um sorriso forçado.

— Precisamos conversar, Jacob.

Olhei para Jacob, e ele assentiu.

— Claro, avise-me quando estiverem prontos para começar o trabalho — eu disse, e ele confirmou com um breve "sim".

Senti uma estranha tensão no ar, então subi as escadas para meu quarto. No entanto, parei no corredor, encostada na parede, e me esforcei para ouvir o início da conversa entre Bella e Jacob. A porta estava entreaberta, e uma sensação de ansiedade me envolveu. A conversa que se seguiu começou a revelar mais sobre o que estava acontecendo entre eles, e eu não pude deixar de me sentir envolvida na complexidade da situação.

Bella, com um tom de voz mais baixo e pesaroso, começou a falar:

— Eu quero o divórcio.

Jacob, com uma expressão de frustração, surpresa misturada com dor, interrompeu:

— Como é que e?

Continuei escutando a conversa entre Jacob e Bella, sentindo uma crescente inquietação. Nem eu entendia por que estava tão envolvida na situação deles, especialmente considerando a falta de vínculo materno que sentia com Bella.

Jacob, agora visivelmente abalado, ouviu o pedido de divórcio de Bella e questionou:

— Então, é isso? Você está pedindo o divórcio?

Bella, com um tom de resignação, respondeu:

— Aceitei uma oferta de trabalho na Holanda. Acho que é o melhor para nós.

Jacob parecia incrédulo e perguntou com um misto de raiva e desilusão:

— Então tudo isso é uma fuga? Você realmente acha que pode simplesmente fugir dos seus problemas? Eles vão voltar, cedo ou tarde.

Bella respondeu, tentando se manter firme:

— Isso é tudo o que eu tenho a dizer. Não precisa mais se preocupar com meus problemas.

A frustração de Jacob era palpável quando ele disse:

— Tudo bem, se é o que você quer, então eu vou dar o divórcio. Vou sair de casa pela manhã.

Bella tentou amenizar:

— Não é necessário. Eu viajo amanhã cedo.

Percebi que Bella se dirigia para as escadas e, em um impulso, corri para o meu quarto. Peguei uma toalha e entrei no banheiro, ligando o chuveiro para criar um som de água corrente. Minutos depois, ouvi Bella chamando meu nome. Me enrolei na toalha, molhei meus cabelos e saí do banheiro com uma expressão de quem acabara de sair do banho.

— Há algum problema? — perguntei, tentando parecer confusa.

Bella, com um olhar preocupado, disse:

— Precisamos conversar.

Assenti e me sentei na cama. Bella começou a falar com uma sinceridade dolorosa:

— Eu sei que você talvez não sinta muita falta de mim, mas vou fazer uma viagem. Conversei com Charlie, e ele me disse que você pode ficar na casa o tempo que precisar.

Eu a olhei, assustada, e perguntei:

— Você vai me deixar sozinha com o Jacob?

Bella confirmou com tristeza:

— Sim, Jacob e eu estamos nos separando.

Fingi surpresa, tentando não demonstrar o quanto estava confusa e abalada.

— Jacob é um homem de bem — continuou Bella —, e não se preocupe, Charlie confia muito mais nele do que em mim.

Perguntei, tentando entender:

— Para onde você vai?

Bella respondeu com um tom de arrependimento:

— Para a Holanda. Desculpe por abandoná-la novamente.

Senti uma onda de tristeza, mas controlei minhas emoções.

— Não se preocupe — disse eu, tentando soar tranquila —, já me acostumei com isso.

Bella saiu do quarto, e eu fiquei sozinha, sentindo lágrimas se acumularem nos meus olhos. Com um esforço, segurei as lágrimas e me forcei a não chorar. Bella não merecia minhas lágrimas; ela havia me mostrado, mais uma vez, o quanto era difícil para mim confiar e me conectar com ela.

Enquanto a noite avançava, a realidade do que acabara de acontecer se estabelecia em mim. Eu precisava lidar com tudo isso, focar no que era importante e, acima de tudo, seguir em frente.

Horas depois sai do quarto e desceu as escadas. Já era quase meia-noite, e a casa estava em um silêncio quase absoluto. Bella, aparentemente, havia se trancado no quarto, e a sala estava escura, iluminada apenas pela luz suave do abajur. Jacob estava sentado em uma poltrona, segurando uma garrafa de bebida.

Calmamente me aproximei e, tentando manter a leveza na situação, comentei:

— Parece que vamos adiar o trabalho extra para amanhã.

Jacob sorriu para mim, o olhar um pouco turvo. Ele estava visivelmente bêbado.

— Está de folga hoje à noite — disse ele, com um tom de voz relaxado.

Apesar de confusa fiquei preocupada com o estado dele, me aproximei e sentei na poltrona em frente à dele.

— Quer conversar? — perguntei a ele, tentando soar casual.

Ele olhou para mim, uma expressão de admiração no rosto.

— Sabia que você é linda? — disse ele, com um sorriso bobo.

Meu rosto queimou, ficando corada e respondi — Você está bêbado.

Jacob deu uma risada baixa e confirmou:

— Sim, realmente estou. Mas eu entendo.

— Olhei para ele com uma expressão confusa. — Por quanto tempo mais você pretende disfarçar?

Senti o coração acelerar e franzi a testa, fingindo não entender.

— Não sei do que você está falando.

Jacob balançou a cabeça, claramente confuso.

— Realmente estou bêbado. Deixa pra lá. — Tentou se levantar, mas cambaleou para o lado. Imediatamente corri para ajudar, segurando-o com cuidado.

— É melhor você ir dormir — sugeri a ele, tentando guiá-lo.

Jacob, ainda meio perdido, perguntou:

— Onde? Bella não vai abrir a porta.

Sem pensar duas vezes o ajudei a subir as escadas, apoiando-o enquanto caminhavam pelo corredor. Entrei no quarto dela e o deitou na cama. Jacob fez uma piada com um sorriso sonolento.

— Opa, parece que gostou da ideia.

Apesar de vermelha eu revirei os olhos, ajudando-o a tirar os sapatos. Jacob, agora visivelmente exausto, se deitou na cama e murmurou:

— Sinto que fui enganado a vida toda.

E logo apagou.

Eu suspirei sentindo um peso de inquietação. Em seguida murmurei para mim mesma:

— E agora, Renesmee?

Peguei um travesseiro e saiu do quarto, indo para a sala. Jogou-se no sofá, olhando para o teto enquanto tentava processar tudo que acontecera. A situação parecia cada vez mais complexa, e o mistério envolvendo seus sentimentos, as tensões na casa, e a questão com Jacob deixavam tudo mais confuso.