Receita para o Amor
11 Renesmee- Chase Cullen
Acordei com o som da voz de Bella me chamando. Abri os olhos, ainda sonolenta, e olhei para ela.
— Que horas são? — perguntei, tentando me espreguiçar.
— São 7 horas — respondeu Bella.
Ela estava de pé na entrada da sala, e eu percebi que tinha passado a noite no sofá. Perguntei por que ela estava me acordando tão cedo e por que eu estava ali. Bella olhou para a TV desligada e nada disse.
Então, percebi as malas espalhadas pela sala. Bella mencionou que pegaria um voo em duas horas. Desejei-lhe boa sorte e agradeceu com um sorriso triste. Ela puxou as malas e saiu, fechando a porta atrás de si. Fiquei ali, sozinha, sentindo uma onda de tristeza e confusão. Perguntei a mim mesma por que minha mãe parecia me desprezar tanto. As lágrimas começaram a surgir novamente, mas fiz o melhor para controlá-las.
Olhei pela janela e vi Bella colocando as malas no carro. Quando ela olhou na direção da minha janela, nossos olhares se cruzaram por um breve momento. Então, ela entrou no veículo e partiu. Senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto, mas respirei fundo e tentei me acalmar.
Caminhei pela sala em direção à cozinha, fiz um café bem forte e coloquei em duas canecas. Subi as escadas e entrei no meu quarto. Jacob estava acordado e olhando pela janela. Quando me viu, disse:
— Oi.
— Oi — respondi, caminhando até ele. — Você viu ela partir?
— Sim — respondeu Jacob.
Perguntei se ele estava bem e se não achava que deveria ir atrás dela. Ele balançou a cabeça.
— Corri atrás de Bella por vinte anos. Esperei por ela por 10 anos. Isso não é mais amor; eu preciso me libertar.
Entreguei a xícara com café para ele, que a pegou com um agradecimento. Ele então perguntou se eu estava bem, já que minha mãe havia partido.
— Minha mãe está em Forks e se chama Renée — respondi com um sorriso triste. — Por isso meu nome é Renesmee.
Jacob sorriu e tomou um gole do café. Fez uma careta e disse:
— Está sem açúcar.
— É para a ressaca — brinquei, tentando aliviar o clima.
Jacob riu e, por um momento, a tensão no quarto parecia diminuir. Eu me sentei ao lado dele na cama, sentindo que, apesar das dificuldades, ter Jacob por perto era um pequeno alívio em meio a toda a confusão.
Jacob foi para o quarto, e eu decidi fazer o mesmo. Após o banho, vesti um lindo vestido azul floral longo, calcei sandálias de salto e prendi meu cabelo em um coque. Peguei minha bolsa e o jaleco e saí do quarto.
Desci as escadas e encontrei Jacob na sala. Ele estava pronto e perfumado, e o cheiro do perfume tomou conta do ambiente. Quando me aproximei, ele me olhou como se estivesse fazendo uma breve análise antes de voltar a se concentrar na pasta com papéis.
— Podemos ir se já estiver pronta — disse ele.
— Estou pronta — respondi. — Mas antes, você passou perfume ou bebeu o frasco todo?
Jacob me olhou, baixou a cabeça e riu. Eu também ri.
— Desculpe, o cheiro daquele whisky não quis sair no banho — explicou ele.
— Entendi — eu disse, ainda rindo.
Saímos juntos da casa e fomos para o hospital. Senti um pouco de alívio ao ver que, apesar da separação, Jacob parecia estar bem. Embora não estivesse particularmente preocupada com Bella, por mais que ela fosse minha mãe biológica, a via como uma mulher egoísta que só pensava em si mesma.
Jacob, que dirigia, percebeu meu olhar e perguntou:
— Está tudo bem?
— Sim — respondi.
Ele estacionou o carro no hospital e antes de sairmos, me lembrou que teríamos um compromisso à noite. Concordei com a cabeça e ambos saímos do carro.
Entramos no hospital, cumprimentamos todos na recepção e esperamos o elevador. Ao chegarmos no andar das nossas salas, um homem estava à espera de Jacob. Ele nos cumprimentou.
— Bom dia, Black — disse o homem, estendendo a mão.
Jacob apertou a mão dele e respondeu:
— Chase, não sabia que estava de volta.
O homem olhou para mim e sorriu, antes de se dirigir a Jacob:
— Quem é essa linda jovem?
Jacob então me apresentou:
— Essa é Renesmee Swan, a nova médica do hospital e minha assistente. Renesmee, este é Chase Cullen, filho de Carlisle.
A expressão de Chase mudou ao ouvir meu sobrenome. Ele simplesmente disse que tinha um compromisso e saiu apressado, deixando um clima de estranhamento no ar.
O restante do dia foi mais tranquilo. Jacob teve uma reunião com empresas fornecedoras de medicamentos e me pediu para acompanhá-lo. Enquanto caminhávamos em direção à sala de conferências, ele me explicou o processo de escolha das medicações para o hospital.
— Os fornecedores nos apresentam suas opções, e analisamos não só o preço, mas também a qualidade, eficácia e a disponibilidade contínua do produto — explicou Jacob. — É importante garantir que tenhamos sempre o que precisamos para atender nossos pacientes da melhor forma possível.
Na reunião, representantes das empresas apresentaram suas propostas e nós discutimos as opções. Jacob fazia perguntas diretas, avaliando cada detalhe, desde a origem dos medicamentos até o suporte técnico oferecido.
— O que vocês oferecem em termos de assistência técnica? — perguntou ele a um dos fornecedores.
— Temos uma equipe disponível 24 horas para qualquer necessidade do hospital — respondeu o representante, com confiança.
— Isso é fundamental — Jacob comentou, me lançando um olhar rápido, como se quisesse ter certeza de que eu estava prestando atenção. — Se houver algum problema com os medicamentos, precisamos de uma solução imediata.
As negociações se estenderam pelo almoço, e eu me esforcei para acompanhar o ritmo. No final da tarde, quando finalmente o grupo de fornecedores foi embora, eu estava exausta.
— Acha que absorveu alguma coisa? — Jacob perguntou, sorrindo, enquanto me deixava na porta da lanchonete do hospital.
— Mais do que eu esperava — respondi, tentando soar confiante, apesar do cansaço.
Ele assentiu e seguiu para sua sala, enquanto eu entrei na lanchonete para um rápido descanso. Lá dentro, vi Elijah conversando com Mike. Me aproximei deles, tentando parecer mais animada do que realmente estava.
— Teve um longo dia? — perguntou Elijah, me lançando um olhar curioso.
— Pode-se dizer que sim — respondi, sorrindo.
— Você tem o cargo dos sonhos dos médicos, mas deve ser duro — comentou Mike, dando uma risadinha.
— Eu dou conta — repliquei, tentando convencer a mim mesma tanto quanto a eles.
Mike olhou para Elijah e disse:
— Preciso ir, meu plantão começa logo. Afinal, sou apenas um simples mortal.
Eu e Elijah rimos, e quando Mike se afastou, Elijah se virou para mim.
— Você ainda me deve um jantar, sabe disso, certo? — ele disse, com um sorriso brincalhão.
— Sei, mas hoje não vai rolar — respondi. — Tenho um compromisso com Jacob.
— Entendo — ele disse, ainda sorrindo, mas com um toque de desapontamento nos olhos. Ele olhou para a porta e seu sorriso se apagou quando viu Carlisle entrando.
Carlisle se aproximou de nós e nos cumprimentou. Depois de algumas palavras trocadas, aproveitei a oportunidade para me despedir.
— Preciso ir agora — disse, forçando um sorriso antes de sair da lanchonete.
Fui para a minha sala, peguei minha bolsa e o jaleco, e segui para o estacionamento do hospital. Jacob já estava lá, me esperando no carro.
— Pronta? — ele perguntou, levantando a cabeça do celular quando me viu.
— Pronta — respondi, entrando no carro.
Enquanto saíamos do estacionamento, olhei de relance para ele, que parecia mais tranquilo, mas ainda havia algo nos seus olhos que me deixava inquieta. Talvez fosse o peso do dia, ou talvez algo mais que eu ainda não conseguia entender completamente.
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