Receita para o Amor

72 Renesmee- Seguindo em Frente


Seis meses. Seis longos meses desde que tudo aconteceu, até finalmente chegar o momento de enfrentar Alec no tribunal. Eu estava sentindo um turbilhão de emoções, medo, raiva, alívio... Mas, acima de tudo, a necessidade de justiça. Jacob estava ao meu lado, me abraçando carinhosamente, tentando me passar a força que eu precisava. Sua presença era meu porto seguro, e eu sabia que, independentemente do que acontecesse, ele estaria comigo.

— Vai dar tudo certo, Nessie — ele sussurrou, apertando minha mão.

Assenti, tentando me manter firme enquanto atravessávamos as portas do tribunal de Seattle, onde o julgamento de Alec aconteceria. O ambiente era solene, as paredes frias e austeras, cheias de expectativa. O tribunal estava lotado, com várias pessoas, incluindo alguns repórteres, que murmuravam entre si.

Quando finalmente nos sentamos, meus olhos imediatamente encontraram Alec. Ele estava do outro lado da sala, sentado com seu advogado, seu olhar frio e calculado. Meu coração disparou, mas forcei-me a respirar fundo. Eu tinha que ser forte. Por mim, por Charlie, e por tudo o que eu havia perdido e recuperado.

O juiz entrou na sala e todos ficaram de pé. Ele era um homem de meia-idade, com uma expressão severa que não deixava transparecer qualquer tipo de emoção.

— O tribunal está em sessão — anunciou o oficial de justiça, e todos se sentaram novamente.

O juiz começou a leitura formal do caso, explicando as acusações contra Alec. Eu ouvia as palavras, mas tudo parecia tão surreal. Estar ali, relembrando tudo o que passei, era como viver um pesadelo acordada.

A primeira testemunha foi chamada, uma mulher jovem, de aparência simples, mas visivelmente nervosa. Ela se apresentou como Sofia, a namorada de Alec.

— Senhorita Sofia, você pode nos contar sobre seu relacionamento com o réu? — perguntou o advogado de acusação.

Ela assentiu, umedecendo os lábios antes de falar.

— Eu namorei Alec por cerca de um ano — começou, sua voz um pouco trêmula. — Eu... nunca desconfiei de nada. Ele parecia ser uma pessoa normal, um bom namorado. Mas havia coisas que não faziam sentido, agora que penso... — ela hesitou, olhando brevemente para Alec antes de continuar. — Minhas roupas sempre desapareciam quando eu dormia na casa dele.

O advogado a incentivou a continuar.

— Naquela manhã, antes de eu sair da casa do Alec, eu vi duas marmitas na mesa. Ele disse que era para dois amigos do hospital, mas eu notei que não havia talheres. Achei que ele tinha esquecido, então coloquei os talheres nas sacolas, sem que ele soubesse — revelou Sofia, sua voz ficando mais firme à medida que falava.

Minha respiração ficou presa por um instante. As palavras de Sofia ressoaram na minha mente. Ela não fazia ideia, mas aquele simples ato havia salvado a minha vida. Eu senti uma onda de gratidão por ela, mesmo que não tivesse noção do impacto que sua ação teve.

O advogado de defesa se levantou e tentou desacreditar o testemunho de Sofia, sugerindo que ela estava apenas tentando implicar Alec porque o relacionamento deles havia terminado mal. Mas o olhar de Sofia permaneceu firme. Ela estava dizendo a verdade, e todos podiam ver isso.

Em seguida, outra testemunha foi chamada, um colega de trabalho de Alec, que descreveu comportamentos estranhos que havia notado, mas nunca questionado.

Finalmente, foi a vez de Alec falar. Ele se levantou com uma confiança assustadora, e olhou ao redor da sala antes de começar.

— Eu sou inocente — disse ele, sem nenhuma hesitação. — Tudo o que foi dito aqui hoje são mentiras. Eu jamais machucaria alguém, muito menos Renesmee. Ela estava lá por livre e espontânea vontade.

Eu quase me levantei para gritar com ele, mas Jacob apertou minha mão, me forçando a ficar no lugar. Era difícil ouvir suas mentiras, ver como ele tentava manipular a todos com aquela falsa inocência.

O juiz, porém, não parecia convencido. Ele observou Alec por um longo momento antes de se virar para o advogado de acusação.

— As evidências contra o réu são substanciais. O réu foi encontrado no cativeiro ferido pela vitima, que agiu em legitima defesa— disse o juiz, a voz firme e imparcial.

Finalmente, o momento que eu tanto temia e esperava chegou. O juiz se dirigiu a Alec, sua expressão solene.

— Alec Volturi, você foi julgado e considerado culpado de agressão fisica e sequestro, entre outros crimes. Sua sentença é de 25 anos de prisão sem possibilidade de liberdade condicional.

Houve um murmúrio na sala do tribunal. Eu senti uma onda de alívio, misturada com tristeza. Alec olhou para mim uma última vez, seus olhos frios e sem arrependimento, antes de ser levado pelos guardas. Era o fim de um capítulo sombrio da minha vida, mas eu sabia que as cicatrizes permaneceriam.

Jacob me puxou para um abraço, beijando minha testa.

— Acabou, meu amor. Ele não vai mais te machucar.

Eu assenti, deixando as lágrimas finalmente caírem. Era o começo de um novo capítulo, um onde eu poderia finalmente me sentir segura e feliz com minha família. Mas o que mais importava era que, apesar de tudo, eu tinha sobrevivido. E agora, era hora de seguir em frente.

O tempo passou, e aos poucos, consegui retomar a minha vida. As cicatrizes do passado ainda estavam lá, mas com o apoio de Jacob e a alegria que Charlie trazia todos os dias, comecei a me sentir inteira novamente. Aceitei a proposta de trabalhar no hospital com Jacob, mas apenas em meio período. Charlie ainda estava se adaptando à escola, e eu queria estar presente o máximo possível.

A rotina no hospital era intensa, mas eu estava feliz por estar de volta ao trabalho que amava. Naquele dia, enquanto caminhava pelo corredor, uma das enfermeiras se aproximou de mim, visivelmente preocupada.

— Dra. Cullen, precisamos de uma médica na emergência, imediatamente.

Assenti, sentindo o coração acelerar. Emergências sempre traziam uma mistura de adrenalina e ansiedade. Apressei o passo, optando pelas escadas para não perder tempo. Quando cheguei à sala de emergência, parei subitamente ao ver quem estava ali. Bree. Ela estava deitada na maca, visivelmente pálida, e... grávida.

Nossos olhos se encontraram, e por um momento, o mundo pareceu parar. Antes que eu pudesse reagir, Bree segurou meu braço com força, seus olhos cheios de lágrimas.

— Por favor — ela implorou, sua voz trêmula e desesperada —, se tiver que escolher quem salvar, escolha o meu bebê. Ele é filho do Jacob.

As palavras dela ecoaram na minha mente, me atingindo como um soco no estômago. O tempo pareceu parar enquanto eu tentava processar o que ela havia dito. Meu coração disparou, mas eu precisava manter a calma. Eu era a médica ali, e ela estava em uma situação crítica.

— Bree, você precisa se acalmar — falei, tentando manter a voz firme, embora minha cabeça estivesse girando. — Vamos fazer todo o possível para salvar vocês dois, ok?

Ela apertou minha mão, suas lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu sabia que aquela não era a hora para confrontos ou discussões. Ali, naquele momento, minha prioridade era salvar aquela vida que Bree carregava. Uma vida que, segundo ela, era parte de Jacob.

A equipe médica ao redor começou a agir rapidamente. Os monitores apitavam e as vozes dos enfermeiros e médicos preenchiam o ambiente. Mas na minha mente, só havia o eco das palavras de Bree. Eu me forcei a me concentrar, a focar no que precisava ser feito. O tempo era crucial, e qualquer erro poderia ser fatal.

— Como está a pressão dela? — perguntei, enquanto colocava minhas luvas.

— Está caindo, doutora. Precisamos agir rápido — respondeu um dos enfermeiros, me passando os detalhes do quadro clínico.

Bree estava em trabalho de parto prematuro, e seu estado era grave. Havia riscos tanto para ela quanto para o bebê. Eu precisava decidir rapidamente a melhor abordagem para salvar ambos.

— Preparem a sala de cirurgia — ordenei, tentando ignorar o turbilhão de emoções dentro de mim. Bree me olhou com desespero, mas eu apenas segurei sua mão brevemente, tentando transmitir alguma segurança.

— Vamos fazer o possível, Bree. Confie em mim.

Ela apenas assentiu, enquanto as lágrimas continuavam a escorrer. Enquanto a preparavam para a cirurgia, eu sentia o peso daquela responsabilidade. Não apenas por ser médica, mas porque, de alguma forma, aquela situação envolvia o homem que eu amava.

Enquanto Bree era levada para a sala de cirurgia, senti uma onda de determinação. Eu não podia deixar que meus sentimentos interferissem no meu trabalho. A vida daquela criança, e a vida de Bree, estavam nas minhas mãos. E, independentemente do que isso significasse para mim e Jacob, eu faria o meu melhor.

Naquela sala fria e iluminada, com a vida de Bree e do bebê em risco, eu só podia focar em uma coisa: salvar vidas.