Receita para o Amor
73 Renesmee- A família Tanner
A situação na sala de cirurgia se agravava rapidamente. Bree estava em sérias dificuldades, e meu coração estava em uma batalha constante entre o profissionalismo que eu precisava manter e o turbilhão de emoções que me assolava. Eu precisava focar.
— Ela está tendo convulsões! — gritou uma das enfermeiras ao meu lado.
— Chamem uma obstetra, agora! — ordenei, tentando manter a calma, embora o pânico estivesse começando a se infiltrar.
Bree foi rapidamente estabilizada, mas estava claro que ela precisava de uma intervenção cirúrgica imediata. Ela foi levada para a sala de cirurgia, e eu me aproximei de Julia, uma das enfermeiras de confiança.
— Julia, avise o Jacob. Ele precisa saber.
Ela assentiu rapidamente e saiu para fazer a ligação. Na sala de cirurgia, a atmosfera era tensa. A obstetra, Dra. Amélia Rios, chegou apressada, e juntos, começamos o procedimento. Bree estava em trabalho de parto prematuro, mas conseguimos, com muito esforço, realizar o parto. O bebê nasceu, um menino. Ele foi imediatamente levado ao berçário, e por um momento, senti um breve alívio.
Mas então, Bree começou a se deteriorar rapidamente. O monitor cardíaco começou a apitar descontroladamente, e a Dra. Rios e eu trocamos um olhar de preocupação. Bree estava sofrendo de uma hemorragia interna grave, e sua pressão estava despencando.
— Está entrando em choque! — gritou a Dra. Rios, enquanto tentávamos desesperadamente controlar a situação.
Infelizmente, os esforços para estancar a hemorragia não foram suficientes. Bree perdeu muito sangue e, apesar de todas as tentativas, não conseguimos salvá-la. Ela faleceu pouco tempo depois do nascimento de seu filho.
Saí da sala de cirurgia, exausta e emocionalmente devastada. No corredor, encontrei Jacob. Ele estava pálido, surpreso e assustado.
— Jake... — comecei, tentando encontrar as palavras certas.
Ele me olhou, e a confusão nos olhos dele era evidente.
— Eu não sabia, Nessie. Eu não sabia que ela estava grávida.
Suspirei e me aproximei dele, o abraçando. Acima de qualquer coisa, eu compreendia que Bree foi importante para ele, e aquela situação era difícil para todos nós.
— Eu sei, Jake. — murmurei contra o peito dele. — Bree... ela foi importante para você, e agora... agora você tem um filho.
Jacob parecia perdido, e eu sabia que ele precisava de tempo para processar tudo. A Dra. Rios entrou na sala, parecendo cansada e solene.
— Jacob, os pais da Bree, os Tanner, estão na recepção. Como você é o pai da criança, acho importante que esteja presente neste momento.
Jacob assentiu, engolindo em seco, e eu segurei a mão dele. Nós saímos juntos da sala e seguimos para a recepção, onde encontramos um casal de meia-idade e uma jovem. Ao ver Jacob, a jovem correu ao encontro dele.
— Loren... — Jacob murmurou, abraçando a irmã de Bree.
A Dra. Rios se aproximou do casal, e a expressão em seus rostos deixou claro que eles sabiam que algo estava errado.
— Sr. e Sra. Tanner, sinto muito... — A voz da Dra. Rios era suave, mas carregada de tristeza. — Bree sofreu complicações durante o parto, e apesar de todos os esforços, não conseguimos salvá-la.
O casal ficou em choque. A mãe de Bree desabou em lágrimas, enquanto o pai a segurava, tentando manter a compostura. Loren soluçava nos braços de Jacob, que parecia perdido em meio a toda a dor e confusão.
Eu fiquei ao lado dele, apertando sua mão, oferecendo o apoio que ele precisava naquele momento. A realidade era dura, mas juntos, enfrentaríamos o que viesse.
*****
A lanchonete do hospital era um lugar simples, mas agradável. Havia algumas mesas redondas espalhadas pelo espaço, com cadeiras de plástico confortáveis o suficiente para quem precisava de um breve descanso. As paredes eram pintadas de um verde claro, transmitindo uma sensação de calma, e o aroma de café fresco se misturava ao som suave de conversas ao fundo.
Eu pedi um suco de laranja, tentando encontrar algum alívio na acidez da bebida. Enquanto esperava, tirei o celular do bolso e procurei o número de Renée. Precisava saber como Charlie estava, especialmente depois de toda essa reviravolta. O telefone tocou algumas vezes antes de Renée atender, mas antes que eu pudesse dizer muito, uma voz tímida me interrompeu.
— Posso me sentar aqui? — Olhei para cima e vi Loren, a irmã de Bree, parada ao lado da mesa com uma expressão apreensiva.
— Claro — respondi, indicando o assento à minha frente.
Loren se sentou, e por alguns instantes, houve um silêncio desconfortável entre nós. Ela parecia nervosa, mordendo o lábio inferior enquanto pensava no que dizer. Por fim, ela respirou fundo e começou a falar.
— Bree soube que estava grávida há alguns meses... — Ela desviou o olhar para as mãos, como se estivesse tentando reunir coragem para continuar. — Ela foi atrás do Jacob quando descobriu, mas quando viu que vocês tinham reatado, desistiu de falar com ele.
As palavras de Loren trouxeram à tona a memória daquela tarde, quando Bree apareceu na porta do apartamento de Jacob. Eu me lembrava do desconforto que senti, mas naquele momento, Bree não mencionou nada sobre a gravidez. Eu poderia ter suspeitado, mas nunca imaginei que a situação fosse tão complicada.
— Eu não posso julgá-la, Loren — disse, tentando manter a voz calma. — Eu não sei o que a levou a esconder a gravidez, mas Jacob tinha o direito de saber. Ele... ele precisava saber.
Loren balançou a cabeça em concordância, com lágrimas nos olhos.
— Eu tentei convencer Bree a contar para ele. Disse que ela não estava atrapalhando nada, que ele merecia saber, mas ela simplesmente não me ouviu. Ela tinha medo... medo de que o bebê fosse um fardo, de que ele não fosse bem-vindo.
Eu podia ver a dor nos olhos de Loren, e senti uma onda de compaixão por ela. Com tudo o que havia acontecido, ela também estava sofrendo. Sem pensar, estendi a mão para segurar a dela, oferecendo o pouco consolo que eu podia.
— Sinto muito por tudo isso — murmurei, apertando sua mão levemente.
Loren chorou mais abertamente agora, permitindo que as emoções finalmente transbordassem. Ela enxugou as lágrimas com a manga da blusa e respirou fundo antes de falar de novo.
— Nessie, eu... eu sei que isso é difícil, mas... por favor, convença o Jacob a abrir mão do bebê. Ele... ele merece uma vida tranquila, e eu não sei se ele está preparado para isso agora.
Fiquei em silêncio, processando o pedido de Loren. Era difícil não reagir imediatamente, mas eu sabia que precisava ser cuidadosa. Olhei para ela, tentando não deixar transparecer o turbilhão de emoções que suas palavras provocaram. Eu entendia que Loren queria proteger sua família, mas pedir que Jacob renunciasse ao próprio filho era uma questão extremamente delicada.
— Loren... — comecei, escolhendo cuidadosamente as palavras. — Eu não posso falar por Jacob. Essa é uma decisão que ele terá que tomar por si mesmo, e eu estarei ao lado dele, qualquer que seja sua escolha.
Ela assentiu, compreendendo, mas a dor em seu rosto não diminuía. Sabia que não era a resposta que ela queria ouvir, mas também sabia que era a única resposta que eu podia dar.
O silêncio entre nós se instalou novamente, mas dessa vez, era mais pesado, carregado com o peso de tudo o que não podia ser dito. Loren olhou para mim uma última vez, antes de se levantar e se afastar em direção à saída. Eu fiquei ali, com meu suco intocado, pensando em como tudo havia se complicado tão rápido.
Jacob precisaria de mim mais do que nunca agora, e eu estava determinada a estar lá para ele, não importa o que acontecesse.
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