Receita para o Amor

74 Renesmee- O pequeno Benjamin Black


Saí da lanchonete com a cabeça cheia de pensamentos, tentando organizar tudo o que havia acontecido. Loren estava claramente abalada e preocupada com o futuro, e eu entendia seus motivos, mas sabia que a decisão de Jacob precisava ser dele e apenas dele.

Peguei o elevador e segui para o consultório de Jacob. Ao me aproximar da recepção, não precisei perguntar por ele. Jane, sempre atenta, se antecipou, caminhando ao meu encontro.

— O doutor está péssimo — disse ela, com um tom de preocupação evidente.

Assenti, oferecendo um sorriso fraco.

— Obrigada, Jane. Vou falar com ele.

Entrei na sala e encontrei Jacob sentado no sofá, a cabeça baixa, ombros curvados. Ele estava claramente abatido. Suspirei e caminhei até ele, sentando-me ao seu lado e acariciando seu ombro. Sem dizer uma palavra, ele me puxou para mais perto, aconchegando-me em seu peito e beijando meus cabelos. Sorri, apesar da situação, e sussurrei:

— Não era eu quem deveria estar te consolando?

Ele ergueu o olhar, e nossos olhos se encontraram. A dor e a confusão que vi nos olhos dele me cortaram o coração.

— Sei que eu deveria te oferecer paz depois de tudo que você passou com nossa filha, no entanto...

Antes que ele pudesse continuar, coloquei um dedo em seus lábios, interrompendo-o suavemente.

— Jake, você tem problemas assim como eu, e estamos casados, embora não oficialmente, mas estamos. Seus problemas são meus problemas.

Ele sorriu, um sorriso pequeno e triste, e acariciou meu rosto.

— Eu não sabia que Bree esperava um filho meu.

Balancei a cabeça, segura de minhas palavras.

— Eu não tenho dúvida alguma de que você não sabia, Jake.

Ele beijou minha testa, e eu senti a tensão em seus músculos se aliviar um pouco.

— Obrigado por confiar em mim — murmurou.

Segurei o rosto dele entre minhas mãos, olhando-o nos olhos com toda a sinceridade que eu tinha.

— Eu amo você, e enfrentaremos isso juntos.

Jacob suspirou, como se uma parte do peso em seus ombros tivesse sido levantada.

— Eu também te amo, Nessie.

Ele me afastou com cuidado, apenas o suficiente para que pudesse me olhar de frente. Eu podia ver que ele ainda estava processando tudo, tentando entender o que significava ser pai novamente, especialmente nessas circunstâncias.

— Sei que Charlie ainda está se adaptando a tudo, mas não vou abrir mão do meu filho. Se isso for dar trabalho a você...

Olhei para ele com seriedade, sem hesitar.

— Jake, seu filho é irmão da Charlie. O lugar dele é com o pai dele e a irmã dele.

Ele pareceu surpreso pela minha determinação, mas ao mesmo tempo, aliviado. Sem dizer nada, Jacob inclinou-se para selar nossos lábios em um beijo suave. Quando ele se afastou, sussurrou:

— Você é incrível.

Sorri, acariciando o rosto dele, sabendo que o que nos esperava não seria fácil, mas estava disposta a enfrentar tudo ao lado dele. Eu amaria aquela criança tanto quanto amava minha própria filha, e juntos, encontraríamos uma maneira de equilibrar tudo.

— O que acha do papai do ano ir conhecer o novo membro da família Black? — perguntei, segurando a mão dele.

Jacob assentiu, e eu me levantei, puxando-o com carinho. Juntos, saímos da sala, prontos para conhecer o pequeno milagre que agora fazia parte de nossas vidas.

Enquanto caminhávamos pelos corredores do hospital em direção ao berçário, pude sentir a tensão de Jacob ao meu lado. Sua mão segurava a minha com força, e seu silêncio revelava o turbilhão de emoções que ele estava enfrentando. Eu sabia que aquele momento era crucial para ele, e também para nós como família. O ar estava pesado com a mistura de ansiedade e expectativa.

Ao nos aproximarmos do berçário, o som suave de monitores e o murmúrio distante de vozes de enfermeiras preenchiam o ambiente. Meu coração batia acelerado, e eu podia sentir que o de Jacob estava no mesmo ritmo.

Chegamos à porta do berçário, e uma das enfermeiras nos recebeu com um sorriso compreensivo. Ela nos conduziu até a pequena incubadora onde o bebê estava. Ao vê-lo, Jacob parou abruptamente, seus olhos fixos no pequeno ser envolto em tubos e fios, lutando para sobreviver.

O bebê era tão pequeno, mais frágil do que eu poderia imaginar. A pele rosada, quase transparente, e a respiração ritmada pelo ventilador me fizeram sentir uma onda de emoção tão intensa que meus olhos se encheram de lágrimas. Olhei para Jacob e vi uma expressão que nunca tinha visto antes — uma mistura de espanto, orgulho e amor.

— Ele é... tão pequeno — Jacob murmurou, a voz quebrando levemente.

Apertei a mão dele, encorajando-o a se aproximar mais. Jacob deu um passo à frente, aproximando-se da incubadora. Seus olhos estavam fixos no bebê, e ele parecia absorver cada detalhe, desde os pequenos dedos das mãos até o peito que subia e descia com a respiração assistida.

— Que nome você vai dar a ele? — perguntei, minha voz suave no silêncio do momento.

Jacob olhou para mim, seus olhos brilhando com emoção.

— Benjamin — respondeu, a voz firme, mas carregada de sentimentos. — Benjamin Black.

Sorri, sentindo um calor se espalhar pelo meu peito. Aquele nome parecia perfeito, forte e cheio de significado. Olhei para o pequeno Benjamin, meu coração cheio de amor e promessas silenciosas.

— Seja bem-vindo, Benjamin Black — sussurrei, as palavras saindo com a reverência de uma prece.

Jacob ficou ali, por um longo tempo, observando seu filho, o filho que ele nunca soube que teria. Eu estava ao lado dele, sentindo a profundidade do momento, sabendo que aquele era o começo de uma nova jornada para todos nós. Benjamin ainda teria que ficar na incubadora por alguns dias, mas naquele instante, eu sabia que ele já tinha um lugar garantido em nossos corações e em nossa família.

*********

O dia estava cinzento, combinando com o luto que pairava no ar. As nuvens pesadas ameaçavam desabar a qualquer momento, mas a chuva parecia segurar o fôlego, como se respeitasse a solenidade do momento. O enterro de Bree foi discreto, marcado por um silêncio pesado e doloroso. Jacob e eu nos mantivemos afastados da família, respeitando a dor deles e, ao mesmo tempo, evitando qualquer conflito desnecessário. Ficamos ao lado dos colegas médicos que haviam trabalhado com Bree, uma forma de mostrar respeito sem invadir o espaço dos Tanner.

O senhor e a senhora Tanner estavam visivelmente insatisfeitos com o fato de Jacob não abrir mão de Benjamin. Eu podia sentir o peso de seus olhares, mesmo à distância. Havia rumores de que eles planejavam lutar na justiça pela guarda do neto, mas Jacob estava firme em sua decisão. Ele sabia que, legalmente, ninguém poderia tirar seu filho dele. Benjamin era seu, e ele não abriria mão de criá-lo.

Quando a cerimônia terminou, nos afastamos lentamente, caminhando em direção à saída do cemitério. Estávamos envoltos em nossos próprios pensamentos, tentando processar tudo o que havia acontecido nas últimas horas. Mas antes que pudéssemos sair, ouvi uma voz atrás de nós

— Jacob! — Era Loren, a irmã mais nova de Bree, chamando por ele.

Jacob parou, e eu também. Olhamos para trás e vimos Loren se aproximando com passos rápidos. Havia algo urgente em sua expressão, algo que me deixou um pouco apreensiva.

— Você tem alguns minutos? — perguntou Loren, olhando diretamente para Jacob.

Jacob assentiu, mas antes que ela pudesse continuar, ele acrescentou:

— Pode falar na frente da minha mulher, Loren. Não tenho segredos com ela.

Loren pareceu hesitar por um momento, mas então respirou fundo e disse:

— Eu queria pedir para você repensar sobre o seu sobrinho, Jacob. Sei que isso tudo é complicado, mas…

Jacob a interrompeu, sua voz firme e sem margem para dúvidas.

— Não há nada a repensar, Loren. Benjamin é meu filho, e ele ficará comigo. Eu entendo a dor de vocês, e não vou afastá-lo da família da mãe. Vocês podem visitá-lo quando quiserem, mas eu não vou abrir mão dele.

Loren suspirou, desviando o olhar para mim antes de voltar a encarar Jacob.

— Meus pais consultaram um advogado — ela revelou, a voz baixa. — E o advogado disse que seria uma causa perdida. Nenhum juiz tiraria de você o direito de criar seu filho, ainda mais com a mãe falecida.

Jacob assentiu, como se já esperasse por aquela resposta.

— Eu já imaginava. Sinto muito pela perda de vocês, Loren, de verdade. Mas preciso fazer o que é certo para o meu filho.

Loren parecia lutar contra as lágrimas, mas se controlou. Ela sabia que não havia mais o que discutir. Ela se despediu de nós com um aceno triste e se afastou, voltando para junto dos pais.

Nós continuamos nosso caminho em silêncio, saindo do cemitério. O peso daquele dia estava sobre nós, mas ao mesmo tempo, havia uma sensação de resolução. Jacob estava determinado, e eu sabia que ele seria um pai maravilhoso para Benjamin, assim como era para Charlie. Estávamos prontos para enfrentar o que viesse pela frente, juntos.