Receita para o Amor
75 Jacob- Reviravoltas
Notas iniciais
Os dias depois que Nessie voltou para Nova York foram um verdadeiro renascimento para mim. Ver como ela aceitou o convite para morarmos juntos trouxe uma felicidade que eu nem sabia ser possível. A cada dia, eu acordava com o coração leve, sabendo que ela estava ali, ao meu lado, que estávamos construindo nossa vida juntos. Ver Nessie retornando ao hospital, aceitando trabalhar comigo, foi mais um passo importante na retomada da sua vida. Ela era brilhante, e eu sabia que os pacientes estavam em boas mãos.
Charlie, por outro lado, trazia um novo tipo de alegria. Cuidar dela era uma mistura de paciência e amor, mostrando-lhe o mundo aos poucos, um mundo que ela ainda temia em muitas partes. Eu a via descobrindo cada coisa nova, um sorriso tímido que aos poucos se transformava em gargalhadas. Isso me preenchia de uma forma indescritível.
Com todas essas mudanças positivas, eu sabia que o próximo passo seria tornar Nessie oficialmente minha esposa. Eu já havia pedido sua mão em casamento, mas sabia que precisava fazer algo especial. Algo que mostrasse o quanto eu a amava. Decidi que o aniversário dela seria o momento perfeito para uma surpresa.
Alice, Rosalie, Bella, Mary e Louise estavam todas envolvidas, ajudando-me a transformar a festa de aniversário de Nessie no nosso casamento. Elas já haviam providenciado o vestido, cuidando de cada detalhe com o cuidado e a atenção que apenas aquelas mulheres poderiam ter. Mesmo sendo uma surpresa, eu queria que tudo fosse perfeito para ela.
Em uma tarde, decidi que era hora de escolher a aliança. Saí para uma loja de joias em Nova York, a *Tiffany & Co.*, e assim que entrei, fui recebido por um vendedor simpático que me mostrou uma seleção incrível de anéis. Um em particular chamou minha atenção: um anel de ouro branco, delicado, mas com uma elegância que eu sabia que combinava com Nessie. Era simples, mas sofisticado, o reflexo perfeito dela.
Enquanto ele embalava o anel, meus olhos caíram em uma vitrine próxima e vi uma pulseira infantil linda, de prata, com pequenos pingentes em formato de corações. Pensei imediatamente em Charlie. Ela adoraria. Pedi que também embrulhassem a pulseira, satisfeito com o que eu estava levando para as duas pessoas mais importantes da minha vida.
Saindo da loja, fui direto para o hospital. Ao chegar à recepção da minha sala, dei boa tarde a Jane, que levantou o olhar da tela do computador e disse:
— Doutor, preciso falar com você, mas...
Antes que pudesse continuar, Sam e Quil apareceram no corredor, apressados.
— Cara, estávamos te ligando — disse Quil.
Olhei o celular no meu bolso e vi que estava no silencioso.
— Desculpa, deixei no silencioso. O que aconteceu? — perguntei, já preocupado.
Entramos na minha sala, e os dois me seguiram. Ao fechar a porta, me virei para eles.
— Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
Sam respirou fundo antes de falar.
— Bree deu entrada no hospital essa manhã.
Senti meu coração acelerar. Apesar de todo o passado entre nós, Bree ainda era uma parte da minha vida.
— O que aconteceu com ela? — perguntei, tentando manter a calma.
Quil, com um olhar sério, respondeu:
— Ela está grávida, Jake. Foi levada para a sala de cirurgia. O estado dela é grave.
O impacto daquelas palavras foi como um soco no estômago.
Fiquei completamente atordoado com o que Sam e Quil estavam me dizendo. Desde que meu relacionamento com Bree terminou, não tínhamos mantido contato. Era uma surpresa enorme saber que ela estava no hospital, grávida, e em um estado grave. Meu primeiro pensamento foi de preocupação genuína. Bree sempre foi uma pessoa importante na minha vida, e saber que ela estava passando por isso mexeu comigo.
— Eu... eu não fazia ideia — falei, ainda tentando processar. — Não sabia que ela estava grávida.
Quil e Sam trocaram olhares, claramente tão confusos quanto eu.
— Você realmente não sabia do bebê? — Quil perguntou, franzindo o cenho.
Balancei a cabeça.
— Não, não sabia. Estou preocupado com ela, mas também fico feliz em saber que seguiu com a vida, que agora tem uma família.
Sam soltou um sorriso tímido, mas havia algo mais no seu olhar, algo que ele hesitava em dizer.
— Jake, você realmente não sabia? — ele começou, cauteloso.
Senti um arrepio de preocupação subir pela minha espinha.
— Não sabia o quê, Sam? Do que você está falando?
Ele suspirou, claramente sabendo que aquilo me atingiria com força.
— Renesmee está na sala de cirurgia com a obstetra — começou ele. — E ela disse que Bree falou que o filho é seu.
Foi como se o chão tivesse sumido debaixo dos meus pés. Aquelas palavras ecoaram na minha cabeça. O filho é seu. Não podia ser verdade. Não tinha como. Eu olhei para Sam, esperando que ele de alguma forma desmentisse aquilo, mas a expressão dele só confirmava o que eu temia.
— Que brincadeira é essa, Sam? — perguntei, a voz mais baixa do que eu pretendia.
— Não é brincadeira, Jake. O filho é seu.
Senti um choque percorrer meu corpo. Sem dizer mais nada, levantei-me da cadeira tão rápido que quase a derrubei. Passei direto por Sam e Quil, meu coração batendo acelerado, a mente girando. Como isso era possível? Por que Bree nunca me disse nada?
— Jake, espera! — ouvi Sam chamar atrás de mim, mas eu não parei.
Atravessando o corredor, segui na direção do centro cirúrgico, minha cabeça fervilhando de perguntas, de medos, de incertezas. Bree estava na cirurgia, e o bebê — meu filho — estava lutando pela vida.
Cheguei ao centro cirúrgico com o coração na boca, o ar me escapando. Mas, claro, não me deixaram entrar. Fiquei ali, parado do lado de fora, olhando aquela porta fechada como se ela pudesse me dar respostas. Minutos passaram como horas. Cada vez mais ansioso, andava de um lado para o outro, tentando acalmar a avalanche de pensamentos que invadiam minha cabeça.
Então, finalmente, a porta se abriu e Renesmee saiu. A expressão no rosto dela me atingiu como um soco no estômago. Bastou um olhar para entender o que havia acontecido.
— Eu... — comecei, mas minha voz falhou. — Eu não sabia, Ness. Não sabia que Bree estava grávida.
Ela não disse nada de imediato, apenas se aproximou e me puxou para um abraço firme, envolvente. Era como se aquele abraço fosse a âncora que eu tanto precisava naquele momento. Sua presença ali, mesmo com toda a confusão, era reconfortante.
— Eu sei, Jake — disse ela, com a voz suave, enquanto me apertava contra seu peito. — Eu sei que você não sabia. Bree... ela foi importante na sua vida, e agora você tem um filho.
As palavras dela pareceram ecoar na minha cabeça. Um filho. As pernas pareceram fraquejar com o impacto do que aquilo realmente significava. Eu me afastei um pouco de Nessie, os olhos buscando os dela como se precisasse de alguma confirmação.
— Um filho? — sussurrei, incrédulo.
Ela assentiu, os olhos cheios de compreensão, sem um traço de julgamento.
— Um menino — confirmou. — Ele está bem, mas é prematuro e vai precisar de cuidados.
Foi como se o mundo parasse por um momento. O choque de tudo aquilo me atingiu de novo, de uma forma avassaladora. Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, a obstetra saiu do centro cirúrgico. Ela era uma mulher de aparência serena, mas seu olhar transmitia o peso do que tinha acabado de acontecer.
— Oi Jake, Sinto muito por Bree — começou a obstreta com uma expressão de condolência. — Fizemos tudo o que pudemos, mas ela sofreu complicações graves durante o parto. Havia uma hemorragia que não conseguimos conter.
Senti minhas mãos tremerem, o peso daquelas palavras me atingindo como uma tonelada.
— E o bebê? — consegui perguntar, a voz quase um sussurro.
— O bebê está bem — disse a obstetra. — Um menino. Ele é prematuro e vai precisar de cuidados na incubadora por um tempo, mas as perspectivas são boas. Ele é forte.
Era como se uma barragem tivesse sido rompida dentro de mim. As lágrimas vieram, silenciosas, quentes. Senti a mão de Renesmee apertar a minha, seu olhar atento e preocupado. Ela não disse nada, apenas me deu o suporte que eu tanto precisava naquele momento.
Chorei. Chorei por Bree, pela vida que foi interrompida tão cedo, e chorei pelo filho que eu nem sabia que existia até aquele momento. Nessie, sempre ao meu lado, não me soltou nem por um segundo.
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