Receita para o Amor

60 Renesmee- Obsessão


Notas iniciais
Próximo capítulo pov do Jacob

O silêncio que tomou conta da casa não era o tipo de silêncio que acalma. Era denso, inquietante, e cada segundo que passava sem que Renée ou Bella retornassem fazia minha apreensão crescer. Caminhei pelo quarto, tentando ignorar a sensação incômoda que começava a tomar conta de mim, mas algo não parecia certo. A casa estava cheia de vida minutos antes, e agora parecia um túmulo.

Respirei fundo e fui até a porta, determinada a descobrir o que estava acontecendo. Quando a abri, meu coração quase parou. Alec estava lá, do outro lado, com aquele sorriso perturbador que eu nunca conseguia esquecer.

— Surpresa, princesa — disse ele, o tom de voz carregado de malícia.

Minha primeira reação foi tentar fechar a porta, mas Alec foi mais rápido. Ele a empurrou com uma força que me fez cambalear para trás, caindo no chão. O pavor tomou conta de mim enquanto ele entrava no quarto, seus olhos fixos em mim com uma obsessão doentia.

— Eu te avisei, Nessie — ele falou, avançando lentamente. — Você vai se casar comigo, não com aquele desgraçado.

— Você está louco! — gritei, arrastando-me para longe, o pânico crescendo dentro de mim. Tentei alcançar algo, qualquer coisa, mas ele foi mais rápido, agarrando-me e me puxando para cima.

— Renée! Bella! — Eu gritei com toda a força que consegui reunir, mas Alec apenas riu, como se estivesse se divertindo com o meu desespero.

— Elas não podem te ouvir agora, minha querida — disse ele, o tom zombeteiro. — Estão apenas dormindo... por enquanto.

Aquelas palavras me atingiram como uma onda de gelo. O que ele tinha feito? O desespero tomou conta de mim, e usei toda a minha força para empurrá-lo, tentando correr para a porta, mas Alec segurou meu braço com tanta força que me desequilibrei, batendo a cabeça na mesa ao lado. O quarto girou ao meu redor, a dor pulsando em minha cabeça, mas eu sabia que não podia parar.

— Você vai ficar bem, Nessie — ele sussurrou, a voz assustadoramente suave enquanto me segurava nos braços. — Eu vou cuidar de você. Como sempre deveria ter sido.

Lutei contra a vertigem, minhas mãos tateando a mesa até que encontrei um copo. Sem pensar, tentei acertá-lo, mas Alec foi mais rápido. O copo quebrou em minha mão, os cacos cortando minha pele, e senti o sangue escorrer pelos dedos. Ele segurou meu pulso com uma força cruel, os olhos brilhando com uma possessão insana.

Eu me debati, usando toda a energia que ainda me restava, mas Alec apenas sorriu e tirou um lenço do bolso. Num movimento rápido, ele cobriu meu rosto, pressionando o pano contra minha boca e nariz. A sensação de sufocamento tomou conta de mim, e meu corpo começou a ceder, a luta cada vez mais difícil.

— Shh, minha querida — sussurrou ele, com uma ternura perversa. — Vai acabar logo.

Meu corpo ficou pesado, os sons e a luz se afastando rapidamente, até que tudo se apagou.

Quando acordei, um latejar incessante na minha cabeça me fez soltar um gemido baixo de dor. Pisquei, tentando clarear a visão, e percebi que estava em um lugar totalmente diferente do que lembrava. Minha mão, agora enfaixada, ainda doía, e ao olhar para baixo, notei que não estava mais usando o vestido de noiva. Em vez disso, vestia uma camisola vermelha de cetim, o tecido suave contra minha pele, mas a cor... a cor me perturbava.

Sussurrei, quase sem fôlego:

— Alec...

Me levantei com dificuldade, o corpo ainda pesado, provavelmente pelo efeito da medicação que ele havia usado. Ao caminhar pela casa, percebi que era minúscula, apenas dois cômodos modestos. As paredes eram de madeira envelhecida, com o cheiro de mofo impregnado no ar. As janelas, que eram poucas, estavam cobertas por cortinas opacas, que permitiam apenas um mínimo de luz entrar.

Vi uma janela e corri até ela com esperança. Minhas mãos tremiam enquanto eu puxava a cortina e abria a janela, mas o que encontrei foi um pesadelo: uma parede de concreto impenetrável, bloqueando qualquer possível fuga. Meu coração disparou.

— Alec, me tira daqui! — Gritei, o pânico subindo pela minha garganta.

Corri de volta para dentro da casa e entrei no outro cômodo, que parecia ser o quarto. Uma cama simples ocupava o centro, mas o que mais chamou minha atenção foram as fotos. Sobre a cômoda, vários porta-retratos exibiam imagens de mim e Alec, de quando namorávamos. Olhei para aquelas imagens, os rostos sorridentes, e sussurrei, incrédula:

— Meu Deus...

O terror e a repulsa misturavam-se dentro de mim, e voltei para a cozinha, onde me forcei a pensar com clareza. Precisava sair dali, precisava escapar antes que fosse tarde demais. Mas meu corpo ainda estava fraco, e a exaustão junto com o efeito da medicação me fez sentar em uma cadeira, desamparada. As lágrimas vieram sem que eu pudesse controlá-las, um soluço sufocado enquanto eu chorava, desesperada. Não fazia ideia de quanto tempo estava ali, mas a luz natural que entrava pelas frestas da janela começou a desaparecer, e o ambiente ficou escuro.

Foi então que as luzes se acenderam sozinhas, inundando o espaço com uma claridade fria e artificial. O som da porta se abrindo me fez engolir em seco. Meu corpo inteiro enrijeceu quando vi Alec entrando, com um sorriso satisfeito no rosto.

— Oi, meu amor — disse ele, como se nada estivesse errado. — Desculpa te deixar sozinha em nossa lua de mel, mas eu precisava comprar alguns alimentos.

Lua de mel? O horror me consumiu, e implorei, a voz fraca:

— Alec, por favor, me deixa ir...

Mas ele apenas balançou a cabeça, como se estivesse lidando com uma criança que não compreendia a situação.

— Você está onde é o seu lugar, Nessie, ao meu lado. — Ele se aproximou e me puxou pela cintura, a proximidade me enjoando. — Agora, seja uma boa menina e me deixe te beijar.

Minha reação foi automática. Com toda a força que consegui reunir, empurrei-o, e minhas mãos bateram em seu peito enquanto eu gritava:

— Seu desgraçado!

A raiva brilhou em seus olhos, e antes que eu pudesse tentar fugir, ele me empurrou com força, jogando-me na cama. Ofegante e cheia de medo, vi enquanto ele abria a fivela da calça, tirando o cinto com um movimento rápido.

— Aqui quem dá as ordens sou eu — ele disse, a voz baixa e ameaçadora.

Meu coração batia descontroladamente, e cada fibra do meu ser gritava por ajuda, por alguma saída. A realidade do que estava prestes a acontecer me atingiu como um soco, e o desespero tomou conta de mim enquanto tentava, mais uma vez, lutar contra ele, a todo custo.