Receita para o Amor
61 Jacob- Anos
Quatro anos. Quatro longos anos se passaram desde o desaparecimento de Nessie, e a dor nunca deixou de latejar no fundo do meu peito. Quatro anos de incertezas, de uma ausência que nunca fez sentido. A polícia investigou todas as pistas que pôde encontrar, mas nunca houve respostas. Eles seguiram a linha de investigação de um sequestro, já que as posses de Edward poderiam ser um motivo, mas não houve pedido de resgate. Renée e Bella foram apagadas da memória daquela noite, o que significa que o sequestrador sabia exatamente o que estava fazendo. Eles nunca viram ninguém, nem mesmo tiveram a chance de lutar. A polícia até investigou Alec Volturi, depois de uma denúncia feita por um funcionário de uma loja onde Nessie tinha ido. O funcionário afirmou ter visto um homem ameaçando-a, e as câmeras de segurança mostraram que o homem era Alec, seu ex-namorado. Mas, por mais que investigassem, não havia nada que o incriminasse. Alec parecia levar uma vida normal, ia trabalhar no hospital em Seattle, voltava para casa, e não havia sinal algum de que ele estivesse envolvido.
E então os anos passaram, arrastando-se sem respostas. Renée, Bella, e eu nunca aceitamos a possibilidade de que Nessie pudesse estar morta. Não sem um corpo, não sem alguma prova definitiva.
Eu caminhava pelos corredores do *Emerald Horizons Medical Center*, o hospital que fundei junto com Sam, Paul, e Embry em Nova York. Era o nosso sonho, algo em que eu me agarrei para não enlouquecer com a dor da perda. Por mais que eu tenha tentado seguir em frente, o vazio deixado por Nessie estava sempre ali. Meu amor por ela continuava intacto, como se meu coração estivesse esperando, mesmo sabendo que as chances de vê-la novamente eram mínimas. Mas, por mais que o amor estivesse intacto, eu sabia que precisava seguir em frente.
Entrei na sala de um dos pacientes regulares, o Sr. Thompson, que estava em tratamento renal. Ele era um homem de meia-idade, sempre otimista apesar da condição que enfrentava.
— Bom dia, Sr. Thompson. Como está se sentindo hoje? — perguntei, colocando a ficha dele na mesa ao lado.
— Ah, doutor Black, estou me sentindo bem... dentro do possível. Ainda não estou acostumado com a ideia de diálise, mas sei que é o melhor para mim.
Assenti, compreendendo o que ele estava passando.
— É uma mudança difícil, mas estamos fazendo tudo para garantir que o tratamento seja o mais eficaz possível. Vamos continuar com o plano atual, manter os exames regulares para monitorar a função renal e ajustar conforme necessário. Qualquer desconforto que você sentir, por favor, me avise imediatamente.
Ele sorriu, um sorriso cansado, mas genuíno.
— Obrigado, doutor. Eu confio em você e na sua equipe. Sei que estou em boas mãos.
— Estamos todos aqui para ajudar, Sr. Thompson. Vamos continuar trabalhando juntos para manter sua saúde da melhor forma possível.
Ele estendeu a mão, e eu apertei, uma conexão silenciosa de confiança. Depois de alguns momentos, ele se levantou e começou a se dirigir à porta.
— Até a próxima, doutor. Obrigado por tudo.
— Até mais, Sr. Thompson. Cuide-se.
Quando ele saiu, a porta se abriu novamente, e Bree entrou. Eu sorri ao vê-la, e ela retribuiu o sorriso, se aproximando para selar meus lábios com um beijo rápido e carinhoso.
— Está tudo pronto para o jantar de noivado — disse ela, com um brilho nos olhos.
— Eu estarei lá — respondi, observando-a com carinho.
Bree era uma das médicas do hospital, uma colega que se tornou algo mais. Nos conhecemos em uma conferência em Nova York, e desde então, as coisas entre nós se desenvolveram de forma natural e tranquila. Estamos noivos há dois meses. Ela era tudo o que eu precisava: forte, compreensiva, e amorosa. Mas, apesar de tudo, não era Nessie. E isso era algo com o qual eu tinha aprendido a conviver.
Ela percebeu a seriedade no meu rosto e acariciou meu braço.
— Está pensando nela de novo, não é?
Assenti, um pouco envergonhado.
— É difícil não pensar. Quatro anos, Bree... e nenhuma pista. Nada.
Ela apertou minha mão.
— Eu entendo, Jake. E estou aqui por você, em todos os momentos. Sei que ela sempre terá um lugar no seu coração, mas eu também sei que você tem um lugar no seu para mim.
Eu a puxei para um abraço, sentindo o calor e o conforto que ela trazia.
— Eu sei disso. E eu sou grato por ter você na minha vida.
Ela sorriu, e o som de seu riso suave preencheu a sala.
— Agora, vamos terminar esse dia e nos preparar para o nosso jantar. Prometo que vai ser uma noite especial.
Assenti, sentindo uma ponta de esperança. Talvez eu não pudesse esquecer completamente o passado, mas pelo menos estava aprendendo a seguir em frente, um passo de cada vez.
Almoçar com Bree foi agradável e tranquilo. Conversamos sobre o jantar à noite, sobre como seria oficializar o noivado com os pais dela, e Bree parecia animada. Eu sabia que ela estava esperando por esse momento, e, de certa forma, eu também estava. Estávamos prestes a dar um passo importante em nossa vida juntos, e eu queria acreditar que era o passo certo.
Nos despedimos com um beijo, e ela seguiu para sua última consulta do dia, enquanto eu ainda tinha uma reunião com alguns representantes. Passei a tarde discutindo propostas e analisando relatórios, focando o máximo possível no trabalho para manter minha mente ocupada. Quando a reunião terminou, levantei-me e apertei a mão de um dos representantes, o Sr. Mitchell, um homem de meia-idade com um olhar sério e determinado.
— Acredito que estamos no caminho certo, Sr. Black — disse ele, apertando minha mão firmemente. — Essa parceria vai ser muito benéfica para ambos os lados.
— Concordo, Sr. Mitchell. Agradeço pelo tempo e pela dedicação. Vamos seguir com o plano e manter o contato para os próximos passos.
— Combinado. Nos falamos em breve. Tenha uma boa noite.
— Igualmente. Até mais.
Quando saí da sala da presidência, senti uma leve onda de alívio. A reunião tinha sido produtiva, e agora eu podia me concentrar no jantar com os pais de Bree. Caminhei pelos corredores, passando por Jane, que estava organizando alguns documentos.
— Não retornarei mais ao hospital hoje, Jane — disse, parando rapidamente.
Ela levantou os olhos dos papéis e me deu um sorriso educado.
— Tenha um bom descanso, doutor. Nos vemos amanhã.
— Obrigado. Até amanhã.
Entrei no elevador, e assim que as portas se fecharam, finalmente peguei meu celular do bolso. Havia várias chamadas não atendidas. Renée, Bella, e até Edward. Estranhei, porque não falava com Bella e Edward há meses. A única pessoa com quem eu mantinha contato regular era Renée. Uma sensação incômoda começou a crescer dentro de mim enquanto olhava para a tela do celular. Algo estava errado.
Imediatamente, retornei a ligação para Renée. O telefone mal tocou duas vezes antes de ela atender.
— Jacob! — A voz de Renée estava trêmula, quase sufocada pela emoção.
— Renée? O que aconteceu? Recebi várias chamadas de vocês. Está tudo bem? — perguntei, o coração começando a acelerar.
— Jacob... — Ela fez uma pausa, como se estivesse tentando controlar a respiração. — Ela apareceu. Nessie... Nessie apareceu.
Por um momento, o mundo parou. Eu me apoiei na parede do elevador, sentindo como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés.
— O quê? — sussurrei, mal acreditando no que acabara de ouvir. — Onde... Como?
— Ela está aqui, Jacob! — Renée continuou, agora chorando. — Ela voltou para casa. Magra, fraca, mas... mas viva! Meu Deus, Jacob, ela está viva!
A mente se recusava a processar a informação. Quatro anos de incerteza, de agonia, e agora, de repente, Nessie estava de volta? Eu precisava vê-la, precisava confirmar com meus próprios olhos que era verdade.
— Estou a caminho — respondi, sem conseguir esconder o tremor na voz. — Estou indo agora, Renée.
— Por favor, Jacob, venha rápido. Ela precisa de você... Todos nós precisamos de você.
Desliguei o telefone e fiquei ali por um momento, tentando entender o que acabara de acontecer. A única coisa clara em meio à confusão era que nada mais importava agora. Eu precisava estar com Nessie, segurá-la, garantir que era real, que ela realmente estava de volta.
Apertei o botão do elevador, ansioso para sair dali o mais rápido possível. Toda a minha vida estava prestes a mudar novamente, e eu não sabia o que esperar quando finalmente a visse, mas uma coisa era certa: eu não a perderia de novo. Não dessa vez.
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