Notas iniciais
Capítulo dedicado a Kathe. Obrigada pela recomendação.

Eu saí do hospital sem perder tempo, indo direto para o aeroporto. Tudo o que conseguia pensar era em Nessie, e a necessidade urgente de estar ao lado dela superava qualquer outra coisa. Antes de embarcar, mandei uma mensagem rápida para Bree, avisando que Renesmee havia aparecido e que eu estava indo para Forks. Sabia que ela entenderia, mas naquele momento, minha mente estava completamente focada em Nessie.

A viagem de Nova York para Seattle durou aproximadamente seis horas, mas para mim, pareceram uma eternidade. A cada minuto que passava, minha ansiedade aumentava, e o peso da incerteza se misturava com a esperança e o medo. Quando finalmente desembarquei em Seattle, corri para pegar um táxi e seguir para Forks. A estrada parecia infinita, e a tensão em meu peito só aumentava à medida que nos aproximávamos do destino.

Quando o táxi se aproximou da casa de Renée, meu coração disparou ao ver a cena. Repórteres cercavam o local, havia uma faixa de segurança e várias viaturas de polícia estacionadas na frente. Paguei o taxista rapidamente e saí do carro, respirando fundo enquanto me dirigia até a linha de policiais.

— Sou Jacob Black — me apresentei, mostrando meu crachá do hospital. — Recebi uma ligação de Renée... Sou da família.

Um dos policiais me reconheceu e fez um sinal para que eu passasse. Corri em direção à porta da casa de Renée, e outro policial abriu a porta para mim. Entrei rapidamente, e assim que meus olhos encontraram Edward, eu vi a emoção e a tranquilidade em seu rosto, um contraste que refletia bem o que todos estávamos sentindo.

— Que bom que você chegou, Jacob — disse Edward, sua voz carregada de uma emoção que raramente via nele.

— Quando vocês me ligaram... Eu não pude acreditar — respondi, a voz baixa, quase trêmula. — Onde está Nessie?

— Ela está lá em cima, no quarto com Renée — disse Edward, apontando para as escadas. — Mas, Jake... prepare-se. Ela não está como você lembra.

Eu assenti, sentindo o coração bater ainda mais forte, e sem perder tempo, subi as escadas correndo. Cada degrau parecia mais longo que o anterior, como se o tempo estivesse se arrastando só para me torturar. Quando cheguei ao topo, parei por um segundo antes de abrir a porta. Respirei fundo e girei a maçaneta, entrando no quarto.

E lá estava ela. Nessie. Sentada na cama ao lado de Renée. Meu coração disparou ao vê-la. Ela estava diferente, mais magra, os cabelos cortados acima dos ombros, com uma aparência mais jovem do que eu lembrava, mas era ela. Ela estava ali, viva.

Nessie olhou para mim, e em seus olhos, vi a mesma surpresa e emoção que eu sentia. Eu caminhei lentamente em direção à cama, sem conseguir acreditar que isso estava realmente acontecendo. Quando finalmente parei em frente a ela, minhas palavras saíram quase como um sussurro.

— Você é a minha Nessie?

Ela sorriu, e as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Em meio ao choro, ela respondeu, com a voz tremendo de emoção.

— Sim, Jake... Sou eu.

Apertei Nessie em meus braços, sentindo o calor de seu corpo e o bater de seu coração contra o meu. Era difícil acreditar que ela estava ali, viva, depois de tanto tempo. Quatro anos de incertezas, de noites insones, de esperança se esvaindo pouco a pouco. E agora, ela estava de volta. Quando finalmente nos afastamos, ela me olhou com um sorriso tímido, mas ainda marcado pela dor. Não pude conter a pergunta que queimava em minha mente.

— O que aconteceu, Nessie? — perguntei, a voz ainda embargada pela emoção. — Onde você esteve todo esse tempo?

Ela respirou fundo, e as lágrimas começaram a cair novamente. Seus olhos estavam cheios de dor e lembranças difíceis.

— Alec... Ele me sequestrou, Jake — disse, com a voz entrecortada. — Ele me manteve em um cativeiro subterrâneo, longe de todos. Eu... eu não sabia onde estava, nem se um dia sairia de lá.

Meu coração apertou ao ouvir suas palavras. O desespero e a angústia que ela deve ter sentido... Não conseguia imaginar. E o pior era saber que Alec, o homem que já foi parte de sua vida, havia sido o responsável por tudo isso.

— Meu Deus, Nessie... — sussurrei, sentindo o peso do que ela havia passado. — E como você conseguiu escapar?

Ela limpou as lágrimas com as costas das mãos e continuou, a voz mais trêmula.

— Eu o feri. Foi assim que consegui pegar as chaves e fugir e quando saí daquele lugar eu percebi que estava na casa dele, bem debaixo da casa dele.

As palavras dela me atingiram como um soco no estômago. Alec havia mantido Nessie tão perto de nós, o tempo todo, e ainda assim, tão distante. O desespero me invadiu ao pensar no que ela havia suportado sozinha. Puxei-a para mais um abraço, e ela se desfez em lágrimas contra o meu peito, deixando todo o medo e a dor saírem. Eu afaguei seus cabelos, sentindo o quanto ela havia mudado, o quanto havia sofrido.

— Eu estou aqui agora, Nessie — sussurrei, tentando confortá-la. — Nunca mais vou deixar você passar por isso sozinha.

Ela soluçava em meus braços, mas de repente, ambos nos afastamos ao ouvir o som de um choro suave de criança vindo do corredor. Ficamos parados por um momento, e então, a porta do quarto se abriu, revelando Bella com uma menina nos braços. A garotinha, de cabelos castanhos se contorcia no colo de Bella, chorando baixinho.

— Ela quer a mamãe... — disse Bella, com a voz suave, olhando para Nessie.

Eu fiquei paralisado, sem conseguir entender o que estava acontecendo. Minha mente girava, tentando processar o que estava diante de mim. Olhei para Nessie, que, apesar de exausta e emocionalmente esgotada, estendeu os braços para a menina, que imediatamente parou de chorar e se aninhou no colo da mãe.

Nessie, ainda com lágrimas nos olhos, sorriu para mim, com a menina segura em seus braços.

Eu pisquei duas vezes, tentando processar o que acabara de ouvir. Nessie tinha uma filha. Uma filha que agora estava ali, nos braços dela, olhando para mim com seus grandes olhos curiosos. Nessie sorriu, e foi um sorriso tão cheio de ternura que quase quebrou algo dentro de mim. Ela olhou para a menina e falou com uma suavidade que eu nunca tinha ouvido antes.

— Charlie, querida, você precisa ficar uns minutinhos com a vovó Bella e a vovó Renée, tá bom? — Nessie disse, e Charlie assentiu com a cabeça.

A menina, ainda agarrada a Nessie, perguntou com sua vozinha doce:

— Que horas vem o papai?

Meu coração apertou ao ouvir isso. Papai. Ela tinha um pai, aquele homem que provavelmente havia abusado da mae dela, que fazia parte da vida dela... e que não era eu. Mas então, Nessie me olhou, e com um olhar cheio de significado, disse à filha:

— Sabe aquele moço ali? — Ela apontou para mim, e Charlie me encarou com seus olhos inocentes. — Pergunta a ele qual é o nome dele.

Charlie pareceu um pouco envergonhada, colocando um dedinho nos lábios, mas Nessie a desceu do colo e a encorajou. A pequena caminhou até mim, com passos cuidadosos, e quando chegou perto o suficiente, levantou os olhinhos para me encarar.

— Qual seu nome? — perguntou com aquela voz doce que fez meu coração disparar.

Eu sorri, tentando segurar as lágrimas que enchiam meus olhos. Tudo em mim tremia de emoção, mas eu não podia assustá-la. Ajoelhei-me à sua altura, deixando que ela me visse de perto, e respondi com a voz que consegui reunir:

— Meu nome é Jacob Black.

Charlie sorriu, aquele sorriso largo que iluminava o mundo. Sem hesitar, ela deu um passo à frente e me abraçou, os bracinhos pequenos envolvendo meu pescoço. Eu senti a ternura daquele gesto de forma avassaladora, e as lágrimas que tentei segurar finalmente escaparam.

Enquanto eu a abraçava, mal conseguindo acreditar no que estava acontecendo, ouvi a voz de Nessie, suave e cheia de emoção.

— Ela se chama Charlie, Jake. Ela é nossa filha.

O impacto das palavras de Nessie me atingiu como uma onda, avassalando tudo dentro de mim. Minha filha. Essa garotinha adorável, que agora me abraçava com tanto carinho, era minha filha. A emoção tomou conta de mim de uma forma que eu nunca havia experimentado antes.

— Ela é sua filha, Jake — Nessie repetiu, e eu soube, naquele instante, que minha vida nunca mais seria a mesma.