Receita para o Amor
71 Renesmee- Nossa pequena família
Mudar para a casa de Jacob foi como dar o primeiro passo em direção a um futuro que eu não ousava imaginar durante os anos em que estive presa. Nos primeiros dias, as mudanças eram pequenas, mas carregadas de significado. Como a decoração do quarto de Charlie, por exemplo. Havia um quarto livre na casa que Jacob e eu decidimos transformar no cantinho especial da nossa filha. Ele me deixou decidir o tema, e a primeira coisa que veio à mente foi uma casa de bonecas. Charlie amava bonecas, e eu queria que ela se sentisse feliz e segura em seu novo espaço.
Naquela manhã, saímos os três, como uma família, para escolher os móveis e as decorações do quarto. Caminhando de mãos dadas pelas ruas de Nova York, fomos até uma loja de móveis infantis chamada "Little Dreamers." Ao entrarmos, Charlie soltou uma exclamação de alegria ao ver os móveis coloridos e os brinquedos espalhados por toda parte.
— Mamãe! Olha aquela cama! — Ela apontou para uma cama em forma de castelo, os olhos brilhando de empolgação.
— É linda, não é? — Sorri, acariciando seus cabelos. — Mas eu pensei em algo mais parecido com uma casinha de bonecas, o que você acha?
Charlie ponderou por um momento, o que era adorável, e então assentiu com um sorriso.
— Eu quero uma casinha de bonecas!
Jacob riu ao meu lado, e me puxou para mais perto, passando o braço ao redor dos meus ombros.
— Então é isso que vamos fazer — ele disse, olhando para Charlie com um sorriso carinhoso.
Escolhemos uma cama adorável em forma de casinha com janelas, uma mesinha e cadeirinhas combinando, e um pequeno armário pintado em tons pastel. Em seguida, fomos a uma loja de brinquedos chamada "Toy Haven" para comprar as bonecas e outros itens de decoração. Charlie escolheu suas bonecas com entusiasmo, abraçando cada uma como se fosse a última.
Depois de passar horas decidindo cada detalhe, Jacob sugeriu que almoçássemos em um restaurante próximo que ele adorava, “Sunny's Bistro.” Era um lugar acolhedor, com comida caseira que eu não comia há tempos. Sentamos em uma mesa perto da janela, onde pudemos ver as pessoas passando e aproveitando o sol do dia.
— Está tudo tão gostoso! — Charlie exclamou, balançando as perninhas na cadeira enquanto devorava um prato de macarrão com queijo.
Jacob e eu trocamos olhares cúmplices por cima da mesa. Eu me sentia leve, quase como se pudesse esquecer o peso dos últimos anos, ao menos por um tempo.
Depois do almoço, passeamos um pouco pelo parque, brincando com Charlie, que corria e ria como a criança feliz que merecia ser. A felicidade no rosto dela fazia meu coração se aquecer, e me lembrava do motivo pelo qual tudo aquilo valia a pena.
No entanto, nossa paz foi interrompida quando percebemos que alguns paparazzi haviam nos encontrado. A princípio, tentei ignorá-los, mas a quantidade de flashes e os olhares curiosos das pessoas ao redor começaram a me incomodar.
— Jake, acho que precisamos ir embora — falei, tentando manter a calma enquanto segurava Charlie perto de mim.
Jacob assentiu, o maxilar tenso.
— Vamos, Ness. Não vale a pena ficar aqui com toda essa atenção.
Nos apressamos em voltar para casa, frustrados por aquele pequeno pedaço de normalidade ter sido arrancado de nós tão rapidamente. No carro, enquanto Jacob dirigia em silêncio, senti um nó se formar em meu estômago.
O julgamento de Alec estava se aproximando, e a lembrança de tudo o que ele fez, tudo o que ele me tirou, começou a me sufocar. Eu sabia que não seria fácil, mas a realidade estava se aproximando como uma tempestade, e eu não sabia se estava pronta para enfrentá-la.
Charlie, no banco de trás, não percebeu minha inquietação. Ela brincava com uma de suas novas bonecas, alheia ao mundo. Eu a observei, desejando poder voltar no tempo, ser tão inocente e despreocupada quanto ela. Mas o peso do que estava por vir era inevitável.
Jacob segurou minha mão enquanto dirigia, e aquele simples gesto me trouxe de volta ao presente. Eu o olhei, e ele me deu um sorriso reconfortante, como se dissesse que estaríamos juntos em tudo isso, não importava o que viesse a seguir.
— Vai ficar tudo bem, Ness — ele disse, apertando minha mão.Eu fiquei sozinha com Charlie depois que Jacob teve que ir ao hospital. Não era incomum ele ser chamado de última hora, e eu entendia que sua dedicação ao trabalho era uma das muitas coisas que o tornavam tão especial. Decidimos aproveitar o restante da tarde de uma maneira bem tranquila, apenas nós duas, assistindo TV e comendo pipoca no sofá. Charlie parecia tão contente, aninhada ao meu lado, seus olhos brilhando com as cenas do desenho animado que estávamos assistindo. Eu estava completamente relaxada, aproveitando o momento de paz.
Mas então, a campainha tocou. Olhei para a porta, surpresa. Não estávamos esperando ninguém. Quem poderia ser? Levantei-me, pedindo para Charlie continuar assistindo, e fui até a porta. Quando a abri, o choque foi mútuo. Diante de mim estava Bree Tanner, a ex-noiva de Jacob.
Engoli em seco, sentindo uma onda de desconforto, mas tentei manter a compostura.
— Oi, eu posso ajudar? — perguntei, tentando parecer o mais educada possível.
Bree pareceu tão incomodada quanto eu, mas conseguiu manter a voz calma.
— Eu queria falar com o Jacob — disse ela, com um sorriso tímido.
— Ele foi para o hospital — respondi, mantendo meu tom neutro, mesmo que minha mente estivesse fervendo.
— Ah, claro... Eu estava viajando e por isso achei que ele estivesse em casa — Bree explicou, parecendo um pouco desconcertada.
Nesse momento, Charlie apareceu ao meu lado, segurando a barra da minha calça, olhando curiosa para a visitante.
— Quem é, mamãe? — ela perguntou, com sua vozinha doce.
Peguei Charlie no colo, sentindo o ciúme ferver dentro de mim, mas não deixei transparecer.
— É uma amiga do papai — respondi, tentando soar casual.
Bree olhou para mim, depois para Charlie, e pareceu entender a situação. Ela deu um passo para trás, claramente desconfortável.
— Desculpe pelo incômodo. Eu... vou embora — disse, antes de se virar e sair.
Fechei a porta, soltando um suspiro pesado. O ciúme estava queimando dentro de mim, mas eu sabia que precisava manter o controle. Voltei para a sala, onde Charlie ainda estava animada com o desenho. Eu me sentei ao seu lado, tentando me concentrar nela, mas minha mente estava longe, se perguntando por que Bree tinha vindo.
Já passava das 23 horas quando ouvi o som da porta se abrindo. Eu havia adormecido ao lado de Charlie enquanto contava uma história, mas agora me levantei, beijando sua testa antes de sair do quarto. Encontrei Jacob no corredor, ele parecia cansado, mas sorriu ao me ver. Ele me puxou para um abraço, selando nossos lábios em um beijo suave.
— Oi, meu amor — ele disse, com aquele sorriso que sempre derretia meu coração.
Eu o encarei, ainda sentindo o peso da visita de Bree.
— Por que a Bree veio atrás de você? — perguntei, tentando manter minha voz neutra, mas sabendo que ele perceberia minha insegurança.
Jacob pareceu um pouco surpreso com a pergunta, mas logo sorriu, embora timidamente.
— Ela pediu demissão do hospital, mas eu não sabia. Sam me contou hoje. Acho que ela veio falar sobre isso — ele explicou, afastando-se um pouco enquanto tirava os sapatos e a camisa.
Eu o observei, ainda sentindo aquele nó no estômago. Ele suspirou e se aproximou de novo, segurando meu rosto com suas mãos grandes e quentes.
— Eu entendo que sinta essa insegurança, meu amor. Mas eu sou seu, só seu — ele disse, com uma sinceridade que me desarmou.
Passei a mão pelo peitoral dele, sentindo o calor de sua pele sob meus dedos.
— Você jura? — perguntei, buscando a certeza nos olhos dele.
Jacob riu suavemente, aquele riso que sempre conseguia acalmar meu coração.
— Eu juro por nossa filha — ele respondeu, mas eu fiz uma careta, fingindo desaprovação.
— Não coloca nossa filha nisso — falei, tentando manter o tom sério, mas ele apenas riu de novo.
Em um movimento rápido, ele me puxou para o colo, sentando-se na cama e me envolvendo em seus braços. Ele olhou fundo nos meus olhos, sua expressão agora séria e cheia de amor.
— Eu te amo, Nessie. E não existe nenhuma outra mulher no mundo para mim que não seja você — ele disse, e não havia como duvidar das suas palavras.
Sorri, finalmente sentindo o ciúme se dissipar, substituído pelo calor do amor que sentíamos um pelo outro.
— Eu também te amo, Jake — sussurrei, antes de inclinar a cabeça para beijá-lo, sentindo a certeza de que, independentemente dos desafios que ainda enfrentássemos, estaríamos juntos, prontos para encarar o que viesse.
Eu queria acreditar nisso. Queria acreditar que, apesar de tudo, poderíamos ser felizes. Mas o julgamento de Alec pairava sobre nós como uma sombra, e eu sabia que ainda havia um longo caminho a percorrer antes que essa sombra fosse dissipada.
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