Receita para o Amor

32 Renesmee- Meu pai.


Bella havia se mudado para um lindo apartamento na Park Avenue, e devo admitir, o lugar me surpreendeu. O apartamento era moderno, com uma decoração minimalista que exalava elegância. Havia duas suítes espaçosas, uma sacada com vista para a cidade, e uma sala de estar ampla com grandes janelas que deixavam a luz natural inundar o espaço. Apesar de não ligar para luxos, não pude deixar de notar que Bella tinha um gosto refinado. No entanto, o que mais me surpreendeu foi o fato de ela ter dinheiro para um lugar assim. Eu nunca soube que ela tinha tanto poder aquisitivo.

Estávamos lá há dois dias, e a comunicação entre nós se resumia a um breve “bom dia” e “boa noite” dito por mim. Eu percebia que Bella tentava se aproximar, mas não estava disposta a abrir espaço até entender o motivo de sua mudança repentina.

Naquela manhã, eu estava pronta para ir ao hospital quando a campainha tocou. Bella atendeu quase de imediato, o que me fez deduzir que ela já esperava por alguém. Para minha surpresa, após a porta se abrir, um homem conhecido entrou. Ele foi recebido por Bella de forma carinhosa, e reconheci imediatamente o rosto dele. Edward Cullen.

— Bom dia — ele disse, sorrindo.

Respondi, surpresa:

— Bom dia...

Havia algo na troca de olhares entre ele e Bella que me deixou desconfortável. Eles se conheciam? Edward era gentil, e seu sorriso era acolhedor, mas não consegui evitar a sensação de que estava no meio de algo maior.

Bella, percebendo minha reação, tentou explicar:

— Talvez seja estranho eu estar recebendo Edward assim...

Interrompi, minha paciência começando a se esgotar:

— É realmente muito estranho. Mas se me dão licença, eu preciso ir trabalhar.

Quando estava prestes a sair, Bella me chamou, com um tom quase suplicante na voz:

— Nessie, espere. Precisamos conversar. Isso é importante.

Eu me virei para ela, cruzando os braços:

— O que está acontecendo, Bella? Você voltou dessa viagem estranha, e agora isso? — apontei para Edward.

Bella respirou fundo, como se estivesse se preparando para algo difícil.

— O que vou te dizer vai explicar tudo isso.

Minha cabeça estava fervilhando. Trabalho, Jacob, Elijah, o retorno de Bella, e agora Edward Cullen, o filhodo dono do hospital, ali, naquele apartamento. Senti uma ansiedade crescente enquanto esperava pela explicação, meu coração acelerando com cada segundo de silêncio que passava.

Bella respirou fundo, parecendo buscar forças para revelar algo que, ao que parecia, havia guardado por muito tempo. Eu podia ver a hesitação em seus olhos, mas também havia uma determinação que me deixou ainda mais inquieta.

— Nessie — começou Bella, com a voz um pouco trêmula —, há algo que preciso te contar, algo que eu guardei por mais de 20 anos.

Minha curiosidade se misturou com um sentimento de apreensão. Eu nunca tinha visto Bella tão vulnerável antes.

— Edward e eu nos conhecemos há muito tempo, antes mesmo de você nascer. Nós... nós namorávamos. — Ela parou, talvez esperando que eu dissesse algo, mas fiquei em silêncio, aguardando o restante da história. — Eu era muito jovem, e ele estava decidido a estudar medicina. Tivemos uma briga feia porque ele queria ir embora para se dedicar aos estudos, e eu me senti... abandonada.

As palavras dela começaram a se misturar na minha cabeça. Isso não podia estar acontecendo. Não agora.

— O que você está tentando me dizer, Bella? — Minha voz saiu mais áspera do que eu pretendia, mas eu já estava cansada de segredos.

Bella apertou as mãos, nervosa.

— Eu estava grávida quando ele partiu, mas eu nunca contei a ele. Eu não queria atrapalhar os planos dele. Eu... criei você sozinha, Nessie, e pensei que estava fazendo o melhor.

Eu recuei, meu corpo inteiro começando a tremer. As palavras dela me atingiam como uma tempestade, e cada frase fazia menos sentido que a anterior.

— O quê? — Minha voz era apenas um sussurro, carregado de choque e confusão. — Você está me dizendo que Edward Cullen... é meu pai?

Edward, que até então havia permanecido em silêncio, deu um passo à frente, sua expressão era uma mistura de dor e arrependimento.

— Sim, Nessie. Eu... não sabia. Se eu soubesse, jamais teria ido embora.

A raiva começou a ferver dentro de mim, queimando cada pensamento lógico. De repente, tudo explodiu em uma onda de indignação e mágoa.

— Então é isso? — gritei, minha voz cheia de frustração. — Vocês decidem aparecer do nada, jogar essa revelação em cima de mim, e agora esperam que eu aceite vocês como meus pais? Como se fosse simples assim?

Bella tentou se aproximar, mas eu dei um passo atrás, afastando-me dela.

— Nessie, eu só quero te dar o que você merece, a verdade. Eu sei que cometi muitos erros, mas estou tentando consertar isso agora.

— Consertar? — Eu ri, mas não havia humor no som. — Você nunca se importou comigo, Bella! Nunca me deu amor, sempre me tratou com indiferença! E agora, de repente, você quer mudar tudo? Como se fosse algo simples? Como se eu pudesse simplesmente aceitar isso e seguir em frente?

Edward tentou intervir, mas a dor e a raiva transbordavam em mim.

— E você! — gritei, voltando meu olhar furioso para ele. — Onde você estava todos esses anos? Não me diga que não sabia. Você nunca se perguntou o que aconteceu com ela? E agora você quer aparecer e fingir que é meu pai?

Eu estava sufocando naquela sala, a pressão no meu peito era insuportável. Antes que pudesse ouvir mais uma palavra, me virei e saí correndo do apartamento. As lágrimas já enchiam meus olhos, mas eu não queria que nenhum deles visse.

Edward me seguiu, chamando meu nome, mas eu o ignorei. Eu precisava sair dali, precisava de ar, de espaço para processar tudo aquilo. Sem olhar para trás, acenei para um táxi que passava, entrei e fechei a porta com força.

— Central Park, por favor — murmurei para o motorista, minha voz embargada.

Enquanto o táxi me levava pelas ruas movimentadas de Nova York, as lágrimas começaram a cair livremente. A ideia de que Bella nunca me amou, nunca me tratou com carinho, e agora queria mudar tudo... era demais para suportar. E Edward, um estranho, de repente querendo ser meu pai. Era surreal.

Chegando ao parque, desci do táxi e comecei a caminhar sem rumo, até encontrar um banco vazio. Sentei-me ali, abraçando meu próprio corpo, sentindo o peso esmagador da rejeição e da solidão.

As lágrimas continuaram a escorrer pelo meu rosto, enquanto eu chorava sozinha, tentando entender como minha vida havia se transformado nisso. A dor da rejeição, de nunca ter sido realmente amada por quem deveria ter me amado mais, era quase insuportável.

— Por que agora? — murmurei para mim mesma, tentando encontrar alguma resposta. Mas a única coisa que encontrei foi o vazio, e um sentimento profundo de que eu nunca realmente pertenci a lugar nenhum.