Receita para o Amor
33 Renesmee- Refúgio
Passei o dia inteiro sentada naquele banco do Central Park, ignorando as ligações incessantes de Bella, Jacob e até da secretária de Jacob. A cada toque do celular, meu coração se apertava mais, mas eu simplesmente não conseguia atender. Tudo estava confuso demais. As revelações, os sentimentos... eu precisava de tempo, precisava refletir, e, acima de tudo, precisava de silêncio.
Quando o celular tocou novamente, já era noite, e a escuridão havia envolvido o parque, deixando as luzes da cidade ainda mais brilhantes ao meu redor. Eu olhei para a tela do celular, esperando ver o nome de Bella ou Jacob, mas, em vez disso, vi o nome de Elijah. Algo dentro de mim se acalmou, como se a simples visão do nome dele me trouxesse algum tipo de conforto. Decidi atender.
— Nessie? — A voz dele soou preocupada, mas suave, e só isso já fez meus olhos se encherem de lágrimas novamente.
— Oi, Elijah. — Minha voz estava trêmula, quase um sussurro.
— Onde você está? Estou preocupado com você. — Ele parecia saber que algo estava errado, mas sua gentileza me fez sentir que não precisaria explicar nada, a menos que quisesse.
Eu suspirei, olhando para as árvores ao meu redor. — Estou no Central Park. Preciso de um tempo sozinha... mas, por favor, venha me encontrar. Não quero ficar sozinha agora.
— Claro. Chego aí em uma hora. Fique onde está, tá bom?
Desliguei o telefone, sentindo um misto de alívio e ansiedade. Continuei sentada, esperando por ele, até que, finalmente, vi a figura alta de Elijah caminhando em minha direção, iluminada pelas luzes suaves do parque. Quando ele chegou perto o suficiente, levantei-me e corri para os braços dele, sem conseguir segurar as lágrimas.
— Nessie... — Ele sussurrou, envolvendo-me em um abraço apertado, como se estivesse tentando proteger-me de toda a dor que eu estava sentindo. Eu chorei em seu peito, deixando que ele me segurasse, enquanto toda a dor e confusão do dia finalmente encontravam uma saída.
Ficamos assim por um tempo, em silêncio, até que finalmente consegui falar, embora minha voz ainda estivesse embargada.
— Tudo está tão... errado, Elijah. Eu não sei o que fazer. Eu... não sei o que pensar.
Ele acariciou meu cabelo, sua voz suave e calma. — Eu sei, Nessie. Eu sei que é difícil, mas você não precisa passar por isso sozinha. Eu estou aqui com você, e estarei aqui para o que você precisar, sempre.
Eu olhei para ele, vendo a sinceridade em seus olhos. Algo em mim se acalmou, e, pela primeira vez naquele dia, senti que talvez houvesse uma saída, uma maneira de lidar com tudo aquilo.
— Obrigada... — murmurei, minha voz quase falhando. — Talvez... talvez o que eu preciso esteja bem aqui, diante de mim.
Elijah sorriu suavemente, seus olhos fixos nos meus. Ele levantou uma mão, acariciando meu rosto com uma ternura que fez meu coração acelerar.
— Eu estou aqui, Nessie. E sempre estarei. — Ele disse, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele se inclinou e selou meus lábios com um beijo suave, como se quisesse me assegurar que tudo ficaria bem. E, por um momento, a dor pareceu diminuir, dando lugar a algo mais, algo que me fez sentir menos sozinha.
Quando ele se afastou, eu senti um calor no peito, uma espécie de esperança que eu não esperava encontrar naquela noite.
— Vamos para casa? — Ele perguntou, ainda com um sorriso tranquilo no rosto.
Eu hesitei, a lembrança de Bella e Edward esperando no apartamento me fazendo estremecer.
— Eu... eu não quero voltar para lá. Não quero vê-los, não agora.
Elijah assentiu, compreensivo. — Tudo bem. Você pode ficar no meu apartamento, se quiser. Não é grande, mas você será sempre bem-vinda lá.
Eu sorri, sentindo uma gratidão profunda por ele estar ali. — Obrigada, Elijah. Eu aceito.
Ele pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos, e juntos começamos a caminhar pelo parque em direção ao carro dele. O toque dele, o conforto silencioso que oferecia, fez com que eu me sentisse menos perdida. E, pela primeira vez em muito tempo, senti que talvez eu pudesse encontrar um caminho, mesmo no meio de todo o caos.
Chegamos ao apartamento de Elijah, e ele me conduziu com cuidado para dentro. O lugar era aconchegante e simples, uma combinação perfeita de conforto e intimidade. As luzes baixas criavam uma atmosfera tranquila, exatamente o que eu precisava depois do caos do dia.
— Você devia tomar um banho e relaxar um pouco — Elijah sugeriu, sua voz suave. — Eu vou preparar algo para você comer.
Eu assenti, ainda processando tudo. Entrei no banheiro e me permiti ficar sob a água quente por um bom tempo, tentando lavar toda a confusão e dor que estavam grudadas em mim. Quando saí, vesti uma das camisas de Elijah, que caía larga sobre mim, mas o conforto que ela trazia era tudo o que eu queria.
Voltei para a sala, onde Elijah havia preparado um prato simples, mas apetitoso. Ele me observava com preocupação, mas também com uma paciência que parecia infinita.
— Desliguei o celular — comentei enquanto me sentava. — As ligações de Jacob não paravam, e eu simplesmente não posso falar com ele agora.
Elijah assentiu, sem pressionar para que eu falasse mais. Ele entendia, e essa compreensão silenciosa era exatamente o que eu precisava. Quando terminei de comer, sentei ao lado dele no sofá, e ficamos assistindo a algo na TV que eu mal conseguia acompanhar. Meus pensamentos ainda estavam longe, uma mistura de tudo o que havia acontecido.
— Está mais calma? — Elijah perguntou, virando-se para mim, os olhos dele cheios de preocupação.
— Um pouco — admiti, tentando sorrir. — Mas minha mente ainda é um turbilhão.
— Imagino — ele respondeu, inclinando-se um pouco mais perto. — Mas você precisa relaxar, ao menos por essa noite. Esquecer tudo lá fora, esquecer os problemas.
Eu o encarei, sentindo uma onda de gratidão e, ao mesmo tempo, uma sensação de culpa que eu não conseguia afastar. — Obrigada, Elijah.
— Você não precisa agradecer, Nessie. — Ele me olhou com uma ternura que fez meu peito se apertar. — Você é importante.
Um sorriso tímido surgiu em meus lábios, e ele aproveitou o momento para inclinar-se e selar meus lábios com um beijo suave. Antes que eu pudesse reagir, ele me deitou novamente no sofá, seu corpo pesando levemente sobre o meu. Fechei os olhos, tentando me perder no momento, sentindo os beijos e carícias dele percorrendo minha pele.
Mas quando abri os olhos, por um breve instante, vi Jacob ali, os olhos dele me encarando. Uma parte de mim queria afastar Elijah, parar tudo aquilo, mas a outra parte... a outra parte estava cansada de lutar. Eu estava exausta de resistir aos meus sentimentos, e, naquele momento, era mais fácil me entregar ao que estava acontecendo, mesmo que meu coração gritasse por outra pessoa.
Então, me entreguei a Elijah, mesmo com a imagem de Jacob me assombrando mais uma vez. Talvez estivesse ficando louca, ou talvez apenas estivesse tentando encontrar algo, qualquer coisa, para preencher o vazio que sentia. Eu sabia que, no fundo, estava mentindo para mim mesma, mas por uma noite, só por essa noite, eu queria esquecer. Mesmo que fosse impossível ignorar o fato de que, no fundo, meu coração pertencia a Jacob, por mais que eu não quisesse admitir isso.
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