Receita para o Amor
38 Renesmee- Manipulações
Na manhã seguinte, acordei com a cabeça ainda cheia dos eventos da noite anterior. Eu precisava focar no trabalho, me manter ocupada para não pensar demais. Sabia que encontrar Edward era inevitável, mas estava fugindo desse momento. Ele certamente insistiria para que eu fosse ao circo que seria o noivado dele com Bella. Eles haviam marcado a data assim que Jacob assinou o divórcio, e isso me deixava desconfortável. Para evitar o encontro com meu pai biológico, decidi assumir todos os pacientes que eram de Jacob. Segundo Jane, ele já estava afastado, o que só tornava as coisas mais complicadas para mim.
Me concentrei no paciente à minha frente, um senhor de cabelos grisalhos, com uma expressão cansada e olhos que carregavam uma vida de histórias.
— Bom dia, Sr. Thompson. Como está se sentindo hoje? — perguntei, tentando parecer o mais profissional possível.
— Bom dia, doutora — ele respondeu com uma voz fraca, mas amigável. — Não vou mentir, estou um pouco cansado. Esse coração velho já não aguenta muita coisa.
Sorri de leve, tentando trazer um pouco de leveza à conversa.
— Eu entendo, Sr. Thompson. Mas estamos aqui para garantir que ele continue batendo forte por muito tempo ainda. Os exames mostram que a pressão arterial está mais controlada, mas precisamos ajustar a medicação para melhorar a função cardíaca.
Ele assentiu, mostrando que confiava plenamente no que eu dizia.
— Doutora, só não me deixe virar uma máquina de tomar remédios — ele brincou, tentando quebrar o gelo.
Ri suavemente, apreciando o bom humor do Sr. Thompson, apesar da situação.
— Vou fazer o possível, prometo. Mas, infelizmente, alguns desses remédios são indispensáveis. Vou ajustar sua prescrição e a equipe vai monitorar de perto como o senhor está respondendo ao tratamento.
Terminei de fazer as anotações no prontuário e me preparei para sair da sala, mas antes que pudesse fazer isso, Elijah entrou, parecendo um tanto hesitante.
— Sr. Thompson, fique à vontade para descansar. Nos vemos amanhã — disse, despedindo-me do paciente.
— Até amanhã, doutora — ele respondeu com um sorriso cansado.
Elijah esperou até que eu saísse do quarto e fechasse a porta atrás de mim. Ele parecia nervoso, o que não era comum.
— Nessie, precisamos conversar sobre o que aconteceu ontem à noite — ele começou, com um tom sério. — Eu fui precipitado, e te devo um pedido de desculpas.
Cruzei os braços, tentando manter a calma.
— Elijah, você não precisava ter feito aquilo. Eu aprecio o que sente por mim, mas nós dois sabemos que as coisas não funcionam assim. Não dá para forçar algo que ainda não existe... e talvez nunca vá existir.
Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos.
— Eu sei, Nessie. E sinto muito por ter te colocado naquela situação. Eu só... não queria perder você. Mas entendo se precisar de espaço.
— Obrigada por entender — respondi, aliviada por ele não insistir mais no assunto.
— Agora, mudando de assunto... — ele continuou, um sorriso leve voltando aos seus lábios. — Você poderia me ajudar com um paciente? Preciso de uma segunda opinião.
Assenti, satisfeita por poder mudar de foco.
— Claro, vamos lá.
Caminhamos juntos até o elevador. Enquanto ele descia, aproveitei o silêncio para tentar acalmar meu coração. Mas tudo isso se desfez no momento em que a porta do elevador se abriu e, de repente, Jacob estava ali.
Meu coração disparou, e tentei desesperadamente disfarçar meu nervosismo. Olhei diretamente nos olhos dele, forçando-me a sorrir.
— Jacob— cumprimentei, tentando parecer natural.
Jacob, com aquele olhar que sempre me desarmava, assentiu e respondeu:
— Nessie.Elijah
Elijah, ao meu lado, parecia ligeiramente desconfortável, mas ainda manteve a compostura.
— Lamentamos que esteja saindo do hospital, Dr. Black. Você foi um grande mentor para todos nós — disse Elijah, com sinceridade.
Jacob sorriu, aquele sorriso triste que eu conhecia bem.
— Obrigado, Elijah. Você se tornou o médico que eu jamais fui. Tenho certeza de que o hospital está em boas mãos.
— Boa sorte, Jacob — consegui dizer, a voz um pouco trêmula. Ele me olhou por um instante, o olhar mais longo do que deveria, antes de assentir.
— Agradeço, Nessie.
Nesse momento, Elijah olhou de mim para Jacob, e então, de repente, fez algo que me pegou completamente de surpresa.
— Jacob, quase ia me esquecendo — ele disse, casualmente. — Gostaria muito que você estivesse na minha festa de noivado com Renesmee.
Foi como se uma bomba tivesse sido lançada sobre mim. Olhei para Elijah, chocada, tentando processar o que ele havia acabado de dizer. Até onde eu sabia, nós não estávamos noivos. Antes que eu pudesse protestar, Jacob respondeu com uma calma desconcertante:
— Claro. Aguardo o convite.
E com isso, ele entrou no elevador, deixando-me ali, congelada.
Elijah riu, claramente se divertindo com a situação. Eu cruzei os braços, tentando controlar minha raiva.
— Por que mentiu para ele? Não estamos noivos, Elijah.
Ele deu de ombros, ainda sorrindo.
— Eu sei que ele está de olho em você, Nessie. Só quis afastá-lo de vez.
Minha raiva fervia por dentro. Não podia acreditar que ele tinha feito algo tão infantil.
— E quem te disse isso? Bella? — retruquei, minha voz cortante.
O sorriso de Elijah sumiu, percebendo que tinha pisado na bola.
— Nessie, eu...
— Esquece, Elijah — interrompi, irritada, e o ignorei, caminhando rapidamente pelo corredor, sem olhar para trás.
Eu precisava de ar, de espaço, de distância... de Jacob. Mas a verdade era que ele estava sempre lá, em algum lugar da minha mente, no fundo do meu coração, onde eu não podia alcançar, mas também não conseguia deixar de lado.
Mergulhei no trabalho pelo resto do dia, tentando afastar qualquer pensamento que não estivesse relacionado aos meus pacientes. Elijah havia tentado se redimir, mas eu o evitei, almoçando na minha sala para não ter que lidar com ele ou qualquer outra pessoa que tentasse me manipular como se eu fosse uma criança.
Estava exausta, não só fisicamente, mas mentalmente, por ter que lidar com tantas emoções conflitantes. A noite estava apenas começando, e eu ainda tinha horas de plantão pela frente. Decidi dar uma pausa rápida para descansar, caminhei pelo corredor quase deserto, sentindo o peso de tudo o que estava acontecendo.
Foi então que vi Edward se aproximando, seu rosto se iluminando ao me ver.
— Renesmee — ele disse, com um sorriso caloroso. — Como está sendo a vida no novo apartamento?
Suspirei, tentando parecer o mais casual possível.
— Está tudo bem, pai. Ainda me acostumando, mas é bom ter meu próprio espaço.
Edward assentiu, como se estivesse satisfeito com a resposta, mas eu sabia que ele tinha mais a dizer.
— Fico feliz por isso. Só espero que você não esteja se isolando demais — ele disse, o tom de preocupação evidente. — Você sabe que sempre pode contar comigo e com Bella.
Balancei a cabeça, apreciando a preocupação, mas sem querer me aprofundar no assunto.
— Eu sei, Edward. Obrigada.
Houve uma pausa, e eu sabia que ele estava reunindo coragem para dizer o que realmente queria.
— Falando em Bella... — ele começou, um pouco hesitante. — Nós gostaríamos muito que você fosse à nossa festa de noivado. Seria importante para nós ter você lá, Nessie.
Eu sabia que ele iria tocar nesse assunto, mas ainda assim, a sensação de pressão me incomodava. Cruzei os braços, tentando esconder minha relutância.
— Pai, eu... — comecei, mas parei, sem saber como recusar sem magoá-lo.
Edward me olhou com aquele olhar suave, mas firme, que sempre conseguia me convencer de tudo.
— Pense nisso, por favor. Não precisa decidir agora, só... pense.
Respirei fundo, sentindo o peso de sua expectativa sobre mim.
— Vou pensar — respondi, finalmente, sem querer me comprometer, mas também sem querer decepcioná-lo.
Antes que pudéssemos continuar a conversa, uma enfermeira se aproximou, parecendo aflita.
— Doutor Cullen, doutora Swan — ela disse, ofegante. — Estava atrás de vocês.
Edward franziu a testa, imediatamente preocupado.
— Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou, sério.
A enfermeira parecia hesitante, quase sem querer dizer as palavras que estavam prestes a sair de sua boca.
— Uma vítima de acidente em estado grave deu entrada na emergência — ela disse, e eu senti meu estômago se revirar, esperando pelo pior. — O problema é que... a vítima não é desconhecida. É o doutor Black.
Meu coração parou de bater por um instante, talvez dois. Aquelas palavras pareciam ecoar na minha mente, sem que eu conseguisse processá-las. Antes mesmo de entender completamente o que aquilo significava, minhas pernas já estavam se movendo por conta própria, correndo pelo corredor, descendo as escadas o mais rápido que podia.
Tudo ao meu redor parecia um borrão, minha mente estava em um turbilhão. Jacob... não, não podia ser ele. Eu precisava chegar à emergência, precisava vê-lo, saber que estava bem, que era apenas um engano. A única coisa que eu sabia naquele momento era que tinha que chegar até ele, e que, de alguma forma, tudo ficaria bem.
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