Receita para o Amor
39 Renesmee- Eu te amo, Jacob.
O coração martelava no meu peito enquanto eu corria em direção à sala de emergência onde Jacob estava. Cada passo parecia um passo mais perto do precipício, mas eu não podia parar. Quando cheguei, empurrei a porta com força, tentando manter minha compostura. A sala estava cheia de enfermeiros e médicos, todos trabalhando freneticamente para estabilizá-lo. Elijah estava ali, ao lado de Jacob, com uma expressão séria no rosto.
— Ele sofreu lesões no membro inferior direito e apresenta um sangramento que indica uma possível hemorragia interna — Elijah relatou, focado na situação.
Eu me aproximei da cama de Jacob, meu coração em conflito entre a necessidade de profissionalismo e a onda de emoções que me dominava ao vê-lo ali, machucado. Elijah, mantendo a calma, pediu:
— Doutora Swan, verifique se o paciente está consciente.
Assenti, engolindo em seco, e me inclinei sobre Jacob, tentando esconder o carinho em meus olhos. A dor que ele estava sentindo era evidente, mas quando abri a boca para falar, tudo o que importava era trazê-lo de volta à consciência.
— Jacob — murmurei, minha voz suave, quase trêmula. — Você me reconhece?
Para minha surpresa, ele abriu os olhos, tentando sorrir, apesar da dor. O alívio que senti ao vê-lo responder foi quase esmagador, mas o que ele disse a seguir fez o tempo parar.
— Sim, Renesmee — ele sussurrou, sua voz fraca mas clara o suficiente para todos na sala ouvirem. — Você é Renesmee Swan... a mulher da minha vida.
Meu coração disparou, e por um breve momento, o mundo inteiro se reduziu a nós dois. Sorri para ele, mas o sorriso rapidamente desapareceu ao ver Elijah ao meu lado, concentrado em realizar os primeiros socorros. Edward entrou na sala nesse momento, falando rapidamente com a equipe, mas meu foco estava totalmente em Jacob.
— Continue falando com ele, Nessie — Edward instruiu, tentando manter a situação sob controle.
Assenti, sem tirar os olhos de Jacob.
— Jacob, você está no hospital, está tudo bem. Nós vamos cuidar de você, vai ficar tudo bem — disse, tentando infundir confiança na minha voz.
Ele tentou sorrir novamente, mas eu sabia que a dor estava quase insuportável. Apesar disso, ele manteve seus olhos nos meus, lutando contra a escuridão que o ameaçava levar.
— Se eu morrer... — ele começou, sua voz se tornando mais fraca.
Um dos aparelhos na sala disparou um alarme, e Edward avisou rapidamente que Jacob estava tendo uma hemorragia e precisava de intervenção cirúrgica imediata. Mas eu mal conseguia registrar o que meu pai estava dizendo; estava completamente absorvida pelas palavras que Jacob tentava desesperadamente dizer.
— Você precisa saber, Nessie, que eu... — Ele lutou para completar a frase, cada palavra parecendo um esforço colossal. — Eu te amo, eu amo você.
O som do monitor cardíaco acelerou, tornando-se um zumbido contínuo e alarmante. Elijah gritou de repente:
— Parada cardíaca!
O pânico me tomou de assalto, mas eu não podia perder o foco. A sala se transformou em um caos controlado, médicos e enfermeiros se movendo rapidamente para salvar a vida de Jacob. Eu sabia que precisava continuar, mas aquelas palavras, aquelas três palavras que eu nunca pensei que ouviria de Jacob, ecoavam em minha mente, reverberando com a intensidade de uma verdade que eu não sabia que precisava ouvir.
Ele me amava. Ele realmente me amava.
E agora, ele estava entre a vida e a morte, e tudo o que eu queria era trazê-lo de volta, a qualquer custo.
As palavras de Jacob ainda ecoavam na minha mente, mas o caos da sala de emergência rapidamente trouxe meu foco de volta. O som contínuo do monitor cardíaco disparando o alarme ensurdecedor me jogou de volta à realidade.
— Parada cardíaca! — Elijah repetiu, a urgência na sua voz me sacudindo.
Edward, que havia estado observando até então, imediatamente assumiu o comando. Como cardiologista e o mais experiente na sala, sua presença trouxe um misto de alívio e desespero. Ele começou a dar ordens, e os outros médicos seguiram suas instruções sem hesitar.
— Adrenalina, agora! — Edward ordenou, sua voz firme cortando o ar pesado da sala. — Preparem o desfibrilador.
Eu peguei o aparelho com mãos trêmulas, tentando me concentrar. O pânico estava começando a me dominar, mas eu sabia que precisava fazer isso. Coloquei as pás do desfibrilador no peito de Jacob, tentando manter a calma.
— Carregando... — anunciei, tentando afastar a dor que ameaçava me consumir. — 200 joules, todos afastem-se!
O som do choque reverberou pela sala, e por um segundo que pareceu uma eternidade, todos nós olhamos para o monitor, esperando... rezando por um sinal de que o coração de Jacob voltaria a bater.
Nada.
— De novo! — gritei, aumentando a carga. — 300 joules! Afastem-se!
Mais um choque. Mais uma vez, o monitor permaneceu em silêncio, o alarme ainda soando implacavelmente.
— Vamos, Jacob... por favor, volte para mim... — sussurrei, sentindo as lágrimas começarem a escorrer pelo meu rosto.
Edward se aproximou, com uma expressão sombria.
— Nessie, não há mais o que fazer. Ele se foi.
— Não! — gritei, minha voz quebrando sob o peso da dor. — Ele vai voltar, ele precisa voltar!
Tentei mais uma vez, desesperada, mas minha mente estava turva, meus movimentos descoordenados pelo desespero. Antes que eu pudesse aplicar mais um choque, Elijah se aproximou e tirou o desfibrilador das minhas mãos.
— Nessie... — disse ele suavemente, mas firme. — Já fizemos tudo o que podíamos.
A dor me atingiu como um golpe físico, e finalmente desabei. As lágrimas caíam livremente agora, meu corpo tremendo enquanto me ajoelhava ao lado de Jacob. Deitei minha cabeça no seu peito, agarrando sua camisa como se isso pudesse trazê-lo de volta.
— Por favor, Jacob... — supliquei, a dor rasgando meu coração. — Eu te amo, por favor, não me deixe...eu te amo, eu te amo volta pra mim...
Mas ele não respondeu. A realidade de sua ausência, de sua morte, começou a se infiltrar, e eu comecei a chorar incontrolavelmente. Elijah e Edward me olharam com tristeza, sabendo que eu havia perdido o controle.
— Tire-a daqui — Edward disse, sua voz carregada de tristeza. — hora do óbito. Duas da manhã.
— Não! — gritei, me debatendo quando os braços de alguém tentaram me afastar de Jacob. — Não! Ele vai voltar, por favor, me deixe ficar com ele!
Fui retirada da sala, meus gritos ecoando pelos corredores do hospital. Quando finalmente fui solta, caí no chão do corredor, o corpo exausto e sem forças. As lágrimas escorriam sem controle, meu coração completamente despedaçado.
Jacob se foi. E nada do que eu fizesse poderia trazê-lo de volta.
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