Eu estava encolhida no corredor, a cabeça entre os joelhos, os soluços me impedindo de respirar. Minha mente repetia, como um disco arranhado, os poucos momentos que Jacob e eu tivemos juntos. Cada sorriso, cada toque, cada palavra. Tudo girava em torno de uma dor insuportável, esmagando meu peito. Eu não conseguia acreditar que ele havia partido. Que ele me deixou sem saber...

— Filha... — ouvi uma voz masculina me chamar. Levantei os olhos inchados e encontrei Edward ajoelhado à minha frente. Sem pensar, me lancei em seus braços, buscando algum conforto em meio à tempestade que me consumia.

— Jacob... ele se foi... — repeti, a voz abafada contra o peito de Edward. — Ele não me ouviu, pai... ele não me ouviu...

Edward me apertou mais forte, sua mão acariciando meus cabelos com ternura.

— Você está enganada, filha — ele disse suavemente. — Ele a escutou, sim. Ele a ouviu tanto que voltou, por você.

Olhei para Edward, piscando, tentando entender o que ele estava dizendo.

— O que está dizendo...? — perguntei, minha voz hesitante, quase com medo de acreditar.

Edward sorriu, um brilho de alegria sincera em seus olhos.

— Jacob está vivo, Renesmee. Depois que você saiu da sala, o coração dele voltou a bater.

Senti uma onda de alívio tomar conta de mim, e o choro veio, mas dessa vez, era um choro de alívio, de felicidade. Jacob estava vivo. Ele voltou para mim. Edward me ajudou a levantar, e eu, ainda incrédula, disse que precisava vê-lo, que não podia esperar mais.

— Eu entendo, filha, mas você precisa descansar. — A voz de Edward estava calma, mas havia uma firmeza ali que não pude ignorar. — O que aconteceu na sala... você perdeu o controle, e isso não foi profissional. Precisamos conversar sobre isso, mas não agora. Vá para casa e descanse. Jacob estará aqui amanhã.

Eu assenti, ainda processando tudo. Nada importava para mim naquele momento, nem o trabalho, nem a situação embaraçosa na sala de emergência. Apenas Jacob. Ele estava vivo.

Cheguei ao meu apartamento exausta, o corpo pesado com o cansaço acumulado, mas o coração mais leve do que estivera em horas. Havia uma frustração por não ter visto Jacob antes de sair, mas eu sabia que já tinha quebrado muitas regras em uma só noite.

Depois de um banho rápido, vesti uma roupa leve e me joguei na cama. Meu corpo estava cansado, mas minha mente estava em um turbilhão de emoções. As palavras de Jacob se repetiam na minha mente, ressoando com uma intensidade que eu não podia mais ignorar.

Ele me amava. Assim como eu o amava.

Sorri, mesmo em meio à exaustão. Não podia mais negar o que sentia. Eu estava disposta a enfrentar qualquer coisa para ser feliz ao lado dele. Mesmo que o mundo desmoronasse ao nosso redor, eu não o deixaria novamente. Ele me amava, e isso era tudo o que eu precisava saber.

Finalmente, com o coração aquecido pela esperança, fechei os olhos, sabendo que, quando o sol nascesse, eu estaria ao lado dele, enfrentando tudo o que viesse. Juntos.

Na manhã seguinte, cheguei cedo ao hospital, mal conseguindo esperar para ver Jacob. Cada passo que eu dava pelos corredores fazia meu coração bater mais rápido. As paredes brancas, os sinais de direção e o cheiro característico do hospital se misturavam com a minha ansiedade crescente. As luzes frias do teto iluminavam o caminho, mas meu foco estava à frente, na Unidade de Terapia Intensiva. Eu precisava vê-lo, precisava saber que ele estava ali, vivo, diante dos meus olhos.

Quando finalmente cheguei à UTI, avistei Jacob através do vidro, deitado em uma cama cercada por aparelhos que monitoravam cada batida do seu coração. Toquei o vidro, sentindo o frio contra a minha pele, e um sorriso suave surgiu em meus lábios, enquanto lágrimas silenciosas escapavam. Ele estava vivo. Entrei na sala devagar, colocando uma máscara, e me aproximei da cama.

Jacob estava pálido, mas ainda era o homem forte que eu conhecia. Tubos de ventilação estavam conectados a ele, e os monitores exibiam seus sinais vitais. Ele estava tão vulnerável ali, cercado por toda aquela tecnologia que o mantinha vivo, mas ainda assim, era meu Jacob. Toquei suavemente o rosto dele, sentindo o calor de sua pele sob meus dedos.

— Eu sei que você pode me ouvir, Jake — sussurrei, minha voz carregada de emoção. — Você já me ouviu quando pensou que podia ir para longe de mim. Eu tô aqui.

Segurei a mão dele, sentindo a textura áspera da sua pele contra a minha, e para minha surpresa, ele apertou minha mão de volta. Meus olhos se arregalaram quando vi as pálpebras dele se movendo lentamente, até que seus olhos se abriram, encontrando os meus.

— Oi... — sussurrei, tentando conter as lágrimas. Um pequeno sorriso se formou nos lábios dele, fraco, mas ali estava, e eu sabia que ele estava me vendo, me reconhecendo. — Tudo vai ficar bem, Jake. Eu vou cuidar de você.

Ele tentou falar, mas coloquei um dedo suavemente sobre seus lábios, pedindo para que ele não se esforçasse. Por um momento, não havia necessidade de palavras. Ficamos ali, em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro, até que os olhos dele começaram a fechar novamente, adormecendo com minha mão ainda segurando a dele.

Saí da sala quando Jacob adormeceu, sentindo meu coração um pouco mais leve. Mas ainda havia algo que precisava ser feito. Segui até a sala de Edward, sabendo que ele estaria à minha espera. Entrei no elevador, passando pela recepção ao chegar no andar.

— Bom dia — disse à secretária.

— Bom dia, doutora Swan. A irmã do doutor Black está com o doutor Cullen, mas você pode entrar.

Agradeci com um aceno de cabeça e entrei na sala de Edward. Uma mulher estava sentada ali, sua expressão carregada de preocupação. Assim que entrei, Edward se levantou e me apresentou.

— Doutora Swan, esta é Rachel Lahote, irmã do Jacob.

Sorri e estendi a mão para ela.

— Muito prazer, sou Renesmee Swan.

Rachel arregalou os olhos ligeiramente, surpresa, antes de me devolver um sorriso tímido.

— Você é a filha da Bella?

— Sou, sim — confirmei.

Rachel me olhou com uma expressão amigável, seu sorriso ganhando mais calor.

— Então eu conheço você. Jake me falou muito sobre você.

Meu coração deu um pequeno salto. Saber que Jacob havia falado de mim para sua irmã me trouxe uma sensação de pertencimento, de que, de alguma forma, eu já fazia parte da vida dele de uma maneira mais profunda do que eu imaginava.

— Fico feliz em finalmente conhecê-la — respondi, sentindo uma onda de esperança crescer dentro de mim. — Jacob é muito importante para mim.

Rachel assentiu, e naquele momento, senti que, independentemente do que acontecesse, eu teria seu apoio. Ela compreendia o que eu sentia por Jacob, e isso era tudo o que eu precisava para seguir em frente.

Depois da conversa com Rachel, Edward sugeriu que eu a acompanhasse até a UTI para que ela pudesse ver Jacob. Concordei sem hesitar, e saímos da sala juntas, pegando o elevador em silêncio. Rachel estava visivelmente abalada, mas havia uma centelha de esperança em seus olhos. No meio do silêncio, ela finalmente quebrou o gelo.

— Meu irmão ama você — disse Rachel, sua voz carregada de sinceridade.

Senti uma onda de felicidade tão intensa que quase me fez flutuar. Era algo que eu não conseguia descrever em palavras, mas, ao mesmo tempo, parecia a coisa mais natural do mundo.

— Eu também o amo — respondi, minha voz suave, mas cheia de emoção.

Rachel me olhou, e seus olhos brilhavam com compreensão e aceitação. Ela sorriu, e juntas seguimos pelo corredor até a UTI. Quando chegamos, Rachel parou diante da janela de vidro que dava para o quarto de Jacob. Lágrimas silenciosas desceram por seu rosto enquanto ela observava o irmão, agora estável, mas ainda tão vulnerável.

— É verdade que ele morreu por um minuto? — Rachel perguntou, sua voz trêmula, mas cheia de curiosidade e medo.

Assenti devagar.

— Sim, mas ele voltou quando eu o chamei. Ele ouviu minha voz e voltou.

Rachel olhou para mim, os olhos ainda marejados, mas agora havia um sorriso suave em seus lábios.

— Que bom, então, que ele tinha você por perto — disse ela, com uma gratidão sincera.

Ficamos ali por alguns minutos, Rachel absorvendo o fato de que seu irmão estava vivo, e eu ao seu lado, oferecendo o suporte que ela precisava. Quando ela finalmente se despediu de Jacob, a acompanhei até a recepção. Lá, trocamos números de telefone, e Rachel me deu um abraço apertado antes de se despedir.

— Cuide bem dele — ela pediu, e eu prometi que faria exatamente isso.

Depois que Rachel se foi, me virei e quase esbarrei em Elijah, que estava por perto. Sabia que precisávamos conversar, principalmente depois do que havia acontecido durante o atendimento de Jacob.

— Elijah — chamei seu nome, e ele se virou para mim, o semblante sério, mas não hostil.

Respirei fundo, me preparando para a conversa que eu sabia ser necessária.

— Eu devo a você uma explicação — comecei, tentando encontrar as palavras certas.

Elijah balançou a cabeça, interrompendo-me antes que eu pudesse continuar.

— Não há necessidade de explicações, Nessie — ele disse, sua voz calma. — Eu entendi tudo o que precisava entender na emergência. Não precisa se desculpar.

Mesmo assim, senti a necessidade de pedir desculpas.

— Sinto muito pelo que aconteceu. Não foi profissional da minha parte.

Elijah sorriu, um sorriso compreensivo, embora houvesse uma leve tristeza em seus olhos.

— Está tudo bem. Agora eu entendo por que sua mãe, Bella, sempre insistiu tanto na relação entre nós dois. — Ele fez uma pausa, parecendo escolher suas próximas palavras com cuidado. — Desejo que você fique bem e seja feliz, Nessie. Nós ainda podemos ser amigos.

Sorri timidamente, sentindo um alívio misturado com uma ponta de tristeza. Elijah era uma boa pessoa, e eu estava grata por sua compreensão.

— Eu adoraria continuar sendo sua amiga — respondi, sinceramente.

Elijah deu um passo à frente e me deu um beijo na testa, um gesto de carinho e respeito.

— Cuide-se — ele disse, antes de se afastar, deixando-me sozinha no corredor.

Fiquei ali por alguns segundos, absorvendo tudo o que havia acontecido. A felicidade de saber que Jacob estava vivo, o alívio de que Rachel me aceitava e a tristeza de que Elijah entendia, mas não fazia parte daquilo. Era muita coisa para processar, mas, acima de tudo, sentia-me grata. Eu havia quase perdido Jacob, mas ele estava aqui, vivo, e isso era o mais importante.