Receita para o Amor
82 Renesmee -Licença Maternidade
Os últimos meses após o casamento foram como um turbilhão de emoções e responsabilidades. Apesar do meu medo por Alec não ter sido capturado, Jacob e eu havíamos nos mudado para uma casa maior em um condomínio fechado e seguro, haviam câmeras de segurança por todos os lados e vigilância 24 horas, eu não havia aceitado seguranças, queria ter uma vida normal ao lado das crianças e Alec não me tiraria isso novamente. A gravidez avançava, e com ela vinham as noites mal dormidas, os desejos estranhos e, claro, o peso na barriga que aumentava a cada semana. Mesmo assim, eu não queria parar de trabalhar no hospital. Entre cuidar das crianças e passar tempo com Jacob, eu encontrava espaço para meus pacientes, apesar dos protestos frequentes dele para que eu descansasse mais.
Estava em uma das minhas últimas consultas do dia, com uma senhora idosa chamada Dona Marisa, uma mulher simpática com pneumonia. Ela me lembrava minha avó de alguma forma, com aquele sorriso caloroso e o jeito de falar manso, mesmo em meio à doença.
— Doutora, você está tão linda com esse barrigão — ela comentou, enquanto eu ajustava a máscara de oxigênio para ela. — Como eu queria ter tido uma gravidez assim, acompanhada e com tanto cuidado. Eu tive cinco filhos, sabe?
— Cinco? — Perguntei, com um sorriso, me sentando na cadeira ao lado da cama dela. — Deve ter sido uma aventura e tanto.
— Oh, foi! Cada um veio de um jeito. O primeiro quase nasceu no campo, enquanto eu colhia milho — ela riu com uma tosse leve. — O segundo nasceu em casa, sem médico nem nada. Eu mesma que cortei o cordão. O terceiro foi no hospital, mas o quarto, ah... esse me deu um susto, nasceu prematuro. Mas olhe, todos estão bem hoje, casados, com filhos, e me dão tanta alegria. Família é tudo, minha querida. Tudo.
Eu ouvia encantada, imaginando como seria nossa vida dali em diante, com a chegada de mais um bebê. Tocava minha barriga de forma inconsciente, sentindo os chutes leves que me lembravam a cada instante da vida crescendo dentro de mim.
— Família é tudo mesmo, Dona Marisa — concordei, sorrindo. — Agora vou ajustar suas medicações e volto para vê-la em breve.
Ela assentiu, com os olhos brilhando de gratidão. Eu me despedi e saí do quarto, caminhando devagar pelos corredores do hospital. Logo depois, Jane, ex secretaria de Jake agora minha secretaria, entrou na minha sala com um sorriso malicioso no rosto, segurando um papel.
— Olha só o que temos aqui — ela disse, estendendo o papel para mim.
Eu o peguei, suspirando assim que vi o cabeçalho. Era a minha licença-maternidade. Claro, Jacob havia encontrado um jeito legal de me "expulsar" do hospital mais cedo do que eu gostaria. Eu revirei os olhos, divertida, e encarei Jane.
— Ele não desiste, né? Parece que não estou nem conseguindo andar direito, e ele já está me tirando daqui à força.
— Bom, ele não está totalmente errado — Jane riu. — Você anda mancando pelos corredores como se fosse ter esse bebê a qualquer momento.
Eu ri também, concordando com ela.
— É, você tem razão. Acho que o Jake venceu essa.
Após mais uma risada, me despedi de Jane, que saiu da sala deixando-me sozinha com meus pensamentos. Olhei para o papel da licença por um momento e suspirei, acariciando minha barriga inchada. Apesar do cansaço, havia uma sensação de felicidade plena. Eu sabia que estava fazendo o melhor para mim e para o bebê.
Coloquei o papel na bolsa, tirei o jaleco e me preparei para ir embora. Caminhei pelos corredores até a sala de Jacob, mas a secretária dele, Julia, me avisou:
— O doutor Jacob está em uma cirurgia, vai demorar um pouco.
— Avise-o que fui para casa, tá bom? — Pedi, com um sorriso.
— Claro, doutora Black. Pode deixar.
Saí do hospital devagar, sentindo o ar fresco da tarde. Cada passo era um pouco mais pesado que o anterior, mas tudo valia a pena. O bebê estava quase chegando, e minha vida estava cheia de amor e felicidade.
Dirigi devagar pelas ruas de **Upper East Side**, um dos bairros mais ricos e prestigiados de Nova York. Jacob e eu escolhemos viver aqui depois que ele comprou a casa — mais uma de suas surpresas. Lembro como fiquei emocionada quando ele me mostrou a linda casa branca, com uma fachada clássica, janelas grandes e um jardim espaçoso para as crianças brincarem. Era o lugar perfeito para criarmos nossa família.
Eu sempre gostei de dirigir, especialmente quando levava Charlie para a escola. Jacob discordava, achava que eu deveria descansar mais, especialmente com a gravidez avançada, mas eu me recusava a deixar que a gravidez me impedisse de fazer as coisas que gostava. Isso me fazia sentir no controle da minha vida.
Ao entrar no condomínio de luxo, fui cercada pelas casas elegantes e as ruas impecavelmente limpas. Nossa casa logo apareceu, imponente e serena no final da rua. Parei o carro diante dela, admirando por um momento como tudo parecia em paz. O jardim estava florido, e o balanço e escorregador que Jacob havia instalado para Charlie e Ben balançavam suavemente com o vento.
Saí do carro com um pouco de esforço, mas a sensação do sol aquecendo meu rosto era revigorante. Caminhei devagar até a porta da frente, passando pelo jardim que as crianças adoravam. Estranhei o silêncio ao entrar em casa. Normalmente, Charlie e Ben estariam correndo pela sala, com Emily ou Claire os supervisionando. Mas, naquele momento, só o silêncio me recebia.
— Emily? Claire? — Chamei, enquanto colocava minha bolsa na poltrona da sala de estar.
Nenhuma resposta.
Estranho, pensei. Talvez elas tenham saído com as crianças. Mas sem me avisar? Isso não era comum. Caminhei até a entrada da cozinha, e foi quando meu corpo congelou. Meus olhos se fixaram na figura à minha frente.
Era ele. Aquele rosto que me assombrava havia anos, aquele sorriso cruel e perturbador. O ar pareceu sumir dos meus pulmões enquanto a palavra escapava trêmula de meus lábios.
— Alec...
Minha voz mal saiu, mas ele certamente ouviu. Aquele homem que me trancafiou no passado estava de volta. O medo gelou meu sangue, e por um segundo, eu não sabia o que fazer. Tudo o que senti foi o choque paralisante, enquanto sua presença fazia o mundo ao meu redor parecer diminuir.
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