Receita para o Amor
83 Renesmee - Invasão
Meu coração batia tão rápido que achei que fosse explodir. Alec estava parado à minha frente, como um pesadelo vivo. Eu não conseguia acreditar que ele estava aqui, na minha casa. Cada célula do meu corpo gritava para correr, mas eu sabia que ele era mais rápido. E pior, não sabia onde estavam as crianças.
— Onde estão as crianças? — Perguntei, com a voz embargada. — Onde estão Emily e Claire?
Alec sorriu, aquele sorriso frio e calculado que eu conhecia tão bem.
— Não vou fazer mal aos seus bebês, Renesmee — ele respondeu, como se fosse razoável. — Eu só preciso conversar com você.
— Conversar? — Eu dei um passo para trás, tentando controlar o pânico. — O que você quer de mim, Alec? O que você acha que vai ganhar vindo até aqui?
Seus olhos escureceram, e ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço.
— Você estragou a minha vida — ele rosnou, a raiva crescendo em sua voz. — Quando fugiu daquela casa, quando me deixou… tudo desmoronou.
— Você é louco — murmurei, sentindo o frio percorrer minha espinha. — Eu não te deixei, Alec. Eu escapei de você! Você e sua loucura...
— Cale a boca! — Ele interrompeu, avançando mais um passo. — Eu te dei tudo. E como você me retribuiu? Fugindo e levando minha única chance de redenção com você!
Eu sabia que não adiantava argumentar, não com ele. A mente de Alec estava distorcida, e nada que eu dissesse mudaria isso. Ele estava me culpando por sua própria loucura.
— Você vai vir comigo — ele disse de repente, sua voz calma, mas cheia de ameaça.
— Eu não vou a lugar nenhum — respondi, com mais firmeza do que eu sentia. — Isso acabou, Alec. Você não tem mais poder sobre mim.
Antes que ele pudesse responder, um som de sirenes ecoou do lado de fora da casa. Meu coração deu um salto, e Alec se virou para a janela, os olhos se estreitando.
Uma voz firme soou através de um megafone, do lado de fora:
— Alec Volturi, esta é a polícia. Sabemos que você está aí dentro. Abra a porta e se renda. Não há como escapar. Esta casa está cercada.
Alec olhou para mim com raiva pura.
— Quem chamou a polícia? — Ele rosnou, com o rosto contorcido de fúria. — Eu tranquei as babás com as crianças no quarto. Quem...?
Eu sorri, apesar do medo.
— Você não conhece a Alexia? — Perguntei, tentando manter a voz estável.
Alec ficou ainda mais furioso, percebendo que havia subestimado a assistente virtual que controlava nossa casa. Ele me puxou pelo braço com força, fazendo-me soltar um grito de dor.
— Suba! — Ele ordenou, arrastando-me em direção às escadas.
Tentei me soltar, mas ele me segurava com força. Meu corpo estava pesado por causa da gravidez, e eu sabia que não conseguiria lutar fisicamente com ele. Alec me levou até um dos quartos do andar de cima, onde me empurrou para dentro antes de trancar a porta.
A sensação de estar presa novamente com ele trouxe uma onda de pânico, mas eu não podia me deixar dominar pelo medo. Precisava ganhar tempo até a polícia entrar na casa.
Eu não sabia mais quanto tempo havia se passado. Alec andava de um lado para o outro, olhando pela janela, a arma apertada na mão. Ele estava completamente desorientado, murmurando palavras desconexas para si mesmo. Meu corpo estava tenso, cada movimento dele fazia o medo se espalhar por mim.
De repente, uma dor aguda atravessou minha barriga, e eu soltei um gemido involuntário, sentindo meu corpo quase ceder. Cambaleei até a cama e me sentei, tentando manter a calma, mas o pânico começou a se infiltrar. Não, não posso perder esse bebê aqui. Não de novo. Não sob a prisão de Alec.
— Alec — chamei sua atenção, minha voz tremendo. — Por favor... Você precisa parar com isso. Não tem mais como fugir. Se entregue. Ainda dá tempo de resolver isso sem mais sofrimento.
Ele se virou para mim, os olhos carregados de raiva.
— Você acha que eu posso simplesmente me entregar? Que eles vão me perdoar? Eu nunca vou me render! — Ele balançou a arma no ar, desesperado.
— Eles só querem acabar com isso, Alec — tentei insistir, ignorando o crescente desconforto. — Você não tem saída, mas pode controlar como isso vai terminar. Pense em mim, nas crianças... Deixe-me ir e se entregue.
— Cale a boca! — Ele gritou, os olhos vermelhos de fúria. — Você não entende nada, Renesmee! Eu perdi tudo por sua causa!
Eu queria continuar tentando, queria acreditar que ainda havia algo nele que pudesse ser racional. Mas então, senti outra onda de dor, ainda mais forte, e minha visão ficou turva. Meu bebê vai nascer. Olhei para Alec com desespero nos olhos.
— Alec... — eu sussurrei, sentindo o medo me tomar por completo. — O bebê... vai nascer. Você precisa me deixar ir.
Ele parou por um momento, me observando com confusão, mas a loucura em seus olhos rapidamente voltou.
— Não tente me enganar!
E então, antes que eu pudesse reagir, ele me acertou com um tapa violento no rosto, me jogando de volta na cama. Senti minha pele queimar e minha cabeça girar enquanto as lágrimas escapavam. Meu corpo tremia com as contrações, e a água já havia rompido. O pavor me invadiu completamente.
Ouvi um som abafado, algo como passos rápidos e pesados, seguidos por batidas na porta. Alec se virou para a entrada do quarto, alarmado, apontando a arma para a porta.
De repente, a porta foi arrancada das dobradiças, caindo ao chão com um estrondo. Alec mal teve tempo de reagir quando ouvi a voz de Jacob ecoando pela sala.
— Fica longe da minha mulher! — ele rugiu, a voz carregada de fúria e proteção.
Jacob estava parado ali, arma em punho, apontada diretamente para Alec. A expressão dele era de puro ódio, mas também de uma calma mortal, uma calma que eu sabia ser mais perigosa do que qualquer grito.
Alec congelou, hesitando. Sabia que aquele era o fim.
Jacob olhou para mim, e eu soube naquele momento que ele podia ver o desespero em meus olhos. A dor estava insuportável, o bebê estava prestes a nascer, e eu não sabia se conseguiria aguentar mais um minuto naquela situação. Ele deu alguns passos à frente, o olhar focado em mim, tentando chegar até onde eu estava, mas Alec ergueu a arma, alternando o foco entre nós dois.
— Nem pense em se aproximar, Jacob! — gritou Alec, o desespero claramente presente em sua voz. — **Dali, apenas um de nós dois sai vivo!
Minha respiração se acelerou, e o pânico tomou conta do meu corpo. Eu senti o bebê se mover dentro de mim, a pressão ficando mais intensa. Eu não conseguia pensar em mais nada além da dor e do medo. Jacob, porém, manteve-se calmo, seu olhar não vacilou. Ele sabia que o tempo estava se esgotando para mim e para o nosso bebê, mas ele permaneceu firme.
— Vai ficar tudo bem, Nessie — Jacob disse, a voz calma e reconfortante, mesmo em meio ao caos. — Eu prometo.
Alec, completamente desequilibrado, apontou a arma para mim, e eu senti o gelo percorrer minha espinha. Tudo ficou em câmera lenta, e a única coisa que eu podia pensar era que aquilo não podia estar acontecendo.
— Não! — gritei, o desespero rasgando minha garganta.
Antes que eu pudesse processar, Jacob se moveu na minha frente, protegendo-me com seu próprio corpo. Ele olhou para Alec com uma fúria incontrolável, como se dissesse que nada, nem mesmo a morte, o impediria de me proteger.
— Se você quer machucar alguém, machuque a mim. Mas nunca, nunca toque nela. — Jacob disse com uma força que fez Alec hesitar por um segundo.
O quarto ficou em um silêncio pesado, quebrado apenas pela minha respiração ofegante e as dores que vinham em ondas. Tudo parecia estar à beira do colapso, quando de repente a porta foi novamente arrombada. Homens da polícia invadiram o quarto, suas armas apontadas para Alec.
— Largue a arma, Alec! — gritou um dos policiais. — Está cercado, não tem para onde fugir!
Alec, surpreso com a invasão, vacilou por um segundo. O suficiente para que tudo mudasse. Jacob se aproveitou da distração, e com um movimento rápido, desarmou Alec, jogando-o contra a parede. Os policiais avançaram em direção a ele, algemando-o com precisão.
Eu soltei um suspiro de alívio, sentindo as lágrimas descerem por meu rosto. Jacob se virou rapidamente, me abraçando com toda a sua força, os olhos cheios de preocupação.
— Nessie, você está bem?*— ele perguntou, a voz trêmula, enquanto segurava meu rosto entre suas mãos.
—O bebê, Jake... O bebê está vindo... — sussurrei entre lágrimas, sentindo uma nova contração me dominar.
Ele me olhou por um segundo, e naquele momento, eu vi o pânico em seus olhos. Mas, ao mesmo tempo, ele parecia aliviado por saber que eu estava viva, que estávamos todos a salvo.
— Vamos sair daqui agora. Eu vou te levar ao hospital. Vai ficar tudo bem. — Ele acariciou meu rosto suavemente, tentando me acalmar, enquanto os policiais levavam Alec embora.
Eu me deixei relaxar por um breve momento nos braços de Jacob, enquanto ele me carregava para fora daquele quarto que quase se tornou o lugar do meu pior pesadelo. Agora, tudo o que importava era o nosso bebê que estava prestes a chegar.
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