Receita para o Amor
6 Renesmee- Emergência
Observei a sala com atenção, sorrindo ao pensar que, finalmente, estava ali. Fui tomada por uma onda de alegria, repetindo em voz alta, quase como se quisesse me convencer da realidade:
— Eu sou uma médica!
Mordi o lábio inferior, contendo um riso. Olhei para cada detalhe da sala. Ainda que tivesse apenas uma mesa, o ambiente era bonito e aconchegante, do jeito que eu sempre imaginei. Apoiando as mãos na mesa, já comecei a planejar como deixaria tudo mais com a minha cara.
Depois de alguns minutos explorando, decidi sair da sala. Na recepção, perguntei sobre o Dr. Black.
— Ele está em uma reunião em salas fechadas com o Dr. Cullen — respondeu uma das recepcionistas com um sorriso gentil. — Precisa de alguma coisa?
— Não, obrigada. Vou dar uma olhada pelo hospital — respondi, tentando parecer mais confiante do que realmente estava.
A recepcionista assentiu, mas antes que eu me afastasse, ela me chamou novamente:
— Quase ia me esquecendo!
Ela me entregou um crachá. Olhei para ele e sorri, agradecendo. Enquanto caminhava pelos corredores, fiquei repetindo em silêncio: "Doutora Swan". Era surreal ver meu nome ali, junto à minha foto. Estava tão distraída com o crachá que nem percebi quando bati de frente com alguém.
Antes que eu caísse, senti mãos firmes me segurando.
— Você está bem? — perguntou o jovem à minha frente, com uma expressão preocupada.
— Sim, desculpe — respondi, corando de vergonha.
— Está tudo bem — ele disse com um sorriso, estendendo a mão. — Elijah McCarty, prazer.
Apertei a mão dele, tentando parecer menos desajeitada.
— Renesmee Swan.
— Você é nova por aqui? — ele perguntou, ainda sorrindo.
— Sim, é meu primeiro dia e… — hesitei, rindo de mim mesma. — Estou um pouco perdida.
Ele riu também, mas antes que pudesse responder, uma enfermeira apareceu, chamando-o:
— Doutor McCarty, precisamos de apoio na emergência.
Elijah assentiu, depois olhou para mim com um brilho nos olhos.
— Doutora Swan, talvez seja esse o seu grande momento de estreia no hospital.
Assenti, sentindo meu coração acelerar de expectativa. Caminhamos apressados em direção ao elevador, prontos para o que viesse na emergência.
Quando cheguei à emergência, fui imediatamente tomada pelo caos. O som das sirenes das ambulâncias ainda ecoava pelo ar, misturando-se aos gritos e gemidos dos pacientes. A sala estava lotada de vítimas de um acidente automotivo grave. Médicos e enfermeiros corriam de um lado para o outro, tentando estabilizar os feridos o mais rápido possível.
O espaço, normalmente organizado, estava agora um campo de batalha. Macas estavam alinhadas umas ao lado das outras, com pacientes em diversos estados de gravidade. O cheiro de sangue e desinfetante se misturava no ar pesado. Uma equipe de emergência trabalhava freneticamente para atender a todos, enquanto eu tentava processar a magnitude da situação.
Elijah se aproximou de uma das macas, onde um menino de cerca de oito anos estava deitado, chorando baixinho. Seu rosto estava pálido, e sua perna direita estava claramente quebrada, posicionada em um ângulo nada natural. O menino tinha cortes profundos no braço esquerdo, além de várias escoriações espalhadas pelo corpo. O enfermeiro ao lado de Elijah olhou para ele e começou a relatar a situação.
— Menino de oito anos, vítima do acidente automotivo. Sofreu uma fratura exposta na perna direita, com possível comprometimento vascular. Diversas lacerações superficiais no braço esquerdo e escoriações múltiplas. Ele está em estado de choque, mas estável no momento.
Elijah analisou a perna do garoto e assentiu, mantendo a calma.
— Precisamos levá-lo ao centro cirúrgico imediatamente para estabilizar a fratura e avaliar o comprometimento vascular. Preparem-no para a cirurgia — ordenou, antes de se virar para mim.
Eu me aproximei, tentando manter a compostura diante da situação.
— Vou precisar de uma mãozinha aqui — disse Elijah, sorrindo. E, ao perceber minha expressão séria, acrescentou com uma piscadela: — Mas não nesse sentido.
Senti meu rosto esquentar de vergonha, mas sorri de volta, tentando esconder o nervosismo.
— Vou estar lá em 10 minutos — respondi, tentando soar confiante.
Ele assentiu e voltou sua atenção para o menino, enquanto eu me preparava mentalmente para o que viria a seguir. Este era o meu primeiro grande desafio como médica no hospital, e eu sabia que precisava estar à altura.
Minutos depois, eu estava no centro cirúrgico, vestida com o jaleco e a máscara, ao lado de Elijah e sua equipe. A tensão no ar era palpável, mas eu me forcei a manter a calma. O centro cirúrgico era impecavelmente limpo, com luzes brilhantes e instrumentos de aço inoxidável organizados em uma bandeja ao lado da mesa de operação. O monitor cardíaco emitia um som rítmico, mantendo todos cientes do estado do pequeno paciente.
Elijah liderava o procedimento com destreza e confiança. Ele me orientava enquanto trabalhávamos juntos para estabilizar a fratura exposta do menino. Pediu-me várias vezes para lhe passar instrumentos específicos – o bisturi, a pinça de dissecção, e a agulha para sutura. Meu coração batia acelerado, mas mantive a precisão nos movimentos. Havia uma harmonia entre a equipe, quase como se estivéssemos todos sincronizados em um balé cuidadosamente coreografado.
— Renesmee, passe-me o fixador externo — pediu Elijah.
Imediatamente, estendi o fixador, observando enquanto ele o posicionava com precisão na perna do garoto para estabilizar a fratura.
— Excelente. Agora, precisamos garantir que o fluxo sanguíneo não esteja comprometido — continuou ele, apontando para uma área onde havia suspeita de dano vascular.
Por quase três horas, trabalhamos meticulosamente, reparando a fratura, limpando as lacerações e suturando as feridas. O tempo parecia se arrastar, mas finalmente, com os últimos pontos dados e a perna imobilizada, Elijah se afastou da mesa, com um suspiro satisfeito.
— Cirurgia bem-sucedida. Ótimo trabalho, todos — disse, olhando para a equipe antes de se dirigir a mim. — E você, doutora Swan, foi incrível.
A cirurgia havia sido um sucesso, e eu me permiti sentir um breve alívio enquanto terminava de lavar as mãos na sala de esterilização. Elijah estava ao meu lado, e mesmo através da máscara, não pude deixar de notar o quanto ele era atraente. Alto, loiro, com olhos verdes que brilhavam sob a luz intensa da sala. Seu corpo atlético e postura confiante só reforçavam sua presença marcante.
— O que a doutora Swan tem de beleza, tem em profissionalismo — elogiou ele, com um sorriso brincalhão. — Você foi muito bem para uma recém-formada.
Senti minhas bochechas esquentarem com o elogio.
— Obrigada, doutor McCarty. Espero aprender muito por aqui — respondi, tentando manter o tom profissional.
Ele sorriu, aparentemente satisfeito.
— Tenho certeza que vai. Ah, a equipe vai comemorar mais tarde. Que tal encontrar a gente no *The Dead Rabbit*? É um barzinho ótimo aqui em Nova York.
Pensei por um momento, pesando a ideia de me socializar com a equipe.
— Quem sabe eu passe por lá — respondi, tentando ser educada sem me comprometer demais.
— Vou ficar na expectativa — ele disse, com um sorriso animado.
Saímos juntos da sala, e, assim que atravessamos a porta, demos de cara com Jacob. Ele estava parado, parecendo um tanto impassível, mas havia um brilho familiar em seus olhos.
— Jacob! — Elijah cumprimentou com entusiasmo. — Conhece a novata, doutora Swan?
Jacob sorriu levemente, mas havia algo afiado no seu olhar.
— Sim, conheço. E você está proibido de roubar minha assistente.
Ambos riram, e eu me senti um pouco mais relaxada.
— Nos vemos mais tarde então, doutora — Elijah se despediu, dando-me um último sorriso antes de se afastar.
Jacob se virou para mim, seu semblante suavizando.
— Está bem? Como foi a cirurgia?
— Foi um desafio, mas acho que me saí bem — respondi, ainda um pouco ofegante pelo nervosismo.
— Tenho certeza que sim. Até porque você realizou o procedimento com um dos melhores médicos do hospital. Elijah é neto do Carlisle, por sinal.
Fiquei surpresa com a revelação, mas isso também explicou muito sobre a confiança de Elijah.
— Uau, isso é impressionante. — Respondi, enquanto caminhávamos juntos pelos corredores.
— E agora? — Perguntei, um tanto ansiosa para saber o que viria a seguir.
— Você está dispensada por hoje. — Jacob respondeu com um sorriso. — Vá descansar. Amanhã será outro dia cheio.
Assenti, aliviada e agradecida pela oportunidade de respirar um pouco depois de tudo que aconteceu naquela manhã.
Depois de um dia intenso no hospital, voltei para casa de táxi. Jacob tinha pacientes para atender durante a tarde, então sabia que ficaria sozinha por um tempo. Quando abri a porta, a ausência de qualquer som familiar me fez suspirar aliviada. Bella provavelmente estava no trabalho, como de costume a essa hora.
Entrei na casa e me joguei no sofá, deixando o corpo afundar nas almofadas enquanto pensava na manhã agitada que tive. Fechei os olhos por um momento, revivendo cada detalhe da cirurgia, as conversas rápidas com Elijah e Jacob. Tudo parecia ter acontecido tão rápido, mas ao mesmo tempo, cada momento estava gravado em minha mente.
Depois de um tempo, a fome começou a se manifestar, então me levantei e fui até a cozinha. Abri a geladeira e peguei algumas frutas, um pedaço de queijo, e um copo de suco, colocando tudo em uma bandeja. Subi as escadas, indo direto para o meu quarto. O resto do dia foi tranquilo; passei horas lendo alguns livros de especialidades médicas e assistindo TV. Era bom ter um tempo só para mim, mas a noite prometia ser longa se eu ficasse apenas em casa.
Decidi aceitar o convite de Elijah. Abri o closet e comecei a procurar algo que fosse apropriado para uma noite em um bar de Nova York. Queria algo sensual, mas sem exageros. Escolhi um vestido preto justo, que realçava minhas curvas sem ser vulgar, com um decote discreto e alças finas. Combinei com uma jaqueta de couro preta e um par de botas de salto alto, que completavam o look com um toque de ousadia. Me olhei no espelho, satisfeita com a escolha. A maquiagem foi leve, apenas um batom vermelho para dar um destaque.
Peguei minha bolsa e estava prestes a sair do quarto quando encontrei Bella no corredor, carregando sua bolsa de trabalho. Ela acabara de chegar.
— Vai sair? — perguntou, olhando para mim com uma expressão curiosa.
— Vou, sim. — respondi, tentando parecer casual enquanto ajustava a alça da bolsa no ombro.
— Como foi o primeiro dia no hospital? — Bella continuou, e percebi um interesse maior do que o normal em sua voz.
Achei um pouco estranho, mas respondi sem pensar muito.
— Foi ótimo. Fiz até uma cirurgia. — Sorri ao lembrar da sensação de estar na sala de cirurgia, ao lado de Elijah.
Bella sorriu de volta, parecendo genuinamente feliz por mim.
— Fico muito feliz por você, Nessie. Conheceu alguém interessante?
— Conheci, sim. O dono do hospital na verdade. E fiz a cirurgia com o neto dele, Elijah Inclusive, vou encontrá-lo em um barzinho agora.
Bella pareceu um pouco preocupada, mas não disse nada.
— Preciso ir. Meu táxi chegou. Tchau, Bella — disse apressada, não querendo prolongar a conversa.
Saí rapidamente do quarto, desci as escadas e fui direto para a porta da frente. O táxi já estava me esperando. Entrei no carro e, assim que o motorista perguntou o destino, respondi com confiança:
— The Dead Rabbit, por favor.
Enquanto o táxi se movia pelas ruas de Nova York, senti um misto de excitação e nervosismo. Não sabia exatamente o que esperar dessa noite, mas estava disposta a descobrir.
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