Receita para o Amor
7 Renesmee- The Dead Rabbit
O táxi deslizou pelas ruas movimentadas de Nova York, iluminadas pelas luzes vibrantes dos prédios e letreiros. A cidade parecia viva, pulsando com energia, e o som distante das buzinas e risos de pessoas ecoava pelo ar. Enquanto o carro se aproximava do *The Dead Rabbit*, eu não pude deixar de me sentir um pouco nervosa. Não sabia exatamente o que esperar, mas estava determinada a aproveitar a noite.
Quando o táxi parou em frente ao bar, paguei a corrida e desci do carro, sentindo o ar noturno de Nova York contra minha pele. O *The Dead Rabbit* era um lugar popular, conhecido por sua atmosfera acolhedora e despojada. O exterior do bar tinha uma aparência clássica, com tijolos aparentes e janelas grandes que deixavam entrever o interior iluminado. O letreiro brilhante pendurado na frente anunciava o nome do lugar em letras chamativas.
Entrei no bar e, imediatamente, senti os olhares de alguns homens na minha direção. O vestido justo que escolhi parecia ter chamado a atenção deles, e isso me fez sentir uma mistura de confiança e constrangimento. Olhei ao redor, observando o ambiente cheio de pessoas. O som da música ao fundo se misturava ao burburinho das conversas animadas. O bar estava cheio, mas de uma maneira aconchegante, com mesas de madeira espalhadas pelo salão e uma iluminação suave que criava um clima intimista.
Meus olhos procuraram Elijah entre a multidão, e não demorou muito para encontrá-lo. Ele estava encostado no balcão, uma garrafa de cerveja na mão, e quando me viu, seu rosto se iluminou em um sorriso. Ele deixou a garrafa sobre o balcão e começou a caminhar em minha direção. Elijah era realmente bonito, com seu corpo atlético e um jeito despojado que parecia atrair a atenção de todos ao redor.
— Renesmee, você está incrível. — disse ele ao se aproximar, com um sorriso que fez meu rosto corar levemente.
— Obrigada. — respondi, tentando parecer à vontade, apesar de sentir meu coração bater mais rápido.
Antes que eu pudesse pensar em algo mais para dizer, ele pegou minha mão com naturalidade e me puxou para a mesa onde seus amigos estavam sentados.
— Pessoal, esta é Renesmee Swan, a nova médica assistente. — disse ele com entusiasmo, me apresentando a todos.
Jones Hale, um homem de cabelos escuros e olhos penetrantes, acenou para mim. Ao seu lado, Mary Hale, com um sorriso caloroso e olhos curiosos, me cumprimentou. Mike Newton, um rapaz loiro com um jeito brincalhão, e Louise McCarty, uma jovem bonita de cabelos loiros e ondulados, completavam o grupo.
— De onde você é, Renesmee? — perguntou Mary, com um olhar de interesse.
— Sou de Forks, Washington. — respondi, tentando parecer relaxada enquanto me sentava com eles.
Mary olhou para Louise com um olhar astuto.
— Forks? Não é perto de onde o doutor Black mora? — perguntou Mary, com um sorriso malicioso.
Louise lançou um olhar de reprovação para a prima, claramente incomodada.
— É, sim. Mas você não precisa ficar falando da minha vida. — disse Louise, rindo, mas claramente tentando mudar de assunto.
Todos riram junto com ela, e foi aí que Mike, com uma expressão divertida, comentou:
— A Louise tem uma quedinha pelo doutor Black, mas ele nunca dá moral pra ela.
Senti um leve desconforto no estômago ao ouvir isso, mas forcei um sorriso para não deixar transparecer o que estava sentindo. Elijah pareceu notar a situação e, tentando aliviar o clima, comentou:
— Ei, Renesmee, talvez você possa ajudar a Louise. Afinal, você é a nova assistente do Jacob.
Louise imediatamente pareceu interessada, inclinando-se na mesa com um sorriso.
— É mesmo? Renesmee, amiga, precisamos conversar.
Todos riram novamente, mas eu apenas sorri timidamente, enquanto Elijah entregava uma garrafa de cerveja em minha direção. Peguei a garrafa e tomei um gole, tentando me manter calma.
— Na verdade, não sou apenas assistente do doutor Black. — acrescentei, tentando parecer casual. — Eu moro com ele.
O grupo todo ficou em silêncio por um momento, claramente surpreso. Elijah franziu a testa, tentando entender.
— Espera aí... — disse ele, pensativo. — Você tem o sobrenome da esposa dele. É parente da Isabella?
Engoli em seco, sentindo uma pontada de frustração. Parecia que ninguém sabia que Bella tinha uma filha.
— Sim, sou filha dela. — respondi, tentando manter a voz firme.
Os olhos de Elijah se arregalaram em surpresa.
— Uau, eu não sabia disso.
Mary, por outro lado, riu e olhou para Louise, com um ar provocador.
— Então você quer dar em cima do padrasto da Renesmee? Acho que não vai rolar, hein?
Aquelas palavras me irritaram profundamente, e o desconforto se intensificou. Não conseguia deixar de me sentir incomodada com a ideia de Louise estar interessada em Jacob. Elijah pareceu perceber minha mudança de humor e, antes que o assunto pudesse se prolongar, ele me tocou levemente no ombro.
— Ei, não precisa se preocupar com isso. Estamos aqui para nos divertir, certo? — disse ele, com um sorriso tranquilizador.
Eu apenas assenti, tentando relaxar, mas sentia uma irritação crescente ao pensar em Louise e seu interesse por Jacob. A noite, que tinha começado de forma promissora, agora parecia mais complicada do que eu esperava.
A noite continuou entre risos e histórias. Elijah, percebendo meu desconforto inicial, fez questão de mudar o rumo da conversa, evitando qualquer menção a Jacob Black. Logo, o clima descontraído voltou, e o grupo parecia determinado a aproveitar ao máximo a noite.
As bebidas continuaram a fluir, e eu me permiti relaxar um pouco mais. As piadas se tornaram mais engraçadas, as histórias mais elaboradas, e, antes que eu percebesse, a leve tontura de uma embriaguez confortável começou a se instalar. Mary contou uma história sobre um paciente teimoso que insistia em autodiagnosticar-se pela internet, o que arrancou gargalhadas de todos. Jones, por sua vez, compartilhou a experiência de um intercâmbio desastroso que fez durante a faculdade, e até mesmo Mike, que parecia mais tímido, se soltou, imitando um dos chefes que era notoriamente exigente.
Eu me sentia cada vez mais à vontade, participando das conversas, rindo com os outros, e apreciando a atmosfera leve que eles conseguiam criar. Elijah, sempre ao meu lado, parecia se divertir ao me observar, e a proximidade dele começava a mexer comigo de uma forma que eu não esperava.
Quando as garrafas começaram a esvaziar e o cansaço da noite começou a pesar, todos concordaram que era hora de ir embora. Jones foi o primeiro a se levantar, anunciando que, se não saíssem naquele momento, provavelmente dormiriam ali mesmo. Concordei com um sorriso, percebendo que o álcool havia começado a afetar meu equilíbrio, e a ideia de uma cama parecia cada vez mais atraente.
— Você precisa de uma carona? — perguntou Elijah, ao notar que eu me levantava com uma certa hesitação.
— Acho que seria bom. — respondi, aceitando a oferta com um sorriso.
O caminho até o carro foi acompanhado por conversas descontraídas, e logo estávamos dirigindo pelas ruas de Nova York, agora bem mais tranquilas do que quando cheguei. O silêncio no carro era confortável, mas carregado de algo que eu não conseguia definir completamente.
Quando ele estacionou em frente à minha casa, virou-se para mim com um sorriso.
— A noite foi ótima. — disse ele, com sinceridade nos olhos.
Assenti, sentindo o mesmo. Mas então, o silêncio se alongou, e a atmosfera mudou. Havia uma tensão no ar, algo que fazia meu coração bater mais rápido, uma expectativa não dita.
— É melhor eu entrar. — disse, tentando quebrar o clima, mas minha voz soou hesitante.
Antes que eu pudesse abrir a porta, senti a mão de Elijah em meu braço, puxando-me de volta. Nossos olhos se encontraram por um instante, e então ele me beijou. Por um segundo, fiquei surpresa, mas logo me vi retribuindo ao beijo. Havia algo naquele momento, na forma como ele me segurava, que parecia certo, mesmo que confuso.
Quando finalmente nos afastamos, senti a cabeça girar, não só pelo álcool, mas pela intensidade do que acabara de acontecer.
— Eu... acho melhor eu entrar. — repeti, dessa vez com um sorriso nervoso.
— Boa noite, Renesmee. — disse ele, com um brilho nos olhos que sugeria que ele não se arrependia de nada.
Saí do carro, ainda surpresa com o que havia acontecido, e procurei a chave da casa que Jacob havia me dado. Percebi que estava um pouco tonta, e ri sozinha da situação, quase deixando a chave cair enquanto tentava destrancar a porta.
Finalmente entrei na casa, o ambiente estava escuro e silencioso, exceto pelos gemidos abafados que vinham do quarto. Suspirei, reconhecendo os sons que vinham de Jacob e Bella.
— Vai ser uma longa noite. — murmurei para mim mesma, tirando os saltos e subindo lentamente as escadas.
Ao passar na frente do quarto deles, vi que a porta estava entreaberta. Hesitei por um segundo, mas a curiosidade me venceu, e eu dei uma olhada rápida para dentro.
Bella estava curvada com metade do seu corpo sobre a cama em um prazer evidente, enquanto Jacob a segurava com firmeza a cintura dela, o rosto dele concentrado, dominado pelo momento.
— É isso que você quer — Jacob gemeu — Que eu te foda com força.
— Não assim Jake, não... Bella gemeu ofegante.
Meu coração disparou, e uma mistura de sentimentos conflitantes tomou conta de mim. Algo sobre aquela cena me deixou desconfortável e me fez sentir como se eu não devesse estar ali, observando.
Afastando-me, continuei até meu quarto, ainda tentando processar tudo o que tinha acontecido naquela noite. O beijo de Elijah, a visão de Jacob e Bella, o que eu estava sentindo... Nada parecia simples.
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