Receita para o Amor

85 Jacob- Minha Família


Eu dirigi como um louco pelas ruas de Nova York, ignorando completamente os sinais vermelhos e buzinando para quem ousasse me impedir. O medo que consumia meu peito tornava impossível qualquer pensamento racional. Nessie e as crianças... Alec! Tudo o que eu queria era chegar em casa o mais rápido possível.

Quando finalmente virei a esquina do condomínio, vi o cenário que só tornava meu desespero ainda maior: uma linha de carros policiais bloqueando o portão principal e luzes azuis e vermelhas piscando sem parar. Meu coração parecia prestes a explodir. Estacionei o carro e corri para o portão, mas um policial com a mão levantada me impediu de passar.

— Ei, você não pode passar daqui! O local está isolado.

— Minha família está lá dentro! — gritei, sem conseguir conter minha frustração. — Minha esposa e meus filhos estão como reféns!

O olhar do policial mudou ao ouvir isso, e ele imediatamente deu um passo para trás, permitindo que eu entrasse.

— Vá! Mas tenha cuidado.

Passei correndo pelo portão e estacionei o carro a uma distância segura, sabendo que não poderia chegar pela frente sem que a polícia me barrasse de novo. Eu precisava entrar, encontrar Nessie e as crianças. Foi então que vi a casa vizinha, um plano rápido se formou na minha cabeça. Corri até lá, pulei a cerca e aterrissei no jardim dos fundos da minha própria casa.

Entrei pela cozinha, empurrando a porta com cuidado, tentando não fazer barulho. O silêncio me deixou ainda mais em pânico. Onde estava Nessie? Não havia sinal dela. Meu coração batia descontroladamente no peito enquanto me movia para a sala, os olhos vasculhando o espaço vazio. Nada.

Foi então que ouvi vozes abafadas vindas do andar de cima. Sem pensar, corri escada acima, dois degraus de cada vez, até que alcancei o quarto das crianças. Abri a porta com força, meu olhar fixo no interior.

Claire e Emily estavam lá, com Charlie em seus braços. Minha filha correu até mim, seus pequenos braços envolvendo meu pescoço enquanto ela chorava de medo.

— Papai! — Charlie soluçou. — Estou com medo! Onde está a mamãe?

Meu coração se partiu ao vê-la tão assustada, mas tentei ao máximo manter a calma.

— Ei, está tudo bem, meu amor. Eu estou aqui agora. — Sussurrei, abraçando-a com força. — Mas você precisa ser corajosa, tá bom? Vai sair daqui com a Claire e a Emily. Eu prometo que vou buscar a mamãe.

Ela assentiu com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ajoelhei-me ao nível dela, acariciando seu cabelo para acalmá-la.

— Você é muito corajosa, Charlie. Vai com as babás, e logo estaremos todos juntos, tá bom?

Claire e Emily se aproximaram, ambas com rostos pálidos de preocupação. Elas pegaram Charlie pelas mãos, e eu me levantei, dando um último beijo na cabeça da minha filha.

— Levem-na para um lugar seguro. — Ordenei em um tom baixo, mas firme. Claire assentiu rapidamente.

Eu acompanhei Claire e Emily pelos corredores da casa enquanto elas carregavam Charlie e o pequeno Benjamin, que dormia profundamente nos braços de Claire. Parei um momento, abaixando-me até o nível de Charlie e beijando sua cabeça, tentando tranquilizá-la mesmo sabendo que meu coração estava uma tempestade de medo.

— Cuide dos seu irmão, tá, minha princesa?— sussurrei suavemente.

Charlie, ainda com lágrimas nos olhos, assentiu com um pequeno aceno. Emily e Claire também assentiram, conscientes da gravidade da situação. Quando elas saíram, levando as crianças para um lugar seguro, meu foco voltou completamente para Nessie. Eu sabia que não havia mais tempo a perder.

Corri até meu escritório, abri o cofre com pressa e peguei a arma que eu mantinha ali para situações de emergência. A caixa era pesada, um lembrete sombrio de que eu talvez tivesse que usá-la naquele dia. Sem hesitar, tirei a arma de dentro e saí rapidamente, subindo as escadas com o coração acelerado. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto eu me aproximava do quarto onde Alec mantinha Nessie refém.

Quando me aproximei da porta, ouvi os sussurros abafados de Alec. Ele estava lá dentro, ameaçando a vida da mulher que eu amava. Sem pensar duas vezes, dei um chute forte na porta, arrombando-a com um estrondo.

— Fique longe da minha mulher!— gritei, com a arma em punho, apontada diretamente para Alec.

O cenário à minha frente me fez congelar por um segundo. Nessie estava encolhida sobre a cama, sua expressão era de pura dor. Meu coração apertou, sabendo que ela estava sofrendo, não apenas por causa de Alec, mas também pelo bebê.

Alec, com um sorriso doentio no rosto, apontou a arma para ela.

— Nem pense em se aproximar! Só um de nós vai sair vivo daqui.

Minha mente correu, tentando encontrar uma maneira de acalmá-lo, de proteger Nessie sem piorar a situação. Olhei para ela, tentando transmitir qualquer esperança que ainda restava.

— Vai ficar tudo bem, Nessie. Eu prometo. — falei com a voz firme, mas o pânico dela era palpável.

— Não, Jacob! Não!— Nessie gritou, sua voz cheia de medo e dor.

Dei alguns passos à frente, mantendo meus olhos fixos em Alec.

— Se você quer machucar alguém, machuque a mim. — disse, avançando com cautela. — Mas nunca, nunca toque nela.

O tempo parecia desacelerar, e o ar no quarto ficou pesado. Então, antes que Alec pudesse reagir, um estrondo veio da porta. A polícia invadiu o quarto com força, distraindo Alec por um breve segundo, o que foi tudo o que eu precisava. Avancei sobre ele, lutando para desarmá-lo. O impacto foi brutal, mas consegui afastar a arma dele, jogando-o no chão. Os policiais rapidamente intervieram, prendendo Alec enquanto ele gritava furiosamente, mas suas ameaças foram abafadas pelas algemas que o prendiam.

Eu não perdi um segundo. Corri até Nessie, ajoelhando-me ao lado dela. Ela estava ofegante, com uma mão no ventre.

— Nessie, você está bem?— perguntei, meu coração disparado, ainda tentando processar o que havia acontecido.

Ela me olhou com os olhos cheios de dor.

— Jacob... o bebê... está para nascer.

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Vesti rapidamente a roupa hospitalar, o jaleco e a touca, enquanto corria pelos corredores do hospital. Meu coração estava acelerado, mas não pela tensão habitual de um procedimento cirúrgico—dessa vez era algo mais profundo. Era o nascimento do nosso filho.

Quando cheguei à sala de parto, encontrei Nessie já deitada, pronta para a cesariana. Seus olhos se iluminaram ao me ver, e eu me aproximei, beijando sua testa suavemente.

— As crianças? — ela perguntou, sua voz suave, mas cheia de preocupação.

— Estão com Bella, Edward e as babás. Estão todos seguros, amor. — respondi, tentando transmitir a tranquilidade que sabia que ela precisava.

Ela sorriu, aliviada, e eu segurei sua mão enquanto o procedimento começava. Cada segundo parecia uma eternidade, mas o som que veio em seguida fez meu coração parar por um momento: o choro do nosso bebê. Um som agudo e forte que ecoou pela sala, enchendo o ar de uma alegria indescritível.

— É um menino! — anunciou a obstetra, com um sorriso.

Eu fiquei imóvel por um segundo, meu peito apertado com a emoção. O bebê foi cuidadosamente colocado sobre o peito de Nessie. Ela o olhou com tanto amor que meus olhos se encheram de lágrimas. Beijou a cabeça pequenina dele, e eu não consegui mais segurar. Lágrimas correram pelo meu rosto enquanto eu beijava os lábios de Nessie e a cabeça do nosso filho.

— Ele vai se chamar Jacob. Como o pai dele. — disse Nessie, a voz suave, mas firme, enquanto me olhava com um sorriso.

Eu a encarei, surpreso e emocionado, sentindo meu coração quase explodir de felicidade.

— Seja bem-vindo, bebê Jake. — sussurrei, beijando a testa do meu filho.

Aquele momento parecia surreal. Ali, com a minha família, todo o medo e tensão das últimas horas desapareceram. Estávamos juntos, seguros, e o pequeno Jake nos completava.