Receita para o Amor

86 Renesmee- Liberdade


Já havia se passado um mês desde aquele pesadelo com Alec, mas, ao mesmo tempo, também foi o mês mais feliz da minha vida com o nascimento do pequeno Jake. Nossa casa estava cheia—e eu amava cada segundo disso. Cuidar de três crianças era desafiador, claro, mas o amor que sentia por Charlie, Benjamin e nosso bebê Jake fazia com que cada momento valesse a pena.

Renee estava aqui para me ajudar, o que tornava tudo muito mais fácil, especialmente com o pequeno Benjamin que, com apenas oito meses, precisava de atenção quase tanto quanto o bebê recém-nascido. Mesmo com a ajuda de Renee e das babás, Emily e Claire, Jake havia pedido licença do hospital para estar comigo. Ele queria estar presente o tempo todo, e eu agradecia por isso. Saber que ele estava por perto, ao meu lado, me trazia uma sensação de segurança imensa.

Estava no quarto do bebê, trocando a fralda de Jake, que, como sempre, protestava com pequenos resmungos, mas era tão adorável que eu não conseguia deixar de sorrir. Enquanto o trocava, Charlie entrou no quarto com aquela energia típica dela, os cachos castanhos balançando.

— Mamãe, posso ajudar? — ela perguntou, subindo na cama ao lado do irmão, os olhinhos brilhando de animação.

Sorri, achando a atitude da minha filha incrivelmente fofa. O jeito que ela queria ser útil me derretia.

— Claro, meu amor. Vem cá, me ajuda a pegar o talco do irmãozinho. — disse, apontando para o potinho em cima da cômoda.

Ela pulou da cama com a energia que só uma criança de quatro anos poderia ter e correu para pegar o talco, voltando com um sorriso vitorioso.

— Aqui, mamãe! — disse, estendendo o potinho com orgulho.

— Obrigada, querida. — beijei sua testa, sentindo um calor no peito ao vê-la tão animada por poder ajudar. — Você está sendo uma ótima irmã. O irmãozinho vai adorar ter você por perto para cuidar dele.

Ela se encolheu um pouco, toda envergonhada pelos meus elogios, mas eu sabia o quanto ela adorava ser elogiada. Continuei trocando a fralda de Jake, que agora parecia mais calmo sob o olhar atento e amoroso da irmã. Enquanto terminava, Charlie começou a acariciar a cabeça do irmão, com uma delicadeza que me surpreendia.

— Ele é tão pequeno, mamãe... Eu era assim também? — perguntou, curiosa.

Ri baixinho e olhei para ela.

— Era, sim. Talvez até menor. Mas agora você está crescendo e se tornando uma menina muito especial.

Ela sorriu, toda orgulhosa, e eu a enchi de beijos e mimos, não conseguindo conter o amor que sentia por ela.

— Eu gosto de ajudar, mamãe. Vou cuidar dele, igual você cuida de mim. — disse com seriedade, como se essa fosse sua missão mais importante.

— E você vai ser a melhor irmã do mundo, Charlie. Eu tenho certeza. — beijei sua bochecha de novo, sentindo meu coração cheio de amor.

Às vezes, eu ainda me assustava com a intensidade desse sentimento. Ser mãe era tão transformador, tão avassalador, que era difícil imaginar minha vida sem essas três pessoinhas agora. Jake entrou no quarto nesse momento, sorrindo ao nos ver ali juntas, e me senti completa. Mesmo com o caos e a correria, estávamos exatamente onde deveríamos estar.

Assim que Jake entrou no quarto, Charlie correu para os braços dele, rindo alto enquanto ele a pegava no colo com facilidade. Ele beijou sua bochecha com carinho, e os dois compartilharam aquele momento de cumplicidade que sempre me aquecia o coração. No entanto, algo me chamou a atenção. Logo atrás dele, Renée entrou no quarto, sorrindo de maneira suave, mas havia uma certa tensão em seu olhar. Franzi as sobrancelhas, percebendo que havia algo fora do comum. Jake e Renée raramente entravam juntos assim, de maneira tão... coordenada.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei, olhando de um para o outro.

Jake e Renée trocaram olhares rápidos. Meu coração disparou, e comecei a sentir um leve desconforto no peito. Jake se aproximou, abaixando Charlie e me deu um beijo terno nos lábios, como se tentasse me acalmar antes de qualquer notícia. Mas aquilo só fez minha apreensão crescer.

— Precisamos conversar, Ness. — disse Jake, sua voz baixa e controlada, o que me deixou ainda mais preocupada.

Renée, sempre carinhosa e cuidadosa, se aproximou e estendeu os braços, pegando o pequeno Jake de meus braços com delicadeza. Ela sorriu, tentando aliviar a atmosfera tensa.

— Vem, querida. Vamos buscar um sorvete na cozinha. — disse ela para Charlie, que, animada com a ideia, seguiu a avó sem questionar.

Assim que elas saíram do quarto, o ar pareceu mais denso. Encarei Jake, o nervosismo crescendo no fundo do meu estômago.

— O que aconteceu? — perguntei, tentando manter minha voz firme, embora uma pontada de medo estivesse presente.

Jake respirou fundo, como se precisasse de alguns segundos para encontrar as palavras certas. Ele se aproximou e me puxou gentilmente para seus braços, segurando minha mão enquanto olhava profundamente nos meus olhos.

— Emmett ligou... — ele começou, e meu coração já estava na garganta, antecipando algo ruim. — Alec... ele foi assassinado na prisão.

Por um momento, o mundo pareceu parar. As palavras dele ecoaram em minha mente, e eu fiquei estática, tentando processar o que ele havia dito. Alec, morto? Aquela pessoa que tinha feito tanto mal a mim e à minha família... Não estava mais viva?

— Como...? — Minha voz saiu quase como um sussurro, mas nem consegui terminar a frase.

Jake me puxou para mais perto, envolvendo-me em seus braços de maneira protetora, enquanto eu tentava digerir a notícia. Meu corpo começou a tremer levemente, e lágrimas escorriam pelo meu rosto, sem que eu as controlasse. Um turbilhão de emoções me envolveu de uma vez só—medo, alívio, uma estranha sensação de liberdade, e, ao mesmo tempo, uma angústia profunda.

— Está tudo bem, Nessie. — Jake sussurrou no meu ouvido, acariciando meus cabelos. — Você está segura. Ele não pode mais te machucar.

Eu queria falar, mas as palavras não vinham. Apenas me deixei afundar nos braços dele, permitindo que o alívio e a dor se misturassem em um único choro contido. Embora Alec estivesse morto, a sombra que ele tinha deixado sobre nossas vidas não se dissiparia tão facilmente. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim sentia que, finalmente, eu podia respirar de novo. Como se, de repente, aquele peso que carregava no peito tivesse desaparecido.

Eu chorei por tudo—pelo medo que ele me causou, pela dor que senti ao pensar nas minhas crianças, e também pela liberdade que, agora, eu sentia. Jake me abraçou com força, me mantendo ancorada à realidade, enquanto eu tentava colocar meus sentimentos em ordem.

— Eu estou aqui, Nessie. Sempre estarei. — ele murmurou, beijando o topo da minha cabeça.

Fiquei ali, agarrada a ele, permitindo que suas palavras e seu amor fossem o consolo que eu tanto precisava naquele momento.