Estava tentando me concentrar no trabalho, mas a dor da última conversa com Renesmee ainda pesava em meu peito. Saber que ela não queria mais nenhum tipo de contato comigo me machucava de uma forma que eu nunca havia sentido antes. Eu não ia forçar uma aproximação, por mais que quisesse. Respeitaria o desejo dela e, por isso, evitava ao máximo estar no mesmo lugar que ela no hospital. Mas às vezes, era inevitável. A única maneira que encontrei para lidar com essa dor foi me jogar de cabeça no trabalho.

Nas últimas semanas, me dediquei completamente ao meu sonho. Um sonho que adiei por muito tempo por causa de Bella, mas agora, sem nada mais que me prendesse, estava decidido a torná-lo realidade. Coloquei a casa onde morei com minha ex-mulher à venda e me mudei provisoriamente para um pequeno apartamento. Estava focado nos planos para construir um novo hospital, um projeto que sempre sonhei realizar. E aquela reunião era decisiva.

Quando entrei na sala de reuniões com meus sócios — Paul, Embry, e Sam —, o peso da responsabilidade caiu sobre mim. Os investidores do banco estavam à nossa frente, seus olhares avaliadores, prontos para decidir o destino do nosso projeto.

Respirei fundo e dei início à conversa:

— Bom dia a todos. Agradecemos a oportunidade de estarmos aqui hoje. Sabemos o quão importante é este projeto, não só para nós, mas para toda a comunidade.

O presidente do banco, um homem de meia-idade com óculos e uma expressão severa, assentiu brevemente.

— Bom dia, senhores Black, Lahote, Call, e Uley. Estamos cientes da importância do projeto e do impacto que ele terá na região. No entanto, precisamos discutir algumas questões financeiras antes de prosseguirmos.

Troquei um olhar com Paul, Embry, e Sam. Isso não ia ser fácil.

— Claro, estamos preparados para responder a qualquer pergunta que tenham — respondi, tentando soar confiante.

— Nosso principal ponto de preocupação é o valor total solicitado — continuou o presidente do banco. — Estamos dispostos a apoiar o projeto, mas podemos liberar apenas metade do valor que vocês pediram inicialmente.

Vi Paul franzir a testa, mas ele permaneceu em silêncio, deixando-me liderar a negociação.

— Entendemos que há riscos — tentei negociar. — Mas estamos confiantes na viabilidade do projeto. Este hospital será um recurso valioso para a comunidade, com serviços de ponta que atrairão pacientes de toda a região.

Uma das outras investidoras, uma mulher loira com uma postura rígida, interveio.

— Senhor Black, não estamos questionando a importância do projeto. Mas, como qualquer banco, temos que nos assegurar de que o retorno sobre o investimento seja garantido. Concederemos metade do valor solicitado, com a condição de que apresentem garantias adicionais ou parceiros de investimento que possam cobrir o restante.

Embry, que até então estava calado, decidiu intervir:

— A questão das garantias adicionais pode ser resolvida. Temos outros ativos que podemos colocar à disposição para assegurar a confiança dos senhores.

Sam, sempre racional, acrescentou:

— Também temos um plano de contingência para a captação de fundos através de doações e subsídios governamentais. O hospital atenderá a uma população carente, o que nos abre portas para apoios institucionais.

O presidente do banco balançou a cabeça, ainda ponderando.

— Essas alternativas são interessantes, mas precisamos de algo mais concreto. A confiança dos investidores é baseada em segurança, e sem uma garantia firme, será difícil liberar a quantia total.

Era o momento decisivo. Sabia que, se não fizesse algo, veria nosso sonho escapar pelas minhas mãos. Tinha uma ideia em mente, mas seria um grande risco. Respirei fundo antes de falar:

— Tenho uma proposta — comecei, atraindo os olhares dos investidores. — Estou disposto a hipotecar minhas ações no Cullen Medical. Com isso, conseguiremos cobrir o valor faltante. Sei que é um risco, mas acredito tanto neste projeto que estou disposto a colocar meu próprio patrimônio em jogo.

Paul, Embry, e Sam me olharam surpresos, mas não me interromperam. Os investidores trocaram olhares entre si, ponderando.

Finalmente, o presidente do banco falou:

— Isso é um grande sacrifício, senhor Black. Mas demonstra o nível de comprometimento que estávamos buscando. Se seus sócios estiverem de acordo, podemos aceitar essa proposta e liberar a quantia total necessária para a construção do hospital.

Paul foi o primeiro a falar, ainda um pouco incrédulo.

— Jake, isso é um risco enorme. Você não precisa fazer isso.

Sorri para ele, embora soubesse o peso daquela decisão.

— Eu sei, Paul. Mas este é o nosso sonho. Não vou deixá-lo escapar. Este hospital não é apenas um investimento para mim — é uma chance de fazer algo significativo, de deixar um legado.

Sam assentiu lentamente, mostrando seu apoio.

— Se é assim que você se sente, estamos com você. Mas saiba que não está sozinho nessa. Também estamos dispostos a contribuir com o que for necessário.

Embry colocou a mão em meu ombro, seu olhar sério.

— Estamos juntos nessa. Se for preciso, todos nós faremos sacrifícios.

O presidente do banco observou nossa troca, claramente impressionado.

— Bem, senhores, parece que vocês têm uma decisão a tomar. Se estiverem todos de acordo, podemos finalizar o contrato e liberar o valor total solicitado.

Olhei para meus sócios, que assentiram em apoio, e depois voltei-me para o presidente do banco.

— Estamos de acordo. Vamos em frente.

E assim, a reunião terminou com o acordo firmado. Enquanto saíamos da sala, o peso do que eu acabara de fazer começou a se estabelecer. Mas por mais arriscado que fosse, eu sabia que estava fazendo o que era necessário. A construção desse hospital era mais do que um projeto para mim. Era um novo começo, uma chance de seguir em frente e, quem sabe, encontrar uma maneira de lidar com o vazio que Renesmee havia deixado em meu coração.

Eu só esperava que, no fim das contas, todo o sacrifício valesse a pena.

Depois da reunião com os investidores, saí do prédio sentindo o peso da decisão que acabara de tomar. O próximo passo era crucial, e eu sabia que não seria fácil. Carlisle Cullen nunca aceitaria comprar meus 50% de ações da Cullen Medical sem um bom motivo. Mas eu tinha um plano. Sabia que falar sobre a hipoteca obrigaria Carlisle a pagar o valor total das ações, mesmo que isso significasse perder meu cargo de diretor. Eu estava preparado para isso. Assim que Carlisle aceitasse minha proposta, eu pediria demissão.

Enviei uma mensagem para ele, pedindo que nos encontrássemos em um restaurante em Nova York. Escolhi o *Le Bernardin*, um lugar elegante e discreto, perfeito para uma conversa séria. Não demorou muito para que Carlisle aceitasse o convite.

Quando cheguei ao restaurante, encontrei uma mesa reservada em um canto mais afastado. Sentei-me, tentando manter a calma, enquanto esperava Carlisle. Pouco tempo depois, vi ele entrar, acompanhado de Edward. Aquilo me pegou de surpresa, mas mantive a compostura.

Carlisle se aproximou da mesa, com um sorriso cordial.

— Jacob — disse ele, apertando minha mão. — Confesso que estou surpreso com essa reunião. Mas é sempre bom ver você.

Edward, ao lado dele, assentiu com a cabeça, num cumprimento educado.

— Edward — respondi, retribuindo o gesto. — Bom vê-lo também.

Carlisle se sentou, seguido por Edward, e me olhou com curiosidade.

— Espero que não haja problema de Edward participar da conversa — disse Carlisle. — Ele ficou curioso com o convite.

Eu balancei a cabeça.

— Nenhum problema, Carlisle. Na verdade, é bom que ele esteja aqui. O que tenho a propor também o envolve.

Carlisle franziu o cenho, claramente surpreso.

— E do que se trata, Jacob?

Respirei fundo, sabendo que o que estava prestes a dizer causaria um impacto.

— Pretendo hipotecar minhas ações no hospital.

Os olhos de Carlisle se arregalaram, e vi a surpresa estampada no rosto de Edward também.

— Hipotecar suas ações? — Carlisle repetiu, a incredulidade em sua voz. — Jacob, isso é muito sério. Por que você faria algo assim?

Edward, que até então havia ficado em silêncio, finalmente falou.

— Não acho que seja uma boa ideia para o hospital ter ações nas mãos de bancos, Jacob. Isso poderia comprometer a estabilidade financeira da Cullen Medical.

Eu sabia que eles reagiriam dessa forma, mas já tinha tomado minha decisão.

— Entendo as preocupações de vocês, mas preciso seguir em frente com meus planos. Estou irredutível quanto a isso. Se não aceitarem, terei que procurar outras alternativas.

Carlisle, visivelmente preocupado, suspirou profundamente.

— Jacob, sempre o considerei como um filho. Não quero que você tome uma decisão da qual se arrependa depois. Se está determinado a seguir em frente com isso, pagarei pelas suas ações. Mas saiba que isso me entristece.

Aquela frase me atingiu mais do que eu imaginava. Carlisle sempre foi mais do que um chefe para mim; ele era uma figura paterna. Mas eu sabia que não podia deixar que esse sentimento me impedisse de seguir meus próprios caminhos.

— Agradeço, Carlisle — respondi, com sinceridade. — Mas tenho outros planos. Preciso focar em algo diferente agora.

Edward, tentando manter o tom profissional, disse:

— Jacob, independentemente de qualquer coisa, você é um excelente diretor. Não queremos perder você no hospital. Gostaríamos que continuasse no cargo.

Carlisle concordou, balançando a cabeça.

— É verdade. Você sempre foi um líder excepcional, Jacob.

Mas eu já havia tomado minha decisão.

— Obrigado, Edward, Carlisle. Mas já tomei minha decisão. Estou me desligando do Cullen Medical. Preciso de um novo começo, e este é o momento certo para isso.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Carlisle me olhou com uma mistura de tristeza e compreensão.

— Se é isso o que deseja, Jacob, não vou impedir. Só espero que encontre o que está buscando.

Assenti, sentindo o peso daquelas palavras. Não seria fácil, mas era necessário.

— Obrigado, Carlisle. Agradeço por tudo que fizeram por mim.

E assim, a conversa chegou ao fim. Eu sabia que estava deixando para trás uma parte importante da minha vida, mas também estava abrindo portas para novas oportunidades. Saí do restaurante com a certeza de que, por mais difícil que fosse, estava no caminho certo.