Receita para o Amor
30 Jacob- Acidente
A noite no bar foi uma celebração que eu não esqueceria tão cedo. Estávamos todos reunidos para comemorar o início da construção do novo hospital, que decidimos chamar de *Emerald Horizons*. O nome representava tanto um novo começo quanto o crescimento de algo importante, como uma esmeralda que emerge da terra.
Paul, Sam, Embry e eu estávamos radiantes, segurando garrafas de cerveja e rindo de piadas antigas. Olhei para os meus amigos e decidi fazer um pequeno discurso, mesmo sabendo que não sou o tipo de cara que gosta dessas coisas.
— Pessoal — comecei, levantando minha garrafa —, quem diria que aqueles moleques de La Push estariam aqui, hoje, começando um projeto que vai impactar tantas vidas? E, claro, eu não podia deixar de dizer que o Paul ainda é o mais burro de todos nós.
Todos riram alto, e Paul balançou a cabeça, rindo também.
— Mas falando sério — continuei, tentando controlar o riso —, estou orgulhoso de cada um de vocês. Estamos construindo algo grande aqui, e sei que estamos apenas começando. Então, vamos brindar a esse novo capítulo das nossas vidas e ao *Emerald Horizons*.
— Ao *Emerald Horizons*! — Eles repetiram, batendo as garrafas com a minha.
Enquanto todos conversavam, algo capturou minha atenção no canto do bar. Vi uma mulher ruiva, de costas, e meu coração disparou. Por um momento, pensei que fosse Renesmee. Senti um impulso irresistível de ir até ela.
— Um minuto, pessoal — murmurei, deixando meus amigos por um instante.
Me aproximei da mulher, e conforme me aproximei, senti uma mistura de expectativa e medo. Mas quando ela se virou, percebi que não era Nessie. Meu coração afundou, mas eu mantive a compostura.
— Desculpe, achei que fosse outra pessoa — disse, tentando não parecer um idiota.
Ela me deu um sorriso caloroso e respondeu com um tom brincalhão.
— Tudo bem, bonitão. Talvez na próxima vez.
Sorri de volta, meio sem jeito, e voltei para a mesa, tentando não demonstrar minha decepção. Quando me sentei, Paul me olhou com curiosidade.
— O que aconteceu? — ele perguntou, divertido.
— Achei que tinha visto uma amiga — respondi, tentando desviar a atenção.
Eles deram de ombros e continuaram a conversa, mas minha mente estava dividida. A felicidade pela nova conquista estava lá, mas não conseguia evitar os pensamentos sobre Nessie. Por mais que tentasse seguir em frente, ela sempre encontrava uma maneira de invadir meus pensamentos.
Na manhã seguinte, acordei decidido a encerrar o ciclo Cullen na minha vida de uma vez por todas. Arrumei minhas coisas, peguei a caixa onde estava guardando meus pertences da sala, e saí do apartamento. Ao chegar no hospital, senti um misto de nostalgia e alívio.
Estava na minha sala, terminando de colocar meus objetos na caixa, quando Jane entrou. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, e ela parecia desolada. Sorri para ela e a abracei, tentando aliviar um pouco da dor que ela sentia.
— São só alguns meses, Jane. Assim que inaugurarmos o *Emerald Horizons*, eu te roubo dos Cullen — disse, brincando, enquanto apertava seus ombros.
Ela riu entre lágrimas, visivelmente emocionada.
— Vou esperar por isso, chefe. Mas já estou sentindo falta de trabalhar com você.
Nos abraçamos novamente, e naquele momento, senti que estava fazendo a coisa certa. Era hora de seguir em frente, de deixar o passado para trás e construir algo novo.
Sair daquela sala pela última vez foi uma experiência estranha. Enquanto caminhava ao lado de Jane, com a última caixa nas mãos, senti um peso no peito que não conseguia ignorar. O *Cullen Medical* não era apenas o lugar onde eu trabalhava; era onde eu havia me formado como médico, onde aprendi tanto e amadureci como profissional. As memórias daquele lugar estavam impregnadas em cada canto, desde os corredores que percorri incontáveis vezes até as salas onde tomei decisões difíceis. Entregar a chave para a secretária parecia o fechamento de um capítulo importante da minha vida.
À medida que caminhava pelos corredores do hospital, senti uma mistura de nostalgia e tristeza. Eu tinha certeza de que estava tomando a decisão certa ao seguir em frente, mas isso não tornava a despedida mais fácil. Cada passo parecia mais pesado que o anterior, como se o hospital estivesse se agarrando a mim, pedindo para eu não ir embora. Respirei fundo, tentando manter a compostura.
Quando cheguei ao elevador, apertei o botão e esperei. A porta se abriu e, para minha surpresa, me deparei com Renesmee e Elijah. Meu coração deu um salto no peito, e por um momento, tudo ao meu redor pareceu congelar.
— Jacob — Elijah cumprimentou com um sorriso.
— Elijah, Renesmee — respondi, tentando manter meu tom de voz neutro.
Nossos olhares se encontraram por um breve segundo, e eu vi algo nos olhos dela, uma sombra de tristeza que espelhava a minha. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Elijah quebrou o silêncio.
— Lamento que você esteja saindo do hospital. Você foi um grande mestre e mentor para mim.
Sorri, forçando-me a manter a calma.
— Elijah, você se tornou um médico melhor do que eu jamais fui. O hospital está em boas mãos.
Nessie então falou, sua voz suave como sempre.
— Boa sorte, Jacob.
— Obrigado, Nessie — respondi, com um aperto no peito.
E então veio a bomba.
— Ah, Jacob, quase ia me esquecendo — disse Elijah com entusiasmo. — Gostaria muito que você estivesse na minha festa de noivado com Renesmee.
Senti como se o chão tivesse sido arrancado debaixo de mim. Meu coração disparou, e por um momento, fiquei sem reação. Tudo o que eu sentia por Nessie, todo o amor reprimido, as esperanças e os sonhos despedaçados, veio à tona em uma onda esmagadora.
Renesmee desviou os olhos dos meus, como se não conseguisse suportar o que via em mim. Eu precisava disfarçar, precisava me manter forte.
— Claro, aguardo o convite — consegui dizer, forçando um sorriso que não chegava aos meus olhos.
Me despedi rapidamente e entrei no elevador, sentindo a dor me engolir por inteiro. Assim que as portas se fecharam, a realidade me atingiu com força. Eu havia perdido Nessie, definitivamente. Ela estava seguindo em frente, e eu... eu precisava aceitar isso. Mas a dor era insuportável, uma ferida aberta que eu sabia que demoraria muito tempo para cicatrizar. Me apoiei contra a parede do elevador, lutando para manter as lágrimas sob controle. Eu estava sozinho novamente, e dessa vez, não havia nada que pudesse fazer para mudar isso.
Saí do *Cullen Medical* com uma sensação esmagadora de perda e desespero. A dor era insuportável e, ao refletir sobre o que havia perdido, percebi o quanto eu amava Renesmee. Com a mente turva e o coração despedaçado, procurei algum tipo de alívio, e encontrei um pequeno bar no bairro de Astoria, em Queens. A ideia de apenas um copo de uísque se transformou em garrafas, e a noite se arrastou enquanto eu afundava na bebida. Cada gole parecia uma tentativa desesperada de apagar a dor que se tornava cada vez mais intensa.
Quando finalmente saí do bar, era noite e eu estava cambaleando de um lado para o outro. Com dificuldade, peguei a chave do carro e apertei o botão para abrir a porta. Dentro do veículo, as mensagens não lidas de Rachel e Paul piscavam na tela do meu celular, mas eu estava tão bêbado que tudo ao meu redor girava. Ignorei os riscos e dei partida no carro, apesar da consciência turva e da visão embaçada. Peguei a Avenida Queens e a Northern Boulevard, avançando sinais vermelhos e xingando motoristas que ousavam cruzar meu caminho.
Enquanto dirigia, comecei a repetir para mim mesmo que ela se casaria com outro, que Renesmee amava outro. O peso da verdade parecia esmagar meu peito. A escuridão estava se aproximando, mas uma grande luz à frente me fez tentar frear, embora fosse tarde demais.
O choque foi brutal. O carro deslizou e se chocou com outro veículo, a sensação de impacto foi seguida por uma explosão de dor e confusão. Tudo girava, e os sons ao redor eram distantes e confusos. Lapsos de memória começaram a ocorrer, imagens distorcidas e sons abafados. Eu estava sendo retirado do carro, e em um desses lapsos, reconheci um rosto familiar no meio da névoa.
Estava em um ambiente de hospital, e o rosto que via era o de Renesmee. Ela estava aflita, com lágrimas nos olhos e uma expressão de pânico.
— Jacob, você me reconhece? — ela perguntou, a voz embargada.
Com dificuldade, consegui balbuciar:
— Sim, Renesmee. Você é Renesmee Swan. A mulher da minha vida.
Renesmee sorriu, um sorriso cheio de dor e esperança.
— Você está no hospital. Tudo vai ficar bem.
Eu sorri de volta, tentando manter a consciência.
— Se eu morrer, você precisa saber... — comecei, lutando para formar as palavras. — Você precisa saber, Nessie, que eu te amo. Eu amo você.
A escuridão estava se aproximando novamente, e eu senti o peso das minhas palavras se misturando com a sombra crescente. Meu corpo relaxou, e as últimas lembranças foram preenchidas pela escuridão, enquanto o mundo ao meu redor se desvanecia lentamente.
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