Receita para o Amor
24 Jacob- Ciumes
Caroline se sentou à minha frente, o mesmo sorriso cativante de sempre no rosto. Por um momento, foi como se os anos não tivessem passado e nós ainda estivéssemos no mesmo ponto da nossa juventude despreocupada.
— Faz tempo, Jake — ela começou, seus olhos azuis me observando atentamente. — Como você está?
— Estou bem, Caroline — respondi, tentando manter um tom casual. — E você?
— Não posso reclamar. A vida tem sido interessante — ela respondeu com um sorriso enigmático, antes de me lançar um olhar curioso. — E você, ainda está casado?
Respirei fundo, pensando na resposta. Não era fácil resumir a situação com Bella em poucas palavras.
— Não, estou prestes a me divorciar — confessei, sentindo uma pontada de amargura ao dizer isso em voz alta.
Caroline assentiu, como se estivesse processando essa informação.
— Imagino que não foi fácil para você — disse ela, sua voz carregada de empatia.
— Não foi, mas é o melhor para nós dois — respondi, tentando acreditar nisso.
Ela se levantou, ajeitando a bolsa no ombro.
— Foi bom te rever, Jake. Ainda tenho o mesmo número, caso queira conversar. — Ela me deu um sorriso antes de sair.
— Igualmente, Caroline — respondi, enquanto a observava sair do café.
Suspirei, sentindo o peso das lembranças e das questões não resolvidas. Chamei a garçonete, pedi a conta e, depois de pagar, saí do *Café Grumpy*, decidido a lidar com os meus assuntos pessoais pelo resto do dia.
O dia passou lentamente, preenchido com compromissos e decisões que precisavam ser tomadas. Quando finalmente voltei para casa à noite, senti o cansaço me invadir, mas sabia que ainda havia mais a fazer. Sentei-me no sofá e comecei a revisar o contrato de compra de um prédio no centro de Manhattan. Esse era um passo importante para realizar um sonho antigo, algo que me dava um propósito renovado.
Foi então que senti o aroma inconfundível do perfume de Renesmee. Meu coração disparou, e, ao levantar o olhar, vi-a descendo as escadas. Ela estava deslumbrante. O vestido vermelho justo delineava cada curva de seu corpo, mostrando suas pernas bem torneadas e um decote provocante que deixava pouco para a imaginação. Um turbilhão de emoções me atingiu, mas a realidade logo deu um golpe. Ela estava vestida assim para Elijah.
— Não sabia que você já tinha chegado — falei, tentando esconder meu nervosismo.
Ela pareceu surpresa por um momento, mas logo se recompôs.
— Cheguei há alguns minutos — respondi, minha voz carregada de algo que nem eu conseguia identificar. — Vai sair?
— Vou sair com o Elijah — ela disse, tentando soar casual, mas havia algo em sua voz que a traía.
Minha expressão se fechou instantaneamente, e um tom distante tomou conta da minha voz.
— Espero que se divirta.
— Obrigada — ela murmurou, claramente desconfortável.
Por um momento, fiquei em silêncio, lutando contra o impulso de dizer mais. Mas então, as palavras escaparam antes que eu pudesse me conter.
— Precisamos conversar sobre o apartamento.
Ela suspirou, já prevendo que essa conversa não seria fácil.
— Vou me mudar no final de semana. Ainda preciso organizar minhas coisas — explicou, tentando encerrar o assunto.
— Não precisa mais ir.
— O quê? — Ela parecia incrédula.
Levantei-me do sofá, aproximando-me devagar. Meu olhar estava sério, mas havia uma súplica silenciosa em meus olhos que eu esperava que ela visse.
— Quero que fique. Prometo que nos trataremos como amigos, e o que aconteceu na madrugada... não vai se repetir.
— Você está me deixando confusa, Jake — ela respondeu, claramente dividida entre a razão e o que sentia.
Dei mais um passo em sua direção, a proximidade entre nós tornando difícil manter a clareza dos meus próprios pensamentos. Eu queria protegê-la, mas para isso, precisava dela por perto.
— Só estou pedindo uma oportunidade de corrigir as coisas. Pense com carinho.
Ela hesitou, seus olhos encontrando os meus por um breve momento.
— Eu vou pensar, mas preciso ir agora.
Assenti, tentando esconder a mistura de emoções que me consumia.
— Boa noite, Ness.
— Boa noite — murmurou antes de sair pela porta.
Fiquei parado, observando-a partir, mas logo fui até a janela. Abri a cortina e a vi entrando no carro com Elijah. O ciúme me consumiu, apertando meu peito com uma força que eu não conseguia controlar. Eu sabia que estava fazendo a coisa certa, mas o custo parecia ser alto demais.
Depois que ela saiu, me arrastei para o banheiro, tentando lavar o peso do dia e, principalmente, as emoções conflitantes que me corroíam. A água quente escorria sobre minha pele, mas não era suficiente para apagar as lembranças que queimavam em minha mente. O cheiro da pele de Nessie, o gosto dos seus lábios... A noite anterior ainda estava marcada em mim de um jeito que eu não conseguia apagar.
Vesti apenas uma calça de moletom e fui para a sala. Liguei a TV, mais por hábito do que por interesse em assistir qualquer coisa. Mudava de canal incessantemente, tentando me distrair, tentando afastar os pensamentos de Renesmee e Elijah, mas cada imagem, cada som parecia trazer de volta a realidade que eu estava tentando ignorar. Eu precisava esquecê-la, mas como esquecer alguém que estava em cada parte da minha vida?
As horas se arrastaram, e, quando vi, já era tarde. Isso só podia significar uma coisa: ela não dormiria em casa hoje. Uma onda de ciúme me tomou de assalto, sufocando qualquer tentativa de manter a calma. O pensamento de Nessie com Elijah... não conseguia sequer imaginar.
Me joguei no sofá, fechei os olhos e tentei me concentrar em qualquer outra coisa, buscando desesperadamente uma luz, um ponto de sanidade em meio à loucura que eu sentia. Mas meus esforços foram inúteis, e, eventualmente, o sono me venceu, trazendo um alívio temporário.
— Jacob... Jacob...
A voz dela me trouxe de volta. Acordei de sobressalto, ainda sonolento, e lá estava ela, parada à minha frente. Renesmee, ainda vestida com a roupa que havia usado para sair, mas agora com o rosto limpo, sem maquiagem, o cheiro de sabonete fresco emanando de sua pele.
— Que horas são? — perguntei, a voz rouca de sono.
— Duas da manhã — respondeu ela, a voz suave, mas carregada de algo que eu não conseguia identificar.
Olhei para ela, sentindo a raiva crescer dentro de mim. Eu me perguntava onde ela havia estado, com quem, e por quê. Mas me controlei, lutando contra o ciúme que queria me dominar completamente.
— Você acabou de chegar? — perguntei, tentando manter a voz neutra, apesar do turbilhão dentro de mim.
— Sim — ela respondeu, sem hesitar, mas havia algo em seu tom que não me agradou.
Olhei para ela, frustrado. O cheiro de sabonete era a prova de que ela havia tomado banho em outro lugar, e minha mente imaginava todas as possibilidades que eu não queria acreditar serem verdadeiras. Talvez fosse só cansaço, ou o desgaste do dia, mas eu não conseguia mais lutar contra o que sentia.
— Vou dormir — disse, me levantando bruscamente. Eu precisava sair dali antes que dissesse ou fizesse algo de que me arrependeria.
Sem olhar para trás, subi as escadas, cada passo pesado com a frustração e o ciúme que me consumiam. Talvez fosse melhor assim, me distanciar. Ela precisava de espaço, e talvez eu também precisasse. Mas, lá no fundo, eu sabia que essa distância só tornava as coisas mais difíceis.
Enquanto me deitava na cama, ainda sentindo a raiva e a tristeza lutarem por espaço dentro de mim, uma única pergunta martelava minha mente: até onde essa loucura iria me levar?
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