Rebirth
3 O Renascimento
Notas iniciais
Meus pulmões encheram-se de ar, comecei a tossir violentamente. Sinto uma dor ao lado do pescoço, provavelmente por causa da fratura. Sinto que meus sentidos estariam completamente aguçados. Minha garganta queimava intensamente, junto do meu estômago, era como se estivesse vazio. Cerrei meus olhos, concentrando-me para aguçar a minha audição.
Ao conseguir, um som agradável invadiu meus ouvidos. Logo me dei conta de que o som que eu escutava, era de um coração que pulsava, porém estava tranquilo. Minhas íris azuis percorriam pela cabana, a procura do dono de qual pertencia o som dos batimentos cardíacos.
— Bem-vindo de volta, caçador... – disse uma voz familiar, que logo reconheci ser de Diane.
— O que você fez comigo? – perguntei desesperado. – E por que minha garganta arde e meu estômago dói?
— Você está em transição.– respondeu ela calmamente.
Eu a fitei confuso. Ela só podia estar louca, eu não fazia a mínima ideia do que ela queria dizer com “Você está em transição”. Minhas gengivas doíam, a claridade vindo da lareira era insuportável para mim, elevei minha mão esquerda e a posicionei na frente dos meus olhos, com o intuito de tampar a claridade que me incomodava.
— Esta... É Josette. – disse Diane ao indicar uma moça ruiva que estava sentada na cadeira ao seu lado.
Minhas íris se posicionaram na moça que a bruxa havia indicado, com a minha audição sobrenatural, consegui escutar os seus batimentos cardíacos, eles estavam acelerados. Impulsionei minhas mãos contra o chão de madeira, me posicionando de pé. Ao me aproximar da mesma, consigo escutar o sangue que corria em suas veias perfeitamente, era como uma sinfonia para meus ouvidos.
Diane retirou de seu cinto uma adaga de prata, e ao se aproximar de Josette, cortou sua garganta lentamente com a lâmina. O líquido majestoso e avermelhado, começou a escorrer do corte profundo. O cheiro do sangue invadiu minhas narinas, sinto algo de diferente em mim. Minha pulsação começou a se acelerar. Não sei como, mas eu avancei para Josette como um animal, que está indo para a sua presa.
Com a minha língua, lambi o sangue que escorria do corte. Sinto que presas longas e afiadas cresciam involuntariamente, com as minhas mãos, segurei seus ombros com força. A mesma soltou um lamento de dor, logo com voracidade comecei a drenar o seu sangue com as minhas presas ao cravá-las no ferimento.
Ao sentir o sangue das mesma descendo pela minha garganta, comecei a me sentir mais revigorado. Após saciar por completo a minha sede, o corpo da moça ficou completamente mole, a única coisa que o sustentava eram minhas mãos. Ao retirar as presas do ferimento, fitei Diane com uma dor de culpa, larguei o corpo de Josette ao lado gentilmente.
— Está tudo bem Ab... – tranquilizou-me Diane.
— No que você me transformou? – perguntei entrando em desespero.
— Há muito tempo atrás, este mesmo feitiço foi utilizado para criarem os primeiros Vampiros, sendo eles os Vampiros Originais... – começou ela. – Isto significa Abraham, que você é imune a madeira comum.
— O que você quer dizer com isto? – perguntei confuso.
— A fraqueza dos vampiros Originais é o carvalho branco, porém foi queimado há muitos anos. Sobrou apenas as cinzas, porém estão perdidas. – explicou-me ela.
— Você Ab, é mais forte que qualquer vampiro comum...
— Eu não consigo parar de pensar no gosto do sangue, e-eu preciso me alimentar! – falei com a voz fraca.
Em seguida, debati os solados contra o assoalho de madeira, automaticamente, me movimentei em uma velocidade anormal, apenas um borrão via-se. Joguei-me contra as tábuas pregadas na porta e ao sentir os raios solares atingirem minha pele, recuei para trás e soltei um grito de dor, cada parte do meu corpo parecia ter sido queimado com fogo. Minhas íris se posicionaram nos meus braços e mãos, ambos cheios de bolhas.
— Acalme-se, caçador. – Diane disse ao se aproximar de mim.
— Use isto, irá fazer com que o sol não frite você. – A mesma sorriu de leve.
Retribuí o sorriso, segurei o acessório que ela me oferecera. Percebo que se passava de um anel prateado, e em seu topo, uma linda pedra azulada. Coloquei-o em meu dedo anelar da mão destra.
— Isto, é um anel com lápis-lazúli... Está pedra, é encantada e através do feitiço usado com a mesma, faz com que o vampiro não frite no sol.
— Obrigado, Diane. – agradeci com um sorriso nos lábios.
Minha garganta voltou a queimar intensamente, meu estômago voltou a doer. Usufruí então, da minha velocidade anormal, tudo ao meu redor passava-se depressa, eu sentia um cheiro de tudo ao meu redor, porém mais intensificado, e bom saber que o anel funcionava. Enquanto eu corria, concentrei-me para utilizar minha audição sobrenatural.
Tendo sucesso, escutei com clareza vozes, risadas, gritos alegres e etc. Continuei meu rumo, até que depois de alguns segundos, eu encontrei um pequeno vilarejo. Desacelerei o passo, ainda com a minha audição aguçada, consegui escutar cada batimento cardíaco das pessoas que ali se encontravam.
Posicionei minhas íris azuis, em um rapaz que vendia algumas verduras e frutas, debati solados contra o solo arenoso aproximando-me do mesmo. Meus dedos frios envolveram-se em uma maça bem vermelha. O rapaz ao me ver, arregalou os olhos assustados. Eu havia me esquecido que, eu estava com sangue nos lábios. Sinto minhas presas crescendo involuntariamente novamente.
Pelo reflexo das lentes do óculos do mesmo, notei que meu rosto estava mudado. Minhas escleras estavam avermelhadas, veias abaixo dos olhos saltavam. Parti para cima do mesmo com a minha velocidade vampírica, apenas um borrão via-se. Impulsionei-o com violência para baixo, debrucei-me em cima do rapaz.
— Não se mexa e não grite...
Ao ordenar calmamente para o rapaz, ele me olhou intensamente e não piscou. Impulsionei os braços do rapaz contra o solo ao lado da cabeça do mesmo, segurei-os com a minha força anormal. Dito e feito, o rapaz não se mexeu. Com minhas presas, cravei em seu pescoço, e o mesmo não gritou, assim como eu o ordenei. O sangue lambuzou meus lábios enquanto eu me alimentava e saciava minha sede.
Movimentei minhas presas para o lado violentamente, que logo rasgou sua garganta, liberando mais quantidade de sangue. Eu estava concentrado por completo no mesmo, porém por conta dos meus sentidos aguçados, escutei um grito de pavor. Retirei minhas presas do pescoço do rapaz, e notei que uma criança observava tudo aquilo, horrorizada.
O sangue escorria pelo meu queixo. Dei um sorriso para a criança que observava, meus dentes estavam completamente sujos. Assustada, a criancinha começou a correr em direção contrária.
Desvencilhei-me do rapaz, já morto. E me pus a correr para a criancinha, em segundos alcancei-a, por minha velocidade ser superior a dela. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, seus cabelos eram loiros, seus olhos eram castanhos.
—N-não me machuque, por favor mi lorde. – dizia a criancinha aos prantos.
— Desculpe-me por isso...
Com minhas mãos, segurei seu corpinho contra o meu com minha força sobrenatural. Seus ossinhos soltaram um forte estalo, seguido de um grito de dor e o choro se intensificou. Com a mesma em meus braços, corri para longe do local em apenas um borrão. Já distante, percebo que chegamos em uma floresta. Cravei com violência minhas presas no pescoço da criança, drenei por completo sua vitalidade.
Depositei o corpinho com cuidado no chão. Tomado pelo remorso, sumi do local em apenas um borrão.
— Diane! – gritei em plenos pulmões ao retornar para a cabana da bruxa.
As lágrimas vieram, e ao ver a mesma, joguei-me contra seus braços, abraçando-a. Encostei minha cabeça em seu ombro, meu corpo tremia na medida que eu chorava. A bruxa elevou sua mão até meus cabelos, e começou a acaricia-los, tentando me confortar.
— Shhh... Acalme-se Ab. – dizia ela com sua voz doce e suave.
— Eu... Matei uma criança, Di. – eu dizia chorando intensamente.
Junto da mesma, fomos para a cabana, ela me colocou em uma cadeira. Com um pano limpo, molhou-o no balde com água e começou a limpar o sangue que estava em mim, até não sobrar mais nada. Eu não conseguia esquecer o grito de desespero da criancinha.
— Fique tranquilo, eu irei te ajudar com a sede. – disse a bruxa ao terminar de me limpar.
Sorri de leve, como resposta para ela. De uma coisa eu estava convicto, Diane era alguém que eu podia confiar, por toda a minha vida como imortal.
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