Rebirth
1 A Perseguição
Notas iniciais
O vento varria meus cabelos negros para trás enquanto eu corria pela mata. Meu coração disparava fortemente, minha respiração pesava. A cada minuto eu virava minha cabeça para 00trás, para ver se a criatura ainda me perseguia. A lua banhava a mata, as sombras das árvores lançavam sombras traiçoeiras no chão, onde eu pisava. Meu coração palpitava fortemente, minha respiração pesava.
Desacelerei o passo, inspirei e expirei profundamente. Permaneci em silêncio por alguns segundos, tentando apurar minha audição para ver se conseguia ouvir algo se movendo em uma velocidade sobrenatural. Só o que se ouvia era o som dos meus batimentos cardíacos. Em seguida, escutei uma risada debochada vindo de cima de uma das árvores da clareira onde eu havia parado.
— Olhe só para você... – disse uma voz feminina familiar. – Não devia ter corrido, tenho uma péssima notícia para você... Só devo seguir a minha natureza.
E lá estava, sentada em um galho resistente da grande árvore a minha frente. Meus olhos logo a focalizaram. Uma jovem moça, seus cabelos eram castanhos avermelhados, sua pele era pálida, sua escleras eram escarlates veias abaixo dos olhos saltavam, sua boca estava entreaberta, relevando presas afiadas, prontas para rasgar-me ao meio.
Em uma das minhas mãos, encontrava-se uma besta, presa em minhas costas, uma aljava com estacas de madeira. A luz da lua banhava completamente a clareira. Elevei os braços até a aljava puxando uma das estacas, coloquei-a com rapidez na besta. Logo, coloquei o dedo indicador no gatilho da besta, pronto para a tirar, a ponta da artefato estava apontada para ela.
A mesma soltou uma risada debochada para mim novamente.
— Eu não tenho medo de você! – gritei em plenos pulmões – Será um grande prazer acertar esta estaca diretamente em seu coração.
Em um piscar de olhos, a moça que estaria sentada na árvore, movimentou-se com uma velocidade sobrenatural descendo da árvore. Apenas via-se um borrão de movimento vibratório. De repente, lá estava ela de frente para mim, seus olhos fitavam-me vorazmente, suas presas intimidavam-me. Sorrindo maliciosamente, a vampira me empurrou com uma de suas mãos, utilizando sua força sobre-humana empurrando-me para trás, distanciando-me dela.
Ao ser arremessado para traz violentamente, minha besta logo escapou da minha mão, ficando aos pés da moça. Ao perceber, a mesma abaixou-se apanhando-a, e usando sua força vampírica quebrou-a com facilidade. Caído no chão, eu respirava com dificuldade, por conta da queda, logo bati minha cabeça no chão. Ao me recuperar, consegui me erguer, elevei minha mão até o local onde doía, e massageei-o, para aliviar a dor.
— Olhe só... Parece que alguém está ferido. – falou ela fazendo beicinho em forma de deboche.
A raiva só crescia dentro de mim, mas eu estava desarmado, e não tinha nenhuma chance contra ela. Resolvi tentar fugir novamente dela. Dei meia volta, dando-lhe as costas. Mancando, comecei a acelerar o passo, minha cabeça latejava, por conta do tombo. Eu estava desesperado, eu olhava ao redor de mim, preparando-me para ser surpreendido novamente pela vampira que queria drenar totalmente o meu sangue.
Depois de minutos, que pareceram horas caminhando, finalmente consegui encontrar uma saída da mata. Ao conseguir sair, olhei para trás novamente, parecia que a mesma havia desistido de me perseguir, e ter ido se alimentar de outra pessoa. Em minha frente, uma névoa rasteira encobria algo, mas eu não sabia o que era. Com cuidado, abaixei-me ficando de joelhos contra o que a nevoa ocultava, percebi que era algo digamos que macio.
Curioso, comecei a apalpar entre a névoa, em seguida minhas mãos tocaram em algo que se assemelhava a textura de uma planta. Envolvi meus dedos no que eu recém havia acabado de tocar, puxei-o para cima de uma maneira que o arrancou. Ao abrir minha mão, me deparei com um tipo de planta que possuía algumas flores minúsculas e arroxeadas que cobriam todas as suas extremidades.
Confuso, elevei-a até minhas narinas inalando-a. O cheiro era agradável, eu não fazia a mínima ideia que tipo de planta ela era e o por que a névoa rasteira a encobria. Ainda com a aljava, comecei a desamarrá-la do meu tronco, e amarrei-a em uma das minhas pernas, assim seria possível de apanhar uma das estacas caso aquela vampira voltasse e quisesse destroçar a minha garganta.
Eu não havia percebido, mas logo afrente do campo enevoado, se encontrava uma cabana, logo ao olhar, notei que haviam tábuas de madeira que cobriam as janelas e a porta, dava a impressão de que não possuía nenhum morador, com certeza abandonada.
Tudo aconteceu rapidamente. Um borrão negro se chocou contra mim, uma força inumana me arremessou contra o chão enevoado. A vampira então, se posicionou em cima de mim, de um modo obsceno. Ela me encarava com ódio seus olhos vampíricos, e o conjunto de veias que me intimidavam. Seus lábios estavam completamente abertos, revelando as presas longas e afiadas.
— Você foi um menino muito malvado, em me virar as costas daquele jeito... Deverá ser punido.
Não tinha nada de sensual naquilo. Não conseguia encará-la, era algo horrendo. Ao soltar um rosnado, ela segurou meu rosto pelas bochechas. Sua força era superior a de qualquer ser humano, suas unhas que eram afiadas, cravaram em minhas bochechas. Relutando, fui forçado a encarar aquele par de olhos intimidador.
— O que será que devo fazer com você? Caçador... – falou ela.
Uma de suas mãos se encaixou em meu pescoço sufocando-me. O ar ia se esvaindo a medida que ela usava sua força sobrenatural. Aproximando-se velozmente do meu pescoço, a mesma cravou suas presas perfurando-o vorazmente. Um grito de dor foi reprimido, pois eu ainda estava sendo sufocado. A medida que ela sugava meu sangue, eu começava a me sentir fraco.
Não seria daquele jeito que eu gostaria de morrer. A névoa ao nosso redor começou a se esvair misteriosamente, revelando um campo cheio daquela planta com flores minúsculas e arroxeadas. Ao ver o que estava acontecendo, a vampira retirou suas presas do meu pescoço, sobressaltando-se.
— NÃÃÃO! – gritou ela em plenos pulmões.
A criatura se desvencilhou de mim, os pés descalços da moça encostaram nas plantas ao nosso redor, em seguida, um grito de dor e desespero ouviu-se. Era como se a planta que a mesma pisava a queimasse. Ao som dos gritos da vampira, consegui finalmente me erguer do chão. O ferimento do meu pescoço sangrava exageradamente, mas eu não liguei. A raiva dentro de mim voltou a crescer.
Meus dedos se fecharam em uma das estacas de madeira da minha aljava. Fitei-a com o mesmo olhar que ela me olhara anteriormente. Então, aquela planta abaixo de mim a queimava. A vampira de cabelos castanhos avermelhados caiu de joelhos, bolhas surgiam pela pele da mesma, a medida que ela encostava nas plantas, seguidamente por mais gritos.
— Parece que eu descobri a sua fraqueza, vadia– falei empunhando a estaca.
Eu estava prestes a matar aquela vampira, mas não me recordava do que meu pai havia me dito o que fazer. “Você deve mirar no centro do peito, é lá onde o coração se encontra...” . Dizia a voz de meu pai em minha cabeça. Sem hesitar, segurei um dos ombros da moça com uma das mãos livres. Sem dó nem piedade, perfurei com força a ponta da estaca de madeira no centro de seu peito.
Um grunhido ouvi ao conseguir acertar, com êxito o coração da mesma. Parecia que ela havia sido petrificada. Sua pela pálida, tornou-se cinzenta com veias esbranquiçadas. Seus olhos apagaram-se, uma última lágrima escorreu de um dos olhos dela e sua expressão ficou vazia.
Sentindo uma fraqueza, logo larguei-a. Olhei para baixo, minha camiseta estava ensopada de sangue, me dei conta de que era o meu sangue que havia escorrido. Eu estava na base da adrenalina que nem me dei conta. Minhas pernas ficaram bambas, eu estava perdendo muito sangue, precisava encontrar algum curandeiro, ou algo do tipo.
Minha visão ficou turva, com pontinhos brancos. O som dos grilos estavam ficando distantes. Tudo escureceu de uma vez. Desmaiei antes de atingir o chão com um baque forte.
Fale com o autor