Rebelde
8 Seja Incondicional
Notas iniciais
Sai do carro sentindo o ar de Nova York que eu julgava sentir muita falta, o movimento, as pessoas, lojas e poluição, não que poluiçao fosse uma coisa que eu sentisse falta, mas fazia parte de mim. A casa continuava exatamente igual, azul clara, as flores vermelhas plantadas com preguiça, sorri pensando em como tudo aquilo seria se minha estivesse ali, tudo teria pelo menos um pouco de cor.
Senti a mão do meu pai tocando meu ombro esquerdo, ele também parecia pensar em algo, talvez fosse em Angie, da forma como ele foi enganado por ela, ou por ter sido traido novamente, perdendo a esperança de encontrar alguem que ocupasse o lugar da minha mãe.
Entramos na casa em total silencio, estava fechada e escura, com cheiro de mofo, abri as janelas deixando o calor adentrar e afastar aquele cheiro.
–E como foi na casa de Angie?- Ele perguntou se sentando na cadeira da cozinha, olhando para fora da janela.
Suspirei me deburçando sobre a pia, podendo até sentir que Léon poderia estar ali, seus olhos verdes implorando para que eu confirmasse que nos amavamos, o que eu nunca fui capaz de dizer, só percebi isso quando já era tarde demais, e quando não tinha mais como voltar atras.
–Foi legal- Dei de ombros tentando esconder a tristeza, poderia ter funcionado com qualquer um, menos com meu pai.
–Voce esta mentindo Violetta, alguma coisa aconteceu?- Ele perguntou calmo, talvez eu devesse dizer que gostava do meu meio irmão, que antes era.
–O que voce acha do Léon?- Não olhei em seus olhos tentando evitar que ele percebesse minha vergonha.
Ele riu, riu tão alto que estranhei, talvez até os vizinhos escutaram, ele nunca ria, não assim.
–O que acho do Léon?- Riu um pouco mais- Posso ser velho mas não sou idiota Violetta.
Me virei para ele de cenho franzido não entendendo nada do que ele estava dizendo, ele comprimiu os labios tentando evitar as risadas, depois suspirou sorrindo.
–Eu sei que voce gosta dele- Arregalei os olhos por ele ter descoberto aquilo mais rapido do que eu- Não se assuste.
Assenti sentindo minhas bochechas corarem, talvez estivesse bem na cara, e eu deveria ter dito isso a ele, e não ficar escondendo meus sentimentos como eu sempre fazia, ou eu os mantinha em segredo ou tentando retira-los de dentro de mim.
Senti seus braços me rodeado em um abraço apertado, me senti acolhida pela primeira vez depois de anos, ficamos um tempo assim, não dizendo nada um para o outro, talvez era melhor assim, nos dois eramos pessimos em palavras ou discursos.
***
Um ano se passou, e que saber? Eu não tive nenhuma noticia do Léon, já no caso terminei a escola de uma vez, e estou trancada dentro do meu quarto vendo a chuva cair aos poucos, um ano passa rapido, contanto não para mim, ele disse que voltaria mas nunca voltou, nunca disse o que aconteceu, e eu fiquei, sozinha.
–Parece que voce vai falecer nessa janela- Resmungou Marco entrando no meu quarto.
Marco havia voltado da Faculdade nesse semestre, apesar de ser meu irmão mais velho, não agia como um, sua calça jeans rasgada na altura dos joelhos e a camisa preta com uma escritas que eu não sabia o que significava, e acho que muito menos ele.
–Dane-se- Resmunguei colando a testa no vidro.
Marco se jogou na cama a fazendo ranger, a chuva começou a cair cada vez mais, mas eu não me importava nem um pouco com isso.
–Quem é ele?- Perguntou Marco descontraido.
–Quem é o que?
–Quem é o cara que voce se apaixonou no verão passado?
–Não é nenhum cara Marco, mesmo que fosse voce não tem nada haver com minha vida, ninguem tem haver com ela, voce nunca ligou, nem minha mãe, e meu pai ligou no começo depois deixou disso, então saia do meu quarto- Gritei sentindo as lagrimas cairem dos meus olhos.
–Tudo bem, mas escute, essas lagrimas que voce esta derrubando, não valem a pena, porque ele não vai voltar.
–Cala essa boca e sai- Gritei apontando para a porta com raiva.
Ele deu de ombros e saiu do quarto batendo a porta com força. Não sei quantos minutos eu passei ali, talvez horas, fui interrompida pelo porta sendo aberta e Marco aparecendo de novo.
–Eu não disse para voce cuidar da sua vida? Vai lá com suas vadias e me deixe em paz.
–Tem alguem querendo falar com voce lá embaixo.
Bufei me levantando e indo para o andar de baixo, Marco não me seguia, ainda bem, abri a porta esperando que fosse qualquer pessoa, mas por incrivel que pareça, quando abri a porta não pude aceditar quem estava em pé na minha frente.
Com jeans surrados e molhados, a camisa grudada no corpo mostrado seus musculos definidos, o cabelo castanho chocolate mais escuro e os olhos verdes me encarando com carinho me surpreenderam.
Léon tinha voltado.
Fim.
Com muito amor
Ou
Com muita rebeldia.
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