Reasons to be Missed
9 Capítulo 9
Passei pelas primeiras aulas antes do intervalo procurando por Puck. Tinha decidido acertar as contas com ele o mais rápido possível, mas até o momento não consegui encontrá-lo.
Cheguei ao refeitório com o ultimo pingo de esperança sendo esmagado ao não localizá-lo entre os jogadores de futebol, nem entre os companheiros do coral.
Eu estava parada com a bandeja de comida nas mãos. Tinha demorado a sair da sala e todas as mesas pareciam ocupadas.
Avistei Brittany sentada junto às outras Cheerios. Eu sentia falta de estar no time, apesar de tudo. Era algo em que eu era boa e gostava.
Considerei rapidamente sentar-me com elas antes de caminhar até a mesa do Glee Club.
— Será que tem espaço para mais um? — Perguntei quando os alcancei. Vi Mercedes sorrir ante de empurrar Mike, Tina e Kurt para abrir espaço e me sentei ao seu lado. — Obrigada Mercedes.
— Tudo bem, loira. Diga, como foi o seu verão? — Todos os olhos da mesa se voltaram para mim.
— Foi normal… — Entusiasmado não era bem a definição para as minhas férias.
— Como está tudo? Q-quero dizer, como você sobre o que aconteceu ano passado? — Tina perguntou com um tom de piedade que me fez travar. Eu não queria ser a pobre coitada que teve uma gravidez infeliz aos dezesseis anos. Que foi expulsa de casa, sendo obrigada a morar de favor na casa dos outros para não ter que dormir na rua. Não queria ser quem eu era.
— Eu acho que deveríamos estar mais interessados no que não aconteceu no ano passado, como não termos conseguido a classificação para Regionais. Eu sei que o Sr. Schuester é um bom homem e que gostamos dele, mas temos que admitir que sua administração do Clube tem sido decepcionante. Ele não pode continuar agindo como se pudéssemos nos preparar para uma grande competição como as do Coral em um mês. Temos cantores sem ritmo dançarinos que simplesmente não conseguem executar uma simples sequência de passos e cantar ao mesmo tempo. Sem ofensa, Finn. Deveríamos estar trabalhando para corrigir essas graves falhas desde já, na verdade.
Rachel sequer levantou os olhos da seu prato de salada duvidosa da cantina — não que ela estivesse fazendo outra coisa alguém de cutucá-la com o garfo. No minuto seguinte todos os ocupantes na mesa apresentavam variantes do seu pequeno discurso. Finn lançava olhares de esguelha para a morena, ele definitivamente não engoliu a parte do ‘sem ofensa’.
Ela finalmente desistiu da salada e roubou a maçã da bandeja de Finn e, pela primeira vez desde que me sentei à mesa, olhou em minha direção. Seus olhos brilharam estranhamente.
Ela piscou para mim?
Não pude obter uma resposta, pois, rapidamente, ela já estava envolvida na confusão da mesa.
xXx
O almoço havia corrico bem e as brincadeiras na mesa me distraíram.
Durante todo o dia eu fugi de qualquer sinal de uniforme, seja das Cheerios ou do jogadores, não queria outro banho de Slushie. Tinha obtido êxito na manobra.
Até agora.
Depois do almoço seria a primeira reunião do Glee do ano. Brittany, que se juntou à nos brevemente, saiu na frente, para guardar suas coisas no armário, Finn e Mike foram procurar a nova treinadora do time, que tinha marcado a apresentação da equipe no mesmo dia do coral. E ninguém percebera que os jogadores e as Cheerios saíram do refeitório antes de nós.
Estávamos a poucos metros da sala do Coral quando nos vimos subitamente cercados por eles.
A chuva de Slushie veio logo depois.
— Agora sim, bem vindos à mais um ano escolar, Perdedores. — Azímio fez as honras.
— Gostaríamos de dizer que nos, Cheerios, e os jogadores discutimos sobre a forma como tratamos vocês, ralé do Coral, no ano passado e chegamos a conclusão de que fomos… Negligentes. — Uma das Cheerios, cuja nome eu nunca lembrava, andava em círculos ao nosso redor. Como se estivesse se preparando para atacar uma presa. Seus olhos castanhos posaram em mim e um sorriso cruel surgiu em seus lábios finos. Ela era uma das meninas com quem eu pegava mais pesado na equipe. — Está aberta a Caça às Bruxas, ou melhor, aos Perdedores.
O Slushie em suas mãos não poderia ser para outro além de mim. O golpe gelado veio certeiro em meu rosto.
Porra, limão de novo.
— Até amanhã, otários. — Algum jogador debochou antes que eles fossem embora. — Ah, dêem um sorriso, sua plateia agradece. — Só então percebemos os outros alunos, espremidos à certa distancia de nós. Sorrisos em seus rostos e alguns celulares nas mãos.
Ótimo.
— Acho melhor entramos de uma vez. — A voz de Rachel foi apenas alta o suficiente para que ouvíssemos.
— Achei que apenas Brittany aparecia hoje. Onde est- — William Schuester, que estava arrumando papéis em cima do piano, engasgou quando se virou para nós. — Mas o que…
— Recepção de boas vindas dos populares, Sr. Schue. — Kurt resmungou caminhando a passos duros até uma das cadeiras da sala.
Brittany levantou de seu assento e correu até mim.
— Quinn! O que aconteceu, por que vocês estão todos sujos? — Brittany perguntou agoniada tentando limpar meu rosto com as mãos.
— Está tudo bem, Britt. Venha, vamos sentar.
— Eu não posso acreditar que isso ainda aconteça. Eu sinto muito, meninos. Não se preocupem eu vou resolver isso de uma vez por todas.
— Não acho que seja uma boa ideia. — Pude sentir todos os olhares em mim e quase me arrependi de falar. — Qualquer coisa que possa fazer em nossa defesa só vai deixá-los mais irritados. Eles atacam na escola, mas nos deixam em paz fora dela. Eu, particularmente, não estou interessada em inverter essa dinâmica.
Schuester se deu por vencido quando todos os outros murmuraram em concordância.
— Ok, quem tiver qualquer peça de roupa extra pode ir se trocar. — Rachel, Kurt e Tina se levantaram. — Rachel, Tina. Onde estão Finn, Mike, Puckerman e Santana? — A menção de Puck me fez prestar atenção na conversa.
— Finn e Mike estão com a nova treinadora. Ela pediu uma apresentação do time hoje. Finn ficou de explicar sobre as reuniões do coral para que ela não marque treinos nos mesmos dias. Não vi Santana ou Noah o dia todo. — Rachel explicou antes de seguir Kurt e Tina porta afora.
— Certo, alguém mais tem uma maneira de se limpar? — Schuester parecia que iria arrancar os cabelos enquanto olhava o estado de sua turma.
— Q, eu possa te emprestar minha toalha e você pode tomar banho no vestiário das Cheerios, não tem mais ninguém lá. Eu juro. — Brittany sussurrou ao meu lado.
— Não é necessário. Não tem slushie nos meu olhos, isso é o bastante. Vou ficar bem. — Tentei passar confiança com um pequeno sorriso.
Ela se convenceu um pouco.
— Podemos lidar com isso Sr. Schue, pode começar a aula. — Schuester quase discordou de Mercedes, mas decidiu dar início a aula mesmo contrariado.
Cerca de vinte minutos depois, Rachel e Tina voltaram com roupas limpas e cabelos úmidos. Kurt apareceu logo depois.
xXx
— Muito bem, pessoal. Como eu disse, e a Srta. Berry exigiu, começaremos a nos preparar a partir da próxima aula, daqui à dois dias, com o treinamento de dança. Brittany, pode nos trazer alguns exercícios de dança que você goste? — Britt acenou animadamente. Ela estava praticamente pulando em seu lugar desde que o Sr. Schuester aprovou seu pedido de ajudá-lo com as aulas. — Pois bem, amanhã conversarei com Mike a respeito, tenho certeza que ele nos ajudará. Eu sei que, além deles, alguns de vocês não precisam aprender a dançar, mas eu quero a presença de todos. Digam ao Puckerman que ele está incluído.
O professor mal havia terminado de falar quando a mão de Rachel disparou para cima.
— Sim, Rachel. — Ela caminhou até o meio da sala, ao lado do Schuester e se virou para o resto da turma.
— Sr. Schuester, eu fico feliz que tenha aceitado minha sugestão de começarmos a nos preparar para as Seccionais desde já. Confesso que por mim começaríamos hoje mesmo, porém o senhor tem razão em preferir dar início com todos os alunos presentes evitando assim aumentar a clara diferença de habilidade de dança entre alguns de nós. Contudo eu gostaria de lembrar à todos que não adiantará aprendermos a nos mexer em sincronia se não obtivermos melhora significativa no quesito canto. Kurt, Mercedes e eu passamos o verão treinando e aperfeiçoando nossas técnicas vocais que o significa que estamos muito mais preparados que o resto de vocês, tenho certeza. Sendo assim, nós três decidimos que vamos ajudar o demais em suas deficiências dando apoio e aulas particulares para quem precisar. O que quer dizer todos.
Os demais alunos do Coral levaram cerca de cinco segundos digerindo sermão de Rachel antes de começarem os protestos. Certamente ninguém queria ter aulas de canto com as três maiores divas da turma. Se controlados por um professor e distraídos entre todos do Coral eles já eram ruins, imaginem focando suas atenções em uma única pessoa. Pior, sozinhos com ela. Era algo deveras assustador de se pensar.
— Chega. Pessoal, já chega. SILÊNCIO! — O grito do Sr. Schuester foi a única coisa capaz de acalmar os nervos dos adolescentes em ebulição. Até mesmo Brittany e eu havíamos entrado na discussão. — Rachel, sente-se. Agora, a sugestão de Rachel é, sim, válida. A capacidade vocal é algo que precisa ser regularmente exercitada. Porém… Rachel, você não pode obrigar seus colegas a aceitarem as aulas. — Rachel abriu a boca pronta para rebater. — Eu ainda não acabei, Rachel. Segundo, se eu perceber que alguém está ficando para trás, seja na dança, nas músicas, o que for, haverão aulas particulares, sim. Eu não poderei dar essas aulas sempre, o que significa que se Rachel, Kurt e Mercedes estiverem disponíveis e dispostos, eles vão dar essas aulas. Esse ano as coisas serão levadas mais à sério, pessoal. Eu preciso que todos estejam empenhados em melhorar. Nós somos um time e vamos crescer juntos, como tal.
Uma estúpidamente sorridente Rachel Berry começou a bater palmas quando viu que o professor tinha terminado. Ela começou a diminuir a intensidade quando ninguém a acompanhou. Seu sorriso havia sumido completamente.
Foi quando eu comecei a imitá-la e, lentamente, nossos confusos companheiros nos seguiram.
— Quinn?
— Britt.
— Por que estamos batendo palmas?
— Ah… Porque sim. — Por que eu estou batendo palmas?
— Ok, meninos, chega. Avisem aos que faltaram sobre o que foi discutido. E lembrem-se… Estamos com um desfalque na equipe, precisamos de mais um integrante para competir.Estão dispensados.
Rachel olhou em minha direção e acenou levemente.
Eu tinha muito o que dizer à ela. Mas não hoje. Não tão logo.
xXx LEVY xXx
Eu decidi que já estava mais do que na hora de começar a fazer rondas pela cidade. Enquanto a menina Lucy estava na escola era isso que o eu fazia. Tinha procurado em cada canto que pude pensar e não encontrei nenhum sinal de seres do sub mundo. O que não significava que eles não estavam lá, é claro.
De fato, os seres inferiores se tornaram muito bons em camuflar sua presença. Até mesmo os anjos mais treinados podiam estar próximo a um inferior e não perceber.
Uma habilidade perigosa.
Estava esperando Lucy no estacionamento. Certamente ela sairia em breve, pois a maioria já havia partido.
Foi então que pude sentir.
Uma vibração. Uma energia poderosa, vinda do norte.
Um Arcanjo.
Estava longe, porém todos os anjos — e definitivamente todos os inferiores — podiam sentir sua presença. Podiam dizer que ele estava chegando.
Havia apenas um único Arcanjo que poderia estar vindo nesta direção com um objetivo definido.
Lucy.
Ele vinha verificar. Confirmar se Lucy era digna da salvação.
A mão direita d’Ele.
Gabriel estava por vir para o prejulgamento.
E logo.
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