Reason
26 Sorrir ganhou um novo significado
Notas iniciais
Finalmente as horas se passaram e chegara a tarde em que Luiza receberia alta médica. A moça não se aguentava em si mesma de tanta ansiedade, logo ela estaria de volta à casa de Marcelo, uma vez que ele não permitiu que fosse para o seu próprio apartamento e de Júlia, alegando que, na casa dele, a loira teria todo conforto e cuidados necessários.
Sem demora, Júlia ajudou sua melhor amiga a se vestir adequadamente para ir embora, arrumando os poucos pertences da moça numa mochila que trouxera consigo. Luiza estava linda em sua simplicidade, um vestido solto, florido e longo caia maravilhosamente em seu corpo magro, com o cabelo num rabo de cavalo que Júlia tinha feito. Só de pensar em ver cotidianamente o rostinho risonho e fofo de Joaquim, o sorriso de Luiza se alargava. Ele não tinha saído de sua barriga, mas ela sentia que o pequeno era seu, tudo dentro dela dizia isso com muita força e convicção. Ela o amava como um verdadeiro filho.
—Amor, já está pronta? Logo seu médico passará aqui para nos liberar. -Marcelo, assim como Luiza estava radiante por ver que aquele terrível pesadelo encontrava-se a poucos minutos de terminar. Logicamente, o jovem pai sabia que eles teriam muito a percorrer para superar o acontecido, mas, também, sabia que o amor que os unia era forte o suficiente para isso.
—Estou. A Lavinha veio com o Joaquim? -perguntou sorridente olhando para o motivo do seu sorriso.
—Não. Ela preferiu ficar em casa arrumando tudo para a sua volta. Estão todos muito animados e o papai também está lá em casa com o Pedro. Espero que não seja um problema, meu bem. -falou olhando diretamente nos olhos de sua namorada.
—Não há problema nenhum, amor. -hesitou ao processar o “lá em casa” pronunciado por Marcelo com total naturalidade. “Será que ele percebeu como isso soou?” era o que a jovem pensava numa velocidade quase luz. Respirando profundamente e tentando conter a alegria que aquelas pequenas três palavras lhe causaram, a moça tentou disfarçar: _ Cadê esse médico que não chega? Quero sair daqui o mais rápido possível. -sorriu amarelo olhando de Júlia para Marcelo.
Júlia, que muito conhecia de Luiza, entendeu perfeitamente o que se passou na mente da amiga, visto que ela, também, havia notado o quão espontâneo Marcelo foi ao dizer aquilo. Sorrindo, e já imaginando o que viria pela frente, a morena piscou uma única e singela vez para sua amiga em sinal de concordância. “Luiza merece ser feliz mais do que tudo nesse mundo”, pensou, uma vez que a loira já tinha sofrido demais num curto período de tempo. Saiu de casa cedo, por não suportar a presença da madrasta com seu pai, após a morte prematura de sua mãe. O pai sempre fora frio e temperamental com Luiza, sua única filha, mas depois que sua esposa morreu, o homem ficou intratável, então, sem pensar duas vezes, a jovem moça preferiu correr atrás do seu sustento e felicidade.
O médico chegou no quarto da moça e lhe deu alta como estavam esperando. Rapidamente, o casal e Júlia rumaram para casa de Marcelo, esse que permaneceu em silêncio por todo o caminho, despertando a curiosidade de Luiza, pois esse não era o comportamento habitual do seu namorado. Ela, simplesmente, não quis pensar muito sobre o comportamento dele, preferiu olhar a paisagem do caminho que a levava para um lugar que ela, sem sombra de dúvidas, poderia chamar de lar. Ao estacionar o carro na entrada da casa, Marcelo desceu e foi até a porta da moça para ajuda-la a sair do carro e caminhar com a mesma até em casa. Júlia saiu do veículo e o fechou, juntos eles entraram na residência. Para alegria e surpresa de Luiza, ela ouviu o barulho de aplausos e viu muitos sorrisos largo do lado de dentro da casa. Lavinha, o esposo, Pedro e Joaquim direcionavam para ela olhares alegres e emocionados por ver a moça bem e ali na frente deles em segurança. A primeira a caminhar em largos passos até a eufórica Luiza foi Lavinha com Joaquim ainda batendo palmas, o pequeno só parou quando chegou próximo a sua querida babá lhe estendendo os bracinhos para que ela o pegasse no colo, porém, com um aperto imenso no coração, a loira apenas o abraçou com uma certa dificuldade, pois não conseguia esticar muito os braços, dando-lhe um demorado beijo na bochecha corada do bebê.
Sentando-se ao lado de Marcelo, Luiza conversava com todos, inclusive com Pedro, demonstrando que não havia absolutamente mais nada entre os dois; nenhuma chance de reatar o namoro e nenhuma magoa pelo o que ele havia falado sobre ela. O coração de Luiza era grande e bom demais para guardar ressentimentos por coisas tão pequenas. Marcelo participava de cada detalhe da conversa, assim como qualquer um que estava no mesmo ambiente, mas sua namorada notou que algo diferente o perturbava. “Será que ele soube de alguma coisa a respeito do andamento da prisão de Tiago e não quis me dizer?” Luiza já estava ficando incomodada com o comportamento do namorado, quando Lavinha chamou todos para a sala de jantar, afim de que eles provassem as gostosuras que havia preparado para receber sua nora.
Luiza não demorou muito sentada a mesa, ela comeu uma fatia de bolo com suco de cenoura com um pouco de suco de laranja, sorriu e conversou mais um pouco, entretanto, sem aviso, o lado do seu corpo onde localizava-se a cirurgia começou a reclamar, então ela pediu licença e levantou-se com certa dificuldade. Marcelo, logo, se levantou e foi até a lira, com o intuito de levá-la até o quarto. Todos os quartos ficavam na parte de cima da casa de Marcelo, então por ser extremamente cuidadosa e meticulosa, Lavinha pediu para arrumarem a cama de Marcelo no escritório do filho, afim de melhor acomodar Luiza.
A moça sentiu-se fortemente amada, ao notar o quanto estava sendo cuidada por sua sogra. Emocionada, Luiza lembrou do amor e cuidado de sua mãe para consigo. Um sorriso largo alargou-se no rosto da jovem. Sentando ao lado da moça, enquanto Marcelo se despedia de todos na sala, Lavinha acariciou o rosto de Luiza para logo depois arrumar seu travesseiro.
—Eu não tenho palavras para expressar o quanto sou grata por tudo o que vocês tem feito por mim. Jamais, nada do que eu faça será o suficiente para retribuir todo esse amor, Lavinha. -lágrimas escorriam pelo rosto de Luiza, ela amava verdadeiramente a mulher a sua frente como se fosse uma segunda mãe. A simpatia que sentiu pela mãe do seu namorado surgiu logo no primeiro encontro. Para a loira, ela não era vista de maneira alguma como o estereótipo de sogra tão enraizado por muitos, mas sim como uma mulher gentil, amorosa e doce.
—Não há o que agradecer, meu amor. Você é uma mulher incrível e merece tudo o que estamos fazendo. Diante do que você passou, isso aqui é o mínimo, Luiza. -falou com um sorriso meigo nos lábios, olhando nos olhos de Luiza.
—Ainda assim, Lavinha. Muito obrigada por serem tão especiais. Eu realmente amo a senhora como uma segunda mãe. -afirmou segurando a mão da mulher para que ela pudesse sentir o quanto tudo o que dizia era a mais profunda verdade.
—Então, eu é quem agradeço por ter entrado na vida do meu filho, nas nossas vidas e trazer de volta a motivação dele para amar e sorrir novamente, querida. Agora, descanse um pouco. Vou arrumar tudo e ir para casa. Amanhã, a nova babá virá para cá cuidar do meu neto. -Luiza a olhou séria ao ouvir aquelas palavras. Estava mais do que nítido o quanto a moça estava dando trabalho. Notando o olhar da jovem, a mulher continuou: _Não precisa se preocupar, Luiza. Podemos pagar por isso, e não, você não está sendo um estorvo. Pare já de pensar dessa forma. -falou firmemente tentando fazer com que a moça acreditasse em cada palavra.
—Tudo bem. Obrigada mais uma vez, Lavinha. -respirou profundamente e sorriu ao sentir o beijo carinhoso de Lavinha em sua testa.
Marcelo foi com Joaquim até o escritório verificar como estava Luiza, após todos terem ido embora. O garoto já estava sonolento nos braços do pai, então o homem começou a niná-lo, já que o bebê havia sido banhado e alimentado. Quando percebeu que o filho dormiu, Marcelo o colocou ao lado de Luiza e sentou-se ao seu lado, enquanto acarinhava a cabeça do lindo menino que dormia serenamente, o jovem pai se pôs a olhar Luiza que também dormia. Ele não conseguia, nenhum minuto sequer, parar de pensar no que lhe havia tomado a mente na noite anterior. Suas vidas encontravam-se ainda mais bagunçada do que antes do sequestro, mas ele não podia mais adiar o que estava sentindo. Tudo iria mudar, com toda certeza, porém ele precisava seguir seus instintos. Luiza precisava sentir o quanto ele a amava.
Colocando algumas almofadas na cama para que Joaquim não caísse, Marcelo se levantou e foi direto a cozinha. Como havia notado que Luiza não comera nada praticamente, ele resolveu preparar a única coisa que sabia cozinhar, macarronada de frango com queijo. “Ela vai gostar” pensou rapidamente, lamentando não possuir os dotes culinários que seu pai tinha.
Sem demora, o jovem pai começou os procedimentos do prato que há muito tempo não fazia. Fatiou o peito do frango, picou um tomate, metade de uma cebola, um pouco de pimentão e coentro. Com a frigideira quente, ele refogou o frango na manteiga, alho e uma pitada de pimenta com a cebola, depois acrescentou as outras verduras e os temperos e o molho de tomate. Já com a água do macarrão fervendo, ele colocou a massa e mexeu para que não grudasse. Antes de desligar a proteína, o “cozinheiro” acrescentou o creme de leite e espigas de milho, sentindo o cheiro bom do que prepara, ele sorriu e foi até a sala de jantar com alguns utensílios para arruma-la como tinha planejado.
Por volta das 17:00, Luiza acordou sentindo um cheiro incrível que vinha da cozinha. Ela virou o rosto e encontrou o corpinho de Joaquim dormindo ao seu lado como um anjinho. Ela sorriu com vontade e acariciou seus cabelos castanhos. “Tão lindo!” pensou em voz alta. Marcelo entrou no quarto e pediu para que ela não saísse do cômodo, pois ele estava preparando uma surpresa para a moça. Luiza sentiu seu coração palpitar de repente em seu peito, ela era incrivelmente feliz ao lado daquele homem e ficou imaginando o que poderia ser depois de tantas coisas maravilhosas que ele já estava fazendo por ela. O homem foi até a cozinha novamente verificar tudo e preparar o molho do macarrão, afim de montar a travessa do prato. Com tudo pronto, ele caminhou de volta ao escritório ouvindo a voz doce de Luiza a conversar com Joaquim que dava gargalhadas.
Ao entrar no local onde os dois estavam, Marcelo sentiu uma emoção imensa ao constatar definitivamente que era com aquela mulher que ele desejava passar o resto da vida e educar seu filho, que, claramente, já era um pouco dela também. Com um largo sorriso no rosto, ele caminhou até os dois e sentou na cama pegando seu filho no colo.
—Eu acho que nunca vou parar de me impressionar com uma cena como essas. -sorriu olhando diretamente nos olhos da moça.
—Eu amo você, bobinho. -Luiza acariciou o rosto de Marcelo que fechou os olhos rapidamente ao sentir o toque suave a mão da moça.
—Eu também te amo demais, Lú. Sou o bobo mais feliz desse mundo. Isso eu tenho certeza que nunca irá mudar.
—Você realmente mudou a minha vida, Marcelo. Você só não, vocês. Eu amo esse menino com todo meu coração. -declarou olhando para Joaquim que brincava com o botão da camisa do pai.
—Eu sei, tenho esse poder mesmo. -brincou levantando-se para subir com Joaquim que estava precisando de um banho.
—Não demora. E traga o quadrado do Joaquim para cá. Não quero que ele durma sozinho lá em cima. -pediu cuidadosa ainda segurando uma mão de Marcelo e sorrindo levemente olhando para ele.
—Volto em cinco minutos, amor. -falou beijando os lábios da loira que percebeu o quanto Marcelo estava misterioso. Ele estava aprontando alguma coisa muito grande com toda a certeza, pensou Luiza ao observar o homem sumir de vista.
Com um pouco de dor, Luiza se forçou a levantar, pois precisava ir até o banheiro. Ela não queria chamar Marcelo para lhe ajudar também com aquilo, mesmo que isso o irritasse um pouco por lhe “desobedecer”. Então, superando-se a moça conseguiu fazer suas necessidades fisiológicas. Caminhando até uma cômoda, que estava guardando algumas de suas roupas, de volta ao escritório, Luiza procurou uma roupa leve para vestir após o banho, ela queria estar bonita para ela mesma e para Marcelo. Sentia profundamente que precisava daquilo, precisava se sentir bem consigo mesma depois das marcas que Tiago havia deixado em seu corpo.
A loira escolheu um shorts de tecido preto e uma blusa de cetim branca, delicada e simples. Escolheu uma lingerie confortável, pois não queria nada lhe apertando, contudo tentou optar pela mais bonita que tinha ali dentro dos requisitos escolhidos. Luiza levou as peças até o banheiro e se olhou no espelho rapidamente. Logo, ouviu a voz de Marcelo chamar por ela.
—Estou aqui. -disse apenas, continuando a olhar-se. Logo ela lembrou do banho em que ele lhe ajudou no dia anterior, um rubor tomou suas bochechas. Ela o amava e ansiava mais do que tudo pertencer a ele por inteira.
—Vou aí te ajudar, só um minuto. -gritou Marcelo colocando vários brinquedos dentro do quadrado onde estava Joaquim risonho e satisfeito com sua pequena aventura, ao ser levado até ali dentro do quadrado.
—Tudo bem. -disse sorrindo ao perceber que Marcelo estava se virando em mil para ser um bom pai e muito mais que um simples namorado. Ele era incrível. Luiza jamais se sentiria confortável se fosse Pedro no lugar dele.
Marcelo ajudou novamente sua namorada no banho, agora sem muitos constrangimentos da parte de Luiza, mas com todo o encantamento do dia anterior. Cada movimento feito por Marcelo era sentido numa intensidade demasiada por Luiza, eles se amavam demais, e a cada segundo tudo se confirmava. Já tomada banho e arrumada, Luiza estava sentada na cama, enquanto observava Joaquim brincar dentro do quadrado.
O relógio marcou 18:00Hrs e Marcelo já tinha tudo pronto para a grande surpresa que planejara, porém lembrou do anel que sua mãe havia deixado para que ele pudesse pedir sua namorada em casamento. “Eu vou pedir mesmo? Sim. Com toda certeza” pensou ao olhar a caixinha vermelha que continha um solitário singelo que pertencera a sua mãe, quando a mesma foi pedida em casamento pelo o homem que fora um exemplo para ele.
Marcelo sentou ao lado de Luiza com Joaquim na cadeirinha próximo ao pai, eles começaram a comer e Luiza sorriu ao notar que seu namorado não tinha pedido comida como todas as vezes que eles comiam juntos. A loira notou que Marcelo já não carregava mais o ar silencioso que tinha quando dirigia do hospital para casa mais cedo, muito pelo contrário, ele estava feliz, sorridente e a olhava como se a visse pela primeira vez. A atmosfera parecia ter notas de encantamento.
—O que foi? Porque está me olhando assim, amor? -perguntou a loira sorrindo levemente.
—Nada. Só estou admirando mais uma vez a mulher mais linda do mundo e percebendo o quanto sou sortudo por ser seu namorado. -falou com a voz suave respirando profundamente. A aquela altura eles já estavam prestes a terminar o jantar, que por sinal estava simples, mas muito gostoso. Colocando uma mecha do cabelo da moça atrás da orelha, e num gesto suave ele acariciou o rosto da moça. _Eu tenho achado ultimamente que ser apenas seu namorado não é mais o suficiente, amor. Sei que não temos nem meses de namoro, mas já temos quase um ano de convivência e eu aprendi a amar cada defeito seu, que não são muitos, vale ressaltar. -sorriu largamente observando lágrimas se formarem nos olhos de Luiza. _ E a cada dia que se passa, eu me apaixono cada vez mais por cada qualidade sua. Então, sem muitos rodeios, pois nem todas as palavras do mundo seriam capazes de expressar o tamanho do meu sentimento por você, eu resolvi tentar algo que, ao menos, represente um pouco do quanto eu te amo, amor. -Luiza já não se aguentava em si, as lágrimas caíram quando ela viu Marcelo tirar do bolso uma caixinha aveludada. Levando uma mão a boca, a moça sentia seu coração bater forte demais, pois Marcelo já estava ajoelhado aos seus pés com um imenso sorriso no rosto.
—Você está mesmo fazendo isso? -perguntou com a voz embargada, sentindo ela falhar no final da frase.
—Estou. Quer dizer, quero fazer, mas só se você prometer não desmaiar antes, tudo bem? -Marcelo segurava a outra mão da moça com muita alegria dentro de si. Luiza apenas meneou a cabeça num sinal positivo e sorriu ao mesmo tempo em que chorava.
—Luiza, meu amor, aceita passar o resto dos seus dias ao meu lado? Vem iluminar toda a minha existência? Casa comigo, amor? -pediu com a voz, agora, um pouco embargada, pois também estava emocionado.
—Claro que caso, amor. Sim. Sim para sempre, Marcelo. -sorriu olhando para os olhos do homem que tanto amava e sentindo seu coração pular em alegria ao perceber o toque de Marcelo em seu dedo anelar ao colocar a linda joia.
—Eu amo você, Luiza. -disse Marcelo ao abraçar Luiza com carinho e cuidado , sentindo-se o homem mais feliz do mundo ao ouvir um “Eu te amo mais!” baixinho em seu ouvido.
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