Reason
27 Close to you
Notas iniciais
Luiza estava adormecida em sua cama, no seu quarto do apartamento que dividia com Júlia. Já era manhã, mas infelizmente, a loira se encontrava num sono cansado e turbulento, sua cabeça latejava um pouco quando abriu os olhos. Já haviam se passado mais de dois meses desde o fatídico sequestro que tinha sofrido, porém, volta e meia, o crápula do Thiago tomava seus sonhos tornando-os em pesadelo, e foi, exatamente, isso que acontecera durante toda a madrugada daquela sexta-feira.
Decidida a não se entregar as consequências do trauma que havia lhe atingido, Luiza sentou-se na cama e espreguiçou sorridente para os raios de sol que iluminava o quarto. Deus havia lhe dado uma segunda chance para viver e ser feliz, e ela, jamais, desperdiçaria tudo o que estava-lhe ocorrendo. O amor que ela compartilhava com Marcelo era suficientemente forte para ajudá-la a superar todas as lembranças terríveis que ainda moravam em sua mente. Caminhando em direção ao banheiro, ela sorriu ao olhar pelo o espelho que projetava sua amiga escovando os dentes, enquanto fazia uma coreografia maluca ao ouvir “ Love on top” da Beyoncé.
—Hey, noivinha mais linda desse prédio! Bom dia! -disse Júlia interrompendo sua bela performance para cumprimentar a amiga.
—Só desse prédio, Jú? Você já foi mais carinhosa. -Entrou no cômodo para começar sua higiene matinal.
—E você mais humilde, minha querida. Olha, eu estava aqui pensando com meus botõezinhos e acho que a senhora deveria reconsiderar minha ideia sobre hoje à noite. Primeiro, porque só se casa uma vez, ou deveria ser apenas uma só vez na vida; segundo, porque toda garota solteira deveria conhecer a All in em sua última noite como solteira e terceiro, porque hoje é sexta-feira, Luiza. Pelo o amor de Deus! -Júlia encenava sua argumentação olhando diretamente nos olhos da amiga.
—Jú, eu já expliquei que não quero nenhuma azuação essa noite, nada barulhento e cansativo. Quero me preparar para a noite de amanhã, entende? Eu acho que preciso disso. -falou sinceramente com um pouco de espuma na boca.
—Amiga, eu entendo total, mas você também precisa se despedir da sua solteirice. Vamos lá, não há nada demais nisso. -se a Disney visse o olhar de Júlia a contrataria para substituir o gato de botas do filme Sherek, pensou Luiza com um sorriso no canto dos lábios.
—Bom, tudo bem.
—É O QUÊ? SÉRIO? -Júlia dava pulinhos de alegria abraçando a amiga.
—Sério, mas não podemos voltar tarde. Quero estar de volta no máximo às 01:00 da manhã. Estou falando sério, heim!?
—Poxa vida, Lú, é no melhor momento da noite. -lamentou.
—Júlia Vitória, eu me caso amanhã. Achei que você lembrasse disso, sua louca. -sorriu saindo do banheiro para preparar seu café da manhã.
—Claro que lembro. -suspirou pesadamente para acentuar seu desânimo para com o horário da amiga que parecia mais uma adolescente que estava planejando sair escondido dos pais. -Melhor do que nada, Luiza. Por falar nisso, seu avô e a Tereza estão chegando por volta das 14:00.
—Tudo bem, já acertei com o Marcelo. Eles vão dormir no quarto de hospedes da casa dele hoje e amanhã cedinho iremos todos para a casa de campo onde será o casamento. -sorriu levemente sentando-se a mesa, após ter colocado um pouco de café numa xícara.
—Lú, você está realmente bem com a presença deles? Eu ainda acho que você não precisava se dar o trabalho. -alegou Júlia olhando nos olhos da amiga.
—Eu não guardo nenhum ressentimento pelo o que eles fizeram comigo, após a morte dos meus pais, amiga. Sem falar que, depois do sequestro, eu quero viver minha vida intensamente, sem nenhum desentendimento ou tristeza. Eu dei o primeiro passo até eles, e eles aceitaram vir, então está tudo certo. -confessou sorridente. Luiza realmente estava decidida quanto ao desprezo com o qual foi tratada por sua família depois que ficou orfã. Fora esse, também, o motivo que lhe levara ao centro do Rio de Janeiro à procura de um novo recomeço. Nada iria impedi-la de viver toda a alegria que a vida estava lhe proporcionando.
—Tudo bem. Eu te admiro demais, Lu. Você será muito feliz, seu coração é lindo, mesmo depois de tudo o que ele já sofreu. Quando eu crescer, quero ser igualzinha a você! -sorriu largamente olhando para os olhos marejados da loira a sua frente.
—Larga de ser boba, Jú. Está me fazendo chorar logo cedo.
—É só o começo, querida. Cê nem imagina o que está por vir com o meu discurso de amanhã. -gargalhou ao lembrar do texto que havia preparado.
— Você, sem sombra de dúvidas, é a melhor madrinha do mundo. — sorriu ficando de pé e dando a volta na mesa para abraçar sua melhor amiga.
As duas terminaram o café da manhã e foram cada uma para o seu trabalho. Ao chegar na casa de Marcelo, Luiza encontrou um Joaquim muito sorridente a sua espera. Aquela, com toda certeza, era a melhor imagem para se ver pela manhã. De dentro do seu quadrado, ele acenava com as mãozinhas para que ela o tirasse dali. Logo, Luiza caminhou até o pequeno e o pegou nos braços apertando-o e enchendo suas bochechas gordinhas de beijos.
—E o meu? Será que tenho o direito? -Marcelo descia os degraus da escada, já arrumado para o dia de trabalho na editora. Luiza se virou ao ouvir a sua voz, e ela percebeu que jamais deixaria de se encantar com tamanha beleza. Marcelo era incrivelmente lindo por fora e por dentro. Sem demora, ela caminhou até ele.
—Claro que você tem direito, meu amor. Bom dia! -disse sorrindo largo depois de beijar carinhosamente os lábios do seu noivo.
Surpreendendo-os, Joaquim segurou com as duas mãos o rosto de Luiza lhe fazendo um tipo de carinho e pronunciou duas silabas que a deixou completamente sem forças de tanto amor que sentia por aquela criança. “mama”, a voz suave de bebê do pequeno fez o coração da moça bater mais rápido, lágrimas invadiram seus olhos e um sorriso emocionado brotou no seu rosto.
—Você ouviu isso, amor? -perguntou Luiza para o homem ao seu lado ainda olhando para Joaquim.
—Claro que sim, Lu. Eu te amo! Nós te amamos! -disse o jovem pai envolvendo-os num abraço apertado, sabendo que onde quer que Verônica estivesse, ela estaria feliz por saber que era Luiza quem cuidaria do seu menino com todo amor do mundo.
As horas daquela sexta-feira passaram rapidamente para Luiza, logo, ela notou que a qualquer momento Marcelo estaria chegando para almoçar, trazendo sua tia e seu avô. Ela estava um pouco ansiosa, já faziam mais de dois anos que não se viam, mas era um momento especial, era seu casamento, eles não ousariam em começar uma briga fútil numa data tão especial.
Enquanto, terminava de vestir o pequeno Joaquim, Luiza escutou o barulho do carro do seu noivo parar ao estacionar em frente à casa. A passos largos, a loira desceu a escada com Joaquim no colo, caminhando em direção a varanda da casa.
—Que bom que vocês chegaram. -disse sinceramente ao olhar profundamente nos olhos do seu velho avô.
O senhor, que já tinha seus 85 anos, apenas a olhou e sorriu suavemente. Luiza percebeu que algo havia mudado naquele semblante desde que o vira pela última vez, contudo ela preferiu não pensar muito sobre aquilo naquele momento, deixou-se, simplesmente, sentir as coisas boas que os ver novamente lhe preenchiam.
Todos entraram em casa, e olhando para Marcelo, a loira sentiu o conforto que o olhar dele tentava lhe passar, era como se tudo dentro dela confirmasse, a partir daquela troca de olhares, que as coisas estavam, realmente, se encaixando. Ela, finalmente, podia colocar um ponto final no seu passado que não fora nada doce, para viver um presente e futuro solidamente prósperos.
Para que a moça pudesse acomodar seus parentes, Marcelo pegou Joaquim, após toda a apresentação formal e pediu para que sua noiva fosse mostrar os aposentos que pertenceriam aos convidados durante aquela noite, uma vez que logo ao amanhecer todos partiriam em direção a casa de campo onde seria celebrado o casamento.
—A casa do Marcelo não é muito grande, mas acho que esse quarto tem o tamanho ideal para vocês dois. Colocamos mais uma cama para que possam ficar mais confortáveis até amanhã. Se precisarem de qualquer coisa, podem me chamar. Mais tarde, eu vou precisar sair com a Júlia, a amiga que me acolheu aqui no Rio... -Luiza sentiu que estava falando demais, e logo notou o olhar triste de sua tia voltado rapidamente para o pai, de modo que, sem demora, ela tentou quebrar o clima que estava tomando o ambiente. _Não precisam ficar assim, eu já superei tudo o que passou. Estou, verdadeiramente, feliz por terem aceito meu convite de bom grado, vocês são minha única família por perto, então, por favor, não se culpem. Não há nada com o que se preocupar.
Tereza, tia de Luiza, respirava profundamente. Em sua mente, flashs do dia em que Luiza brigou feio com seu avô e com ela passavam como um rompante. Ela sentia tanto por ter deixado sua única sobrinha partir, de forma que todos os dias, antes de dormir, pedia perdão a Deus pelo ocorrido e por sua omissão. No fundo, ela só queria que Luiza a perdoasse por tudo de uma vez para que pudessem recuperar o tempo perdido, e aparentemente, parecia que a oportunidade para isso havia chegado, mas ainda doía olhar para si mesma e perceber que nada fez pela sobrinha durante todo o tempo em que estiveram longe uma da outra.
—Querida, nós somos quem devemos agradecer por tudo. Diante de tudo o que aconteceu, não deveríamos, nem mesmo, estar aqui. — respirou sofregamente mais uma vez, e olhou para o pai que sentou na cama de casal que ali estava, sentindo todo o peso de sua dor. _ Bom, eu também não quero ficar lembrando do que passou, Luiza. É notável sua alegria, e queremos compartilhar desse momento por inteiro com você. Eu sinto muito por sua partida e por tudo de ruim que deve ter passado aqui no centro da cidade, mas saiba que te amamos muito. Só tentemos esquecer de uma vez o que vivemos no passado. -Luiza a olhava nos olhos e viu quando eles marejaram. Tereza estava realmente de peito aberto ali em sua frente, então, quando ouviu o pedido de sua tia, ela não hesitou em atendê-lo.
Tia e sobrinha acabaram com todo o espaço que as separavam e se abraçaram no meio do quarto, lágrimas rolavam por seus rostos. Luís, o avô, as olhava com lágrimas nos olhos. No fundo, ele havia esperado por muito tempo uma cena como aquela. Muito orgulhoso, não se deixava levar pela saudade que todos os dias apertava em seu peito e insistia em fazê-lo procurar pela neta. Mas, ali, ao ver as duas se abraçando daquela forma tão sincera, ele não pôde deixar o orgulho vencer mais uma vez. Seu Luís amava profundamente sua única neta. Ele sentia sua falta mais do que tudo e não poderia morrer ou deixar, sequer, mais um minuto se passar sem dizer isso a ela. Lentamente, ele ficou de pé e caminhou até as duas. Notando sua presença, Tereza se afastou gentilmente de Luiza dando espaço para o pai se aproximar.
—Eu te amo, minha neta. Por fa.. -Luiza quebrou a fala do senhor emocionado a sua frente e o abraçou com todo o amor que estava guardado em seu coração por ele.
—Não precisa dizer mais nada, vovô. Eu amo o senhor demais, jamais guardei mágoa alguma. -disse afastando-se do abraço para enxugar as lágrimas do rosto do seu velho avô e olhar em seus olhos.
—Obrigada, meu amor. Obrigada! -sorriu verdadeiramente abraçando-a mais uma vez.
A noite chegou feliz na casa de Marcelo, após o jantar todos foram para a sala de estar e conversavam sobre amenidades e algumas coisas sobre o casamento e o relacionamento de Luiza e Marcelo. Tereza, também, aproveitou o momento para contar um pouco das traquinagens de sua sobrinha durante a infância, fazendo todos sorrirem largamente.
Entre um riso e outro, o celular da moça vibrou, notificando que haviam novas mensagens de Júlia. Rapidamente, Luiza desbloqueou o aparelho e abriu a janela de conversa da amiga.
Júlia: “Já estou me arrumando, amiga.”
“Vê se não atrasa!”
“Vê se coloca uma roupa bem gatinha. Lembre-se que é sua última noite solteira.”
“Brincadeirinha... Mas pode colocar aquele vestindidnho preto que compramos juntas no mês passado.”
“Não demoraaaa!”
Luiza: “Jú, ainda vou começar a me arrumar. É melhor falar a verdade logo! Haha"
“Aquele vestido vai ficar muito elegante, não?”
Luiza avisou a Marcelo que iria começar a ase arrumar e pediu licença a todos dando um beijo carinhoso nos lábios do seu noivo. Chegando ao quarto de Marcelo, a loira foi até o closet de Marcelo e olhou para o vestido que ainda estava envolto a um plástico no cabide. Ela o pegou e colocou em cima da cama junto com mais um vestido que, também, era preto só que simples e casual.
Enquanto secava os cabelos, Luiza viu seu celular vibrar e notificar uma resposta de Júlia. Rapidamente, ela deslizou a tela e leu que a morena insistia em que ela usasse o vestido sugerido.
—Acho que o vestido preto novo ficaria bem melhor para a ocasião, minha noiva preferida. -disse Marcelo da porta do banheiro, observando sua linda noiva um pouco embasbacado.
—Ahhhh, é mesmo? E o senhor teria outra noiva, meu bem?
—Claro que não. Você é o único amor da minha vida, senhora Luiza. -Marcelo já estava envolvendo Luiza por trás num abraço carinhoso, depositando um beijo doce na parte exposta do pescoço da loira, que sentiu seu corpo arrepiar em resposta.
—Você acha que o vestido novo é a melhor opção, mesmo? -perguntou sorrindo sapeca ao se virar para o noivo e deixá-lo perceber exatamente o efeito que tinha sobre ela.
—Não só acho como tenho certeza, amor. Ele é perfeito para essa sua noite de meninas. -disse sorrindo de lado suavemente, olhando nos olhos da moça.
—Marcelo, tem certeza que não há problemas nisso, não é!? Digo, sair meio que em uma despedida de solteira? -sorriu tentando parecer séria, olhando para Marcelo. No fundo, ela sabia que nem precisava perguntar aquilo, pois Marcelo sempre respeitou as vontades e o espaço dela.
—Claro que tenho. Lú, eu já disse, várias vezes, que você é livre e que quero te ver feliz. Sem falar que confio plenamente em você. Vá se divertir, amor. Está tudo bem.
—Tudo bem. Eu já sabia, foi só por falar mesmo... Agora, por favor, me dê licença que preciso terminar de me arrumar, caso contrário, a Júlia me mata e não haverá casamento nenhum amanhã. -disse dando espaço para o loiro sair do banheiro com um sorriso bonito nos lábios.
—Ok, ok. Sem problemas. Eu ainda quero minha noiva viva amanhã.
Marcelo foi até o quarto do seu filho verificar se estava tudo bem com o pequeno e depois foi até os aposentos dos convidados para saber se precisavam de alguma coisa. Logo após, ficou esperando por Luiza na sala de estar. Ele mal pôde conter seu ar de bobo quando a viu se aproximar lindamente arrumada num belo vestido preto e saltos finos na cor rosa choque. Sua noiva era de longe uma das mais belas mulheres que ele já tivera o prazer de ver na vida. Ele sabia o quanto era sortudo por tê-la encontrado e ser amado tão grandemente. Luiza continha um sorriso maroto nos lábios, ao caminhar até o noivo, que não conseguia desviar os olhos dos seus.
—Eu sou muito sortudo mesmo! -disse ao enlaçar a cintura da moça para depositar um beijo suave nos lábios suavemente corados, uma vez que tinha caprichado nos olhos.
—Sim, meu bem, você é. -disse em voz baixa próximo ao ouvido direito do homem.
O casal não passou nem dez minutos trocando carinhos até ouvirem uma buzina de carro soar em frente à casa. Após uma despedida calorosa, Luiza saiu rumo ao carro onde Júlia a esperava com um sorriso brincalhão no rosto. Com Ricardo dirigindo e a morena sentada ao seu lado, Luiza sentou no banco de trás, percebendo o quanto estava feliz por estar vivendo um momento como aquele.
—Jú, não esquece que precisamos estar de volta, no máximo, às 01:00 da manhã, pelo o amor de Deus. -pediu Luiza quando a música “Havana” de Camila Cabello parou de tocar no som do carro de Ricardo.
—Tá. Tudo bem, senhorita noiva preocupada. Estaremos de volta nesse horário. Agora, relaxe e curta essa aqui...
Sem demora, “swalla” do Jason Derulo tomou todo o automóvel, fazendo os três cantarem alto no refrão. Era uma noite agradável e quente no centro do Rio de Janeiro, pessoas corriam nas ruas fazendo suas atividades físicas, crianças brincavam com seus amiguinhos e parentes nas praças. Já passavam das 21:00, mas a noite mal havia começado para os cariocas. Dentro de meia hora, o carro de Ricardo parou em frente à casa noturna que as garotas iriam comemorar a última noite de solteira de Luiza. Ao se despedirem do rapaz, saíram do carro e foram direto comprar os ingressos. Haviam pessoas numa longa fila para entrar no local, poucas pessoas com mais de 50 anos, uma vez que a maioria dos que ali estavam pertenciam a faixa etária de no máximo 40 anos.
Depois de vinte minutos esperando a vez, Luiza e Júlia entraram no local animadas. O ambiente era iluminado com pouca luz, um tom de azul neon e vermelho aclimatavam todo o espaço. No palco, um Dj tocava “Never let me go” do Alok, enquanto a banda seguinte arrumava seus instrumentos e equipamentos para dar início ao primeiro show da noite. Elas abriram espaço entre as muitas pessoas que bebiam e conversavam em pequenas mesas altas e redondas no salão para chegarem até o bar. Luiza não quis tomar nenhuma bebida forte, preferiu optar por um drink feito com limão, hortelã e Ice. Já Júlia, optou por um “Lagoa azul” que, segundo ela, era perfeito para uma noite de sexta.
Com pouco mais de uma hora na casa noturna, Júlia já estava bastante alegre e Luiza tentava acompanhar a animação da amiga, mesmo estando completamente sóbria, pois tudo o que ela queria era aproveitar o máximo possível daquela noite. Enquanto a loira terminava seu segundo drink, Júlia a puxou com tudo para uma mesa que estava distante do bar onde elas estavam, alegando ter visto uma grande amiga sua. As duas caminharam, meio andando e meio dançando, em direção a tal mesa, encontrando um grupo de quatro pessoas, onde uma delas se apresentou como Catarina, amiga do tempo de escola de Júlia.
Rapidamente, as garotas foram familiarizadas com o restante do grupo. Entre conversas e risadas, João, o irmão de Catarina, convidou Luiza para dançar. A loira hesitou, mas decidiu acompanhar o rapaz, uma vez que além de não ter nada demais, a música era animada, de modo que não iam nem mesmo encostar um no outro.
—Então, você é escritora? -perguntou João alto próximo ao ouvido de Luiza.
—Sim. Lancei meu primeiro livro há poucos meses atrás. “Despertar”, já ouviu falar? -sorriu ao responder.
—Já sim. Ainda não tive oportunidade de ler, mas, agora, farei de tudo para ler o mais rápido possível. -sorriu piscando para a loira que logo notou a real intenção do homem a sua frente.
—Ahh, legal! -respondeu, apenas, desviando o olhar para a multidão afim de avistar Júlia que também havia ido dançar.
—Você é muito bonita, Luiza. Estou realmente impressionado. -insistiu se aproximando um pouco mais da moça.
—Obrigada, mas eu tenho um noivo, João. Na verdade, me caso amanhã. -disse se afastando um pouco do rapaz.
—Ok, ok. Então quer dizer que essa é a sua despedida? -perguntou mais uma vez enlarguecendo o sorriso.
—Eu não chamaria assim, mas, sim. -limitou-se, ainda procurando sua amiga.
A conversa foi interrompida bruscamente pelo silêncio que tomou o ambiente de repente. O rapaz que cantava no palco pediu um momento a plateia que o olhava curiosa. Luiza, assim como todos, olhava para o palco, sem entender ao certo o que estava acontecendo. Contudo, sua confusão não perdurou por muito tempo, pois, logo, Marcelo estava caminhando para onde estava o vocalista da banda. Ele estava extremamente lindo num terno preto e com um sorriso que chegavam aos olhos. Sem cerimônias, ele abraçou o vocalista amistosamente e recebeu o microfone.
—Vocês devem estar pensando o que um cara como eu está fazendo aqui em cima interrompendo a noite de todos... -Marcelo sorriu amarelo e encontrou o olhar surpreso de Luiza no meio da multidão de pessoas. _Porém, eu prometo que tenho um bom motivo, pessoal. Eu preciso surpreender a mulher da minha vida de alguma forma, uma vez que me caso amanhã. Então, pensei em dedicar uma canção que descreve perfeitamente minha admiração por ela. Luiza, meu amor, essa é para você.
https://www.youtube.com/watch?v=0CAPfI7puz4
Close To You
Why do birds suddenly appear
Everytime you are near?
Just like me, they long to be
Close to you
Why do stars fall down from the sky
Everytime you walk by?
Just like me, they long to be,
Close to you
On the day that you were born
The angels got together
And decided to create a dream come true
So they sprinkled moondust in your hair
And golden starlight in your eyes of blue
That is why all the girls in town
Follow you, all around
Just like me, they long to be
Close to you
Perto de Você
Por que os pássaros aparecem de repente
Toda vez que você está perto?
Assim como eu, eles querem estar
Perto de você...
Por que as estrelas desabam do céu
Toda vez que você passa?
Assim como eu, elas querem estar
Perto de você
No dia em que você nasceu
Os anjos se reuniram
E decidiram tornar um sonho realidade
Então eles espalharam poeira da lua em seus cabelos
E luz dourada das estrelas em seus olhos azuis
É por isso que todas as garotas da cidade
Seguem você, por toda parte
Assim como eu, elas querem estar
Perto de você
Luiza mal podia conter a alegria ao ver aquela cena, visto que nunca imaginou vivenciar um momento tão lindo como aquele. Ela realmente amava Marcelo com todas as suas forças, e jamais iria esquecer ou deixar de ser grata pelo momento em que ele entrou em sua vida.
—Eu amo você, meu bem. -disse Marcelo ao descer do palco e abraçá-la fortemente rodando-a no ar.
—Eu te amo mais, seu bobo. -respondeu com os olhos marejados dentre um beijo misturado a um largo sorriso, envoltos por aplausos.
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