Reaprendendo a Amar

3 Quem sabe numa próxima vez?


Notas iniciais
Já cheguei com o terceiro. Desculpem os erros! Espero que gostem.

Depois de nossa conversa, Sakura me trouxe água e uma sopa, só então me dei conta do tamanho da minha sede. Logo após minha refeição, ela foi pra casa, mas não sem antes me dizer que quebraria meus ossos, de novo, se eu tentasse sair do quarto.

Tsc.

No outro dia, de manhã, uma enfermeira trouxe meu desjejum: um chá que mais parecia água suja e um mingau de qualidade duvidosa. Ela era loira, mal devia ter dezoito e estava visivelmente nervosa.

— Onde estão minhas roupas?

A jovem olhou pra mim como se eu tivesse tivesse dito algo indecente, olhou para o lençol azul claro que me cobria e ficou vermelha feito um pimentão.

— E-eu... vo-vou avisar a-a Sakura-Sama que está chamando... — E saiu como um raio do quarto.

Tsc. Só quero minhas roupas.

Depois de me forçar a engolir três colheradas daquela meleca branca, minha suposta esposa chega. Ela prendeu o cabelo e usava um vestido turquesa, que deixava todo o colo exposto.

Exposto demais para uma mulher casada.

— Bom dia, querido, está acordado há muito tempo? — Perguntou aproximando-se, enquanto carregava uma bandeja de metal.

— Sakura, por que estou nu?

— Bem, só eu cuidava de você, então me livrei da camisola. Ela só atrapalhava na hora de trocar as ataduras.

— Cueca...? — perguntei-lhe, acentuando o quanto era ilógico eu estar sem uma única peça de roupa.

— Nem me passou pela cabeça. Ficar trocando sua cueca seria apenas um trabalho desnecessário. — Respondeu dando de ombros.

Fiz um esforço para parecer indiferente ao fato de que nudez não é um problema pra nós, afinal, somos casados e fizemos dois filhos.

Rapidamente mudei de foco, antes que começasse a imaginar eu e Sakura fazendo filhos.

Voltei a me concentrar em toda a história confusa que ouvi ontem. Mesmo depois de passar uma noite inteira tentando digerir tanta informação, não consigo acreditar, ou me acostumar. Não que eu duvide da veracidade.

Pensando melhor, duvido um pouco sim.

Sei que Sakura fez apenas um resumo grosseiro, que faltam muitos detalhes. Porém não tenho pressa em saber tudo agora, preciso entender minha nova realidade primeiro.

E, nessa realidade, sou um shinobi de Konoha.

Isso é o que menos consigo aceitar. Posso sentir meu corpo vibrar de ódio ao me lembrar que a paz dessa maldita vila custou a vida de todos do meu Clã, inclusive a do meu irmão, que ainda foi obrigado a ser o carrasco dos próprios pais.

Senti a mão delicada da Haruno — ou melhor, Uchiha — tocar a minha, que estava fechada em punho por causa da minha tensão, e acariciar-me com o polegar.

De algum modo, minha raiva pareceu se dissipar, algo que eu julgava ser impossível, já que tinha plena consciência de que estava totalmente perdido, consumido pelo ódio.

Só que agora me parece que não estou mais tão perdido assim.

— Sasuke, podemos tirar as ataduras agora.

Sem responder, sentei de frente para ela, segurando o lençol para que me cobrisse, e sem perder tempo, Sakura começou a tirar os esparadrapos.

— Se eu estava inconsciente, para que tudo isso?

— Como eu disse ontem, por precaução — Semicerrei os olhos, exigindo silenciosamente uma resposta melhor — Seus ossos estavam muito danificados e só com o tempo poderiam voltar ao normal, por mais que eu os colocasse de volta no lugar. Mesmo inconsciente, você poderia fazer algum movimento involuntário ou a enfermeira que vinha trocar seu soro poderia colocar seu braço numa posição ruim.

— Disse que só você cuidava de mim. — rebati, levemente irritado.

Mas, ao invés de ela ficar constrangida pelo meu tom acusador, fez um bico tentando conter uma risada e, com uma falsa expressão preocupada, perguntou:

— Sasuke-kun acha que pode ter sido molestado por alguma enfermeira pervertida?

Toda a simpatia que comecei a criar por essa nova Sakura acaba de morrer.

Acho que prefiro a Sakura chorona.

Abaixei a cabeça, aproximando nossos rosto e indaguei num tom mais ameaçador que pude:

— Não acha que é muito insolente o modo que trata seu marido?

Então sua expressão de deboche se converteu para desafiadora. Aproximou seus lábios da minha orelha, dizendo num sussurro:

— Não.

Assim que foi tirado aquele monte de gaze de mim, fui tomar banho e finalmente coloquei roupas, como um ser humano normal. Uma calça e camiseta pretas, sendo que a segunda peça carregava o símbolo do meu Clã nas costas, trazidas por uma senhora simpática que descobri ser a funcionária da minha casa.

Sakura ficou mais um tempo conversando comigo. Disse que é melhor eu ficar aqui mais um dia para que eu possa aprender sobre meus filhos e, como não estava interessado em uma discussão, concordei. Ela me entregou o álbum de fotos que veio junto com as roupas, para que eu pudesse começar minha tarefa.

— Já avisei ao Naruto que acordou, também avisei sobre sua amnésia e ele me disse que virá te ver assim que puder.

— Hm. Está em missão?

— Sim. Ele agora é o Hokage, o que não deixa de ser uma missão.

Estava virando uma página, parei no meio do ato para processar essa nova informação.

Humpf. Aquele dobe conseguiu. Realizou seu sonho.

Observando melhor uma foto minha com a Sakura, parecia que estávamos numa festa, ela sorria abertamente olhando para algum ponto que a câmera não captou. Mas o que mais me chamou atenção foi a minha imagem: eu estava olhando pra ela e sorrindo, de uma forma que não sabia que podia, e então me dei conta de que nós três realizamos nossos sonhos no final das contas.

— Fale-me sobre as crianças — Pedi ao achar uma foto de um garotinho que poderia jurar que era eu quando criança, se não tivesse a mesma menina de ontem ao seu lado.

— Sarada tem sete e Rai tem três. Eles são muito unidos e acham que você é o maior ninja da história — Sua voz não tinha mais um tom de deboche, seu sorriso gracioso entregava o orgulho que sentia ao falar deles — Sarada já frequenta o academia, sonha em ser Hokage, e ama tomates mais do que você — Soltou uma leve gargalhada com a última informação e não pude conter um sorriso também — Raijin é extrovertido, mas fica irritado com facilidade, ama todo tipo de doce e só toma banho sob ameaça.

— Parece que eles são uma mistura de nós dois — Pensei alto olhando para uma foto de Sakura e Raijin fazendo careta.

— Como assim? Eles são sua cara! O que é muito injustiça, já que fui eu que tive que aguentar nove meses me sentindo uma baleia! Duas vezes! — Soltei uma risada pelo nariz.

Dramática.

— Sarada me lembra você. Reparei assim que a vi, só não conseguia entender.

— Sério? — Apenas assenti em resposta.

— Nunca te disse isso?

— Disse, mas achei que fosse só pra me agradar.

Ao ouvir sua resposta, não pude deixar de me questionar: "eu tentava agradá-la?"

— Sakura, como eu... nós... como éramos?

Ela sorriu mais ainda com minha pergunta

— Éramos felizes... — Também sorri, mas não era bem a resposta que buscava.

— Me refiro a nós dois. Éramos apaixonados? — "Nos amávamos? Eu te amava?". Me segurei, uma pergunta de cada vez.

Estávamos sentados na cama, um de frente ao outro, o álbum estava sobre minhas pernas.

Antes de me responder, ela segura minha mão e me olha nos olhos profundamente. De repente, eu sinto a antiga Sakura olhando pra mim, mas não daquele jeito irritante, enquanto falava sobre um amor infantil, dessa vez eu quase sinto seus sentimentos. Me parece mais real. É uma sensação inexplicável.

— Eu te amo. Mesmo se eu tentar negar, meu amor por você já é algo que faz parte de mim. — Ela olha para nossas mãos, seu sorriso agora parecia constrangido — E quanto a você, me dizia que me amava. E eu acreditava.

— Como?

Voltando a olhar meus olhos, levantou sua mão livre até minha testa e tocou com dois dedos, logo reconheci o gesto.

— Desculpe, querido, te conto numa próxima vez.

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