Reaprendendo a Amar
9 Pequenos Gênios
Notas iniciais
Crianças cansam.
Demais.
Mas as minhas são particularmente cansativas. Não é possível que todas as crianças do mundo sejam assim. Inconcebível, na verdade.
Não que isso seja uma coisa ruim. Claro que não.
Mas a verdade é que é preciso um excelente preparo físico para passar um único dia com meus filhos.
Apenas cinco minutos foi o suficiente para Raijin sumir de nossas vistas. Esse moleque herdou minha velocidade. Deu muito orgulho quando vi, mas agora já estou praguejando.
Quando Sakura apenas mencionou a palavra “banho”, ele, que estava sentado no chão pintando, apenas levantou a cabeça, olhou para a mãe e, num piscar de olhos, o pirralho sumiu.
Sim, exatamente: sumiu.
Mas isso não é tudo.
Sarada se levantou logo após, ativou o Sharingan e começou a procurá-lo, como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo.
Minha filha, Sarada Uchiha, de sete anos de vida, ativou o Sharingan. Como se fosse nada.
Puff… Assim.
Mas, de novo, isso não é tudo.
Parece que além da minha velocidade, Rai também herdou o talento de Sakura de exímio controle de chakra, sendo assim, ele consegue ocultar o dele a ponto de se tornar invisível à irmã.
Acabei de ganhar dois filhos. E ninguém teve a decência de mencionar o fato de eles serem pequenos gênios.
Agora estamos eu, Sakura e Sarada procurando por Rai na casa inteira.
Depois de procurar pelos quartos, subi até o sótão e me deparei com um vasto cômodo de paredes brancas com várias prateleiras abarrotadas de livros e grossas pastas de arquivos. O lugar é muito limpo, como os outros ambientes da casa, mas é bem mais iluminado, pude ver assim que acendi as lâmpadas. À minha frente, há uma grande e adornada mesa de madeira escura e polida e uma cadeira acolchoada atrás. Fui até ela, curioso. Sentei-me na cadeira confortável, ficando de costas para a única janela existente e de frente para a entrada.
Em cima da mesa apenas havia dois porta-retratos, um com uma foto de nós quatro e outra apenas de Sakura com as crianças. Peguei a primeira e me encostei no assento, relaxado. Na foto eu estava ao lado de Sakura, com Sarada no meu colo e Rai no da mãe. As crianças estavam bem menores, devia ser de uns dois anos atrás. Eu estava sério e Sarada apenas sorria de canto, enquanto Sakura e Rai davam aqueles sorrisos enormes.
Minha família.
Devolvi o objeto em cima da mesa e me preparei pra levantar, até que ouço um barulho vindo do armário da mesa. Me abaixo e abro a porta do móvel, me deparando com meu filho todo apertado encolhido, abraçando o bendito dinossauro de pelúcia. Assim que me vê, ele cobre os olhos, como se ele ficasse invisível com tal ato.
—Ainda estou te vendo… — Digo.
—Não tá nada! -Me responde sem sair da posição.
—Você vem por bem ou quer que eu chame sua mãe?
No momento seguinte, ele me olha como se eu tivesse ameaçado a vida dele e olha para o espaço abaixo de mim, na certa procurando uma saída.
—Nem adianta… não vai fugir de mim, sabe disso.
Derrotado, ele começa a engatinhar saindo do aperto. Já fora, cruza os braços irritado e fica olhando para o lado oposto onde estou.
—Tsc. Não quero tomar banho.
—Hm. Não me recordo de ter perguntado. — Respondi com um sorriso, divertido. — Agora anda. Não adianta enrolar mais.
Encontramos Sakura no segundo piso, procurando-o em baixo das camas das crianças. Ela parecia muito preocupada. Quando nos viu, lançou a Raijin o olhar mais sinistro que já vi (mesmo considerando que morei com Orochimaru, o ser mais sinistro do mundo, e suas criações repugnantes), e veio em nossa direção em passos silenciosos.
Talvez eu esteja assustado um pouco também, mas me mantive impassível, é claro, mesmo com meu filho pulando no meu colo.
—Corre, papai! Dá tempo! — Ele sussurrou no meu ouvido e considerei em obedecê-lo.
—Quantas vezes eu já falei que não é pra você sumir desse jeito, menininho? Quer me enlouquecer? — Sakura falava num tom mais agudo do que o normal.
—Sakura… — Cossei a garganta, pra arrumar minha voz — Ele está bem, estava lá em cima… acho melhor eu dar o banho, vá descansar.
—Eu acho melhor também… — Ela passou por nós com os olhos semisserrados e suspiramos de alívio.
O banho foi bem tranquilo, felizmente, e logo após pôr outro pijama, Rai simplesmente apagou. O beijei na testa e fui fazer o mesmo em Sarada, que já dormia, porém ela acordou assim que me afastei.
—Papai…? — Perguntou com a voz embargada.
—Sou eu. Desculpe. — Me aproximei de novo, me ajoelhando ao lado da cama.
—Tudo bem… eu gostei muito do nosso dia…
—Eu também… — Concordei sorrindo.
—O senhor tá diferente…
—Ah, é?
—Uhum. Tá sorrindo mais.
—Isso é bom, não é?
—Aham. E tá mais legal também…
—Então eu era chato? — Perguntei me fingindo ofendido.
—Não, seu bobo! — Ela ri, me lembrando da risada de Sakura. — Só era mais quieto…
—Hmm.
—É que também fazia tempo que a gente não brincava… o senhor tava sempre ocupado, né? — Ela conclui dando de ombro e com um sorriso triste.
Suspiro profundamente e afago seus cabelos.
—Sinto muito…
—Mas eu tô muito feliz por você ter voltado…
—Eu sei…
—Eu fiquei com tanto medo… a mamãe disse pra nós que o senhor estava só dormindo, mas eu sabia que não era só isso… Eu ia te ver no hospital escondido… você não me respondia quando eu falava com você! — Ela veio até mim e me abraçou, pude sentir suas lágrimas caírem sobre meus ombros, e a abracei forte também — Eu falava para o Rai que era só mais alguns dias, que voltaria pra nós... Mas depois de um tempo eu fui perdendo a esperança... Eu tive medo, papai, de o senhor nunca mais acordar…!
—Sshh… calma filha, eu voltei… Eu estou aqui… está tudo bem de novo…
Ficava repetindo essas palavras enquanto afagava minha filha, completamente desolado. Sua angústia me doía quase fisicamente. Era insuportável ver minha menininha chorando.
—Eu amo você, papai…
—Eu também amo você. Você e seu irmão. Eu amo vocês… — nesse momento senti um certo alívio, como se apenas pronunciar essas palavras me fizesse bem.
—E a mamãe?
—Ela ama vocês também…
—Não, papai. O senhor não ama a mamãe?
Demorei um momento pra responder, refletindo. Não queria mentir pra minha filha.
Pensei em tudo o que aconteceu com a minha vida, desde criança até essa loucura que é minha vida adulta.
Pensei naquela menininha chata de cabelos rosa que me perseguia até a mulher incrível e misteriosa que é minha esposa, a mãe dos meus filhos.
Pensei naquele efeito irritante que ela tem sobre mim, que sempre teve, aliás. Mas antes eu conseguia controlar. Hoje já não mais consigo; não posso; não quero.
Pensei nos seus sorrisos, no seu jeito de colocar o cabelo atrás da orelha quando está irritada, na cômica expressão que faz quando é contrariada, no brilho nos olhos aos falar dos filhos, no seu novo e irritante jeito sarcástico e na recém descoberta mania de umedecer os lábios quando está excitada.
Assim que terminei minha reflexão, dei a única resposta honesta possível:
—Amo.
Fiquei na mesma posição, ainda extasiado pela minha recém descoberta, até minha filha voltar a adormecer.
Meu coração estava acelerado.
Eu a amo.
Preciso contar à ela!
Reposicionei Sarada de volta no travesseiro e me levantei, sentindo uma leve dormência nos meus pés. Assim que saí do quarto encontrei Sakura encostada na parede, com os olhos inchados e vermelhos, com certeza estava ouvindo a conversa.
Ótimo. Mais fácil assim.
Me aproximei, sorrindo quase abertamente, tamanha era minha felicidade.
—Estou tão aliviada que vocês conversaram, ela se recusava a se abrir comigo. — Ela me abraçou e eu estranhei sua reação. — Céus! Estava tão aflita! Eu disse pra você que ela ia escond…
A interrompi com um beijo. Logo já aprofundei e ela não hesitou e aceitar. Beijei apaixonadamente, como me sentia. Eu sentia o gosto salgado de nossas lágrimas, mas não importava.
Estava tudo perfeito.
—Você ouviu tudo, não ouviu? — Perguntei, esperando que ela mencionasse feliz minha última declaração.
—Ouvi. Você se saiu muito bem. — Ela respondeu apenas, sorrindo e limpando meu rosto.
Beijou meu rosto e se afastou, indo ao nosso quarto e eu, embasbacado demais, não pude impedir.
Mas logo fui atrás dela e a vi já preparando a cama.
Fui até ela e a puxei até a parede, prensando-a, assim ela não fugirá de mim. Minhas mãos foram até seu rosto, forçando-a a me encarar nos olhos.
—Sakura, eu te amo. — Falei firme e claramente.
—Sasuke, não precisa fazer isso… — Desviou o olhar e tentou me afastar novamente, mas me mantive firme — Eu sei que está tentando, querido, não precisa…
—Sakura. — Forcei a me olhar de novo e repeti mais lentamente — Eu. Amo. Você.
Ela apenas fechou os olhos e suspirou e mais lágrimas caíram.
—Por favor, Sasuke, não faça isso… não minta pra mim… por favor… — Por que ela não acredita? Pensei que estaria pulando de felicidade.
—Ei. Olha pra mim. Eu estou apaixonado por você. Não estou mentindo. — Ela me olhou, e eu comecei a me desesperar pra que ela acreditasse — Eu amo você. Eu amo a mulher incrível que você é. Eu amo seu cabelo rosa. Eu amo te beijar. Eu amo cada uma de suas curvas. Amo o modo que sorri quando olha para mim... — Aproximei mais nossos rostos e continuei a falar em sussurros — Não sei como, mas você me faz sentir mais leve só por estar perto. É loucura, mas eu sei que eu quero você pra mim, pra sempre, quero você comigo.
—Verdade…? Você… você tem certeza? — Ela perguntou num tom que não pude saber se era esperança ou receio.
—A mais absoluta.
—Fala de novo… — Me pediu ainda hesitante.
—A mais absoluta.
—Não, idiota… — Ela rolou os olhos rindo e eu ri junto.
—Eu te amo.
—De novo.
—Eu te amo.
—De novo.
—Eu te amo. Eu te amo. Eu t…
Fui interrompido por um beijo, que intensifiquei logo. Poderia devorá-la.
Ficamos assim por um bom tempo, até que a peguei no colo e joguei na cama, fazendo-a soltar uma deliciosa gargalhada. Tiramos nossas roupas apressadamente e me posicionei entre suas pernas. Com uma mão, prendi seus braços acima da cabeça e com a outra passei por todo seu corpo, começando do pé, passando pela coxa, seio, até a nuca, onde seguirei firme. Nos encarávamos e trocávamos beijos quando finalmente a penetrei. Ela me prendeu com as pernas e comecei com os movimentos leves.
—Eu amo você… — Eu murmurava de vez em quando em sua orelha e passava a língua suavemente no lóbulo.
É tão fodidamente fácil falar isso.
É tão fácil e viciante quanto fodê-la com força.
E ela se segurava pra não gemer alto demais. Vejo que quase delira quando meto mais forte.
Deliciosa.
Eu a puxo, fazendo se sentar sobre mim e ela imediatamente começou a rebolar, me fazendo entrar e sair dela do jeito que ela sabe como me fazer enlouquecer.
Nossos rostos estavam próximos o suficiente pra que pudesse contornar seus lábios com minha língua, e ela fazia o mesmo.
Até que ela jogou a cabeça pra trás, arranhou meu ombros e acelerou os movimentos. Comecei a sugar seu pescoço e logo já desci para seus seios, enquanto apertava com certa força sua bunda.
—Minha gostosa… — Soltei antes de depositar um tapa no local.
E ela acelerou ainda mais.
Não demorou muito mais e ela me abraçou, mordendo meu ombro para evitar seu mais longo gemido. Assim que senti suas paredes me apertando, não aguentei e me despejei dentro dela.
Mesmo quando já não havia mais nada pra sair, não tirei, ficamos na mesma posição, parados e abraçados. Eu afagava suas costas e pernas e ela passou a acariciar meu cabelo.
Outra vez eu a beijo e nos deitamos de lado, um de frente ao outro, sem nos afastarmos um centímetro sequer.
Tento controlar minha respiração pesada, vendo ela fazer o mesmo, com aquele sorriso de quem acabou de ser muito bem comida.
—Só pra constar… — Comecei. — Você me ama também, certo?
—É claro! — Me olhou estranhando a pergunta — Tem dúvida disso?
—Não. É que… — Desviei o olhar, arrependido de ter começado a falar. Merda. — É que… eu falei um monte de vezes… e você não falou nenhuma…
Assim que falei, Sakura começou a rir alto, quase me constrangendo.
Tsc. Certeza que estou vermelho.
—Tudo bem, Senhor Sasuke Uchiha. — Dessa vez ela que me força a encará-la. — Eu, Sakura Uchiha, declaro: Eu te amo! Com todo meu coração! Te amo! Amo!
Começou a beijar todo meu rosto, fazendo-me rir também.
Não precisava de todo esse teatro.
Irritante.
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