Reaprendendo a Amar

13 Parque de Sakuras


Notas iniciais
→I'M BACK← **OBS** Quero dedicar esse capítulo à todos que acompanham e não desistem dessa autora fujona hihi e mandar um beijo para Alice12 que teve que me pedir para retomar a história! Desculpem a demora!

—Ele está acordando! — Ouço a voz de Naruto.

—Sasuke! Sasuke! — Outro homem me chama, dessa vez não reconheço.

Tento abrir meus olhos, mas descubro que preciso concentrar minhas forças para isso. Depois de alguns segundos, consigo enxergar e viro a cara quando a minha primeira imagem é a fuça desse Dobe.

—Tsc. Que droga. Sai de cima.

—Até que enfim você acordou, imbecil! — Naruto começou a gritar. — Achei que eu teria entrar no meu modo Kurama pra te reanimar! ‘ttebayo!

—Tsc. Cala a boca.

—Acalme-se, Naruto. Sasuke ainda está zonzo, ficar gritando não vai ajudar.

Consigo me sentar e olho para frente, pra ver quem é o cara falando.

—Kakashi?

—Ohayo, Sasuke. Como se sente?

Fico olhando para meu sensei perplexo. Ele está exatamente como me lembro, a não ser por um detalhe.

—Cadê seu sharingan?

—É uma longa história. — Ele respondeu apenas, colocando a mão atrás da cabeça. — Eu perdi na guerra.

Como assim ele perdeu um olho?

—Mas…

—Esse restaurado fui eu! — Naruto voltou a falar com um sorriso largo.

—Hm. — Não me importo mesmo.

—Mas que droga aconteceu, Sasuke? — O hokage pergunta.

—Não sei. Minha cabeça começou a doer e de repente pareceu que eu estava em outro lugar. E então eu acordei aqui. — Olho em volta pra saber onde exatamente é “aqui” e percebo que estou de volta na sala oficial, sentado no chão. Naruto estava sentado de frente para mim e Kakashi de pé encostado na parede.

—Eu te encontrei desmaiado no corredor e te trouxe pra cá. — Kakashi disse.

—Estou melhor agora. — Falei me levantando.

Pego minha capa que estava pendurada numa cadeira e me preparo pra sair.

—Vai ao seu escritório? — Naruto me pergunta sério.

—Sim. — Vejo os dois trocarem olhares pela minha resposta. Sinto uma vontade imensa de soca-los até me contarem o que estão escondendo.

—Espera, Sasuke. — Kakashi me chama. — Estive conversando com Naruto.

—Hm.

—Kakashi-sensei falou uma coisa e tive que concordar.

—Tsc. Digam logo.

—Você está fraco. Não está preparado para emoções tão fortes.

Apenas ignoro meu amigo e continuo meu caminho até a saída. Mas Kakashi se põe entre mim e a porta.

—É sério, Sasuke. Deveria esperar.

—Esperar? Então sugerem que eu fique preso aqui, sem saber quem ou o que eu sou?! — Minha raiva já toma conta de mim. Quem eles pensam que são pra me privar de informações tão fundamentais?

—Não foi isso o que dissemos. — Naruto volta a falar calmo.

—Então digam de uma vez!

—Acho que deveria começar a treinar com Naruto, para poder recuperar logo seu chakra. Quando voltar a ter sua força, poderá retomar sua vida.

Fico em silêncio, refletindo.

Realmente, a idéia de não usar mais selos é mais do que tentadora. Estou mesmo fraco, se quero descobrir a verdade não posso me dar ao luxo de ficar desmaiando por aí.

Porém, não estou certo de que posso confiar neles.

—Você é o Hokage, com certeza tem coisas mais importantes para resolver. Por que está disposto a perder tempo me ajudando?

—Porque você é meu amigo. — Naruto responde com um sorriso.

Mais lembranças invadem minha mente, mas de outra época.

Me vejo enfrentando meu melhor amigo no vale do fim. Queria desesperadamente cortar meus laços e ir atrás de Orochimaru.

Naquele dia deixei para trás minha bandana e um Naruto quase morto, com a tola certeza de que depois daquilo ele me deixaria para trás, me esqueceria, seria mais fácil assim.

Olhei para meu sensei, ainda era estranho olhá-lo nos olhos, ainda mais estar um pouco mais alto que ele.

—Que seja. — Respondo enfim.

(...)

Fiquei mais algumas horas com os dois, ouvindo com mais detalhes sobre a guerra.

Não pedi muitos detalhes sobre Itachi, até porque me parece que há apenas uma pessoa com quem posso conversar sobre: Kabuto.

Fiz uma nota mental de visitá-lo.

Ainda cético, me deixei acreditar na história que contavam. Não era uma história bonita de se ouvir, mas era crível. Eu quase consegui me ver fazendo todas aquelas coisas. Dessa vez, nenhum flash veio.

Sakura chegou a tempo de eles terminarem de falar sobre eu ser solto da prisão. — essas partes o Taka não puderam falar muito, por só chegarem na vila anos depois. — E me surpreendo por não encontrar meu filho.

—Onde está Raijin?

—Ficou brincando com a Hima. — Ela responde vindo ao meu lado.

Incomodado com não sei o quê, olho para Kakashi, e descubro o motivo.

Ele encarava minha esposa.

Quem esse cara pensa que é para olhá-la tão descaradamente?

Como se pudesse ouvir meus pensamentos, ele se volta para Naruto.

Kakashi não é idiota, com certeza sabe que foi flagrado.

—Chegou agora, sensei? — Sakura pergunta, dando-me mais raiva.

—Sim. Vim relatar minha missão para o hokage.

—Achei que fosse apenas um conselheiro. — Consigo camuflar meu desgosto.

—Kakashi-sensei é habilidoso demais para ser apenas um conselheiro. — Naruto é quem responde.

—Vamos? — Sakura me chama. E eu aceito aliviado por tirá-la dali. — Até mais, Naruto! Kakashi-sensei! — Apenas ela se despede.

Ela não pareceu exatamente feliz com a idéia de eu começar a treinar com Naruto, mas me apoiou.

Começamos a andar pela vila de novo, agora já estou vestido com minha capa.

Sakura para numa padaria e pega um embrulho. A atendente sorri para nós dois e acena, e mais uma vez apenas minha esposa se despede.

—O que é isso? — Pergunto, agora mais tranquilo.

—Uma surpresa. — Ela sorri sem me olhar.

Apenas fico em silêncio e me deixo ser guiado para onde Sakura estiver indo. Sei apenas que não é o caminha para casa.

Com o passar dos quarteirões, o número de residências vão aumentando e o de lojas diminuindo.

—Durante uma de suas viagens, acho que foi a primeira, você salvou uma família sequestrada. — Sakura volta a falar.

—O que?

—Uma família inteira, seis pessoas, sendo três crianças, foram sequestradas enquanto viajavam de férias. Eles eram civis e tinham muito dinheiro, alvos fáceis. Você estava na mesma vila na época e percebeu o que estava acontecendo. Soltou as vítimas antes mesmo de os sequestradores mandarem o pedido de resgate. — Ela fala calmamente, ainda sem me encarar. — A família então voltou para casa e, por acaso, era Konohagakure no Sato. E então começaram espalhar histórias sobre seu herói, Sasuke Uchiha, como ele entregou seus sequestradores às autoridades sem ter que derramar um pingo de sangue e depois seguiu seu caminho sem pedir nada em troca. Hoje as três crianças estão na academia, querem ser como você um dia.

Permaneço em silêncio, tragando essa história. Começo a sentir algo bom dentro de mim. Talvez seja orgulho.

Um orgulho positivo, dessa vez.

Então eu me tornei o que meu irmão poderia ter se tornado? Um exemplo a ser seguido?

Um herói de Konoha?

—Querido…? — Desperto com a voz de minha esposa, que sorria pra mim enquanto segurava o pacote. — Venha, quero te levar a um lugar…

Seguimos um caminho que me parece familiar, mas não consigo associar a nenhuma lembrança de quando eu morava aqui. O número de árvores estão aumentando, fazendo as luz ficar cada vez mais escassa e o chão acimentado se torna apenas uma larga trilha na grama, não me lembro de nada assim dentro da vila.

Depois de mais alguns minutos de caminhada, Sakura então para e se vira pra mim, sorrindo. Sorrio levemente de volta, mas ainda intrigado.

O que é esse lugar?

Olhando em volta, vejo que estamos debaixo de uma cerejeira, a única que vi por perto, e ao lado de um banco de praça.

Não pode ser…

Se for o que estou pensando, a saída da vila devia estar logo mais a frente. Ando um pouco mais pra ver se consigo enxergar.

—A vila cresceu… — Sakura parece ter lido meus pensamentos — … os portões agora ficam há dezenas quadras de distância…

Viro minha cabeça pra trás, para olhá-la, e sou tomado por uma forte emoção. Sinto meu coração acelerar. Um misto de medo, remorso e até esperança.

Estamos exatamente como naquela noite.

Mas dessa vez, ao invés de lágrimas, ela não deixava de sorrir pra mim. Em seus olhos eu consigo ver o quão fortes seus sentimentos são.

—Com o passar dos anos, aqui se tornou apenas um dos parques da vila. E como não é no centro, nunca tem alguém…

—Por que me trouxe aqui? — Perguntei receoso. Esse lugar não me trás boas lembranças. Não gosto daqui.

—Por que eu estive pensando… — Ela se senta no maldito banco e começa a abrir as embalagens — … podíamos almoçar aqui… um piquenique.

—Não quero ficar aqui.

—Sente-se, por favor… logo já vamos embora.

Resolvi ceder, ainda alerta.

Ela quer me fazer me sentir culpado? Não tem sentido.

—Eu sei que não tem boas recordações desse lugar. Mas eu tenho… — Ela dizia enquanto me passava meus hashi’s — Foi aqui que me pediu em casamento… ou me avisou que íamos nos casar.

Ela ri um pouco aérea, parece estar se lembrando de algo.

—Avisei?

—Sim. Você não conseguiu me pedir. Foi a primeira vez que te vi gaguejar. — Ela fala entre um sorriso aberto. Não pude deixar de sorrir também.

—Eu gaguejei? — Pergunto ainda sorrindo, mais relaxado.

—Muito! Demorou pra eu conseguir entender o que estava dizendo…!

Fico um pouco constrangido ao imaginar essa cena e agradeço mentalmente por não ter que passar por isso outra vez.

—Eu te trouxe nesse lugar especial por um motivo… lembra-se que eu disse que conversaríamos sobre o passado?

—Hm. — É agora!

—Eu te trouxe aqui para te dizer… que deveríamos deixar o passado para trás.

—O que quer dizer? — Minha voz saiu mais ácida.

—Que devemos pensar no nosso futuro apenas.

—Sakura…

—Querido. — Me interrompe. — Eu não posso, não quero falar sobre isso.

—Você tem noção do que está me pedindo?

—Sim. Eu sei que é egoísmo.

—Então terminamos por aqui.

—Não.

A encaro numa mistura de surpresa e raiva.

—Como não?

—Sasuke, por favor, deixe pra lá.

—Como pode pedir um abuso desses? Como posso pensar no meu futuro se perdi meu passado? — Agora eu já estou gritando de fúria.

—Você não entende! Não tem idéia do que eu faria para poder esquecer!

Sinto o golpe mais pesado com essas palavras.

Sakura chorava, mas parecia mais com raiva do que triste.

—Sakura… — Tento tocar sua mão, mas ela afasta.

—Sasuke, eu imploro. — Ela volta a me encarar determinada. Mais lágrimas caem de seus olhos.

Eu me rendo.

—Sakura, coloque-se no meu lugar…

—Eu confiaria no meu marido, porque eu te amo. Se me ama mesmo, só peço que confie em mim…

—O que foi que eu fiz com você…? — Toco seu rosto, dessa vez ela me aceita, e limpo suas lágrimas.

—Nenhum de nós fez nada que não pudesse ser perdoado. — Ela beija a palma da minha mão. — Por isso eu peço…

—Me contará as coisas boas, pelo menos?

Ela sorri abertamente, aliviada, me fazendo lembrar da primeira vez que a vida quando acordei.

—Sim. Contarei tudo o que quiser saber! Você treinará com Naruto e logo poderá retomar seu posto na ANBU.

—E meus pesadelos? Quem garante que não voltarão?

—Nós podemos voltar ao tratamento. Vamos descobrir a causa e eliminá-la!

Quase rio de sua empolgação. Isso é realmente muito importante para ela.

—Tudo bem.

—Vai fazer o que pedi? — Oi? Pediu? Depois dessa cena…?

—Vou sim.

Ela pula em mim e me beija.

—Obrigada, Sasuke. Eu amo você! — Ela sussurra no meu ouvido.

—Eu sei.

Notas finais
Alguém aí acha que o Sasukito vai deixar o passado para trás e fazer o que a Saky pediu? e.e COMENTEM! Ah! Dêem uma olhada nas minhas outras histórias! https://fanfiction.com.br/historia/690974/Devocao/ https://fanfiction.com.br/historia/706397/A_Dama_do_Fogo/