Notas iniciais
Oooii Cap mais curto, só pra se lembrarem de mim e dizer que a fic não foi abandonada. Bjoos

—Querido, olhe! Não são uma graça?! — ele me olha e sorri.

—Você os quer? — pergunta, tentando parecer animado.

—Hai. Nosso bebê ficará lindo com esses sapatinhos.

Permanece me encarando enquanto acaricio minha barriga e vejo seu semblante mudar um pouco. Sei que sempre que menciono nosso bebê ele se anima.

Suas olheiras, não muito diferentes das minhas, denunciam as noites mal dormidas. E eu sei que toda vez que amanhece ele se sente mal por eu não ter dormido também. Aqueles malditos pesadelos…

—Então é seu, Sakura. — meu marido finalmente responde. — nossa filha ficará linda com esses sapatos.

Não consigo suportar a ideia de que tudo aquilo está voltando.

Não paro de chorar desde que Sasuke saiu de casa.

Eu não tenho mais condições para aguentar tudo aquilo de novo.

Por que tudo tem de ser tão difícil? Por que eu não consigo paz? Só queria meus filhos aqui comigo para eu poder abraçá-los, para conseguir forças para encarar o que está por vir.

Como um filme de terror, meu passado assombra minha mente, exibindo imagens que gostaria de esquecer. E Sasuke está presente em todas.

Achei que se ignorasse essas malditas memórias, elas seriam apagadas. Mas percebo, com muita dor, que preciso encará-las de uma vez por todas.

Se Sasuke quer a verdade, terá a verdade.

Levanto-me, tentando me recompor. Vou até o lavabo e jogo uma água no rosto para tentar melhorar essa vermelhidão por conta do choro.

Sempre fui chorona, e detesto isso.

A chuva está mais espessa, o que me faz viajar para uma boa lembrança. Sorrio ao pensar na gruta, em Sasuke, antes de todo esse pesadelo. Nós dois sempre adoramos a chuva depois daquele dia.

A nostalgia começa a me acalmar. Lembro-me que, quando chove, as crianças pedem pipoca e ficam assistindo filmes na sala, e eu sei que Sasuke adora ficar com eles. O que é curioso, pois Sasuke detesta filmes, para ele ficar sem fazer nada assistindo televisão era pura perda de tempo. Lembro-me de quando tentei fazê-lo assistir filmes comigo, quando éramos namorados, pois eu sabia que ele se entediaria e me beijaria, até fazermos amor no sofá dos meus pais.

Afasto esse sentimento saudoso de mim. Não posso me permitir distrair agora.

Onde ele pode estar agora?

Certamente foi atrás de respostas. Mas em quem confiaria? Naruto? Kakashi?

Oh, céus! Como eu queria poder ir deitar e fingir que está tudo bem!

Concentro meu chakra para apaziguar a dor latejante na minha cabeça e o embrulho no meu estômago. Estresse sempre foi meu ponto mais fraco, meu corpo sofre como se estivesse sendo esmagado.

Vou para meu quarto e visto uma roupa adequada à chuva. Não sei quanto tempo demorarei até encontrar Sasuke.

Quando termino, olho no espero. Não reconheço essa mulher que me encara. Ela parece velha e cansada. Há quanto tempo já não vejo minha própria imagem?

Concentro-me e seguro o nó na garganta, fujo do olhar triste daquela mulher e saio a passos pesados e inseguros da minha casa.

Meu primeiro destino é a casa de Naruto.

Chegando perto, consigo ouvir a barulheira. Sinto-me bem por pensar que Naruto conseguiu tanto ao longo dos anos. De fato, suas conquistas foram mais que merecidas.

Se tem alguém que merece ser feliz, com certeza é Naruto.

Assim que chego em frente a porta, antes mesmo que pudesse apertar a campainha, meu melhor amigo aparece. Seu olhar preocupado sobre mim me lembra daquela noite, quando o avisei da minha partida, grávida.

—Sakura-chan, não vá. Fique. Cuidarei de você!

Naruto apertava meus braços com certa força, que pra mim era suportável. Seus olhos vermelhos e inchados estavam vidrados nos meus, tão insuportavelmente que desviei e encarei meus próprios pés.

—Não se preocupe, Naruto. Mandarei notícias. Quando meu bebê nascer, mandarei lindas fotos. — disse fracamente.

Mas ele sabia que era mentira. Eu sou uma tola por ir, e ele sabe disso.

—Naruto… — o nó na minha garganta aumentou e perdi o ar.

Naruto me apoiou antes de desabar e me abraçou com força.

Eu soluçava em seu ombro, desesperada.

Ele permanece em silêncio, apenas acariciando meus cabelos, pois sabia que não há o que dizer. Eu sou um caso perdido.

Outra vez, quando estou prestes a desabar, Naruto me mantém de pé.

Ouço Hinata levar as crianças para cima. Estou atrapalhando e levando tristeza aos Uzumaki.

—Me desculpe. — tento dizer, porém minha voz não sai.

—Está tudo bem. — ele responde manso.

Sinto-o beijar minha cabeça e desabo a chorar ainda mais. Apenas depois de não sei quanto tempo me desvencilho de seu abraço. Sinto minha pressão cair antes de dizer qualquer coisa, porém, de novo, meu amigo me socorre.

Ele me leva ao sofá da sala e chama Hinata para me trazer algo que possa melhorar meu estado. Uno outra vez toda minha força para curar-me desse mal estar.

—O que ele fez dessa vez? — meu amigo me pergunta sem rodeios, trazendo um copo d'água e sentando ao meu lado.

—Ele quer respostas. Está enlouquecendo.

—Sakura…

—Ele havia mudado, Naruto. Ele me amou.

—Tudo mudou agora.

—Por que não consigo ter paz?

—Onde ele está? — ignora minha pergunta.

—Eu não sei. Honestamente. Pensei que poderia ter vindo atrás de você. Pensei que fosse atrás de respostas.

—Ele não veio. Não passou nem perto daqui, eu teria notado.

—Agora não sei onde meu marido está, nem mesmo se voltará um dia.

—Isso não seria tão ruim. — ele responde, tentando parecer engraçado.

—Não tente me distrair.

—Desculpe. Onde estão as crianças?

—Na Ino.

—Sakura-chan… você sabia que esse dia iria chegar. Cedo ou tarde. Não poderia esconder por tanto tempo. Sasuke sempre foi obstinado demais para se contentar com tão pouca informação.

—Sim, eu sei. — confessei envergonhada.

Sou mesmo uma covarde.

—Ele é outra pessoa agora. — Naruto continuou — demorou anos para se tornar quem era.

—Você parece tão conformado. Não era assim antes, onde está sua esperança no Sasuke?

—Eu sou adulto agora. Tenho filhos e uma vila inteira para me preocupar. Eu o amo, ele sempre será um irmão, porém não posso mais protegê-lo.

Permaneço em silêncio, sorvendo daquelas palavras.

Naruto me olhava docilmente, parecia mensurar cada sílaba que dizia. Meu amigo idiota havia crescido, afinal.

Enquanto eu continuo aquela garotinha patética, apaixonada por um garoto perdido que só a faz sofrer.

—Mas agora não se trata mais sobre ele, Naruto. Nem sobre mim, nem sobre você. Agora há duas crianças inocentes envolvidas. — digo com mais firmeza — eu não posso levá-los para esse abismo. Eu preciso do Sasuke presente, pelo menos para dizer adeus.

Continuo a chorar depois da última palavra.

Eu morro só com a ideia de Sasuke me dizer adeus outra vez.

Além de patética, sou grotescamente egoísta e masoquista.

Naruto enxuga minhas lágrimas e segura meu rosto com as duas mãos.

—Olha pra mim. — eu o obedeço. Encontro aqueles grandes olhos azuis cheios de esperança — você é uma mulher incrível. Nada, nem ninguém, pode dizer o contrário. Você vai conseguir superar tudo isso outra vez. Mas precisa, urgentemente, encarar a realidade. Sasuke não é mais o seu o seu marido agora. Pode ter sido um dia, mas não hoje. Diga a verdade quando encontrá-lo e, assim, conseguirá paz.

Minhas lágrimas continuam escorrendo e ele parece não se importar em sujar suas mãos. Percebo meu meus punhos estão tão cerrados a ponto de sangrar.

Naruto também percebe e me força a relaxar os dedos antes de me puxar para outro abraço.

—Obrigada, Naruto.

—Não se preocupe, sempre estarei aqui para cuidar de você. Esse é meu jeito ninja.

Sorrio com sinceridade e agradeço fortemente por tê-lo comigo. Naruto é um irmão que não mereço ter.

Após finalmente eu me recompor, despeço-me de Naruto e Hinata, pedindo mil perdões por toda aquela cena.

—Não se preocupe, Sakura-chan. — Hinata respondeu com doçura — vou buscar seus meninos, sei que adorariam passar a noite aqui hoje.

—Obrigada, Hinata. — agradeço apertando suas mãos.

—Agora vá procurar aquele bastardo. — Naruto interrompeu, mostrando seu bom humor costumeiro e quebrando aquele clima pesado. — pode ser que ele tinha ido até o memorial.

—Talvez. — respondo, olhando o céu estrelado. Todas as nuvens negras já se foram. Talvez seja um bom presságio. — Vou procurar pela cidade, mas estou considerando a possibilidade de ter que sair de Konoha para encontrá-lo.

—Como achar melhor. — meu amigo conclui.

Depois de me despedir, vou em direção a casa de Ino. Encontro meus meninos e minha melhor amiga brincando na sala. Entro sem bater na porta e os dois vêm correndo me abraçar. Ajoelho e os abraço de volta, com o máximo possível de força, para não machucá-los.

—Gente, a mamãe e o papai vão ter que viajar por um tempinho. — digo soltando-os e mirando aqueles pequenos olhos negros. — não vamos demorar, mas, enquanto isso, vocês ficarão na casa do tio Naruto, tudo bem?

Os dois concordam, não muito satisfeitos.

Olho para Ino e a encaro. Ela é outra pessoa maravilhosa que eu não merecia.

Principalmente depois daquele episódio lastimável com Sasuke e Sai.

De certa forma, me sinto culpada. Primeiro, me casei com Sasuke, mesmo consciente de seu amor por ele. Sei que ela nunca o superou completamente.

Depois teve aquele cínico.

Afasto aquelas lembranças e vou abraçá-la.

—Tenha cuidado, Testa de Marquise.

—Sabe que sempre tenho, Porca.

Volto minha atenção aos meus filhos.

—Tia Hinata virá buscá-los, ok?

—Ok! — respondem uníssono.

Depois de beijar cada um, parto sem rumo certo.

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Notas finais
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